A Transformação

Google Play

Apple Store

 

Sistemas Hidráulicos, Exclusão & Extinção

A Transformação

Por David Hague
034
 

Uma reorganização exaustiva da edição 2019 da NFPA 13 transformou uma norma importante numa ferramenta mais ágil, mais clara e mais efetiva para a instalação dos sistemas de sprinklers

Por David Hague

Alguns anos atrás, como parte da preparação da edição 2016 da NFPA 13Instalação de Sistemas de Sprinklers, membros dos comitês da norma expressaram sua preocupação quanto a incoerências que tinham identificado no documento. A norma existia numa ou outra forma desde 1896, tinha passado por mais de 60 ciclos de revisão e tinha chegado a quase 500 páginas. Os membros do comitê entenderam que, num processo com tantas mudanças, alguns capítulos tinham ficado demasiado extensos e sua gestão e uso tinham se tornado difíceis para os usuários. Além disso, foram aparecendo redundâncias na norma, aumentando seu tamanho sem acrescentar clareza. Os membros do comitê começaram a discutir a possibilidade de reestruturar a norma para lidar com essas questões.

O Comitê de Coordenação da NFPA 13 registrou essas preocupações e estabeleceu um grupo de trabalho para analisar todo o documento e identificar formas de torná-lo mais claro e mais fácil de usar. O grupo de trabalho procurou remover as redundâncias que criavam confusão ou conflito – contudo, as repetições que facilitavam o uso foram consideradas apropriadas – e evitar a repetição de informação geral em toda a norma. O fluxo de informação foi revisto dum capítulo a outro, com a idéia de proporcionar estruturas de capítulos coerentes e combinar, reordenar, ou dividir capítulos onde o fluxo era problemático. Os títulos dos capítulos foram verificados quanto a sua precisão. O grupo de trabalho foi encarregado de preparar uma versão preliminar antes do próximo ciclo de revisão.

O resultado desse esforço é uma importante reorganização da edição 2019 da NFPA 13. A informação está agora claramente separada por temas – tecnologia dos sprinklers, métodos de armazenamento, produtos, etc. – e está organizada numa seqüência que serve para planejar a instalação dum sistema de sprinklers. (Uma das primeiras considerações no planejamento dum sistema de sprinklers, por exemplo, é o abastecimento de água disponível. Na edição precedente o abastecimento de água não era tratado até o capítulo 24, então um engenheiro ou projetista devia fazer idas e voltas constantes para obter a referência da informação. Na edição 2019, o abastecimento de água é tratado no Capítulo 5.) A norma foi reduzida a aproximadamente 400 páginas. No geral, a edição 2019 oferece aos usuários uma ferramenta mais clara, mais concisa e mais efetiva para a instalação de sistemas de sprinklers.

Grande parte do trabalho sobre a nova NFPA 13 já está completa. Foram realizadas reuniões sobre a primeira e segunda versão e o prazo para os Avisos de Intenção de Apresentar uma Moção (NITMAM, da sigla em inglês) passou sem que tivesse sido submetido nenhum NITMAM relacionado à reorganização da norma. A NFPA 13 será apresentada aos membros da NFPA na próxima Sessão Técnica 2018 em Las Vegas em junho. A publicação da edição 2019 da NFPA 13 está prevista ainda para este ano com uma data efetiva durante o mês de agosto.

As primeiras tecnologias

As mudanças da edição 2019 da NFPA 13 estiveram em gestação durante três séculos.

O primeiro sistema conhecido de extinção de incêndio a base de água foi instalado na Inglaterra por volta do ano 1723 e consistia dum recipiente de água, um compartimento de pólvora e um sistema de mechas, a lógica operacional sendo que um incêndio acende as mechas que detonam a pólvora e a explosão resultante libera a água armazenada no incêndio. O primeiro sistema de sprinklers utilizado nos Estados Unidos era uma rede de tubulações perfuradas em uso em meados do século XIX. De acordo com o seu nome, os canos tinham furos em pontos estratégicos ao longo do seu cumprimento. O sistema devia ser ativado manualmente e descarregava em toda a área, não apenas no incêndio – um método bastante ineficiente que gastava muita água. O primeiro sprinkler automático foi inventado em 1864, mas foi em 1878 que Henry Parmelee criou o sprinkler automático que conheceu um uso extenso.

