A efetividade dos sprinklers automáticos
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Ponto de vista

A efetividade dos sprinklers automáticos

Por Jaime A. Mocada, P.E., SFPE

JAM3Qtabla PRNa coluna anterior abordei o tema do custo dos sprinklers. Naquela ocasião escrevi que a eficácia dos sprinklers é “indiscutível”. Nesta coluna queria abordar um tema paralelo, o da eficiência dos sprinklers, analisando inicialmente seu possível impacto sobre a proteção dos edifícios e sua incidência nas estatísticas de incêndios, um tema que só agora começa a ser estudado.


Tendências estatísticas: Para poder entender a problemática da eficiência dos sprinklers automáticos, devemos analisar mais atentamente as tendências das estatísticas de incêndios ocorridos nos Estados Unidos, que a NFPA coleta há várias décadas. Nessas estatísticas observa-se uma redução clara, nos últimos 30 anos, do número de incêndios estruturais, excluindo incêndios residenciais (ver tabela). Nesta tabela se observa, por exemplo, ano após ano, uma redução do número de incêndios, mortos e feridos registrados, assim como do custo global desses incêndios. 

Esta estatística é importante para nossa análise porque exclui os incêndios em veículos e ambientes externos (como, por exemplo, os incêndios florestais) e não inclui os incêndios residenciais – um tipo de edificações que só agora começam a ser protegidas por sprinklers automáticos. Por esse motivo, a tabela anexa concentra-se no tipo de edificações que têm sido geralmente protegidas por sprinklers automáticos e onde poderíamos ver o impacto, embora parcial, desse tipo de proteção. 

De 1977 a 2011, o número de incêndios em edificações não residenciais reduziu-se em 69%; o número de mortos em 81%; o número de feridos em 63% e o custo das perdas nos incêndios (em dólares ajustados a 2011) em 64%.

Mas estes números subestimam a realidade, devido ao fato que entre 1977 e 2011 a população dos Estados Unidos cresceu em 41% e o produto interno bruto em 247%. A figura anexa mostra o número de mortes em incêndios estruturais sem incluir incêndios residenciais por milhão de habitantes nos Estados Unidos. A redução da taxa de mortes foi de 87% entre 1997 e 2011 (em lugar de 81% como foi mencionado anteriormente). Por outro lado, o impacto financeiro dos incêndios estruturais não residenciais sobre a economia americana reduziu-se em 85% no mesmo período, revisando os dados econômicos em função do crescimento da economia e da inflação (em vez de 64% como se mencionou anteriormente).

Estas estatísticas contrariam o bom senso. Vai contra a intuição pensar que num país onde a população aumentou em 41% e a economia em 247%, o número de incêndios e mortos, assim como o custo dos incêndios, tenham diminuído tão rapidamente.  

O motivo mais plausível para entender parte da redução do impacto dos incêndios sobre a sociedade americana é que os sistemas de proteção contra incêndios que se instalaram nos edifícios estão, na sua maioria, funcionando como deveriam e que esses sistemas, aliados a melhores métodos construtivos, resultam numa proteção mais efetiva.

JAM3Qgrafico PR

Estatísticas sobre sprinklers: no mês de junho de 2013, a NFPA publicou seu último relatório sobre a experiência dos sprinklers automáticos nos Estados Unidos. (U.S Experience with Sprinklers, John R. Hall, Jr, Junho 2013, NFPA). Esse relatório confirma mais uma vez que os sprinklers são um elemento altamente efetivo na proteção contra incêndios. Esse relatório mostra que o impacto dos sprinklers nas residências, do ponto de vista meramente estatístico, ainda é pequeno. Em 2009, apenas 4.6% das residências (incluindo apartamentos) estavam protegidas por sprinklers. Contudo, nos últimos quatro anos para os quais existem estatísticas, de 2007 a 2011, 18.5% das residências novas tinham proteção por sprinklers automáticos. Embora desde 2006 as normas da NFPA requeiram a proteção de todas as residências por sprinklers automáticos, a adoção dessas normas nos Estados Unidos leva tempo, pois cada condado e em certos casos cada estado devem adotar essa regulamentação um por um.

No período entre 2007 e 2011, em termos gerais, os sprinklers automáticos operaram em 91% dos incêndios em todos os tipos de estruturas, quando os sprinklers estavam presentes na área do incêndio e o incêndio foi suficientemente grande para ativá-los. Quando os sprinklers operaram, sua efetividade foi de 96%.

