As consequências do Ghost

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As consequências do Ghost

Por Angelo Verzoni

Um ano depois do incêndio do ghost ship, que matou 36 pessoas em oakland, a nfpa continua a desenvolver ferramentas para ajudar as cidades e os funcionários públicos responsáveis pela segurança a lidar com as propriedades de alto risco

 Por Angelo Verzoni
 

Odia 2 de dezembro amanheceu radiante e fresco em Oakland, California, e horas mais tarde pessoas enlutadas começaram a chegar num quarteirão do bairro de Fruitvale. Na cerca exterior dum armazém de dois pisos em desuso, encaixado entre um terreno baldio e uma oficina de funilaria, colocaram flores, fotografias e cartas. Até um ano atrás, o edifício, conhecido como Ghost Ship, funcionava como um espaço não autorizado usado principalmente por artistas locais para viver, trabalhar e atuar.

Em 2016, na mesma data, 36 pessoas morreram no edifício, quando um incêndio devastou o armazém durante um concerto noturno e uma festa dançante. Foi o incêndio estrutural mais mortal da história da Califórnia.

Dois dias depois da comemoração do evento, começou a audiência preliminar de Derick Almena, que é conhecido como o ex "arrendatário principal" do Ghost Ship e Max Harris, ex-diretor artístico do Ghost Ship, que foram ambos indiciados com 36 alegações de homicídio culposo. Os homens se declararam inocentes de todas as acusações. Dezenas de ações judiciais civis foram também apresentadas pelas famílias das vitimas contra Almena, Harris e outros. Em todas as causas, aspectos dos argumentos da acusação se apoiam no fato que o armazém Ghost Ship era absolutamente inseguro. Estava abarrotado de tabiques provisórios, escadas, coleções de arte, instrumentos, mobília e outros itens. Não tinha alarmes de fumaça, nem sprinklers e a sinalização das saídas era insuficiente.

Além das consequências legais, o incêndio pôs em evidência uma questão que tem sido uma preocupação da comunidade de implementação das normas durante anos: a mudança de uso não documentada dos edifícios, incluindo os antigos armazéns, para usos residenciais ou de reunião de público. Após Ghost Ship, os funcionários municipais e os bombeiros em todo o país lutaram para identificar as propriedades similares e potencialmente perigosas em suas jurisdições. Em Oakland, esses esforços foram influenciados em grande parte pela contribuição que receberam da NFPA e a NFPA continua a oferecer recursos para ajudara as autoridades competentes (AHJs, da sigla em inglês) em todo o país a priorizar as propriedades que devem ser inspecionadas e assim espera-se prevenir a ocorrência do próximo Ghost Ship.

A experiência de Oakland

Dias após o incêndio do Ghost Ship, a NFPA contatou funcionários públicos em Oakland com uma pergunta simples: Vocês precisam da nossa ajuda? A resposta veio rapidamente, e foi positiva. Não é raro que a NFPA proponha seus serviços dessa forma. Éum passo que a organização deu depois de incêndios históricos como o incêndio do clube noturno The Station, em Rhode Island em 2003 e, mais recentemente, os incêndios florestais de 2016 que mataram mais de uma dúzia de pessoas no leste do Tennessee menos de uma semana antes do incêndio do Ghost Ship.

Um pequeno grupo de pessoal da NFPA—incluindo Ray Bizal, diretor regional sênior da NFPA; Steven Sawyer, diretor regional para os códigos de incêndio e Nicole Comeau, diretora do segmento de aplicação dos códigos—realizaram uma primeira viajem a Oakland. Eles percorreram o local carbonizado do armazém, falaram com líderes da cidade e oficiais do corpo de bombeiros, fizeram e receberam muitas perguntas, disse Bizal. O resultado foi um relatório de dez páginas detalhando as recomendações da NFPA para que a cidade avance, baseadas em parte na NFPA 1730, Organização e Execução de Operações De Prevenção de Incêndio e Aplicação dos Códigos, Análises de Projeto, Pesquisa e Educação Pública.

O relatório esboçava diferentes recomendações separadas em três categorias: redução do risco à comunidade, mitigação do perigo e educação e conscientização. "O relatório diz que a cidade deveria identificar propriedades críticas ou de alto risco, alocar pessoal à implementação dos códigos de acordo com os resultados do levantamento, identificar como os dados sobre a propriedade podem ser mais bem compartilhados entre corpos de bombeiros, agilizar o processo de queixa e infração, realizar um seminário de conscientização do público, etc.", disse Bizal.

Algumas das recomendações da NFPA já foram implementadas pela cidade, de acordo com um memorando enviado em novembro pela Administradora da Cidade de Oakland Sabrina Landreth ao prefeito Libby Schaaf e aos Conselheiros Noticias Municipais. A cidade se comprometeu a recrutar uma dúzia de novos inspetores dos códigos de incêndio, reforçar seu processo de inspeção e passar a um modelo baseado no risco, investindo em nova tecnologia para rastrear e compartilhar os dados sobre a propriedade, entre outros, diz o documento.

No momento em que o memorando foi enviado, a cidade já tinha investigado mais de 30 armazéns e edifícios comerciais suspeitos de abrigar ocupações residenciais, de trabalho ou de reunião de público sem autorização e por volta de um terço dos casos tinham sido resolvidos. Em lugar de pressionar para expulsar os inquilinos desse tipo de propriedades, a abordagem do problema por parte da cidade de Oakland tem sido dar aos proprietários a oportunidade de seguir o caminho do cumprimento dos códigos numa aposta para manter a vibrante vida cultural e artística da cidade e reconhecer os desafios que muitos residentes enfrentam para encontrar alojamento a preço accessível.

