Segurança para 45 milhões

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Segurança para 45 milhões

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Uma conversa com o comandante do Corpo de Bombeiros de São Paulo

Por Angelo Verzoni

Em abril 2015, um incêndio se declarou num terminal petroquímico em Santos, Brasil, uma cidade costeira do estado de São Paulo. Nove dias e 132 milhões de galões de água mais tarde, o incêndio estava controlado. Mais de 1300 bombeiros responderam. Cassio Armani, comandante do Corpo de Bombeiro do Estado de São Paulo, falou do incidente – que, surpreendentemente, não deixou nem feridos nem mortos – durante uma sessão de educação da NFPA na Conference & Expo da NFPA o mês passado.

Sua palestra chegou logo depois da assinatura em junho dum Memorando de Entendimento (MOU, da sigla em inglês) pela NFPA e o Corpo de Bombeiros do Estado de São Paulo, que tem por objetivo aprimorar a segurança contra incêndio e proteção da vida dos quase 45 milhões de habitantes do estado. (A população da área metropolitana da cidade de são Paulo é de 21 milhões, a quinta maior do mundo). O MOU formaliza uma parceria que existe entre as organizações faz muitos anos. O NFPA Journal se reuniu com Armani para falar das consequências do incêndio do terminal em 2015, as mudanças que o departamento enfrenta e como ele pensa que a NFPA pode ajudar. 

Vocês formalizaram faz pouco tempo sua parceria com a NFPA. Quais são os desafios que seu departamento enfrenta, e como a NFPA pode ajudar?

Não temos bombeiros em número suficiente. Precisamos encontrar diferentes formas de consegui-los. Não temos corpos de bombeiros municipais ou locais em São Paulo. Temos apenas o corpo de bombeiros do estado, que emprega aproximadamente 9800 bombeiros e o governo não tem capacidade financeira para contratar mais. No Estado de São Paulo, temos 645 cidades. Temos quartéis de bombeiros em aproximadamente 174 cidades.

O que acontece se tem um incêndio numa das outras 470 cidades?

A cidade mais próxima que tem um quartel de bombeiros responderia. Mas pode levar 30, 40 minutos. Quarenta minutos num incêndio ou num ataque do coração é muito tempo, sabe. 

Sei. E é por isso que precisa fazer crescer os bombeiros de São Paulo?

Sim, e penso que a NFPA pode ajudar. Estamos recebendo a ajuda da NFPA para estudar os departamentos voluntários aqui nos Estados Unidos. Se tivermos êxito, penso que outros estados do Brasil vão fazer a mesma coisa. Outros estados poderiam assinar um memorando de entendimento com a NFPA. Esperamos ter um país melhor, um país mais seguro. Esperamos mostrar o caminho.

Em sua sessão de educação, falou do incêndio do terminal petroquímico em 2015. O que mudou em seu departamento desde aquela época?

Agora temos melhores planos de ajuda mútua. No passado, os planos existiam, mas apenas no papel; não praticávamos. Agora temos muitas empresas e engenheiros de segurança contra incêndio e de segurança no Brasil que têm mais relações com os corpos de bombeiros e realizam exercícios de incêndio conosco e fazem pré-planejamento para emergências. Estamos tentando investir em mais equipamento também. 

São Paulo adotou alguns códigos e normas da NFPA?

Sim. Às vezes adotamos códigos e normas da NFPA e algumas vezes os utilizamos junto com as normas brasileiras. Então fazemos uma mistura. Existem aproximadamente 60 normas brasileiras. Agora, pelo menos 17 das 43 normas do Estado de São Paulo fazem referência a códigos e normas da NFPA. 

Porque não adotaram mais?

O processo de elaboração de normas técnicas no Brasil é demasiado lento. É muito diferente da NFPA. Eu penso que precisamos aprender da NFPA uma forma melhor de escrever normas, e tornar o processo mais rápido.

Você já assistiu outras conferências da NFPA. O que leva?

Aqui temos a oportunidade de falar com pares. Nos Estados Unidos, vocês têm muitos centros de pesquisa e universidades que têm cursos de segurança contra incêndio. Não temos tudo isso em nossas universidades do Brasil. Quando estamos aqui, temos a oportunidade de aprender de muitos outros profissionais, pesquisadores, professores. Cada dia oferece uma nova oportunidade de saber mais.

Notou um aumento dos esforços da NFPA para contatar membros dos bombeiros fora dos Estados Unidos nos últimos anos?

Sem dúvida. E felicito o Presidente da NFPA, Jim Pauley, por isso. Vinte anos atrás, a NFPA estava mais concentrada no povo americano, nas normas americanas, nos códigos americanos. Hoje em dia, observamos a presença da NFPA no mundo inteiro. É uma abordagem muito diferente e uma forma de pensar diferente. O fogo é universal em qualquer lugar do mundo. Então se todos se juntarem para estudar, pesquisar, aprender, discutir, teremos um mundo melhor para todos

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