Em uma armadilha mortal

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Em uma armadilha mortal

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Em março, quando começou um incêndio num shopping da cidade de Kemerovo, uma cidade industrial na Sibéria, os ocupantes enfrentaram uma quantidade de obstáculos para saírem vivos. Os alarmes de incêndio não dispararam, não havia sprinklers no prédio e as saídas estavam bloqueadas. 

Como resultado, dezenas de pessoas ficaram trancadas. A imprensa revelou chamadas de telefone horrosas feitas pelas vítimas nos seus momentos finais. “Diga pra mãe que eu a amo”, uma menina de onze anos disse para sua tia antes de morrer, de acordo com o New York Times. O incêndio matou 64 pessoas, 41 delas, crianças.

O incêndio inflamou os críticos do governo russo, que eles dizem que é o responsável pelo incêndio e por incontáveis outros que regularemente acontecem pelo país, e os levou a pedir que a Rússia examine como nações, como os Estados Unidos tratam a segurança contra incêndios. A mortalidade dos russos por cada cem incêndios é mais de trinta vezes que a dos EUA. Uma semana depois do incêndio em Kemerovo, outro incêndio num shopping, em Moscou, matou uma pessoa e feriu seis bombeiros.

“A Rússia precisa estudar as melhores práticas dos países desenvolvidos quanto à prevenção e combate a incêndios e implementar estas práticas aqui”, disse o ativista político Aleksei A. Navally, num vídeo postado no seu site logo depois do incêndio. Navally, um bem conhecido crítico de Putin, também acusou as autoridades russas de estarem mais preocupadas com receber os subornos do que melhorar a segurança contra fogo.

Em resposta, algumas autoridades russas acusaram críticos como Navally de explorar as vítimas do incêndio em Kemerovo em favor de uma agenda política. “Chegamos à conclusão de que isto foi uma clara e planejada demonstração com o objetivo de desacreditar o governo”, disse Vladimir Cehrnov, vice-governador em Kemerovo, sobre uma vigília que ocorreu depois do incêndio, de acordo com o Guardian. “Muitos dos participantes eram jovens que vieram sem saber o que estavam fazendo ali.”

Os USA como modelo?

Don Bliss, vice-presidente de operações de campo da NFPA, concorda com os sentimentos de Navally e explicou o contexto por que a mortalidade nos incêndios russos é muito mais alta que em outros países: “Embora a Rússia tenha duras regulamentações sobre incêndio, não há fiscalização e a corrupção é enorme”, disse ele. “Dois outros fatores contribuem para esta alta taxa: o clima – condições de frio extremo resultam em incêndios de aquecedores mal usados, com instalação mal feita ou sem manutenção – e a alta taxa de alcoolismo no país, que pode ser relacionada a incêndios ligados ao fumo e cozinhas sem supervisão”.

Muitos incêndios na Rússia mataram mais de uma dúzia de pessoas ao longo dos últimos dez anos. Em 2013, 38 pessoas, a maioria pacientes psiquiátricos, morreram no incêndio que destruiu um hospital perto de Moscou. Janelas com grades evitou que as vítimas escapassem. Em 2009, mais de 150 morreram no incêndio que começou com fogos dentro de uma boate, na cidade de Perm, onde as saídas de emergência estavam bloqueadas.

De acordo com um relatório publicado no ano passado pelo International Association of Fire and Rescue Services, que foi patrocinado pela State Fire Academy of Emercom of Russia com a NFPA como coautora, o número de mortes por fogo por cem incêndios é 6,4 na Rússia, comparado com 0,2 nos EUA. Na verdade, dos trinta outros países listados no relatório, incluindo países em desenvolvimento como Mongólia e Vietnam, somente a Bielorrússia, antigamente parte da União Soviética, tinha uma taxa de mortalidade por cem incêndios mais alta que a Rússia (7,9). “Não precisamos inventar nada novo”, disse Navalli. “Se outro país tem dez vezes menos gente morrendo em incêndios, não deveríamos nos envergonhar de dizer, ‘Pessoal, queremos ver o que vocês fazem e fazer o mesmo’”.

Para ver as coisas da perspectiva americana, Anush Avetisyan, um jornalista que trabalha para uma agencia de notícias de língua russa financiada pelo governo americano, fez contato com a NFPA um dia depois do incêndio de Kemerovo. Numa vídeo entrevista com Avetisyan, Robert Solomon, diretor da divisão de Proteção de Incêndio em Edifícios, da NFPA, destacou como os códigos e normas, como a NFPA 1, Código de Prevenção de Incêndios, e a NFPA 101, Código de Segurança da Vida, ajudam a prevenir mortes por fogo em ocupações, como shoppings. “Se as portas estão trancadas e acontece um incêndio, você essencialmente manda os ocupantes para seus leitos de morte. Você os coloca numa armadilha mortal”, disse Solomon. “Assim, é muito importante e crítico que você tenha portas destrancadas e não bloqueadas em qualquer edifício. É uma das coisas que dissecamos até o fim nos códigos americanos.” Solomon também mencionou as provisões que nestes códigos exigem caminhos de saída cuidadosamente projetados e, às vezes, sprinklers automáticos.

Em declarações do Kremlin, Putin jogou a culpa pelo incêndio de Kemerovo na “má administração e negligência criminosa”. “O que está acontecendo aqui?”, disse ele. “Pessoas, crianças, vieram ao shopping para se divertir... Como isto pode acontecer?”. Cinco pessoas foram presas, de acordo com as declarações, incluindo um segurança do shopping que deixou de disparar um alarme de backup. O alarme principal estava quebrado desde 19 de março, disseram.

O incêndio de Kemerovo é o oitavo mais mortal, em prédios de vendas de varejo, desde 1970, de acordo com estatísticas da NFPA, alimentadas por notícias. O mais mortífero aconteceu em 2008 num supermercado no Paraguai, onde mais de 300 pessoas morreram. Como no caso russo, más saídas de emergência e detecção de fogo inadequada foram citadas como as razões para tantas mortes. Os onze mais mortíferos incêndios em lojas de varejo listados pela NFPA desde 1970 aconteceram ou na Ásia ou na América Latina.

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