A importância da educação em proteção contra incêndios na América Latina

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Perspectiva Regional

A importância da educação em proteção contra incêndios na América Latina

Por María Isabel Barrios

É verdade que a América Latina se mobiliza mais a base de reações que de prevenções. Sempre esperamos que ocorra algum acontecimento trágico, de muita cobertura mediática, para começar a pensar na necessidade de tomar medidas de prevenção. Temos casos como a discoteca Utopia (Peru) e Cromagnon (Argentina), lojas como Ycuá Bolaños (Paraguay), centros comerciais como Mesa Redonda (Peru), edifícios como o Ministério da Defesa (Venezuela), etc. Esses acontecimentos causaram reações em seus respetivos países conseguindo que, de uma ou outra maneira, se leve mais a sério a proteção contra incêndios e se comece a ver as possíveis adoções ou referências a certas normas e códigos internacionais.

'Somos amantes do princípio físico de ação e reação. 

Durante os últimos dez anos vimos como empresas transnacionais vêm a nossos países e exigem que cumpramos normas internacionais, às quais, muitas vezes, não estamos acostumados e nem sequer interessados. Aqui se aplica novamente o princípio, frente a uma ação, aparece a reação: aplicar normas, investigar e começar a educar-nos sobre o tema que requeremos para sermos competitivos no meio.

Durante os últimos cinco anos, vimos um desenvolvimento maior na educação sobre códigos e normas da NFPA. O programa de desenvolvimento profissional, em espanhol, da NFPA cresceu em 205% desde 2005 até fins de 2010. Aumentou o número de alunos e se ampliou a oferta de cursos. Formaram-se cerca de 12.000 pessoas, já que os cursos da NFPA em espanhol são ministrados em 19 países. Quarenta por cento dos alunos vêm de empresas usuárias, o que confirma a importância que têm os usuários na determinação da normalização na proteção contra incêndios.

Os cursos com mais êxito são os que lidam com as normas NFPA 101, NFPA 13 e NFPA 25, nesta ordem. Também têm boa aceitação os cursos sobre sistemas de proteção contra incêndios, como o NFPA 20 e o NFPA 72. A NFPA conta com mais normas que devem ser difundidas no nosso meio como, por exemplo, as normas para empresas de geração de energia elétrica, para centros de computação e para minas de metais, entre muitas outras. Sempre que avancemos no caminho normativo certo essas normas serão também cada vez mais populares.

Existem em espanhol mais de oitenta códigos, normas e livros de recurso da NFPA disponíveis para o mercado hispanófono (www.catalogonfpa.org). Também vimos aqui um aumento no interesse das pessoas da nossa região. Existem oito distribuidores nos seguintes países: Argentina, Colômbia, Costa Rica, México, Panamá, Peru e República Dominicana, além da Roko Trading que, de Miami, distribui em toda a América Latina e o Caribe. Visite www.catalogonfpa.org/distribuidores.php para ver a lista completa. 

Também contamos na nossa região com mais Especialistas Certificados em Proteção contra Incêndios (CEPI). Atualmente são 143 os profissionais certificados na América Latina ( em capacitacionnfpa.com/certificados_cepi.htlm podem ver a lista completa). No mundo existem mais de 1.150 pessoas certificadas em mais de 23 países. Essa lista cresce aproximadamente em 10% por ano. Na América Latina há uns 150 profissionais que já assistiram ao curso de preparação e estão estudando para fazer o exame em curto prazo. O CEPI é um profissional muito preparado que passou satisfatoriamente um exame de certificação sobre a proteção contra incêndios. É reconhecido internacionalmente. Oito anos atrás esta especialização estava unicamente disponível em inglês, mas agora a NFPA deu-nos a possibilidade de contar com o programa em espanhol, permitindo que mais profissionais latino-americanos se certifiquem. A publicação do novo Manual de Proteção contra Incêndios da NFPA, com sua quinta edição em espanhol, conseguiu reativar a candidatura de novos profissionais.

Estão-se fazendo esforços na América Latina para difundir a proteção contra incêndios por meio de congressos, foros, conferências locais e regionais. A NFPA, a Seção Latino-americana e os capítulos nacionais estão trabalhando ativamente nisso. Os capítulos nacionais são, sobretudo, uma excelente ferramenta par conseguir alcançar em forma mais focalizada as pessoas e instituições que podem ser influentes ou determinantes na utilização das normas de proteção contra incêndios. A NFPA conta com sete capítulos nacionais: Argentina, Colômbia, México, Porto Rico, Republica Dominicana e Venezuela. Em 19 de outubro 2010 uniu-se a eles o capítulo do Peru.

A NFPA está celebrando acordos com diferentes organismos normativos em cada país de fala hispânica, com o objetivo de alcançar um acordo de apoio. Esse acordo permite que os países possam ter mais acesso às normativas da NFPA e entendê-las melhor.

As empresas privadas também são grandes aliadas da proteção contra incêndios, pois, ao terem maiores exigências que as disposições nacionais, obrigam os profissionais a elevarem seus níveis de conhecimento.

Então estamos todos avançando na direção correta, rumo a uma cultura de prevenção baseada em normas. Mas que fazer para conseguir que isso seja uma realidade? A resposta é EDUCAR. Sem uma adequada educação das pessoas, não avançaremos e ficaremos num sistema medíocre.

Os membros da Seção Latino-americana da NFPA devem lançar uma cruzada educativa a favor da nossa região. Precisamos formar nossos filhos e jovens numa cultura de segurança para que os conceitos cresçam com eles. É preciso que eles integrem um novo esquema mental onde a prevenção tenha cabimento. Nosso trabalho deve ser CRIAR CONSCIÊNCIA. Isso nos permitirá garantir o futuro.

No presente, temos que trabalhar com os profissionais e entidades que regulam e implementam a proteção contra incêndios com o objetivo de elevar seu nível de conhecimento. Devemos fazer com que a estética não fique antes da segurança, como está acontecendo em muitos lugares, onde os arquitetos preferem esquecer as normas porque não fica tão bonito. Devemos convencer as empresas construtoras de que os sistemas de proteção contra incêndio não são tão caros e de que a vida dos seres humanos é mais valiosa que os edifícios por elas construídos.

Devemos pensar numa educação de qualidade. Existem centenas de ofertas de capacitação nesta área, mas será que estão a cargo de especialistas? Devemos rever o perfil do expositor para ver sua experiência e conhecimentos sobre o tema, para estarmos seguros que o conteúdo da instrução seja o adequado. A NFPA tenta levar especialistas de suas normas a toda a região para assegurar-se que a matéria que os participantes recebem esteja de acordo com suas políticas e diretrizes e seja de qualidade. 

Em resumo, o problema latino-americano da não contar com uma cultura de prevenção contra incêndio se deve a dois fatores: a falta de conhecimento e a falta de interesse.

Como o resolvemos? Com EDUCAÇÃO. A educação permite a difusão. A educação trará como conseqüência adoções voluntárias de normas. Não é necessário esperar que um governo estabeleça, por decreto ou lei, normas de proteção contra incêndios. Quando há uma cultura enraizada nas pessoas, as coisas fluem sozinhas. 

Tornemo-nos fanáticos da proteção contra incêndios e transmitamos nosso entusiasmo aos demais. Queremos que as normas façam parte da nossa religião, queremos ser voluntários dentro do nosso âmbito de ação. Só assim poderemos conseguir ter uma América Latina mais segura. 

María Isabel Barrios é gerente geral de EnginZone, uma organização dedica a capacitação e intercâmbio de infor¬mação no âmbito técnico, com base em Lima, Peru. Seu correio eletrônico é  

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