Toda Essa Segurança Também

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Manejo de Emergências & Materiais Perigosos

Toda Essa Segurança Também

Por Shelley Reese

O que significa a integração entre a proteção contra incêndios e os sistemas de segurança no maior shopping center dos Estados Unidos?

Todos os anos, aproximadamente 40 milhões de visitantes divertem-se, compram e se alimentam no Mall of America, o maior complexo de entretenimento e varejo do país. Eles cobiçam os carros de luxo no centro de exibições da Chrysler, compram presentes para si mesmos e para os amigos, gritam alegremente na montanha russa e ficam de olhos fixos nos ídolos de Hollywood nas 14 telas de cinema. Praticamente nenhum deles pensa em segurança contra incêndio.

Essa tarefa – intimidadora por sua escala – recai sobre a administração do shopping center, funcionários e bombeiros da cidade de Bloomington e do estado de Minnesota.

Para eles, a proteção da vida não é uma questão que surgiu em meio a bandas e balões que marcaram a inauguração do shopping center em agosto de 1992. É o âmago de sua missão desde que os projetos para o shopping de 390.000 metros quadrados começaram a ser traçados no início da década de 80. Trabalhando em conjunto, eles projetaram, autorizaram, desenvolveram, inspecionaram e mantiveram um sistema que ajudou a assegurar segurança para mais de 230 milhões de visitantes até o presente.

"Quando se tem um estabelecimento desse tamanho, é fundamental que tudo esteja correto desde o início", diz Robert Goering, o coordenador da construção e de proteção da vida do shopping.

"Fazer direito", de acordo com as autoridades e os incorporadores do shopping significa trabalhar em conjunto para sobrepujar os desafios do projeto e solucionar as questões de proteção da vida em cada etapa do processo.

No início
Desde os primeiros esboços do projeto, a cidade de Bloomington foi intimamente envolvida. No início da década de 80, a cidade solicitou propostas de desenvolvimento para o local principal, que, anteriormente, abrigava o estádio de baseball e de futebol americano. Após a confirmação da idéia de shopping, a cidade acompanhou os incorporadores durante todas as atividades.

Mesmo antes que os anteprojetos tivessem sido elaborados, Rick Breezee, funcionário de obras de Bloomington e demais funcionários e bombeiros da cidade, esmiuçaram a infra-estrutura da área com vistas na segurança. A pressão e o suprimento de água da área eram adequados para atender às necessidades dos sprinklers do maior empreendimento de varejo? Que vias precisavam ser alargadas para acomodar veículos de emergência? No total, a cidade decidiu que havia necessidade de construções em infra-estrutura no valor de US$ 20 milhões antes que fosse concedida a primeira autorização.

"Nossa postura foi: não importa se haverá 40 milhões de compradores em um ano. Queremos nos assegurar que conseguiremos evacuar as 30.000 pessoas que estarão fazendo compras em um dia qualquer que conseguiremos dar acesso ao pessoal de emergência, se for necessário", afirma Breezee.

Embora a cidade e os incorporadores – a Ghermezian Organization de Edmonton, Alberta, Canadá, e Melvin Simon & Associates de Indianapolis, Indiana – estivessem ansiosos pela rápida tramitação do processo, a segurança contra incêndio foi a questão primordial desde os primórdios do projeto. Isso significou que um punhado de projetos, que começaram a surgir em grande quantidade no início de 1985, foram abandonados antes que sua tinta secasse.

"Um dos projetos exigia um sistema totalmente subterrâneo, com uma única entrada e saída para carga e descarga, e isso não funciona do ponto de vista da proteção da vida", lembra Breezee. "Se houvesse um incêndio que bloqueasse a entrada, seria um obstáculo formidável para nossa capacidade de movimentar de pessoas.

"Outra idéia pedia uma via circular no quarto pavimento da edificação. A idéia era atrair o tráfego para a parte superior do shopping e depois filtrá-lo para baixo. Dissemos não, pois, em primeiro lugar, se o tráfego saísse da via colidiria com o shopping e, em segundo, se este fosse nosso acesso principal, a rampa até o topo precisaria ter capacidade para receber uma viatura de bombeiros. O custo seria proibitivo."

Mas os funcionários não eram apenas do contra. Breezee e outros funcionários assumiram a abordagem proativa. Eles visitaram mais de uma dezena dos principais shoppings dos Estados Unidos e do Canadá para conversar com incorporadores, inspetores de obras, especialistas em proteção contra incêndio e profissionais de planejamento sobre os processos que haviam enfrentado, os erros cometidos e as lições que haviam aprendido.

Com esses pontos de vista e três anos de experiência em reuniões, negociações, aprovações e negativas, a cidade finalmente emitiu a autorização para Simon em novembro de 1989.