Quando os sprinklers não operaram, o motivo mais comum registrado foi que a válvula de controle dos sprinklers estava fechada (64% das ocorrências), situação que pode ser facilmente evitada com um simples protocolo de inspeção. Outras causas incluem a intervenção manual que deixou o sistema inoperante (17%); a falta de manutenção (6%) e sistemas que foram mal projetados para o tipo de risco de incêndio (7%). Apenas 7% das falhas foram devidas a um dano nos componentes do sistema.

Nos casos onde os sprinklers operaram, mas sua atuação foi ineficaz, o motivo mais comum é que água aplicada ao incêndio foi insuficiente, quer por não ter chegado ao incêndio (44% dos casos) quer por ter chegado com vazão e pressão insuficientes (30%).

Em 86% dos incêndios, quando os sprinklers operaram efetivamente, o incêåndio ficou limitado ao compartimento de origem. Um só sprinkler controlou o incêndio em 75% dos casos com sistemas úmidos (55% com sistemas secos). Dois sprinklers controlaram o incêndio em 88% dos incêndios com sistemas úmidos (73% com sistemas secos).

Comparação com outros sistemas de supressão: O relatório sobre a experiência nos Estados Unidos com sistemas de extinção automática não baseados em água (U.S Experience with Non-Water-Based Automatic Fire Extingushing Equipments, John R. Hall, Jr., outubro 2012, NFPA) oferece informação sobre a eficácia dos sistemas a base de químicos secos e úmidos, presentes na maioria das cozinhas industriais. O relatório indica que esse tipo de sistema operou em 81% dos incêndios. Os sistemas que operaram foram eficazes em 69% dos casos. Quer dizer que quando o incêndio foi suficientemente grande para ativar o sistema, este foi efetivo em 55% dos casos (81% X 69%).

Dados sobre sistemas a base de gás carbônico, espuma e agentes limpos não foram registrados. A base de dados de incêndios em instalações industriais, onde se encontram a maioria desses sistemas, não oferece informações suficientes para poder realizar uma análise estatística.

Comentários finais: A efetividade dos sprinklers automáticos, especialmente dos sistemas úmidos, é excelente. Estatísticas Australianas e do Departamento de Energia dos Estados Unidos, que têm relatórios estatísticos mais completos, registraram que 99.7% e 99.4% dos incêndios foram controlados por sprinklers. As percentagens de efetividade registradas pela NFPA não são tão altas, talvez por duas razões principais. Em primeiro lugar, a base dos relatórios de Incêndios de Estados Unidos, chamada NFIRS (National Fire Incident Reportintg System) é voluntária e em segundo lugar porque a notificação desse tipo de incidente é seletiva.

Muitos incêndios não seriam notificados devido à eficiência dos sprinklers automáticos. Por exemplo, num hotel onde a empregada, erroneamente, guarda toalhas muito perto duma lâmpada que as aquece até se incendiarem. Segundos depois ativa-se um sprinkler automático que protege o quarto das empregadas.

Este incêndio é rapidamente controlado pelo sprinkler. Momentos depois o pessoal de segurança responde ao alarme proveniente do interruptor de fluxo dos sprinklers, encontra a fonte do incêndio, verifica que o incêndio está controlado e fecha a válvula de controle do sistema de sprinklers. Neste caso, que aconteceu a um de meus clientes, não foram informados nem os bombeiros, pois tudo foi controlado rapidamente, nem a companhia de seguros, porque o dano era muito inferior ao valor que poderia ser deduzido do custo do seguro.

Este exemplo ilustra um tema que começou a ser debatido faz pouco tempo, relacionado com o fato que uma percentagem dos incêndios (ninguém que eu conheça pôde estimá-la) não está sendo notificada, como se fazia anteriormente, porque o sistema de supressão de incêndios funcionou adequadamente, controlou o incêndio rapidamente, eliminando a necessidade de contato com os bombeiros e o custo do incidente foi tão baixo que não valia a pena informar a companhia de seguros. Os relatórios dos bombeiros e das companhias seguradoras são as únicas fontes estatísticas que conhecemos no âmbito da proteção contra incêndios.

Jaime A. Moncada, PE, é diretor da International Ffire Safety Consulting (IFSC), uma empresa consultora de engenharia de proteção contra incêndios com sede em Wshington, DC e com escritórios na América Latina.

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