Tendências Emergentes: Abastecimento de Veículos

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Materiais Inflamáveis & Combustíveis

Tendências Emergentes: Abastecimento de Veículos

Por Angelo Verzoni

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Novos combustíveis, nova carga

Duas sessões de capacitação falam dum novo método para distribuir um combustível tradicional e do desenvolvimento atual dum combustível emergente que poderá mudar as regras do jogo.

 

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Durante anos os cientistas, engenheiros, jornalistas e outros têm previsto a morte do motor de combustão interna a gasolina que encontramos debaixo do capô da maioria dos carros desde o início do século 20. As predições a respeito de seu substituto têm variado, mas a maioria das alternativas se concentrava na tecnologia baseada nas baterias e no hidrogênio.

Mas o dobre a finados ainda não tocou para os veículos alimentados a gasolina, confrontando os bombeiros não só com os problemas derivados do impulso constante para substituí-los, como também com as preocupações relacionadas com as novas tecnologias que estão sendo desenvolvidas para esse tipo de motores. Algumas dessas questões serão analisadas durante duas sessões de capacitação na Conference & Expo – uma sobre um novo modelo de negócios que está colocando os postos de gasolina sobre rodas e outra que diz respeito às células a hidrogênio concebidas para alimentar os veículos.

Novidade na tradição

Um par de anos atrás, uma nova prática chamou a atenção de Lynne Kilpatrick, inspetor de incêndio em Sunnyvale, California, e de outros membros dos bombeiros em todo o estado. Uma série de start-ups de Silicon Valley começou a agitar a indústria dos combustíveis dos Estados Unidos inventando formas para que os automobilistas possam encher seus tanques com um toque do dedo. Os clientes acessam os serviços via uma aplicação para smartphone que envia veículos com gasolina até onde têm o carro estacionado, com um empregado da companhia de abastecimento de combustível que fornece a quantidade de galões selecionada pelo cliente.

Havia apenas um problema: as companhias de abastecimento de combustíveis estavam operando em infração aos códigos de incêndio locais. “Estávamos numa situação onde pensávamos que o modelo de negócios era interessante, mas que o código não o permitia”, disse Kilpatrick ao NFPA Journal. Kilpatrick é um dos três oradores que falarão do abastecimento móvel de combustível a pedido, como é chamada a prática, durante uma sessão de educação na C&E.

No ano passado, o Gabinete do Inspetor de Incêndios do Estado da Califórnia juntou um grupo de trabalho para lidar com as preocupações relacionadas com essa nova prática. Essas preocupações estavam principalmente centradas nos lugares de distribuição da gasolina. Por exemplo, disse Kilpatrick, no início havia entregas feitas no interior de estacionamentos fechados e junto de propriedades onde podia haver fontes de ignição desconhecidas.

Não é difícil entender porque a prática tem chamado a atenção dos bombeiros. Os postos de gasolina tradicionais estão sujeitos a uma série de medidas para impedir os vazamentos, como os dispositivos de fechamento automático no esguicho da mangueira de distribuição, dispositivos de corte nas mangueiras e válvulas de corte na base dos distribuidores. Em muitas jurisdições, a área de distribuição deve estar protegida por um sistema de extinção de incêndio automático, quase sempre um sistema a base de químico seco. Apesar disso, ainda ocorrem incêndios. Entre 2004 e 2008, os bombeiros dos Estados Unidos responderam a uma média de 5020 incêndios em postos de combustíveis a cada ano – mais de 13 incêndios desse tipo por dia – de acordo com dados da NFPA. Ponha esses postos de abastecimento sobre rodas e com certeza vai gerar preocupações. 

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“A coisa que me impactou no início foi uma foto duma camioneta duma dessas empresas abastecendo um carro com uma mangueira numa rua da cidade,” disse Bob Benedetti, pessoa de contacto da NFPA 30A, Motor Fuel Dispensing Facilities and Repair Garages. “Via-se uma camioneta estacionada em fila dupla na faixa de rodagem abastecendo um veículo encostado no meio-fio. Eu pensei ‘Nossa! Aqui temos uma receita para o acidente.”

Enquanto a NFPA 30A inclui provisões para o abastecimento de combustível móvel de veículos que pertencem a frotas ou veículos da construção em ambientes controlados separados do público, a norma não inclui nada que lide com a prática de abastecer qualquer veículo em qualquer parte, disse Benedetti. Isso mudará o próximo ano, contudo, já que existem muitas mudanças previstas para a edição 2018 da NFPA 30A para lidar com o abastecimento de combustível móvel a pedido.

