NFPA 13 e as fichas técnicas da FM

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Ponto de vista

NFPA 13 e as fichas técnicas da FM

Por Jaime A. Moncada

Todos nós que projetamos e especificamos sistemas de sprinklers automáticos estão intrigados com a recente falta de compatibilidade entre a NFPA 13, Norma para a Instalação de Sistemas de Sprinklers e os FMDS 2-0, Ficha Técnica de Prevenção de Sinistros, Orientações para a Instalação de Sprinklers Automáticos, com sua companheira, FMDS 8-9, Armazenamento de Mercadorias do Tipo 1, 2, 3, 4 ou de Plástico. A Global FM (FM) tomou a decisão, desde 2010, de abandonar a densidade do sprinkler como critério de projeto e, em vez disso, usar outros atributos do sprinkler, como o fator K (a capacidade de fluxo de água através do furo do sprinkler), orientação, tempo de resposta e a temperatura de operação (ver comunicado de imprensa). A FM elimina a diferença entre o tipo de controle e tipo de supressão, argumentando que nos sprinklers com fatores K muito grandes é impossível distingui-los, porque seus testes mostram que sprinklers considerados tipo de controle poderiam suprimir o fogo e vice-versa.

Não é o propósito desta coluna dar minha opinião sobre qual documento é melhor, ou que é bom ou mau, mas sim oferecer um pouco mais de clareza sobre esta questão. Da minha perspectiva, você deve supor que ambos os documentos fornecem um nível adequado de proteção contra incêndio. Mas a primeira coisa que temos que entender é que as normas NFPA seguem um processo de consenso, aberto, onde qualquer pessoa, incluindo um representante de FM, pode propor alterações às regras. Não tenho que repeti-lo nestas páginas, mas NFPA é reconhecida como a fonte de maior autoridade globalmente na proteção contra o fogo.

A FM, por outro lado, é um fundo que oferece seguros à propriedade (property insurance) a clientes comerciais e industriais em todo o mundo e é reconhecida como uma líder na indústria de seguro. Desde a sua criação, a FM seguiu a filosofia de projetar soluções de controle de perdas baseadas em engenharia. Seu laboratório de pesquisa, em Gloucester West, RI é reconhecido como líder no desenvolvimento de técnicas avançadas de proteção contra fogo. Mas, no final de tudo, como escreveu Russ Fleming, presidente da Associação Nacional de  Sprinklers, ou NFSA, no Relatório do Grupo de Trabalho para Avaliar as Fichas Técnicas de Sprinklers da FM, em 8 de fevereiro de 2011, para o Comitê Técnico de Correlação da NFPA 13, “devemos reconhecer que as fichas técnicas da FM foram desenvolvidas para atender às necessidades especiais de uma seguradora e seus segurados e que não são normas de consenso”.

Para ilustrar um pouco mais o processo de consenso, no qual especialistas de diferentes óticas e de todos os tipos oferecem seus conhecimentos, a NFPA 13, em resposta a algumas das inovações apresentadas pela FM, inclui, na edição 2013, um novo capítulo, o 21, sobre projetos alternativos de sistemas de sprinklers em armazéns. 

O problema que muitos de nós estamos encontrando surge quando o cliente pede-nos que cumpramos com a NFPA 13 e com as fichas técnicas da FM na concepção de sistemas de sprinklers automáticos. Isto exige não só mais tempo, durante a fase de design, mas ele pode ficar confuso. A minha posição, quando isso aconteceu comigo, é que se cumprirá com NFPA 13 e, naqueles casos em que a FM oferece uma opção que poderia diminuir o custo do sistema, vamos apresentá-la para que o cliente faça a decisão final. Mas nem tudo é tão claro. Existem diferenças que, do ponto de vista construtivo são importantes, como, por exemplo, o fato de a NFPA 13 requerer que, nos telhados com inclinação, o defletor do sprinkler seja alinhado com o teto; a FM, por outro lado, exige que o defletor se alinhe com o assoalho em telhados com uma inclinação superior a 5° (8.7%). Quem está certo? O que é mais conveniente? Como explicar isso para o cliente para que tome a melhor decisão?