Desafios da "caixa gigante"
Uma queixa que Breezee ouviu, enquanto viajava pelo país visitando empreiteiros e inspetores, era que as viagens constantes para reuniões, análise de projetos e autorizações nas municipalidades consumiam muito tempo. Para evitar essa perda inútil de tempo, o incorporador alugou três pavimentos em uma edificação na calçada oposta do shopping e o departamento de Breezee instalou um anexo ali. Conseqüentemente, arquitetos, coordenadores de inquilinos e inspetores de obras se encontravam todos no mesmo corredor. Isso tornou as reuniões semanais do pessoal, que compreendiam apenas os munícipes na primeira metade e incorporadores e arquitetos na segunda, convenientes para todos.

"Se apareciam quaisquer questões, podíamos enfrentá-las de imediato ou encaminhá-las para as pessoas adequadas", afirma Breezee. "Era uma grande economia de tempo".

A comunicação foi facilitada, também, pois todos os principais personagens se encontravam no mesmo local. Como Goering se lembra, "Você podia conversar com alguém e, literalmente, dirigir-se a uma sacada e apontar a área sobre a qual se estava falando. Com todos os responsáveis bem no local, se acontecesse uma falha técnica na localização de uma bomba, por exemplo, isso poderia ser corrigido em horas em vez de despender dias mandando e recebendo projetos".

Embora o enorme shopping center apresentasse alguns desafios de projeto, Breezee afirmou que o projeto para esse desenvolvimento de cinco pisos é enganadoramente simples.

"É um shopping muito grande, mas não é complicado", diz ele. "É apenas uma caixa gigante, com quatro caixas menores (as lojas de departamento âncoras) nos cantos e um parque de diversões de 2,8 hectares no meio".

Portanto, o projeto incluía uma coleção variada de desafios incomuns para empreiteiros e funcionários que procuravam atender às equivalências do Uniform Building Code. Como, por exemplo, os projetistas, procurando criar uma sensação arejada e aberta com áreas segregadas entre os pisos, poderiam atender às determinações do código para o controle de fumaça? Como poderiam construir um seção do shopping com aço exposto e vigas cilíndricas em arco ao mesmo tempo em que atendiam às determinações de resistência ao fogo? Se o shopping fosse incluir Lego Land como inquilino, que critérios de segurança contra incêndio deveriam comandar a área que estaria repleta de plástico? E como um projeto de cinco pisos poderia atender a um código que especificava que shopping só poderia ter três níveis de espaço para varejo?

A solução de questões tão diversas forçaram os projetistas a considerar os aspectos únicos de cada área independentemente e sob a luz do plano total de proteção contra incêndio do shopping. Em outras palavras, funcionários e empreiteiros não podiam se dar ao luxo de perder a visão da floresta observando as árvores, mas, também, tinham que manter seus olhos treinados para os perigos específicos de cada brotinho individual.

Afinal, o sistema que desenvolveram reuniu numerosas ferramentas de proteção contra incêndio, utilizando-as de formas novas e inovadoras.

Monitoramento
Como o shopping é muito grande, foi subdividido em 131 zonas de controle de fumaça e de sprinklers automáticos. Dentro dessas zonas, um sistema Simplex totalmente integrado com o sistema de segurança do shopping permite ao pessoal no centro de segurança monitorar cerca de 2800 pontos em toda a edificação. Graças a detectores de fumaça e às chaves de pressão e fluxo em todos os diferentes sistemas, o pessoal do centro de segurança é alertado para a presença de calor ou de fumaça em uma emergência. Além disso, 4.100 dispositivos periféricos associados com detectores de duto, calor e outros tipos alertam as autoridades do shopping para problemas potenciais.

"Nosso sistema de monitoramento não perde para nenhum outro", diz Goering. "Temos 2.800 pontos nos quais se pode detectar imediatamente um problema em nosso centro de segurança, que conta com pessoal 24 horas por dia. Com a dimensão do departamento de segurança com que contamos no shopping, se houver um sinal poderemos ter um funcionário no local em 30 segundos".

Controle e contenção da fumaça
Como o shopping tem muito espaço aberto sem barreiras sólidas, o acúmulo de fumaça era uma grande preocupação. Por isso, o shopping confia no sistema de pressurização e de evacuação totalmente integrado com o sistema de controle de energia. Esse sistema permite ao shopping controlar a fumaça regulando o movimento de ar.

O sistema é ampliado por cortinas de tiragem forçada de ar entre os pisos. As aberturas dos pisos são alinhadas verticalmente, cercadas por balaustradas com escudos de vidro. Embora os visitantes do shopping possam considerar isso como uma característica atraente do projeto, os funcionários vêm-nas como uma chaminé que ajuda a conter a fumaça que pode, afinal, ser evacuada por ventiladores de exaustão.

