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Ocupações de Cuidado da Saúde

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Micro-hospitais, quartos adaptáveis à gravidade dos pacientes e centros de terapia por prótons: um trio de componentes de cuidados médicos emergentes que os profissionais da saúde devem conhecer

por Angelo Verzoni

NENHUM TEMA EM PARTICULAR RELACIONA diretamente as tendências que existem nos estabelecimentos de saúde na atualidade. Em lugar disso, uma série de fatores, incluindo a redução dos gastos para os pacientes, o aprimoramento do acesso aos cuidados de saúde e o avanço tecnológico contínuo produzem uma mistura diversa de mudanças no projeto das instalações e no fornecimento dos cuidados de saúde. Os gerentes de instalações, os socorristas, os funcionários que trabalham com os códigos, os engenheiros, os arquitetos e as organizações que elaboram as normas como a NFPA devem ficar informados sobre essas mudanças para que os aspectos de segurança contra incêndio e proteção da vida dos pacientes não se percam no conjunto.

Como parte do enfoque desta edição nos cuidados de saúde, o NFPA Journalidentificou três aspectos dos estabelecimentos de saúde em todo o país aos quais os profissionais da saúde devem prestar atenção: os micro-hospitais, os quartos adaptáveis ao grau de gravidade dos pacientes e os centros de terapia por prótons. Cada uma dessas áreas emergentes poderia afetar a aplicação dos códigos e normas, o processo de projeto e construção e a resposta de emergência.

Micro-Hospitais: Pequenos, mas poderosos

Os micro-hospitais emergem como "hospitais do futuro" – mas quais são as consequências para os códigos desse tipo de instalações?

048Os micro-hospitais contêm o mesmo leque de serviços que os hospitais convencionais, mas com uma capacidade limitada numa superfície menor. As instalações podem ser às vezes confundidas com centros de atendimento de urgências

Em fevereiro de 2018,Wall Street Journal publicou um articulo intitulado "What the Hospitals of the Future Look Like." Os chamados micro-hospitais ocupavam o primeiro lugar na análise dedicada pelo jornal à essas instalações. Em contraste gritante com os complexos hospitalares em expansão, com milhões de pés quadrados, que se encontram em muitas áreas urbanas, os micro-hospitais usualmente têm entre 15,000 e 60,000 pés quadrados, muitos deles menores que um supermercado típico. Os micro-hospitais, que não devem ser confundidos com centros de cuidados rápidos ou urgentes, são projetados para proporcionar um leque de cuidados de saúdes similar ao dum hospital tradicional, mas num espaço menor e com um custo mais baixo para os pacientes. "Durante os últimos anos, os micro-hospitais ganharam muita força uma vez que as comunidades em todos os Estados Unidos estão dando prioridade ao acesso aos cuidados de saúde," disse Jon Hart, engenheiro principal na NFPA e pessoa de contato da NFPA para o NFPA 99, Código dos Estabelecimentos de Saúde. Eles são particularmente apreciados nas áreas onde os residentes vivem longe dum hospital grande, acrescentou Hart, como as aglomerações rurais ou suburbanas ou partes das comunidades urbanas em expansão.

Até dezembro 2017, micro-hospitais tinham surgido em 19 estados, de acordo com a revista Modern Healthcare. Embora o Levantamento sobre a Construção de Hospitais de 2018 —um levantamento anual de aproximadamente 300 provedores profissionais de cuidados de saúde no país, realizado pela Associação Americana de Engenharia dos Cuidados de Saúde, da revista da Associação Americana de Hospitais, Health Facilities Management—tenha revelado que apenas três por cento dos que responderam ao levantamento estão construindo ou pensam construir micro-hospitais nos próximos três anos, um artigo publicado na revista em março de 2018 relata que "se espera que esse número aumente muito num futuro próximo."

Com a previsão do aumento da sua prevalência, é importante que os funcionários que aplicam os códigos, os arquitetos e os engenheiros se familiarizem com os micro-hospitais para entender como projetá-los e classificá-los e que não os confundam com instalações que proporcionam cuidados de menor intensidade como um centro de urgências. Os micro-hospitais não estão tratados especificamente em nenhum código ou norma da NFPA e não está previsto que isso mude, já que são considerados como hospitais tradicionais aplicando códigos como o NFPA 101®, Código de Proteção da Vida e o NFPA 99.

"Do lado de fora, podem ser parecidos com centros de urgências, mas eles deveriam ser tratados como um hospital tradicional e ser classificados de acordo com a classificação de estabelecimentos de saúde do Código de Proteção da Vida, disse Hart falando dos micro-hospitais. "Eles deveriam ainda ser tratados como instalações de internação onde os pacientes podem ser incapazes de auto preservação e poderiam passar mais de 24 horas."

