NFPA 1600: Uma Importante Ferramenta de Atendimento e Recuperação

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Manejo de Emergências & Materiais Perigosos

NFPA 1600: Uma Importante Ferramenta de Atendimento e Recuperação

Por Donald L. Schmidt

Esboço dos componentes de um plano de desastre abrangente

12 Elementos da NFPA 1600
  1. Identificação do perigo e avaliação do risco
  2. Redução do perigo
  3. Administração de recursos
  4. Planejamento
  5. Direção, controle e coordenação
  6. Comunicação e advertências
  7. Operações e procedimentos
  8. Logística e instalações
  9. Treinamento
  10. Exercícios, avaliações e ações corretivas.
  11. Comunicação, educação do público e informações da crise
  12. Finanças e administração

Esboço dos componentes de um plano de desastre abrangente

Os ataques inimagináveis ao World Trade Center foram catastróficos e os resultados colocaram um enorme peso nos recursos do governo e do setor privado. Hoje, os órgãos governamentais, centenas de empresas e muitas pessoas continuam o trabalho de recuperação cuidando das necessidades imediatas e de longo prazo das pessoas afetadas. Uma parte desse esforço é a restauração de edifícios, infra-estrutura e restabelecimento das atividades de negócios.

Existem muitos termos para descrever reação a desastres e recuperação de desastres. Nos Estados Unidos o setor público utiliza a expressão “administração de emergências”. Os programas federais de resposta ao terrorismo usam os termos “administração de crises” e “administração das conseqüências”. O setor privado usa expressões como “resposta a emergências”, “controle de crises”, “recuperação dos negócios”, “continuidade de negócios” ou “administração de desastres”. Independente da terminologia, a recuperação de um desastre requer um plano abrangente, que começa com uma avaliação de prováveis ameaças e possíveis conseqüências, oferecendo um modo eficaz de administrar os vários recursos necessários.

Dentre as ferramentas disponíveis para criar tal plano está a edição de 2000 da norma NFPA 1600, Programas de Continuidade dos Negócios e Administração de Emergências/Desastres. A NFPA 1600 apresenta um conjunto de critérios para administrar desastres e emergências, bem como programas de continuidade dos negócios que podem ser utilizados por grandes e pequenas empresas para prevenir-se contra desastres, atenuar suas conseqüências, prestar assistência e recuperar-se.

Embora seja relativamente nova, a NFPA 1600 está sendo cada vez mais usada por administradores de emergências do setor público. Mike Austin, por exemplo, diretor da Divisão de Administração de Emergências do Estado do Arizona, usa a norma para avaliar programas municipais e estaduais. Austin já distribuiu cópias da norma NFPA 1600 a administradores de emergência em todo o estado do Arizona. O Programa de Acreditamento de Administração de Emergências (EMAP), um processo voluntário de acreditamento nacional para programas de administração de emergências públicas estaduais, territoriais e locais, também usa a NFPA 1600, como base para os critérios contra os quais serão medidos os programas que buscam acreditamento.

Surpreendentemente, a NFPA 1600 não é tão usada no setor privado. Em parte porque muitos administradores de emergências não têm conhecimento dessa norma, como revela um questionário criado pelo Comitê Técnico da NFPA sobre Administração de Desastres. Aqueles que conhecem o documento explicam que não o utilizam porque adotam outras normas de continuidade dos negócios, além de documentos do setor de seguros e vários documentos de planejamento do governo.

Elementos do programa
A NFPA 1600 não é um manual, com páginas e páginas de instruções mostrando a melhor maneira de criar um programa completo. Em vez disso, esboça componentes importantes de um plano abrangente, para que as empresas desenvolvam um programa capaz de refletir suas necessidades específicas.

Os elementos da NFPA 1600 são os seguintes: identificação do perigo e avaliação do risco; redução do perigo; administração dos recursos; planejamento; direção, controle e coordenação; comunicação e avisos. Outros elementos incluem operações e procedimentos, logística e instalações, treinamento, exercícios, avaliações e ações corretivas, comunicações da crise, educação do público, informações, finanças e administração.

Identificação do perigo e avaliação do risco
Os acontecimentos de 11 de setembro podem ter sido inesperados, mas os responsáveis por emergências já haviam, há muito tempo, identificado o potencial catastrófico de ataques terroristas, que podem assumir várias formas: química, biológica, radiológica, explosivos comuns e aparelhos incendiários. O terrorismo cibernético é também uma crescente ameaça. Até mesmo os desastres naturais podem resultar em mortes e perdas econômicas de bilhões de dólares.