Em finais do século XIX, a tecnologia de sprinklers estava avançando rapidamente nos Estados Unidos; somente em Boston estavam em uso nove conjuntos de regras diferentes para a instalação de sistemas de sprinklers. Para lidar com essa questão, padronizar a instalação e prevenir a confusão criada por diferentes regras, um grupo de intervenientes, principalmente profissionais dos seguros, se reuniram em 1895 nos escritórios de Boston do Underwriters Bureau da Nova Inglaterra para elaborar um conjunto de requisitos uniformes para a instalação do sistema de sprinklers. O resultado foi "Rules and Regulations of the National Board of Fire Underwriters for Sprinkler Equipments, Automatic and Open Systems" publicado em 1896. O documento tinha 25 páginas. O "Red Book", como foi conhecido mais tarde, era a norma que levou à criação da NFPA 13 e da própria NFPA que foi fundada em 1896.

Em 1897, Everett U. Crosby, o primeiro secretário da NFPA, delineou os princípios usados na criação da norma sobre sprinklers, descrevendo efetivamente o processo que ainda está em uso até hoje para orientar os comitês técnicos da NFPA. Ele escreveu que o objetivo da associação, era "juntar a experiência de diferentes seções e diferentes entidades das seguradoras para alcançar um entendimento mútuo e, se possível, um consenso sobre os princípios gerais que governam a proteção contra incêndio". Além disso, ele escreveu, o processo existia "para harmonizar e ajustar nossas diferenças de forma a podermos apresentar ao público regras e condições uniformes que possam apelar ao seu bom senso."

Nos anos 1960, o Comitê Técnico da NFPA 13 foi encarregado de transformar a norma para encorajar a inovação e a tecnologia sempre mantendo controlados os custos de instalação. A intenção era ampliar a disponibilidade dos sistemas para reduzir ainda mais as perdas nos incêndios. O esforço resultou no desenvolvimento de novos tipos de tubulações, acessórios e sprinklers e na introdução de cálculos hidráulicos. Nos anos 1980 e 1990 a tecnologia dos sprinklers explodiu com a introdução do sprinkler de resposta imediata, a tecnologia de supressão precoce e resposta rápida (ESFR, da sigla em inglês), sprinklers de modo de controle densidade/área, sprinklers de modo de controle para aplicação específica (CMSA, da sigla em inglês), sprinklers de cobertura estendida, e mais, e a NFPA 13 cresceu de forma correspondente para cobrir o grande número de novas tecnologias.

Depois da edição 1996 da NFPA 13, o comitê técnico foi ampliado para acomodar a necessidade de perícia técnica adicional. Foi criado o comitê técnico de coordenação (TCC, da sigla em inglês) que fazia a supervisão de todo o projeto. O TCC supervisionava o trabalho dos comitês sobre suspensão e fixação, critérios de descarga dos sistemas de sprinkler e instalação de sistemas de sprinkler. O Comitê Técnico sobre Sistemas Privados de Redes de Abastecimento de Água, parte da organização da NFPA 24Instalação de Encanamentos para Serviço Privado de Incêndio e seus Acessórios, foi acrescentado antes da edição 2002. O Comitê Técnico sobre sistemas de Sprinklers Residenciais – parte da organização da NFPA 13DInstalação de Sistemas De Sprinklers em casas Uni e Bifamiliares e casas Pré fabricadas e a NFPA 13RInstalação de Sistemas de Sprinklers em Ocupações Residenciais Baixas – foram acrescentados antes da edição 2007, assim como o Comitê Técnico sobre Sistemas de Sprinklers de EspumaÁgua e Espuma-Água tipo spray.

