Controle de Acesso em Edifícios: Evolução Pós 11 de Setembro

Google Play

Apple Store

 

Manejo de Emergências & Materiais Perigosos

Controle de Acesso em Edifícios: Evolução Pós 11 de Setembro

Por William Sako

Logo após o pior ataque terrorista já ocorrido nos Estados Unidos, inúmeras reuniões de emergência foram realizadas entre proprietários e administradores de edifícios em todo o país para discutir o que poderia ser feito para proteger esses imóveis. A atenção foi centrada nas medidas que deveriam ser tomadas imediatamente para acalmar um público bastante nervoso. Se foi possível entrar com explosivos em um jato comercial, o que impediria que isso também fosse feito em um edifício de escritórios ou em um museu?

Logo após o pior ataque terrorista já ocorrido nos Estados Unidos, inúmeras reuniões de emergência foram realizadas entre proprietários e administradores de edifícios em todo o país para discutir o que poderia ser feito para proteger esses imóveis. A atenção foi centrada nas medidas que deveriam ser tomadas imediatamente para acalmar um público bastante nervoso. Se foi possível entrar com explosivos em um jato comercial, o que impediria que isso também fosse feito em um edifício de escritórios ou em um museu?

Foram criados dois cenários distintos. No primeiro, os administradores de edifícios convocaram seus consultores de segurança para que fizessem análises de risco, visando desenvolver ou modificar planos estratégicos, e para fornecer estimativas de custo, buscando principalmente a melhoria do monitoramento de segurança e controle de acesso das entradas dos edifícios. Com base nessas premissas, planejaram a instalação dos sistemas necessários e a expansão e treinamento das equipes de segurança para implantar os programas.

No segundo cenário, os administradores agiram rapidamente para melhorar a aparência de segurança, utilizando desde barreiras de concreto e câmeras de circuito fechado até detectores de metais e grande número de agentes de seguranças. Em muitos casos, o custo se mostrou proibitivo, e os projetos foram reduzidos ou interrompidos antes que fossem terminados. Ou pior ainda, descobriram que os agentes de segurança eram incapazes de operar e manter os sofisticados sistemas que haviam sido comprados.

Hoje, quase dois anos após o devastador ataque ao World Trade Center, surgiu uma nova visão sobre segurança de edifícios e controle de acesso, uma visão que combina os benefícios do planejamento, análise de tendências e integração.

Planejamento Rende Dividendos
O objetivo de um programa global de segurança é medir riscos e fornecer respostas apropriadas. Uma importante ferramenta é ter um plano de controle de acesso eficiente e bem desenvolvido. A análise de risco em um programa de segurança busca identificar porque, onde e como o edifício pode ser penetrado. O edifício é um ponto de referência em uma cidade importante? O volume de tráfego de pessoas ou a sua estrutura especial, algo que possivelmente levaria a um número maior de baixas, poderia torná-lo um alvo preferencial de terroristas? Entre os inquilinos há órgãos governamentais dos EUA ou de outros países, centros de dados corporativos ou outras atividades que sejam funções vitais ou representem temas controvertidos? Uma avaliação franca desses fatores ajuda a determinar porque alguém desejaria entrar ilegalmente em seu edifício.

Determinar onde poderia ser o ingresso depende da análise de todos os pontos de acesso a seu edifício, incluindo estradas, passarelas, portas, janelas, sistemas de ventilação e ar condicionado, dutos, sistemas mecânicos, elétricos, encanamentos e outras aberturas. Sua análise sobre como o edifício poderia ser penetrado deve considerar todos os tipos de ameaças, desde uma pessoa com uma arma ou com um caminhão carregado de explosivos até um pacote contaminado que chegue pelo correio.

Após a realização da análise de risco, está pronta a estrutura que fornecerá respostas apropriadas aos vários riscos identificados. O controle de acesso efetivo é baseado na integração de três elementos de projeto: arquitetônico, técnico e operacional. Elementos a rquitetônicos podem ser barreiras físicas à entrada, tais como paredes, postes, vegetação natural, catracas (barreiras para pessoas) ou tornar a estrutura do edifício resistente a penetrações. Os elementos técnicos incluem câmeras de vídeo, detectores de metais, leitoras de cartões e até sistemas biométricos. Planejamento global, práticas e procedimentos realizados por agentes de segurança treinados são os elementos operacionais do plano .