Jonathan Flannery, diretor associado sênior de advocacy da American Society for Healthcare Engineering (ASHE) da American Hospital Association, ecoou a posição de Hart numa entrevista ao NFPA Journal. "O desafio é compreender que eles devem ser construídos de acordo com os mesmos padrões que os hospitais," ele disse. "Os pacientes permanecem por mais de 24 horas e não são capazes de auto-preservação."

Do ponto de vista da construção, disse Flannery, os arquitetos e os engenheiros precisam entender que deverão prever os mesmos tipos de sistemas médicos e de proteção da vida que colocariam num hospital tradicional na superfície muito menor dum micro--hospital. Isso incluiria, por exemplo, sistemas de gás e vácuo de Categoria 1 e um sistema elétrico essencial de Tipo 1 – em outras palavras, o equipamento de maior desempenho necessário para situações onde uma falha resultaria em lesões graves ou na morte dos pacientes, de acordo com o NFPA 99. "O custo por metro quadrado será mais alto do que você pensa," ele disse. "Mas o conceito é bom."

Quartos adaptáveis ao grau de gravidade dos pacientes: A cura num só lugar

Quartos adaptáveis ao grau de gravidade dos pacientes permanecem um conceito promissor—embora caro—na medicina

049Os quartos adaptáveis à gravidade dos pacientes são suficientemente flexíveis para lidar com um amplo leque de opções de cuidados. Nesta sequência de fotografias, no sentido horário começando do topo a esquerda, os quartos mostram todas as situações desde um ambiente de cuidados básicos para pacientes de pouca gravidade (topo à esquerda) até um ambiente de cuidados mais intensivos para pacientes de alta gravidade (abaixo à esquerda).

Todos os dias, um de 31 pacientes internados em hospitais em todo o país adoece por causa duma infecção associada aos cuidados de saúde, conhecida também como infecção hospitalar, de acordo com os Centers for Disease Control and Prevention (CDC) dos Estados Unidos. O CDC estima que por volta de 100,000 pacientes morrem por causa duma infecção hospitalar a cada ano nos Estados Unidos. Muitas são infecções letais que podem se propagar como resultado da transferência de pacientes duma unidade a outra ou dum hospital a outro, como por exemplo, duma unidade de cuidados intensivos para uma unidade de cuidados de nível inferior.

Para lutar contra esse problema, os quartos adaptáveis ao grau de gravidade dos pacientes, ou quartos onde os pacientes permanecem e recebem os cuidados desde a baixa até a alta independentemente da sua condição, surgiram como uma solução possível. O modelo pode reduzir também "erros de comunicação, desorientação, insatisfação e caídas dos pacientes," de acordo com um artigo publicado em 2013 sobre quartos adaptáveis ao grau de gravidade do paciente no jornal Critical Care Nursing Quarterly.

Mas para cumprir códigos como o NFPA 99, Código dos Estabelecimentos de Saúde, os quartos adaptáveis ao grau de gravidade dos pacientes poderiam também implicar custos mais altos para os hospitais.

"A aplicação do NFPA 99 está baseada no risco para os pacientes," explicou Jon Hart, pessoa de contato do NFPA 99, num blog no início do ano passado. "Os quartos com pacientes de maior gravidade, onde o risco duma falha do sistema pode ter impactos significativos, requerem maior proteção. Todos os quartos projetados para acomodar a abordagem da adaptação à gravidade do paciente deverão cumprir as exigências para o nível de risco mais alto. Alguns dos impactos possíveis seriam mais saídas e entradas de gás medicinal e vácuo, o aumento do número de tomadas elétricas perto das camas dos pacientes, caixas de válvulas de zona adicionais e cargas maiores nos ramais críticos dos sistemas elétricos essenciais."

De acordo com Hart, as instalações com quartos adaptáveis ao grau de gravidade do paciente ainda são raras no país e a escassez de estatísticas sobre a sua prevalência sustenta essa avaliação. Mas poderiam surgir mais unidades nos próximos anos. O ECRI Institute, uma organização sem fins lucrativos que realiza pesquisas e tem por objetivo aprimorar os cuidados dos pacientes nos hospitais, incluiu os quartos adaptáveis à gravidade do paciente na sua lista de 2018 dos 10 tópicos que os diretores dos hospitais devem considerar. "Os hospitais estão procurando todos os meios possíveis para limitar as infecções hospitalares e outras complicações causadas pela movimentação dos pacientes nas instalações, então se for possível encontrar um sistema que faça funcionar os quartos adaptáveis à gravidade dos pacientes, seria útil para todo o campo dos cuidados de saúde," disse Hart ao NFPA Journal.

