O SHUTDOWN TEM CUSTOS?

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O SHUTDOWN TEM CUSTOS?

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ESPECIALISTAS DIZEM QUE O MAIS LONGO SHUTDOWN DA HISTÓRIA DO GOVERNO DOS ESTADOS UNIDOS PODERIA SER PROBLEMÁTICO PARA A TEMPORADA DE INCÊNDIOS FLORESTAIS 2019
 
Por Angelo Verzoni

Ronda Scholting estava pronta para o início das aulas em 7 de janeiro. Scholting, oficial de informação pública do West Metro Fire Protection District em Lakewood, no Colorado, era uma entre as centenas de bombeiros que foram aceitos em todo o país para participar do 17°ciclo anual de capacitação da Tennessee-Kentucky Wildland Fire Academy. O seu plano era assistir a um curso sobre educação para a prevenção dos incêndios florestais antecipando a temporada de incêndios florestais de 2019 no Colorado, que começa usualmente em abril.

Mas nem Scholting nem nenhum dos outros futuros estudantes conseguiram viajar até Buckle, no Tennessee, para a academia. A academia, que depende do financiamento de uma série de organizações federais, incluindo o United States Forest Service, o US Fish & Wildlife Service, e o National Parks Service, foi cancelada por causa do shutdown parcial de 35 dias do governo, que começou no final de dezembro e continuou até o final de janeiro. O shutdown foi o mais longo no seu gênero na história dos Estados Unidos, fruto de um conflito entre o presidente Trump e os Democratas do Congresso, que não queriam destinar fundos ao fortalecimento da construção do muro ao longo da fronteira entre os Estados Unidos e México.

"É muito difícil encontrar, entrar e completar esse curso, simplesmente porque não é oferecido frequentemente" disse Scholting ao 9 News, um canal de televisão de notícias locais no Colorado. "Fiquei muito decepcionada quando cancelaram o curso porque esse curso em particular não será oferecido no Colorado ou na região das montanhas Rochosas este ano e provavelmente tampouco no próximo ano." Um capitão do seu corpo de bombeiros disse também ao 9 News que o cancelamento da academia "coloca [o departamento] numa posição difícil" em termos de preparação para a temporada de incêndios florestais de 2019.

Em todo o país, outros cursos sobre incêndios florestais, assim como iniciativas de prevenção dos incêndios florestais, como as queimas prescritas, não aconteceram como previsto devido ao shutdown. Agora, os especialistas receiam que essa interrupção possa ter um impacto na gravidade da temporada de incêndios florestais este ano. "Vi muitos cancelamentos de capacitações sobre os incêndios florestais e das ofertas de formação a nível dos estados," disse Michele Steinberg, que dirige a Divisãode Incêndios Florestais da NFPA. "Estou preocupada com o impacto que esta situação poderá ter para o pessoal de operações nos incêndios florestais. As pessoas precisam ser qualificadas para ir na linha de frente do incêndio e fazer o seu trabalho, e se elas não puderem ir aos cursos, teremos possíveis consequências quando o próximo grande incêndio chegar."

010FECHADO Os especialistas dizem que o shutdown pode ter tido um impacto na formação sobre os incêndios florestais e as atividades de mitigação, assim como nas áreas como resposta aos desastres e intercâmbio científico.

Cancelar queimas prescritas pode também representar um contratempo significativo, disse Steinberg, porque "o timing é tudo em relação àsintervenções que realizamos na natureza," então se perdermos a janela ideal para realizar uma queima programada, nãohá nada que se possa fazer.

Stephen Pyne, um conhecido pesquisador e historiador dos incêndios florestais, lamentou o cancelamento de uma formação em particular - um curso chamado "Fire in Ecosystem Management", ministrado no National Advanced Fireand Resource Institute em Tucson, no Arizona, que foi cancelado também o ano passado devido a uma ameaça de shutdown do governo. "Os calendários estão cheios," ele disse. "Você não pode facilmente reprogramar esse tipo de treinamento. Não são apenas os estudantes, é também o corpo de instrutores que vem de outras partes do país. Uma das grandes qualidades do curso, a sua longevidade e o seu legado, fica bastante comprometida."

NOTÍCIAS DA NFPA E ALÉM

Num e-mail dirigido ao Serviço Florestal, o NFPA Journal solicitou informação sobre o número de formações e queimas que não aconteceram por causa do shutdown e se seria possível recuperá-los. Mas a agência apenas respondeu dizendo, "Reconhecemos que o shutdown parcial do governo teve um impacto importante no trabalho que a nossa agência realiza a favor do povo americano. Com o restabelecimento do financiamento estamos agora avaliando as prioridades para o resto do ano e voltando ao trabalho de cuidar o território e servir as pessoas."