As últimas etapas do processo incluem a definição de orçamentos para o programa de segurança; preparação dos projetos de sistemas de controle de acesso, monitoramento do alarme, detecção de intrusos, monitoramento e avaliação por televisão e de sistemas de comunicação de segurança; implantação do programa; treinamento da equipe de segurança; e treinamento dos usuários e inquilinos do edifício.

Tendências que Impactam o Controle de Acesso
Por reconhecerem a vulnerabilidade da segurança frente a um terrorista bem equipado ou a um ex-funcionário violento, os administradores tendem a enfatizar o controle de acesso. Isso pode ser percebido como as seguintes novas tendências.

Menor número de entradas
Começando pelo controle mais rígido sobre o tráfego de veículos e de pedestres, os administradores estão agora oferecendo menor número de pontos de entradas aos edifícios. A canalização das pessoas por um número limitado de portais de acesso diminui a velocidade do fluxo de entrada, mas dá à equipe de segurança o tempo necessário para identificar as pessoas que estão entrando, detectar tentativas ilícitas de ingresso e responder a situações de emergência.

O número de pontos de acesso também pode variar ao longo do dia. Durante as horas de pico - normalmente manhã e meio-dia em edifícios de escritórios - podem ser abertas portas adicionais, vigiadas por agentes de segurança e por equipamentos de detecção. As horas de tráfego elevado são também as horas de maior probabilidade de acesso ilegal. Quando fechado, um único ponto de acesso pode ser vigiado por guardas enquanto outras entradas são mantidas seguras por câmeras de televisão monitoradas em uma central de segurança no edifício.

Os administradores estão também fechando ou restringindo o acesso a entradas que no passado não eram consideradas, como plataformas de carga e descarga, salas de distribuição de correspondência e penetrações físicas dos sistemas de ar condicionado e outras tubulações.

Essa é talvez a medida mais importante a ser tomada pelo administrador de um edifício. Independentemente de ser um edifício governamental, a sede de uma corporação, um local de serviço vital ou uma unidade militar, o controle de quem vai aonde e quando é o ponto fundamental de um bom programa de segurança.

Melhor nível de funcionários de segurança
À medida que mais equipamentos de monitoramento e detecção são incorporados ao edifício, há uma necessidade de ter mais funcionários para controlar e operar esses equipamentos . Independentemente do tamanho da equipe, é crucial que seja qualificada e treinada para operar e manter os sistemas de controle de acesso. Os agentes de segurança devem também saber claramente como agir ao identificar uma tentativa de acesso ilícito. A aspecto crítico, à medida que avança o controle de acesso, não é quantidade, mas qualidade. O desempenho de um agente de segurança é aprimorado com treinamento constante e completo.

Maior tolerância dos usuários
Assim como poucas pessoas reclamam das medidas de segurança em nossos aeroportos, a ampla maioria dos usuários de edifícios - incluindo inquilinos, funcionários e visitantes - não somente toleram a inconveniência, mas também apreciam o nível de segurança adicional devido ao melhor controle de acesso. Essa aceitação pode ser ainda maior com o uso de fluxos de tráfego bem projetados e sinalização de fácil entendimento, que encaminhem rapidamente as pessoas aos pontos de controle de acesso e facilitem sua passagem. A tolerância é também aumentada se o comportamento diário dos funcionários da segurança for profissional e educado. Além disso, a comunicação sobre os objetivos e razões das medidas de segurança, melhorará ainda mais as relações de trabalho entre a segurança e os inquilinos, e criará o espírito de equipe necessário para a segurança.

Maior conscientização
De braços dados com a aceitação pelo público está a conscientização de que estamos mais vulneráveis do que nunca a ataques de todos os tipos de inimigos públicos. Atualmente, o cidadão médio está alerta para potenciais ameaças e disposto a relatar atitudes suspeitas à polícia e à administração do edifício. Essa vigilância é vantajosa para qualquer administrador, pois fornece uma ferramenta extremamente útil para a gestão do controle de acesso: tempo adicional para responder a uma falha da segurança antes que ela ocorra. É necessário também desenvolver um mecanismo para relatar e responder a rumores, pois a impressão de que há um problema é tão importante quanto o problema real. Expectativas sincronizadas entre a administração, inquilinos e segurança são a pedra fundamental de um programa de segurança efetivo.

O desafio que se apresenta para os administradores de edifícios é manter esse estado de conscientização mesmo em períodos de calma relativa. Isso é feito efetivamente através de sinalização, presença da segurança, reuniões e informes freqüentes para os inquilinos.