O custo elevado da criação de quartos adaptáveis que cumpram os códigos é um dos motivos que explica porque não são mais populares, disse Tim Gee, que trabalhou com o modelo dos quartos adaptáveis à gravidade dos pacientes como diretor da Medical Connectivity Consulting, uma empresa de consultoria baseada no Oregon especializada em equipamento médico. "Você precisa de aparelhos e infraestrutura médica como linhas de gás medicinal e linhas de sucção para suporte dos pacientes mais críticos e a maioria das unidades ainda não tem isso," disse Gee. "Um único monitor necessário para suportar cuidados de nível intensivo custaria 40,000 dólares.

Enquanto o custo, associado a desafios relacionados com o pessoal, tem limitado o crescimento dos quartos adaptáveis à gravidade dos pacientes, eles existem em alguns estabelecimentos, especialmente unidades especializadas, como hospitais cardiológicos. "Alguns hospitais especializados têm unidades totalmente flexíveis ou variáveis que podem ir até o nível de cuidados intensivos e têm os dispositivos adequados, linhas de gás e sucção, e toda a infraestrutura adicional necessária para esse tipo de cuidados," disse Gee. "Por isso esses quartos são caros e só são práticos em determinadas situações, como um hospital especializado que realiza somente cirurgias cardíacas."

Gee disse que esse tipo de tendência avançará mais provavelmente nos estabelecimentos de saúde especializados antes que em estabelecimentos de caráter mais geral. "Se falarmos dum hospital especializado, nesse caso julgo muito provável que considerem os quartos adaptáveis à gravidade do paciente, especialmente para a nova construção," ele disse. "Penso que um hospital típico pode investir em unidades com certo grau de flexibilidade, mas que não cheguem ao nível de cuidados intensivos."

Da mesma forma, Jonathan Flannery, diretor associado sênior de advocacia da American Society for Healthcare Engineering da Associação Americana de hospitais, disse que a adaptação dos quartos em estabelecimentos existentes para torná-los adaptáveis à gravidade do paciente não é provável, mas é uma possibilidade para as novas construções, especialmente considerando os passos que alguns estabelecimentos já estão dando para lidar com um risco diferente e pertinente.

"Os passos que os estabelecimentos estão dando para assegurar as operações durante as emergências como desastres naturais, como por exemplo, a construção das instalações com um sistema elétrico completamente redundante, facilita a adoção do conceito de unidades adaptáveis," ele disse. "Eu trabalhei num hospital onde, durante o inverno, precisávamos de mais camas de cuidados intensivos devido às complicações respiratórios e à gripe e é nesse tipo de situações que as unidades adaptáveis à gravidade do paciente se tornam muito valiosas. O desafio é que se você não tem a infraestrutura disponível não pode fazer isso."

Centros de terapia de prótons: Êxitos subatômicos

As grandes dimensões e a engenharia complexa dos centros de terapia de prótons apresentam desafios aos projetistas, aos socorristas e a outras partes interessadas nos cuidados de saúde

051 A tecnologia da terapia de prótons apresenta um nível muito alto de complexidade e requer instalações especiais para abrigar as máquinas e realizar o tratamento.

À medida que os tratamentos do câncer evoluem, as instalações necessárias para acomodá-los evoluem também. Os centros de terapia de prótons são um bom exemplo. Enquanto mais centros são criados em todo o país, os especialistas sublinham a necessidade de os responsáveis pelos códigos e os socorristas se familiarizarem com essas estruturas que apresentam um projeto complexo e são muitas vezes de grandes dimensões.

A terapia de prótons é uma forma de radioterapia usada para tratar alguns tipos de câncer, especialmente em crianças. Durante o tratamento, as partículas subatômicas conhecidas como prótons são isoladas e aceleradas no interior dos tumores com uma velocidade e precisão incríveis. Consta que a precisão da terapia de prótons causa menos efeitos secundários adversos do que as radioterapias convencionais, que destroem células saudáveis além das células cancerosas.

A realização desse tratamento especializado requer instalações com o mesmo grau de especialização. Os centros de terapia de prótons são normalmente estruturas independentes compostas por um equipamento que pesa centenas de toneladas, possui dezenas de milhas de cabos e paredes de concreto com vários pés de espessura. A área onde o paciente recebe o tratamento poder ter uma altura de até três andares de forma que o enorme recinto que envolve o paciente, conhecido como gantry, possa girar a 360 graus, emitindo feixes de prótons para todas as partes necessárias.