Um argumento, que ouvi várias vezes, é que a proteção de um prédio de acordo com as especificações técnicas da FM é mais barata. Sobre este assunto há um novo manual, editado por CEPREVEN, na Espanha, intitulado “Instalações de Sprinklers Automáticos em Soluções de Design Comparados: UNE-EN/NFPA/FM Global, edição 2013” que nos oferece um esclarecimento importante. Este documento, embora inclua a norma europeia para os sprinklers, de pouco uso na nossa região, é o primeiro estudo de qualidade que conheço em que se compara a NFPA 13 e o FMDS. Este manual pretende ser um guia que permita conhecer os principais critérios ou abordagens de cada uma destas normas para determinados desafios da proteção contra incêndios. De uma forma clara e ordenada, apresenta a forma como cada um destes padrões de design fornece soluções para vários casos, principalmente industriais e de armazenamento. Dos nove casos práticos analisados, existem seis que oferecem uma comparação direta entre a NFPA 13 e as fichas técnicas da FM. Estes casos práticos (CP) estão resumidos na Tabela acima.

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No entanto, especialmente com a NFPA 13, muitas vezes há mais de uma maneira de proteger uma estrutura, não parece que nem FMDS e nem NFPA podem argumentar que seus padrões de oferecem, para cada caso, soluções mais convenientes para o usuário final, do ponto de vista econômico. As informações na Tabela estabelecem que, em metade dos casos, a NFPA requer baixa vazão e reserva de água, enquanto na outra metade são menores no FMDS. As vazões e o tamanho da reserva de água podem ser fatores determinantes no custo do sistema.

Um aspecto onde o FM pode fornecer soluções não disponíveis anteriormente na NFPA 13, é em estruturas com telhados com inclinações importantes. A inclinação do telhado é crítica porque determina a distribuição de fumaça quente, que é onde opera o sprinkler. Quando a inclinação é muito alta, a fumaça do incêndio se move para o cume, abrindo sprinklers longe da vertical do fogo.

Neste sentido, a NFPA 13 limita a inclinação do telhado a 9.5 ° (16.7%) quando os sprinklers estão protegendo qualquer tipo de armazenamento, incluindo nas prateleiras. Se houver uma maior inclinação,— Um caso muito particular na América Latina são os telhados tipo dente de serra, que com uma análise de engenharia de incêndio, pudemos resolver hidraulicamente estendendo a área mais remota para compensar a inclinação—só seria possível esse tipo de proteção de risco se estiver instalado um teto falso adicional, liso ou com uma inclinação inferior a 9.5 ° (16.7%). No caso do FMDS 2-0/8-9, embora seja impossível explicar nas breve linhas que me restam, é possível proteger os telhados com declives superiores a 20° (35%), dependendo da existência de um  espaço livre importante entre as prateleiras e teto e a instalação de sprinklers em prateleiras (chamadas sprinklers intermediários pelo FM).

O que deve ser muito claro, para qualquer pessoa avaliando o uso de um padrão ou de outro, é que o sistema de sprinklers é projeto para ser feito e instalado de acordo com apenas uma das duas normas. Não se devem escolher os itens que se adéquam a melhor FMDS ou NFPA13. Também temos que ver quem está pedindo a proteção da instalação. Se é um cliente da FM ou se o edifício vai ser alugado ou vendido para uma companhia segurada pela FM, é óbvio que as fichas técnicas são o que vale. Caso contrário, a menos que você tenha condicionantes de construção que não permitam a conformidade com NFPA 13, em minha opinião a opção mais óbvia é proteger-se de acordo com a NFPA 13. Definir que norma usar baseado no custo do sistema deve ser avaliado como a última alternativa, com muito cuidado e com a aprovação do cliente final.

Jaime A. Moncada, PE,é diretor da International Fire Safety Consulting (IFSC), uma empresa de consultoria em proteção contra incêndio, com sede em Washington, DC e escritórios na América Latina.

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