Maior contato com as forças de segurança pública
A comunicação entre a segurança do edifício e órgãos do governo municipal, estadual e federal têm aumentado. Os administradores agora envolvem a polícia e os bombeiros em seu processo de planejamento de segurança. Estão também utilizando especialistas, particularmente nas áreas de emergências químicas, biológicas e radiológicas. Por último, com o funcionamento pleno do Departamento de Segurança Interna ( Homeland Security Department , órgão do governo federal americano), informações sobre ameaças à segurança estão sendo compartilhadas constantemente e livremente em ambos os sentidos.

Controle de acesso flexível
Da mesma maneira que o Departamento de Segurança Interna ajusta o nível de segurança nacional com um sistema de notificação baseado em cores, os administradores de edifícios estão também ajustando o nível de segurança e medidas de controle de acesso. É claro que os programas de segurança atuais precisam ser flexíveis de modo que os sistemas e as medidas de segurança sejam proporcionais às ameaças e aos níveis determinados pelo Departamento de Segurança Interna. Precisamos ter capacidade de aumentar ou reduzir a quantidade e qualidade da força necessária para eliminar a ameaça, ou seja, aumentar o número de seguranças e equipamentos no saguão quando necessário e reduzi-los quando a ameaça for relaxada. Um plano mestre de controle de acesso pode especificar quais ações serão implantadas em resposta aos vários níveis de alerta e a circunstâncias específicas.

Por exemplo, uma maior quantidade de detectores para pessoas e objetos passou a ser usada em edifícios após o início da guerra do Iraque. Os aeroportos passaram a fazer inspeções aleatórias em veículos antes que chegassem aos terminais. O sistema bancário aumentou a segurança em resposta aos alertas feitos pelo governo federal americano.

Melhor planejamento dos espaços nos saguões
O acesso principal ao edifício, o saguão, estava sob responsabilidade estética do arquiteto e operacional do departamento de manutenção. Atualmente há um terceiro interessado, o gerente de segurança. Imediatamente após o ataque de 11 de setembro, muitos edifícios foram inundados com equipamentos, sistemas e pessoal para controle de acesso. Isso causou uma sensação de caos nos locais em que o fluxo normal de transeuntes foi interrompido.

Hoje, em muitos edifícios, arquitetos, engenheiros e gerentes de segurança estão trabalhando juntos para criar saguões que funcionam para todos. Em edifícios novos e reformados, o controle de acesso está sendo planejado e incorporado ao projeto arquitetônico, em vez de ser acrescentado posteriormente. Isso inclui barreiras físicas, filas, catracas mecânicas ou óticas, leitoras de cartões e detectores de metais; áreas de revista pessoal; sistemas de verificação de identidade biométrica; e sinalização informativa.

Mais atenção a pontos de acesso menos óbvios
Antes do primeiro ataque ao World Trade Center e ao atentado em Oklahoma City, os planos de segurança davam alta prioridade ao controle de acesso em plataformas de carga e estacionamentos? Provavelmente não. As salas de distribuição de correspondência também não recebiam grande prioridade até a recente ameaça do antraz.

Hoje, quando os planos de segurança em edifícios estão sendo repensados, a atenção foi voltada para todas as entradas onde qualquer tipo de ameaça - física ou biológica - pode ingressar no edifício.

Os planos de segurança agora incluem políticas e procedimentos formais de controle de acesso em plataformas de carga e descarga, e prevêem o uso de câmeras de televisão e softwares de detecção e acompanhamento de movimento. Prevêem o treinamento de pessoal de segurança, supervisores de áreas de carga e descarga e motoristas a respeito de medidas para frustrar ataques, e consideram também o reforço da estrutura para resistir a explosões.

Na sala de distribuição de correspondência, a ênfase é a conscientização. Os funcionários estão sendo treinados sobre como agir ao se depararem com pacotes suspeitos. Políticas e procedimentos estão sendo implantados para conter e isolar incidentes com agentes químicos, biológicos ou radiológicos. As tomadas de ar de sistemas de ar condicionado estão sendo protegidas fisicamente e transferidas para pontos mais altos para que sejam inacessíveis. Em edifícios onde há detectores para esse tipo de ataque, sistemas independentes de ar condicionado estão sendo projetados para o saguão e áreas de carga e descarga. Esses sistemas independentes segregam o saguão e as áreas de carga e descarga do restante do edifício para evitar que o agente, organismo ou fonte de radiação se propague para dentro das áreas ocupadas.