Para a edição 1999, o comitê técnico decidiu incluir todos os requisitos sobre sprinklers numa reorganização importante da norma. Como parte desse esforço, foi acrescentado conteúdo de aproximadamente 40 códigos e normas da NFPA, incluindo todo o texto dos documentos sobre armazenamento, como a NFPA 231Armazenamento Geral em Recinto Fechado, a NFPA 231CArmazenamento de Produtos em Prateleiras, a NFPA 231DArmazenamento de Pneus de Borracha, a NFPA 231EPrática Recomendada para o Armazenamento de Algodão em Fardos e a NFPA 231FArmazenamento de Papel em Rolos.

Readaptando uma norma importante

Apesar de sua abrangência, a NFPA 13 contemporânea também precisava duma remodelação amplia.

Como parte da reorganização da edição 2019 da norma, o grupo de trabalho desenvolveu uma folha de cálculo mostrando cada seção da NFPA 13 em detalhe. A folha de cálculo continha mais de 8000 linhas e foi desenvolvida para ajudar o grupo de trabalho a encontrar cada linha de texto na norma. No processo de reorganização do documento por tema, foram mudadas linhas de texto para novas localizações em toda a norma. Enquanto decidiam sobre a colocação dessas linhas na nova versão, foi proposta (e aceita pelos comitês) a eliminação de quase 500 linhas de texto redundante. Os capítulos foram renumerados.

O Capítulo 1, Administração e o Capítulo 2, Publicações Referenciadas, permanecem essencialmente inalterados em relação à edição precedente, apesar de a Seção 4.1, Nível de Proteção, ter passado para o Capítulo 1. O capítulo 3, Definições, foi reescrito para estruturar todas as definições dos termos usados na NFPA 13 alfabeticamente em lugar da organização em grupos por tema. Os comentários dos usuários indicaram que era difícil encontrar definições na atual organização por tema.

O Capítulo 4, Requisitos Gerais, foi revisto para incluir informação geral necessária para o planejamento e projeto dos sistemas de sprinklers. O capítulo começa com o nível esperado de proteção como nas edições anteriores, mas inclui agora a classificação das ocupações já que essa informação é o passo principal para determinar o projeto e o layout dum sistema de sprinklers. As limitações relativas ao tamanho do sistema foram também transferidas para esse capítulo.

O Capítulo 5, Abastecimento de Água, contém agora informação sobre o abastecimento de água localizada anteriormente no Capítulo 24; o grupo de trabalho julgou que essa informação pertencia ao início da norma já que é o primeiro passo para planejar o sistema de sprinklers. O Capítulo 6, Instalação de Tubulações Subterrâneas, anteriormente Capítulo 10, inclui requisitos para os sistemas de tubulações subterrâneas e segue logicamente o abastecimento de água.

O Capítulo 7, Requisitos para os Componentes e Dispositivos do Sistema (anteriormente Capítulo 6) e o capítulo 8, Tipos e Requisitos do Sistema (anteriormente Capítulo 7) são dois dos poucos capítulos que foram basicamente renumerados e transferidos inalterados. O anterior Capítulo 9, Suspensão, Fixação e Contenção das Tubulações do Sistema, foi dividido em dois capítulos com base no tema: o Capítulo 17, Requisitos de Instalação para a Suspensão e o Suporte das Tubulações do Sistema, e o Capítulo 18, Requisitos de Instalação para a Proteção Sísmica.

