Os arranha-céus buscam novas alturas em todo o mundo
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Os arranha-céus buscam novas alturas em todo o mundo

Por Bill Flynn

São as maravilhas da arquitetura moderna. Constam de várias listas e do Livro Guiness de recordes mundiais. A quantidade de websites que os enumera, glorifica, disseca e classifica é grande demais para citar. Adorados por americanos, canadenses, sul-americanos, asiáticos e alguns europeus. Não importa o nome - arranha-céus, edifícios altos, torres – eles são o símbolo do capitalismo.

Desde a II Guerra Mundial, todas as grandes cidades do mundo construíram arranha-céus. Xangai e Kuala Lumpur na Ásia, Chicago, Los Angeles, Houston e Toronto, na América do Norte, se “Manhatizaram”, uma expressão às vezes carinhosa, às vezes zombeteira, usada para descrever as cidades que imitaram Nova York , a capital dos arranha-céus.

A década de 90 foi modesta na construção de edifícios com mais de 35 andares, mas acreditam os entendidos que uma nova era de construções está prestes a surgir.

“As perspectivas são ótimas,” diz o Dr. Lynn Beedle, diretor emérito e um dos fundadores do Council on Tall Buildings and Urban Habitat (CTBUH) da Universidade de Lehigh. “A tendência é de edifícios altos, por causa da pouca disponibilidade e dos altos preços dos terrenos.”

O conselho, fundado nos anos 70, é uma organização internacional patrocinada por profissionais da arquitetura, engenharia, planejamento e construção, para facilitar trocas de idéias sobre projetos, construção e administração de edifícios.

“A construção de edifícios altos estava em declínio até cinco anos atrás, mas começou a reagir e continua acelerada,” diz Andy Johnson, vice presidente de marketing do American Institute of Steel Construction (AISC). Johnson diz que, quando o número de imóveis residenciais e comerciais vagos cai abaixo de 10 por cento, a construção de edifícios passa a fazer sentido do ponto de vista econômico.

“Algumas áreas metropolitanas como Chicago, Boston, Nova York e as principais áreas servidas pelo metrô na Califórnia, podem definitivamente suportar mais construções altas,” diz Johnson.

Segundo definições do código tradicional, um prédio de no mínimo sete andares já pode ser considerado alto. O Home Insurance Company Building em Chicago, construído entre 1883 e 1884, é considerado, geralmente, o primeiro edifício alto moderno. O engenheiro William LeBaron Jenney, seu projetista, concluiu que as vigas de aço poderiam suportar o mesmo peso que as de tijolo, grandes e pesadas, usadas na época. Com as estruturas de aço, Jenney pôde também incorporar um número maior de janelas. Embora a iniciativa partisse de Chicago, foi Nova York a cidade que rapidamente assumiu a liderança como a capital dos arranha-céus. O primeiro arranha-céu de Nova York foi o Equitable, de sete andares. No entanto, foi logo superado pelos Tribune e Western Union, cada um com 10 andares.

Mas na opinião dos historiadores de arquitetura, o primeiro arranha-céu moderno é o Woolworth de Nova York. O arquiteto Cass Gilbert levou dois anos projetando 30 propostas diferentes até que Frank W. Woolworth, proprietário da cadeia de lojas de preços populares, ficasse satisfeito. A construção levou três anos, de 1910 a 1913, e eleva-se 241 metros acima de Manhattan.

O Woolworth foi possível graças a diversas tecnologias desenvolvidas durante a construção. Foi o primeiro edifício assentado sobre uma fundação de tubulões de concreto no leito de rocha. Foi o primeiro a usar uma estrutura em aço tão alta e o primeiro a ter elevadores de alta velocidade, com serviço expresso e local. Apelidado de “Catedral do Comércio”, foi o primeiro a usar um sistema de contraventamento, em que feixes de tirantes de aço na parte central se combinam com vigas de aço cruzadas nas paredes externas, proporcionando resistência aos fortes ventos.

O Woolworth conservou o título de maior edifício do mundo durante 16 anos, até 1929, quando o Edifício Chrysler foi construído em Nova York.