Identificação mais rigorosa
É in quietante o fato de que todos os seqüestradores dos aviões de 11 de setembro atravessaram as barreiras de segurança dos aeroportos com documentos de identificação válidos. O desafio é utilizar métodos mais precisos de identificação, em geral no ponto primário de entrada do edifício. Dependendo do fator de risco do edifício, há três níveis identificação:

Nível 1 - O que é que eu tenho? No nível mais baixo de identificação, a pessoa precisa apresentar um documento - nome, endereço, foto - para entrar no edifício. Normalmente, a segurança compara o portador ao documento, que deve ter sido emitido por um órgão governamental. Se emitido por um inquilino do edifício ou pelo próprio edifício, normalmente são usadas leitoras de cartões para conferir a informação.

Nível 2 - O que é que eu sei? Nesse nível, a pessoa precisa possuir um cartão de identificação e fornecer outras informações que provem que ela é quem diz que é. O validador secundário poderia ser um número de identificação pessoal (PIN) permanente ou um código, que poderia ser alterado em intervalos periódicos. Teoricamente, o intruso precisaria não só conseguir um cartão de identificação como também fornecer o número ou código de identificação para ingressar no edifício.

Nível 3 - Quem sou eu? Este representa o nível de acesso mais rígido possível, que utiliza sistemas biométricos para 'ler' as características físicas da pessoa, comparando-as às informações armazenadas em um banco de dados. Esses dados biométricos incluem impressões digitais, leituras da íris e da retina; reconhecimento do rosto e da voz, e no futuro, amostragem de DNA. Entretanto, mesmo esses sofisticados métodos de identificação não são totalmente seguros. Por exemplo, um ex-funcionário que ainda não tenha sido retirado do banco de dados poderia ter acesso ao edifício e cometer um ato de violência. Mesmo assim, aumenta a probabilidade de impedir o acesso ilegal.

A Resposta é a Integração
Infelizmente, nenhum sistema de controle de acesso compacto, rápido, fácil de instalar, fácil de usar, barato e 100% preciso foi desenvolvido desde o atentado de 11 de setembro. Não há também uma fórmula mágica de controle de acesso ou uma lista pronta com a qual o administrador do edifício possa simplesmente escolher o sistema perfeito.

É verdade que a tecnologia nos permite codificar mais tipos de dados em cartões 'inteligentes', aumentando a probabilidade de derrotar os intrusos. Os sistemas biométricos agora são menos invasivos e mais baratos, podendo ser usados para controle de acesso em saguões de edifícios. E tem havido progresso no desenvolvimento de sistemas para detecção de agentes químicos, bacteriológicos e radiológicos.

Mas na verdade, essa tecnologia já estava disponível antes de 11 de setembro. O que não havia era uma justificativa para utilizar essas soluções. O que aconteceu desde então é que estamos usando mais e mais tecnologias de controle de acesso e metodologias de monitoramento e controle de segurança. A preocupação com a segurança, com ênfase em controle de acesso, está permitindo aos fabricantes receber feedback constante dos usuários. Por sua vez, essas informações de desempenho no mundo real permitem o desenvolvimento mais rápido e preciso de controles de sistemas de acesso.

A melhor maneira de se atingir o nível de controle de acesso desejado em seu edifício é desenvolver uma solução integral. Isso é feito através da avaliação de risco, análise da forma e da função do edifício, e escolha dos sistemas técnicos e nível de pessoal que possam fornecer os resultados buscados, dentro das limitações orçamentárias da empresa. Já aprendemos que é imperativo fazer com que o nível de segurança percebido seja igual ao nível de segurança real, pois a criação de uma falsa sensação de segurança vai simplesmente abrir as portas para a tragédia.

William Sako é presidente da Sako & Associates, Inc., uma subsidiária da The RJA Group, Inc. Um veterano de 30 anos na área de segurança, já foi consultor de empresas, instituições e governos de todo o mundo. Baseado no escritório principal da SAKO em Arlington Heights, IL, William Sako pode ser contatado por telefone (847-392-8000) ou por e-mail: .

Share

nós

Quem nós Somos

A National Fire Protection Association (NFPA) é a fonte dos códigos e normas que regem a indústria de proteção contra incêndios e segurança da vida.

Atualizamos nossa política de privacidade, que inclui como são recolhidos, tratados e usados os seus dados pessoais. Ao usar este site, você aceita esta política e o uso de cookies