Essas mudanças incluem que tipo de veículo e equipamento pode ser usado na prática; requerer o treinamento dos empregados que abastecem os veículos e proíbe a operação a menos de 25 pés dos edifícios, limites de propriedades e materiais combustíveis, na via pública e no interior de estruturas de estacionamento cobertas. As mudanças vão também aos pormenores. Por exemplo, disse Benedetti, haverá uma provisão requerendo que as sarjetas dos esgotos estejam cobertas até uma distância de 25 pés das operações de abastecimento de combustível. “Se você tiver um vazamento de gasolina que acaba no esgoto, em caso de ignição poderá haver uma explosão subterrânea,” ele disse.

Na Califórnia, as mudanças dos códigos a nível local já estão em processo. No Condado de Santa Clara, que inclui San Jose e Sunnyvale, as empresas de abastecimento móvel de combustível a pedido deverão pedir licenças para operar em determinadas áreas, disse Kilpatrick. A ideia detrás das mudanças é dar as autoridades competentes, ou AHJ, mais poder sobre essas companhias. “Já que havia tantas opiniões diferentes sobre a prática entre os bombeiros, queríamos deixar que os funcionários responsáveis pelos códigos de incêndio a nível local tomassem suas decisões sobre onde e como autorizar essa prática,” disse Kilpatrick. “Algumas jurisdições estavam dispostas a permitir isso em qualquer lugar e por toda a parte, enquanto outras diziam, ‘Não quero que isso aconteça em áreas residenciais. Estou mais tranquilo mantendo isso apenas em áreas comerciais ou industriais.”

Da mesma forma, disse Benedetti, as mudanças da NFPA 30A darão às autoridades competentes a possibilidade de decidir onde essas empresas podem operar. A norma dará também às autoridades competentes a tarefa de preparar um plano de segurança e resposta de emergência para operações de abastecimento de combustível a pedido. Também surgiram perguntas fora da comunidade dos bombeiros, incluindo a forma como as camionetas de abastecimento de combustível serão inspecionadas e seguradas, disse Kilpatrick. As respostas a essas perguntas ainda estão sendo exploradas na Califórnia.

Eliminando a combustão interna: o hidrogênio é o futuro

Embora o abastecimento de combustível móvel seja aparentemente um sinal da boa saúde do motor de combustão interna, o impulso para substituí-lo baseia-se em grande parte no elemento químico mais abundante do universo: o hidrogênio.

As células de combustível de hidrogênio, que combinam gás de hidrogênio com o oxigênio do ar para produzir eletricidade, representam uma opção que tem sido considerada faz muito tempo como a grande inovação para mover veículos. Em 2003, o jornalista automobilístico Jeremy Clarkson declarou num episodio da série de TV inglesa “Top Gear”, “Recorde onde está agora, porque este é o futuro,” indicando um protótipo de carro alimentado a hidrogênio da General Motors. Nesse mesmo ano, o Presidente George W. Bush aprovou uma iniciativa para promover nos Estados Unidos a pesquisa sobre os veículos movidos a hidrogênio.

Acelere a câmara até 2017, contudo, e os veículos elétricos alimentados por células combustíveis a hidrogênio (FCEV, da sigla em inglês), que como os outros veículos movidos exclusivamente a eletricidade operam sem emissões de carbono, são poucos e raros. Apenas três fabricantes – Toyota, Honda e Hyundai – produzem atualmente FCEV disponíveis para o público, e esses apenas estão disponíveis em mercados seletos. Entretanto, os veículos alimentados a bateria conheceram um aumento de popularidade nos últimos anos; é difícil andar um dia numa cidade grande sem ver um elegante Tesla Modelo S passando em alta velocidade pela rua.

Um dos motivos da adoção lenta do hidrogênio como combustível para os veículos é a falta de infraestrutura. Na Califórnia, onde os FCEV são mais abundantes, existem apenas 26 postos de abastecimento públicos de hidrogênio. Mas com a expansão dessa infraestrutura – na Califórnia estão projetando 100 postos até 2023 – os FCEV podem se tornar tão populares como os veículos elétricos a bateria (BEV, da sigla em inglês), disse Nick Barilo, diretor de programa de segurança do hidrogênio do Departamento de Energia do Pacific Northwest National Laboratory e membro do comitê da NFPA 2, Código das Tecnologias do Hidrogênio. Barilo discutirá as aplicações atuais e potenciais do hidrogênio como combustível e as preocupações relacionadas com a segurança durante uma sessão de educação na C&E.

“OS FCEV e os BEV têm diferentes vantagens e inconvenientes,” disse Barilo. “Os BEV têm tempos de abastecimento ou recarga mais longos e menor autonomia, mas a infraestrutura elétrica para carregar esses veículos já está disponível. Contudo, não está claro como a adoção de BEV em grande escala afetaria a rede elétrica. Os FCEV, por outro lado, têm autonomia e tempos de abastecimento similares aos dos veículos a gasolina – aproximadamente 3 a 5 minutos – mas existem poucos postos de abastecimento.”