Todas as organizações sejam públicas ou privadas, devem identificar e avaliar todos os riscos que possam ter um impacto pessoal, patrimonial, operacional e ambiental. A avaliação do risco deve quantificar a probabilidade de ocorrência e a gravidade das conseqüências. A saúde e segurança de todos devem ser prioridade absoluta. As empresas deveriam também quantificar o impacto de um desastre em seus edifícios, equipamentos e negócios, bem como as conseqüências financeiras diretas e indiretas. A conformidade com a legislação não deve ser desconsiderada. Uma análise do impacto nos negócios, quantificando as conseqüências potenciais de um risco, permite que a empresa avalie o custo-benefício e determine quanto investir em planos de redução, resposta e recuperação.

Redução do perigo
Os administradores de emergências devem pesar todos os acontecimentos que possam resultar em danos de monta, mesmo que a possibilidade de ocorrência seja mínima. Um bom trabalho preventivo pode não só minimizar as conseqüências de um ato terrorista, mas até reduzir a probabilidade que tal ato venha a ocorrer.

Os seguintes fatores devem ser considerados no planejamento de prevenção de desastre: localização, projeto e planta do edifício, barreiras físicas, proteção contra incêndio, sistemas de segurança de vida e redundância de recursos externos. Também é possível prevenir atos terroristas de menor escala através de medidas de segurança patrimonial eficazes.

Administração de recursos
Nas horas e dias que se seguiram aos ataques de 11 de setembro, as empresas empenharam-se em prestar assistência aos funcionários. Os sistemas de comunicação que ainda funcionavam estavam sobrecarregados. Os sistemas de transporte, destruídos. O acesso ao centro de Manhattan era limitado e as instituições financeiras se esforçavam para reabrir os mercados. Condições como essas podem ser antecipadas. É possível planejar os recursos necessários para executar estratégias de recuperação definidas com antecedência.

Para serem eficazes, as operações de recuperação e assistência requerem financiamento sustentado, pessoal treinado, instalações e equipamentos adequados. Os acidentes de grande escala, como o ataque ao World Trade Center, exigem um trabalho consistente e firme .

Saber administrar todos esses recursos, de modo eficiente, é condição essencial. Os administradores de emergências devem conhecer os recursos disponíveis e assegurar que estes produzam os resultados esperados, identificados na avaliação do risco. Qualquer restrição ou limitação deve ser identificada, para que as falhas possam ser corrigidas. Todos os recursos necessários devem ser de fácil acesso.

Planejamento
Cada organização deve ter um plano em conformidade com a legislação vigente e condizente com os objetivos, visão, política administrativa e situação financeira da empresa. Esse plano deve ter componentes múltiplos, inclusive estratégias preventivas, de curto e longo prazo, em que funções específicas são atribuídas a indivíduos ou equipes.

O plano de recuperação deve incluir uma lista de funções críticas, em ordem de prioridade, que serão restabelecidas dentro de prazos definidos. Deve incluir também funcionários, procedimentos, instalações e demais recursos necessários ao restabelecimento total ou funcionalidade temporária. Uma análise do impacto sobre os negócios, quantificando o potencial do impacto financeiro, pode justificar o investimento.

Um programa de recuperação e assistência completo pode abranger muitos planos individuais, cada um deles executado por pessoal definido e em coordenação com as autoridades externas. No mínimo, cada instalação deve assegurar que seus ocupantes sejam prontamente alertados e instruídos quanto a sair ou permanecer no local. É preciso também haver coordenação com os serviços públicos de emergência, para que as medidas tomadas pelos administradores do edifício não sejam conflitantes com a polícia e o corpo de bombeiros no comando da situação. Os planos adicionais podem incluir combate ao fogo, resposta a materiais perigosos, tratamento médico de emergência, resgate técnico, bem como atendimento a ameaças de bomba ou agentes biológicos ou químicos.

Cada plano deve ser elaborado e mantido de acordo com a legislação estadual e federal vigente, bem como normas ou práticas recomendadas pela NFPA, inclusive a NFPA 600, Brigadas de Incêndio Industrial; NFPA 471, Resposta a Acidentes com Materiais Perigosos, e NFPA 1670, Operações e Treinamento para Ocorrências de Resgate Técnico.

Direção, controle e coordenação
Em qualquer desastre, grande ou pequeno, o atendimento e a recuperação requerem a coordenação de maciços recursos, públicos e privados. Em vista disso, a norma NFPA 1600 exige um sistema de administração de incidente (SAI) e procedimentos para implementá-lo. As autoridades, internas e externas, devem ter conhecimento do SAI. As tarefas, cargos e responsabilidades de cada função devem ser identificadas e coordenadas.

O CONPLAN, plano de contingência do governo federal dos EUA para reação a ataques terroristas, inclui dezenas de órgãos federais, muitos dos quais interagem com as autoridades municipais e estaduais. As organizações privadas possuem muitas divisões, departamentos e funcionários. Uma equipe administrativa sênior deve coordenar a resposta corporativa com as equipes individuais encarregadas de operações de evacuação, conservação do patrimônio, avaliação do dano e restabelecimento das funções críticas, além dos setores de finanças, planejamento e logística.