Uma pesquisa de 2018 realizada pela National Association for Proton Therapy revelou que o número de centros de terapia de prótons nos Estados Unidos duplicou praticamente nos últimos quatro anos, com 29 centros operando na atualidade. "Existem cada vez mais centros e essa é uma tendência que vai avançar," disse Charles Cowles, um anestesista que tem experiência de trabalho no M.D. Anderson Proton Therapy Center, em Houston, no Texas. Antes de estudar medicina, Cowles trabalhou 14 anos como bombeiro.

Cowles conhece de primeira mão os desafios que apresenta a construção dum desses centros e porque o envolvimento dos funcionários responsáveis pelos códigos é essencial para um andamento fluido.

Quando as instalações de M.D Anderson foram construídas em 2006, os médicos não pensavam que a demanda para anestesiar os pacientes seria alta, ele disse, por isso as localizações das tubulações de gás para anestesia não foram otimizadas no projeto das instalações – algo que não pode ser modificado agora devido à natureza da construção dos centros de terapia de prótons. "As paredes de concreto têm geralmente oito pés de espessura, então não é possível introduzir modificações," disse Cowles. "Fomos uns dos primeiros centros de tratamento de prótons construídos no Estados Unidos e se tivéssemos que fazê-lo de novo, colocaríamos sistemas canalizados de óxido nitroso e eliminação de gás de anestesia usado e daríamos uma configuração um pouco diferente ao quarto. Então é importante que todos, especialmente os funcionários responsáveis pela aplicação dos códigos, sejam envolvidos nesses projetos numa etapa inicial. Aqui você não pode acrescentar facilmente um sprinkler, uma tubulação ou uma tomada elétrica depois de terminada a construção".

Um artigo publicado em outubro na revista Health Care Design sublinhou também a necessidade de envolvimento e educação de vários grupos durante a construção dos centros de terapia de prótons. "Esses centros precisam ser construídos com uma atenção para os detalhes que espelhe a precisão de tratamentos que salvam vidas," escreveram os autores, que trabalhavam num projeto separado para construir um centro de terapia de prótons no Texas. "Uma vez que existem poucos centros de terapia de prótons no país, poucos empreiteiros e subempreiteiros têm essa capacidade técnica. A equipe de construção precisou de tempo para educar os subempreiteiros e o pessoal da obra em relação aos matizes desse projeto complexo e à importância critica da precisão … criando uma relação de colaboração com todas as pessoas envolvidas no Texas Center for Proton Therapy, o projeto manteve o cronograma e o centro conseguiu começar a tratar os pacientes quatro meses antes do previsto."

Os centros de terapia de prótons não são mencionados nos códigos e normas da NFPA e aparentemente não existem diretrizes abrangentes sobre sua construção ou manutenção. Em lugar disso, componentes das instalações são sujeitos a várias exigências, disse Cowles. "Eu diria que a parte frontal das instalações pode ser classificada como uma ocupação de negócios aplicando o NFPA 101®, Código de Proteção da Vida," ele disse, acrescentando que diretrizes sobre a área de tratamento e síncrotron – uma fonte extremamente poderosa de raios X – se encontram na NFPA 801, Proteção contra Incêndio de Instalações que Manuseiam Materiais Radioativos, Anexo C.8 Aceleradores de Partículas. Existem também várias regras federais que se aplicam às instalações que usam radiação.

Além dos desafios da construção, os socorristas nas comunidades onde se encontra um centro de terapia de prótons deveriam visitar as instalações logo no início para se familiarizar com sua natureza única, disse Cowles. Os gantries onde os pacientes recebem tratamento, por exemplo, têm apenas uma entrada e uma saída, contrariando as normas modernas de segurança contra incêndio, por causa das normas sobre segurança com as radiações. Dentro dos gantries, os pacientes recebem o tratamento numa mesa suspensa um andar acima do chão, com o gantry girando em volta da mesa e às vezes existem áreas no gantry onde uma pessoa poderia cair através dum vão até ao chão. "Tanto os socorristas como o pessoal das instalações deveriam se familiarizar com o local e entender que este é um ambiente diferente onde poderia ser difícil responder a uma emergência," disse Cowles.

Talvez a coisa mais importante que os socorristas – e qualquer pessoa num centro de terapia de prótons – deve saber é onde se encontra o medidor de radiação. Dispositivos como os contadores Geiger emitem sinais cuja intensidade cresce durante o tratamento e diminui quando o tratamento para, disse Cowles." É a única forma de saber se é seguro entrar na sala de tratamento," ele disse. "É uma coisa que os socorristas e qualquer pessoa nas instalações deveriam acostumar-se a avaliar. É a primeira coisa que eu verifico quando entro na sala de tratamento."

ANGELO VERZONI é editor del NFPA Journal.

 
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A National Fire Protection Association (NFPA) é a fonte dos códigos e normas que regem a indústria de proteção contra incêndios e segurança da vida.

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