Os sistemas alimentados a bateria, como os que a Tesla utiliza em outros modelos como o BMWi3, levantaram questões específicas de segurança contra incêndio (uma questão coberta em “Power to Spare” na edição de janeiro- fevereiro do NFPA Journal). Mas a ideia de usar o hidrogênio como combustível alarmou algumas pessoas porque o hidrogênio tem a categoria de inflamabilidade mais alta na escala descrita pela NFPA 704, Sistema para a Identificação dos Perigos Derivados dos Materiais para a Resposta de Emergência; o hidrogênio tem a categoria 4, comparado com o 3 para a gasolina.

Mas isso não quer dizer que o hidrogênio seja necessariamente inseguro, dizem os especialistas. “A indústria utilizou o hidrogênio comercialmente por mais de 80 anos, e quando manuseado corretamente, o hidrogênio não é mais nem menos perigoso que muitos outros combustíveis com os quais lidamos”, disse Barilo. Em algumas circunstâncias, ele disse, pode-se dizer que o hidrogênio é mais seguro que a gasolina. Por exemplo, o hidrogênio é 14 vezes mais leve que o ar, fazendo que se dissipe rapidamente ao ar livre, enquanto as poças de gasolina no chão ficam muito mais tempo, apresentando potencial para um cenário mais perigoso. Em outras configurações, como um pequeno quarto enclausurado, o hidrogênio pode apresentar o perigo maior. O gás de hidrogênio armazenado é muitas vezes pressurizado, apresentando um maior potencial destrutivo que a gasolina a pressão ambiente em caso de falha do contêiner.

Em consequência disso, o conhecimento sobre o comportamento do hidrogênio é essencial para manter a segurança, disse Barilo. “Compreender a flutuação inerente do hidrogênio, por exemplo, significa que os contêineres onde se encontra equipamento que usa hidrogênio devem ter uma exaustão e detectores de fugas colocados numa posição alta,” ele disse. Os proponentes apontam que o hidrogênio e as tecnologias que usam células a hidrogênio já estão disponíveis e utilizados de forma segura todos os dias. As grandes companhias como a Wal-Mart e Coca-Cola estão utilizando empilhadeiras com células de combustível e as células de combustível a hidrogênio foram famosas por terem alimentado a longa viagem da NASA até a Lua. Barilo vê um futuro de expansão para o hidrogênio como combustível. “As células de combustível a hidrogênio estão agora disponíveis e estão sendo desenvolvidas em maiores quantidades a cada ano, não apenas no setor de transporte, mas também no manuseio de materiais e nas aplicações fixas de alimentação elétrica,” ele disse.

À frente dos acontecimentos

Da mesma forma como está acontecendo com a gasolina, os esforços para mobilizar os combustíveis a hidrogênio estão em curso. Diferente do abastecimento de veículos a gasolina a pedido, contudo, esses esforços estão mais concentrados em fornecer serviços de emergência. Susan Bershad, pessoa de contacto da NFPA para a NFPA 2, disse que tanto a Toyota como a AAA querem transportar hidrogênio até os condutores que ficaram parados sem combustível em lugares onde não há postos de abastecimento de hidrogênio perto.

A NFPA 2 inclui atualmente uma seção sobre o abastecimento móvel de hidrogênio, que enfatiza os mesmos requisitos como o faz para o abastecimento de hidrogênio em instalações fixas, disse Bershad. À medida que a popularidade do combustível de hidrogênio aumente, essa seção poderá ser ampliada, mas passarão provavelmente dois ciclos de revisão para que isso aconteça, disse Bershad.

Na Califórnia, Kilpatrick disse que os bombeiros mantêm a pressão sobre as iniciativas de abastecimento móvel de hidrogênio para não serem apanhados desprevenidos. “Essas indústrias vão aprender que é de seu interesse envolver os bombeiros desde o início, e isso é certamente bem vindo para nós,” ele disse.

Ângelo Verzoni é redator permanente do NFPA Journal.

GÁS A PEDIDO

Uma indústria emergente permite aos consumidores a utilização duma aplicação para pedir abastecimento no local; uma publicidade duma dessas companhias, Filld, é “comece a viver livre dos postos de combustíveis”. Os funcionários envolvidos com a segurança, contudo, se preocupam porque as companhias de abastecimento de combustível podem cometer infrações aos códigos locais de incêndio quando operam.

MOVIDO A HIDROGÊNIO

Apesar de ser prometedor como combustível para os veículos, a adoção do hidrogênio tem sido travada em parte pela falta de infraestrutura.

nfpa.org/móbile_fueling

Leia o articulo de Nick Barilo publicado no articulo do NFPA Journal em 2014 sobre o hidrogênio.

Leia “Reaching the U.S. Fire Service with Hidrogen Safety Information: A Roadmap,” um relatório pela Fundação de Pesquisa para a Proteção contra Incêndio.

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