Mas alguns criticaram essa abordagem. "Entendo que a cidade queira uma comunidade artística e cultural vibrante e entendo que há uma crise de alojamento… mas isso não quer dizer que você pode fazer a vista grossa às questões dos incêndios e da segurança só porque o prefeito não quer desalojar pessoas dum edifício onde nunca deveriam ter estado," disse Robert Thompson, um advogado representando uma dúzia de famílias de vítimas do incêndio do Ghost Ship, ao The San Francisco Chronicle.

O jornal publicou também artigos mirando na cidade—especificamente, seu corpo de bombeiros – imediatamente depois do incêndio. O armazém Ghost Ship não tinha sido inspecionado em 30 anos e não constava da base de dados dos bombeiros de propriedades que requeriam inspeção, de acordo com o Chronicle. "Parece ainda mais estranho que os bombeiros tenham ignorado esse tipo de atividade quando o quartel fica a duas quadras," escreveu o jornal. Por volta de três meses mais tarde, o então comandante dos bombeiros, Teresa Deloach Reed, que é membro do Conselho Diretor da NFPA, anunciou que ia se aposentar.

Além do Ghost Ship: política e diretrizes

A experiência de aprendizagem de Oakland não foi única. Depois do incêndio do Ghost Ship, apareceram informações de outras cidades do país à medida que descobriam propriedades similares, que eram fechadas nalguns casos de forma sumária. Os funcionários públicos de Los Angeles, por exemplo, fecharam um armazém transformado ilegalmente em casa noturna que continha "cabeamento irregular serpenteando nas paredes" e apresentava riscos de incêndio como uma caixa de escadas coberta dum teto de bambu, de acordo com a Associated Press.

Em outros lugares, a abordagem foi mais parecida à de Oakland. Os funcionários da cidade de Denver, por exemplo, deram tempo aos proprietários para fazer seus espaços de acordo com os códigos, mesmo com os residentes permanecendo no local. Em dezembro, a cidade anunciou um novo programa de subsídios cujos fundos serviriam para ajudar os proprietários a por algumas dessas propriedades em acordo com os códigos.

A ação repentina das cidades sobre a questão das mudanças de uso não documentadas dos edifícios não surpreende. É uma tendência lamentável, mas comum: negligência, tragédia, ação. Foi o que aconteceu depois do incêndio do Cocoanut Grove em Boston em 1942. Aconteceu no Reino Unido depois do incêndio da Grenfell Tower em junho passado.

Apesar disso, um inquérito telefônico recente a mais de 1000 residentes dos Estados Unidos encomendado pela NFPA mostra que a esmagadora maioria do público pensa que os legisladores deveriam priorizar a segurança contra incêndio adotando os códigos de incêndio e eletricidade mais recentes. Oitenta e um por cento dos adultos interrogados nos Estados Unidos dizem que os responsáveis pelas políticas deveriam priorizar a segurança contra incêndio e 74 por cento disseram que confiam em que os políticos de seus estados e localidades adotarão os códigos de incêndio e eletricidade mais recentes. Na realidade, contudo, muitas jurisdições demoram na adoção dos códigos e normas mais recentes de organizações como a NFPA por diferentes motivos, como a pressão financeira e a lentidão inerente aos processos legislativos.

Para ajudar a ir ao encontro das expectativas do público, a NFPA formou recentemente o Instituto sobre Políticas de Segurança contra Incêndio e Proteção da Vida. Baseado em Washington, D.C:, fornecerá aos responsáveis pelas políticas ao nível local, estadual e federal "recomendações, análises e ideias para ajudar a orientá-los ou influenciá-los sobre diferentes linhas de ação que nos permitirão avançar no cumprimento de nossas metas para a prevenção de perdas", Disse Meghan Housewright, diretora do Instituto ao NFPA Journal em setembro, no lançamento do Instituto.

Em relação a situações especificas como a do armazém Ghost Ship, um recurso mais tangível da NFPA para ajudar os agentes de aplicação da lei a serem mais efetivos é uma nova ferramenta chamada Property Inspection Prioritization, ou PIP. A ferramenta é um dos novos recursos baseados nos dados da NFPA. "Nossa visão aqui foi construir uma família de soluções baseadas nos dados que sejam úteis aos corpos de bombeiros e muitos outros," disse Kathleen Almand, vice-presidente de pesquisa da NFPA. "Muitas dessas ferramentas são construídas com base na avaliação de risco."

Com a ferramenta PIP, as autoridades competentes introduzem informação sobre as propriedades existentes em sua jurisdição num sistema que logo produz um conjunto de dados sobre propriedades priorizadas com base no risco. A ferramenta foi concebida para "replicar o pensamento dum inspetor de edificações," disse Joe Gochal, diretor de analítica de dados da NFPA. A NFPA continuará a aprimorar a ferramenta, disse Almand, com a meta de fornecer um recurso que pode preencher campos de informação utilizando registros imobiliários e outros conjuntos de dados sobre a propriedade para facilitar o trabalho das AHJs. Para mais informação sobre o Instituo de Políticas, visite nfpa.org/policyinstitute e para explorar a ferramenta PIP, visite nfpapip.net.

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