O proprietário do Chrysler, o fabricante de automóveis Walter Chrysler e o arquiteto, William Van Alen, manifestaram abertamente seu desejo de construir o edifício mais alto do mundo. Van Alen projetou um prédio de 66 andares e 282 metros de altura, em estrutura de aço, revestido em aço inoxidável no topo e tijolos no restante da estrutura.

Quando o rival e antigo sócio de Chrysler, H. Craig Severence, anunciou que também planejava construir um prédio de 66 andares, 6 centímetros mais alto que o Chrysler, Van Alen e Chrysler recorreram a um artifício. Montaram, em segredo, uma agulha de 55 metros para remate da torre. Quando a construção estava praticamente terminada, o remate foi içado para o topo, acrescentando 52 metros à altura do Chrysler. Mas a altura não era a única característica original do Chrysler. O reluzente aço Nirosta do revestimento da torre, irradiante de sol, e as cintilantes gárgulas eram elementos até então jamais utilizados nos Estados Unidos. O status do Chrysler, como edifício mais alto do mundo, durou pouco. Um ano mais tarde, em 1930, foi construído o que ainda hoje muitos consideram o símbolo absoluto do arranha-céu: o Empire State. A construção demorou apenas um ano e 45 dias, das escavações da fundação ao acabamento. Foi uma realização notável, por qualquer padrão. Com seus 102 andares e 381 metros, o Empire State foi o edifício mais alto, até que foram construídas as Torres Gêmeas do World Trade Center de Nova York (110 andares, 417 metros), inauguradas em 1972. No entanto, o Empire State continua sendo o ícone do capitalismo americano e exerce um incrível fascínio em muitas pessoas. Embora não encabece a lista dos edifícios mais altos do mundo, é uma das 10 atrações turísticas mais populares dos Estados Unidos, segundo o United States Park Service.

 

A silhueta dos prédios cresce na Ásia
Na última década, a construção de arranha-céus voltou-se para a Ásia.Desde 1996, as gêmeas Petronas Towers, em Kuala Lumpur, Malásia, dividem o título de edifícios mais altos do mundo . Cada torre tem 88 andares e mede 452 metros de altura. No entanto, logo serão suplantadas pelo Centro Financeiro de Taipei (508 metros), que está sendo construído em Taipei, Taiwan. E, em 2005, o Second Lotte World (467 metros) em Pusan, Coréia do Sul, deve estar concluído.

Prédios ainda mais altos e projetos mais aperfeiçoados estão em fase de planejamento. Dependendo de financiamento e da economia mundial, alguns podem ser construídos. Outros, contudo, nunca sairão da tela do computador. A proposta mais exótica é a chamada Torre Biônica em Xangai, na China, uma torre residencial de 300 andares e 1.128 metros, projetada por arquitetos espanhóis, segundo “princípios biônicos”, definidos como a aplicação de princípios biológicos ao estudo e projeto da engenharia. Essa proposta ainda está em estado conceitual.

Segurança contra incêndio
Devido à natureza singular e aos problemas de segurança de vida potenciais associados aos edifícios altos , as exigências de segurança encaixam-se na norma NFPA 101, Código de Segurança de Vida e no novo Código de Edificações™ da NFPA. “Os altos edifícios não são à prova de fogo,” diz Delbert Boring, um diretor sênior do American Iron e Steel Institute (AISI). “Existe ampla evidência de que, para resistir ao fogo, não importa o quanto esteja protegida, uma superestrutura precisa incluir outras características de segurança contra incêndio.” Boring diz que engenheiros e projetistas devem considerar o fator segurança contra incêndio tanto para os ocupantes, quanto para o conteúdo do edifício. “É imperativo que os códigos de segurança contra incêndio sejam observados até nos menores itens contidos no edifício,” assinala.

Isso é importante, dada a crescente insistência das incorporadoras que desejam um uso mais eficiente e de maior impacto do espaço interior, além de reduzir o custo da obra.

“As construções modernas devem poder acomodar todos os tipos de serviços eletrônicos,” diz Johnson da AISC. Com a evolução da tecnologia, mesmo com espaço disponível, as pessoas preferem construir seus próprios prédios, adaptados às suas necessidades.”