Como o complexo sistema de controle de fumaça representava a tecnologia de ponta quando o shopping foi aberto em 1992, foi extremamente avaliado. Jon Nisia, chefe do escritório para investigações e desenvolvimento do código para o escritório do comandante do corpo de bombeiros do estado de Minnesota, despendeu praticamente dois anos avaliando o sistema de segurança da vida do shopping, após a abertura desse centro, e boa parte desse tempo foi dedicada ao sistema de controle de fumaça.

"Essa foi uma das primeiras experiências de nosso escritório com um projeto baseado no desempenho de larga escala", lembra-se ele. Para Nisia, a área de maior preocupação era o centro de entretenimento do quarto piso que compreendia clubes noturnos e teatros. Como essa área é aberta para um átrio nos dois lados, sua segurança depende muito do sistema de evacuação de fumaça. A fim de garantir que o sistema proporciona cobertura adequada, Nisia contratou a Hughes Associates para analisar os cálculos do shopping e solicitou à seção de pesquisa de incêndios e edificações do National Institute of Standards and Technology (NIST) a análise dos planos. Após análise extensa, ambos aceitaram o sistema.

Os detectores de fumaça estão localizados em todos os espaços de varejo e estão ligados a um painel central no centro de segurança. Nas áreas abertas são usados detectores tradicionais e de feixes. Os detectores de feixe permitem que o shopping detecte fumaça em níveis inferiores do que os detectores de teto o fariam em áreas como o Knott's Camp Snoopy, onde a clarabóia se encontra a uma altura de 29 metros. Os alarmes de fumaça têm um tempo de retardo de modo que os funcionários podem detectar e responder a um alarme falso sem assustar os compradores. Os tempos de retardo variam dependendo do uso e dos conteúdos da área.

Sprinklers
O sistema de sprinklers do shopping tem o suporte de quatro bombas de incêndio e adutoras que formam anéis em torno das partes interna e externa da edificação, proporcionando cobertura redundante. Isso pode parecer excessivo, disse Breezee, mas em virtude da localização do shopping a apenas 2,5 km do Aeroporto Internacional Minneapolis/St. Paul, os incorporadores e os fiscais queriam estar preparados para um cenário da pior situação possível, como uma linha cortada por uma queda de avião.

"Não se pode projetar um sistema com um 747 em mente, mas é preciso pensar nisso", diz ele. "Também, aqui temos invernos muito rigorosos e, embora não haja grande possibilidade de congelamento de uma tubulação de água de 10 ou 12 polegadas, isso poderia acontecer. Quando se planeja uma edificação de 390.000 metros quadrados, é preciso assegurar-se de que os Ts foram cortados e pingados os Is".

Embora o shopping utilize bicos de sprinklers "standard", algumas cortinas d'água são um acréscimo à sua singularidade, afirma Breezee. Com a instalação dos bicos muito próximos uns dos outros, em torno de áreas como as aberturas de pavimentos, o shopping cria cortinas de água que atuam como barreiras contra fumaça, tanto quanto o fariam construções sólidas.

O poder da água no combate a incêndios foi maximizado do mesmo modo em torno da área de brincadeiras do Lego Imagination Center do shopping. Por si mesmas, as peças plásticas de Lego, com 2,5 cm de comprimento, podem parecer relativamente inócuas, mas os funcionários suspeitavam que as estruturas maciças de Lego que enfeitam a área representavam risco de incêndio. Para testar sua teoria, eles voaram até a matriz da Lego em Hartford, Connecticut e submeteram um gorila em Lego de 1,85 m a um teste de incêndio. O resultado: plástico derretido e uma nuvem de fumaça negra.

Dado o risco adicional de incêndio, foi projetado um sistema de dilúvio, capaz de lançar 4.550 L/min sobre a área da Lego, alem dos detectores de fumaça e de calor que rodeiam a área.

Vias de evacuação
Uma característica única do shopping é uma grande passagem no subsolo, com controle de fumaça que circunda a estrutura. Sabendo que uma emergência dificultaria o controle da evacuação apenas através de saídas no nível da rua, os incorporadores construíram saídas e túneis de escadas com resistência ao fogo de 2 horas, por trás dos espaços dos inquilinos, a fim de direcionar os compradores para o porão, de onde podem escapar por 10 caminhos diferentes.

Como o corredor é extremamente grande – aproximadamente 12 metros de diâmetro – uma das poucas alterações que o grupo Nisia exigiu quando avaliaram o shopping foi a melhoria da sinalização no subsolo. Hoje, linhas fluorescentes foram pintadas nas paredes para direcionar as pessoas para as saídas, diz ele.