Comunicação
Deve haver um sistema de comunicação confiável para alertar todas as pessoas que possam ser afetadas em situação de emergência, como também autoridades e membros das organizações de atendimento. A equipe de administração de emergência deve, no mínimo, ser capaz de usar esse sistema para orientar a evacuação das pessoas e notificar os serviços de emergência públicos.

Em instalações maiores, expostas a perigos de sérias conseqüências, a tarefa de notificar milhares de ocupantes e cuidar da evacuação de centenas de pessoas pode ser assustadora e exigir um enorme investimento, além de considerável respaldo. Equipes múltiplas, dirigindo atividades de emergência em coordenação com vários órgãos públicos, requerem grande quantidade de rádios, telefones e computadores, além de procedimentos sofisticados para garantir a transmissão e o registro de todas as informações.

Operações e procedimentos, logística e instalações
Deve-se estabelecer procedimentos operacionais padrão para reagir aos riscos identificados no processo de avaliação, especificados na seção “Planejamento” da norma NFPA 1600. Esses procedimentos devem incluir a avaliação do dano, operações de recuperação e a continuidade administrativa ou governamental.

O administrador de emergências deve também abordar os procedimentos necessários a um gerenciamento eficiente da equipe e dos recursos, como também estabelecer centros de suporte para operações de emergência, primários e secundários. Havendo dois centros de operações de emergência, haverá sempre um local de onde comandar e controlar as atividades de atendimento e trabalhos de recuperação.

É preciso conhecer os locais designados e assegurar o transporte a eles. Um dos problemas após os ataques de 11 de setembro foi a falta de transporte e o desconhecimento do local dos centros de operações de emergência.

Treinamento
A norma NFPA 1600 exige um programa de educação e treinamento que cumpra os regulamentos que alicerçam o programa de atendimento e recuperação.

Treinar todas as pessoas a agir com eficiência e segurança face a um desastre, concientizando-as e aprimorando seus conhecimentos, é fator crítico em uma organização. Os membros das equipes de atendimento e recuperação devem desenvolver capacidades técnicas e conhecer os respectivos papéis que desempenham no plano. A administração sênior deve se familiarizar com as atribuições e responsabilidades a eles designadas. No mínimo, deve haver treinamentos de evacuação periódicos, de acordo com os códigos e padrões aplicáveis, inclusive a norma NFPA 1, Código de Prevenção de Incêndio, e NFPA 101, Código de Segurança de Vida.

Exercícios, avaliações e ações corretivas
Considerando que as condições e o quadro do pessoal mudam com o tempo, os planos de desastre devem ser revistos regularmente de forma a refletir as novas necessidades e riscos. Revisões periódicas, testes, relatórios pós-incidente, avaliações de desempenho e treinamentos práticos permitem que o administrador de emergência reavalie a eficácia do programa, determine a capacidade individual necessária para executá-lo e corrija possíveis deficiências. Críticas feitas após um exercício ou acidente são uma excelente oportunidade para identificar pontos que demandam aperfeiçoamento.

O tipo e o escopo dessas atividades podem variar significativamente, mas todas elas são importantes.

Comunicação da crise, educação do público e informações
Em situação de emergência, é essencial comunicar-se, de forma clara e eficiente, com todos os funcionários, autoridades, clientes, fornecedores, público e outros participantes. A educação é outro fator essencial , pois aumenta a consciência que o público tem do seu papel na hora de reagir e atenuar um acidente.

No setor privado, a administração da crise e a comunicação são fatores fundamentais para de garantir que todas as pessoas ameaçadas sejam prontamente informadas

Finanças e administração
Não se deve ignorar que a administração eficiente do programa de atendimento e recuperação pressupõe bons procedimentos contábeis, em qualquer organização, grande ou pequena, pública ou privada. Muitas vezes os estatutos e as leis exigem uma reação pronta e rápida recuperação.

A obrigação de todas as organizações para com seus constituintes, sejam eles residentes de uma jurisdição política ou ocupantes de um edifício, é proporcionar um ambiente seguro se vier a ocorrer o inimaginável. A norma NFPA 1600 pode ajudá-las nessa tarefa.

Todas as pessoas jurídicas, públicas e privadas, devem identificar e avaliar qualquer risco que possa afetar seus funcionários, patrimônio, operações e ambiente. A norma NFPA não é um manual, com páginas de instruções sobre a melhor maneira de criar um programa completo. Em vez disso, ela esboça os componentes importantes de um plano para que as empresas desenvolvam um programa que reflita suas necessidades específicas.

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