Como indicado, o Capítulo 8 da edição 2016 tinha reunido muita informação que não estava necessariamente bem organizada. Os usuários procurando requisitos de instalação ou requisitos sobre espaços ocultos combustíveis eram obrigados a percorrer quantidade de informação para encontrar aquilo que procuravam. O capítulo foi dividido em vários novos capítulos com uma organização aprimorada e mais lógica. Por exemplo, o novo Capítulo 9, Requisitos de Localização dos Sprinklers, contém grande parte da informação introdutória contida no anterior Capítulo 8, enquanto os Capítulos 10 até 15 contêm requisitos de instalação para diferentes tipos de sprinklers: o Capítulo 10 cobre requisitos de instalação para sprinklers padrão em pé, pendentes e laterais; o Capítulo 11 cobre os requisitos de instalação para sprinklers de tipo spray de cobertura estendida em pé e laterais etc. O Capítulo 12 cobre os sprinklers residenciais, o Capítulo 13 cobre os sprinklers CMSA, o Capítulo 14 cobre os sprinklers ESFR e o novo Capítulo 15 cobre os requisitos de instalação para sprinklers especiais.

O Capítulo 16, Instalação de Tubulações, Válvulas e Acessórios, é uma compilação dos anteriores Capítulos 6 e 8. Da mesma forma, o Capítulo 19, Abordagens de Projeto, inclui tudo ou partes dos Capítulos 4, 8, 11 e 23 da edição anterior da NFPA 13.

O novo Capítulo 20, Requisitos Gerais de Armazenamento, é um exercício de renumeração do anterior Capítulo 12, enquanto o resto dos capítulos sobre armazenamento (Capítulos 21-25) foram completamente remodelados e estão agora organizados por métodos de proteção: o Capítulo 21, Proteção de Armazenamento em Pilhas Altas usando Sprinklers Modo de Controle Densidade/Área (CMDA, da sigla em ingles); o Capítulo 22, Requisitos CMSA para Aplicações de Armazenamento; o Capítulo 23, Sprinklers ESFR; o Capítulo 24, Projetos Alternativos e o Capítulo 25, Proteção do Armazenamento em Prateleiras usando Sprinklers em Prateleiras, que foi reorganizado num capítulo sobre armazenamento em prateleiras. Essa abordagem para determinar a proteção dos produtos armazenados deveria tornar essa tarefa muito mais fácil e a procura de informação muito mais eficiente.

O resto da norma inclui o Capítulo 26, Requisitos para Ocupações Especiais (anterior Capítulo 22); o Capítulo 27, Planos e Cálculos (anterior Capítulo 23); o Capítulo 28, Aceitação dos Sistemas (anterior Capítulo 25); o Capítulo 29, Modificações de Sistemas Existentes (incluindo partes dos anteriores Capítulos 6,8 e 27); o Capítulo 30, Sistemas Marítimos (anterior Capítulo 26); e o Capítulo 31, Inspeção, Testes e Manutenção dos Sistemas (anterior Capítulo 27).

As partes interessadas, incluindo os usuários da norma, membros do comitê técnico e pessoal da NFPA expressaram sua preocupação quanto à possibilidade de encontrar informação familiar na norma reorganizada. Se um usuário quiser saber onde se encontram os requisitos para sprinklers em quartos de equipamento elétrico (anterior Seção 8.15.11), onde deveria procurar? Preparamos um esquema para a nova edição similar ao esquema criado para a edição 1999, quando a informação sobre armazenamento foi acrescentada à NFPA 13. Ainda não está claro onde essa informação será apresentada e em que formato, mas estamos trabalhando para criar um esquema detalhado de maneira que cada seção desde a edição 2016 possa ser encontrada e seja incluída na edição 2019. O comitê técnico e o grupo de trabalho acreditam que com o uso regular da nova NFPA 13 os utilizadores serão capazes de encontrar a informação de que precisam muito mais facilmente e duma forma mais compreensível.

DAVID HAGUE é engenheiro principal de proteção contra incêndio da NFPA.

 

 

Share

nós

Quem nós Somos

A National Fire Protection Association (NFPA) é a fonte dos códigos e normas que regem a indústria de proteção contra incêndios e segurança da vida.

Atualizamos nossa política de privacidade, que inclui como são recolhidos, tratados e usados os seus dados pessoais. Ao usar este site, você aceita esta política e o uso de cookies