Plano de controle de emergência
Além de todas as salvaguardas físicas, o shopping possui um plano de ação de emergência, de pleno conhecimento dos gerentes do centro e do pessoal de segurança. Esse pessoal treinado amplifica o sistema de notificação de emergência que compreende componentes visuais e de áudio: luzes intermitentes avisam os usuários do shopping de uma emergência, enquanto o alarme e o sistema de voz proporcionam advertências e instruções.

Apesar da descrição do shopping como uma simples caixa, Breezee admite que existem inúmeros pequenos aspectos a serem considerados na avaliação de projetos e muitas soluções de problemas criativas para torná-los aceitáveis. Na área de brincadeiras Knott's Camp Snoopy, por exemplo, precisou ser construído um lago, conhecido como Lake Lucy, pois os funcionários determinaram que, se a área estivesse ocupada, seus habitantes estariam muito distantes de uma saída.

Também, no Camp Snoopy, os fiscais enfrentaram o problema de colunas de aço que suportam vigas e uma clarabóia maciça 29 metros acima do solo. O código determina que esses suportes tenham resistência de 3 horas a incêndio, mas isso exigiria que os empreiteiros os revestissem com concreto, projeto extremamente pesado e dispendioso. A solução: revestir as colunas até 4,6 metros acima da estrutura mais alta da área e usar um sistema de proteção com água acima disso. Essa concessão proporcionou proteção contra incêndio sem exigir novo projeto completo para a área.

Teste e manutenção do sistema
Dadas as proporções gigantescas do sistema, sua manutenção representa um processo interminável. A inspeção e o teste do sistema exigem cerca de 50 semanas do ano.

"Esta edificação é tão grande que, assim que encerramos as inspeções do ano, está na hora de recomeçar para o ano seguinte, de modo que tudo é feito de modo continuado", diz Goering.

Por razões de segurança, não há prestação de serviços para o sistema de proteção contra incêndio enquanto o shopping está aberto. Todo o trabalho é executado entre 22 h e 9 h e a maior parte é concluída até as 7 h, quando o pessoal que faz caminhadas no shopping é autorizado a entrar na edificação.

O programa de manutenção do sistema inclui o funcionamento de todas as bombas contra incêndio, uma vez por mês, durante 10 minutos. Todos os anos, as bombas são submetidas a teste de desempenho, durante o qual são colocadas sob carga total e mantidas em funcionamento a 150% de sua capacidade para assegurar que não há problemas com o sistema. Esse teste, conduzido pela Grinnell Fire Protection System Co., consiste em bombear 11.400 L/min de cada bomba e é observado pelo Corpo de Bombeiros de Bloomington e por um representante da seguradora Factory Mutual.

Além disso, as válvulas na edificação são inspecionadas fisicamente uma vez por mês e testadas quanto a fluxo todos os trimestres. Os alarmes nas válvulas secas são testados trimestralmente, testes de disparo são realizados anualmente e investigações de obstrução de tubulações são feitas a cada cinco anos. Os detectores de fumaça e os dampers associados também são testados anualmente e os quatro geradores de emergência de 750 quilowatts do shopping são ligados todas as primeiras terça e quarta-feiras do mês e testados sob cargas na terceira terça e quarta-feiras. Os indicadores de acionamento das válvulas são testados anualmente, do mesmo modo que todos os sistemas de coifa de cozinhas.

"O shopping é muito bem monitorado por nosso próprio pessoal e um inspetor da cidade de Bloomington, que permanece no local todos os dias. Um segundo inspetor comparece ao local pelo menos três vezes por semana para observar as construções novas", diz Goering.

O teste final de um sistema é o seu funcionamento durante uma emergência real. Felizmente, o shopping passou por poucas crises dessa ordem. E durante a ocorrência de episódios sem grande importância, o sistema funcionou conforme o projeto.

"Um bico de sprinkler de meia polegada congelou e abriu no dia de natal – o dia do ano em que o shopping está fechado – em 1992. O alarme disparou e passados quatro minutos o corpo de bombeiros havia fechado a válvula do quarto piso", informa Goering. "Havia transcorrido quatro minutos do disparo do alarme até a solução do problema".

O shopping sofreu, também, dois pequenos incêndios na área de reciclagem. Os incêndios, atribuídos a vandalismo, resultaram na ativação de um sprinkler, e, nos dois casos, o sistema foi restaurado em uma hora, diz Goering.

Goering não considera esses sucessos como vitórias, mas simplesmente indicações de que ele atende às rigorosas expectativas do shopping.

"O sistema de segurança da vida é extremamente importante para nós", diz Goering. "Quando se permite a entrada de tantas pessoas quanto nós em uma propriedade, obviamente a segurança se encontra no topo da lista de prioridades".

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