Risco ou Perigo
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Ponto de vista

Risco ou Perigo

Por Jaime A. Moncada P.E., SFPE

No dia a dia de nosso trabalho no campo da segurança contra incêndios, falamos constantemente do risco de incêndio ou do perigo de incêndio, utilizando ambos os termos quase como se fossem equivalentes. Mas não é assim. Em termos gerais o Perigo, ou Hazard em inglês, faz parte de nossa vida diária, é intrínseco ao processo industrial duma fábrica, à operação dum hotel ou um hospital, existe quando dormimos, nos deslocamos para o serviço ou praticamos algum esporte.

Por outro lado o Risco, ou Risk em inglês, é o resultado de não tomar as medidas necessárias para minimizar o perigo. No campo da segurança contra incêndio, o perigo de incêndio é o potencial de dano intrínseco à operação de qualquer instalação, enquanto o risco de incêndio é a probabilidade de que esse incêndio cause um dano.

Por sua parte a norma da NFPA define Perigo como uma condição que apresenta o potencial de causar prejuízo ou dano às pessoas, propriedades, meio ambiente, missão ou patrimônio cultural. Sua definição de risco é a conjunção de probabilidades e consequências que resultem num possível evento não desejado associado a uma instalação ou processo específico.

Por outro lado, no processo de análise das condições de segurança humana e proteção contra incêndios dum edifício ou instalação, utilizamos dois termos que também são confusos para muitos de nós. Trata-se da análise de Perigo de Incêndio (Fire Hazard Analysis) chamada geralmente FHA e da Apreciação de Risco de Incêndio (Fire Risk Assessment) chamada geralmente FRA. Em termos gerais, uma instalação ou edifício pode ser avaliado por meio dum FRA e como parte do FRA avaliamos as consequências do Risco de Incêndios através dum FHA. Quer dizer que o FHA faz parte do FRA e o FRA é muito mais do que o FHA. Sendo assim entendemos porque isso pode criar confusão.

Análise de Perigo de Incêndio: o FHA se utilizou historicamente na elaboração de normas contra incêndios, onde a Análise de Perigo de Incêndio se realiza através da opinião de “especialistas”. Na grande maioria dos edifícios de nosso mundo moderno a solução prescritiva dos níveis de segurança humana e proteção contra incêndios utiliza essa metodologia. Entretanto, em riscos industriais ou petroquímicos é cada vez mais comum que as autoridades competentes requeiram um FHA para entender o que pode acontecer nesse tipo de evento, independentemente de sua probabilidade. É assim como, por exemplo, uma autoridade competente pode requerer um estudo de radiação para entender o impacto que pode ter na vizinhança uma bola de fogo (fire ball) proveniente de um BLEVE (explosão do vapor de expansão dum líquido que ferve devido à ruptura dum tanque de armazenamento de gás liquefeito de petróleo sob pressão superaquecido).

Na realização dum FHA, a análise de engenharia é bastante clara. Seus passos principais incluem: definir aquilo que se pretende entender; identificar o cenário do incêndio; definir os cenários de incêndio; selecionar os métodos de predição: calcular o potencial de incêndio; analisar o impacto do incêndio e avaliar a incerteza de toda a análise. Para mais informação sobre este tema recomendo a leitura da seção 2, Capitulo 2, “Análise de Perigo de Incêndio” do Manual de Proteção Contra Incêndios em espanhol, Quinta Edição.

Apreciação do risco de Incêndio: O FRA é a forma de análise mais completa que se pode aplicar a qualquer situação de segurança contra incêndios. Proporciona um esquema mais flexível para estimar o impacto duma estratégia de proteção contra incêndios em termos de reduções reais de perdas assim como de seu custo-benefício. O FRA não utiliza apenas as ciências exatas (física, química, engenharia), mas baseia-se também na teoria de decisão estatística. Lembremos que o risco está relacionado com a probabilidade.

Para mais informação sobre este tema recomendo ler a secção 2, Capítulo 3, “Análise de Risco de Incêndio” do Manual de Proteção contra Incêndios em espanhol, Quinta Edição e a Secção 5, capítulo 1, “Introduction to Fire Risk Analysis”, do Manual SFPE de Engenharia de Proteção contra Incêndios, Quarta Edição.

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NFPA 551: devido ao aumento da utilização de métodos de engenharia de proteção contra incêndios como a Apreciação de Risco de Incêndio, a partir de 2004 a NFPA desenvolveu um novo documento chamado “Guia para a Avaliação das Apreciações de Risco de Incêndios” (Guide for the Evaluation of Fire Risk Assessments). Quero sublinhar que a Guia tem por único escopo proporcionar assistência, principalmente às autoridades competentes, para a avaliação do FRA de forma a garantir que tenha sido executado de forma adequada e correta. A avaliação do FRA poderia também ser levada a cabo pela seguradora ou pelo proprietário das instalações. Contudo, deve ficar muito claro que a guia não é a base para a execução do FRA, mas uma guia para sua avaliação ou revisão. O propósito dessa guia é apoiar uma autoridade competente na avaliação do FRA quando se aplicam metodologias de projeto baseado no desempenho, assim como estudos de engenharia, equivalências aos requisitos do código e avaliações de cumprimento regulamentar. A guia descreve o processo de revisão técnica e a documentação necessária quando se avalia o FRA, mas não indica como executar o FRA.

Em muitas jurisdições, a autoridade competente não tem os recursos para levar a cabo a avaliação do FRA. A NFPA 551 sugere dois enfoques: a revisão por pares ou a revisão contratada. Na revisão contratada a autoridade competente delega a responsabilidade da revisão do FRA a terceiros, quem decidem quanto à ação a tomar em relação ao FRA, como por exemplo aprovar, pedir revisões ou recusar. A outra possibilidade é que a entidade que faz a revisão por pares apresente um relatório à autoridade competente e que esta assuma a responsabilidade da ação a tomar com o FRA (aprovar, pedir revisões ou recusar). Qualquer um desses dois enfoques proporciona uma solução muito apropriada para nosso ambiente latino-americano.

Jaime A. Moncada, PE, é diretor da International Fire Safety Consulting (IFSC), uma empresa de consultoria em proteção contra incêndio, com sede em Washington, DC e escritórios na América Latina.

 

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