Muitos arquitetos, construtores e funcionários do setor siderúrgico acreditam que os códigos prescritivos de proteção contra incêndio, quando aplicados à construção de edifícios altos, restringem a criatividade do projeto e geram despesas desnecessárias. É por isso que o AISC formou um comitê de orientação, com representantes da NFPA, AISI e do American Institute of Architects (AIA), para desenvolver uma norma de proteção contra incêndio baseada em desempenho para altas estruturas em aço. O comitê é composto por incorporadores e engenheiros estruturais e de proteção contra incêndio, inclusive Robert Solomon, principal engenheiro de proteção contra incêndio em edifícios da NFPA.

“A criação dessa norma baseada em desempenho permite mais liberdade de criação e abre novos horizontes para arquitetos e construtores,” diz Nestor Iwankiw, vice presidente de Engenharia e Pesquisa da AISC.

Johnson diz que o comitê vai examinar as exigências do código e ver onde são restritivas e onde pode ser modificado, sem deixar de manter-se dentro de normas aceitáveis para segurança contra incêndio

“Grande parte desse trabalho envolve a análise da engenharia de proteção contra incêndio e a maneira de se construir um edifício. Estamos atrás da Inglaterra, Austrália, Japão e Canadá nessa questão,” diz Johnson. “Existe uma abordagem mais racional envolvendo a engenharia de segurança contra incêndio que tornaria esses edifícios igualmente seguros mas com menorcusto.”

Segundo Iwankiw, a finalidade do comitê é desenvolver e promulgar práticas de engenharia contra incêndio, eficientes e racionais, para estruturas em aço.

O comitê também vai desenvolver e difundir pesquisas que fundamentem os códigos e normas , enquanto desenvolve abordagens inovadoras de engenharia de incêndio para a comunidade de projetistas, explica Iwankiw. Diz, ainda, que o comitê espera incentivar a pesquisa e soluções criativas para problemas de engenharia de incêndio em edifício altos.

“O efeito será a mudança dos códigos de construção e normas de proteção contra incêndio, para permitir abordagens analíticas ou baseadas em desempenho,” diz Iwankiw. “Em geral, limitamo-nos a fazer coisas como há 50 anos. Podemos e devemos melhorar.”

Há anos que arquitetos e construtores se queixam que algumas das normas de proteção contra incêndio americanas aplicadas à construção de edifícios altos são muito restritivas. Mas Iwankiw diz que o comitê de orientação não pretende fazer nada que possa contrariar os documentos da NFPA.

“Os documentos de segurança contra incêndio da NFPA referentes a edifícios altos são muito mais amplos,” diz ele. “Não haverá nenhum conflito sério.”

Solomon da NFPA concorda com Iwankiw. “A elaboração de um documento baseado em desempenho estabelece metas e objetivos para cada edifício, faz a engenharia de proteção contra incêndio retornar ao projeto de construção.” Solomon salienta que a possibilidade de um projeto baseado em desempenho não é novidade para a NFPA. “O Código de Segurança de Vida da NFPA já contém essa opção,” ressalta.

A “torre biônica” de 300 andares de Xangai talvez nunca saia da prancheta, mas há poucos motivos para acreditar que o ritmo de construção de arranha-céus vá diminuir.

“Algumas previsões apontam para a descentralização da economia e dizem que as pessoas não terão mais que morar nem trabalhar na cidade. No entanto, há poucos sinais de que isso realmente esteja ocorrendo,” diz Johnson da AISC.

De fato, segundo Solomon, nos diversos trabalhos apresentados recentemente no 6º. Congresso Mundial do CTBUH, na Austrália, a previsão é exatamente oposta. Os grandes edifícios podem, na verdade, vir a ser uma nova micro-cidade independente. No futuro, talvez você more na parte residencial de um edifício, nos andares superiores, freqüente academias, centros de diversão e parques ao ar livre nos andares centrais, trabalhe em escritórios localizados nos andares inferiores e faça compras nos primeiros dois ou três andares destinados à ocupação de comércio de varejo. Você não vai precisar de carro, mas haverá estacionamento nas garagens subterrâneas se você tiver um.

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