Embora a quantificação desse tipo de informação seja sem dúvida difícil, já que muitas das atividades são realizadas pelos estados usando o dinheiro federal, outras entidades também perguntaram isso. Numa carta enviada ao Secretário da Agricultura Sonny Perdue, no dia 1 de fevereiro, 42 dos 53 representantes do estado da Califórnia solicitaram "um inventário completo das atividades de combate e prevenção dos incêndios que foram afetadas pelo shutdown do governo", incluindo "o número estimado de acres de combustíveis perigosos na Califórnia que deveriam ter sido limpos durante o período do shutdown" e "qualquer e todas as atividades de formação relacionadas com os incêndios florestais que foram demoradas." No artigo publicado pelo NPR aproximadamente duas semanas antes do fim do shutdown, o diretor dum grupo de conservação da Califórnia estimou que "centenas, senão milhares" de acres de terreno seriam afetados se o shutdown continuasse.

Apesar de o Serviço Florestal não ter lidado diretamente com as questões relacionadas com a quantidade de trabalho que não ocorreu e se seria possível recuperá-lo, Zach Behrens, um empregado do Serviço Florestal que trabalha nos assuntos públicos para o San Bernardino National Forest na Califórnia, disse que ele confia na capacidade do serviço de recuperar o tempo perdido. "Apesar das possíveis janelas de queimas perdidas, estamos trabalhando para completar os nossos projetos e achamos que os desafios podem ser mitigados," disse Behrens ao jornal Desert Sun em fevereiro.

EFEITO CASCATA

O impacto que o shutdown do Governo dos Estados Unidos poderia ter na próxima temporada de incêndios florestais constitui uma preocupação não apenas neste país como também no estrangeiro.

Cathelijne Stoof, coordenadora do The Wageningen Fire Centre nos Países Baixos, disse que possivelmente o maior - e menos falado - dos impactos do shutdown sobre a segurança relacionada com os incêndios florestais poderia ser a paralização da comunicação, numa época do ano onde os peritos deveriam estar discutindo as lições aprendidas nos eventos do ano anterior. "Com a ciência aprendemos graças ao intercâmbio," disse ela. "Se os cientistas e administradores de incêndios não puderem ir às conferências, isso significa, por exemplo, que as pessoas envolvidas no grande incêndio de Camp [na Califórnia em novembro], não terão a oportunidade de trocar informação com as pessoas envolvidas na análise dos incêndios florestais da Grécia ou de Portugal. Apesar das diferenças, existem muitos paralelos entre os incêndios e nós, os cientistas, precisamos trocar informação para aprender."

No sentido mais amplo, os especialistas acreditam também que o shutdown poderia afetar a resposta aos desastres naturais, já que suspendeu o pagamento aos trabalhadores contratados pela Agência Federal de Gerenciamento de Emergências (FEMA). Centenas de trabalhadores contratados para a preparação para futuros desastres realizando tarefas como o mapeamento das inundações ou fabricando abrigos móveis para habitação de emergência receberam uma comunicação da FEMA dizendo que deviam parar de trabalhar ou arriscariam trabalhar sem compensação, de acordo com uma notícia do Washington Post." Esse é um dos efeitos colaterais do shutdown," disse ao Post o ex-administrador da FEMA Craig Fugate. Está limitando a capacidade de contratação da FEMA com vista a futuros desastres."

Formações relacionadas com os desastres naturais foram também canceladas por causa do shutdown. Todos os anos, em janeiro e fevereiro, o Centro Nacional sobre Furacões da National Oceanic and Atmospheric Administration Organization faz cursos de três semanas de duração para funcionários públicos ligados às emergências nas áreas sujeitas aos furacões, e os dois primeiros cursos foram cancelados, de acordo com um artículo publicado no Insurance Journal. As capacitações proporcionam informação valiosa sobre a tomada de decisões em resposta a tempestades previstas, incluindo quando emitir as ordens de evacuação, de acordo com a revista.

Na NFPA o shutdown não afetou o financiamento do programa modelo de prevenção da organização, o Firewise Program USA®. O programa, que ensina às comunidades em todo o país como se preparar melhor para a ameaça dos incêndios florestais e trabalhar para a sua mitigação, conta atualmente com o copatrocínio do Serviço Florestal, do Departamento do Interior dos Estados Unidos e da Associação Nacional de Guardas Florestais. "É um programa importante," disse Steinberg. "Não queremos que o financiamento seja reduzido numa época onde é cada vez mais necessário que as comunidades se preparem melhor para os incêndiosflorestais."

014RETROCESSO DA MITIGAÇAO? As queimas programadas, como esta no Colorado em 2016, são essenciais para gerir as cargas combustíveis nas áreas sujeitas aos incêndios florestais. Os especialistas receiam que o shutdown do governo tenha reduzido o suficiente esse trabalho para ter um efeito adverso sobre a próxima estação de incêndios. Getty Images.

 

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