Lidando com a grandeza
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Lugares de Reunião Pública, Discotecas & Egreso

Lidando com a grandeza

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ManagingMagnitud HeaderO IMPACTO DA ESCALA Uma área pública no Venetian Macau. À medida que o tamanho dos edifícios aumenta, dizem os especialistas, os processos de comissionamento e testes se tornam também mais complexos. Getty images

Centenas de zonas, milhares de dispositivos, milhões de pés quadrados: Como a NFPA 3 e a NFPA 4 estão se tornando ferramentas valiosas no processo de comissionamento dos edifícios em Macau, onde se encontram os maiores locais de reunião de público do mundo. 

por Robert Keough and David LeBlanc

Durante os últimos quatorze anos, a Jensen Hughes esteve envolvida no processo de comissionamento de edifícios em Macau, uma região administrativa especial da costa sul da China, separada de Hong Kong pelo estuário do rio Zhujiang. Em Macau se encontram alguns dos maiores edifícios de reunião de público do mundo, muitos com usos mistos cassinos/resorts, estruturas que deram a Macau a alcunha de “Las Vegas da Ásia.”

Participamos do processo de comissionamento de onze projetos em Macau, cada um com áreas brutas superando um milhão de pés quadrados. O primeiro projeto, e o menor par nós, foi o Sands Macao, que abriu em 2004 com aproximadamente 160,000 m2. O Sands Macao foi o primeiro cassino novo depois de o governo Chinês ter acabado, em 2002, com um monopólio do jogo de quatro décadas e ter aberto o mercado a seis concessões para cassinos. O sucesso do Sands Macao foi imediato, com seus 240 milhões de dólares em títulos de construção pagos em nove meses. Isso criou um boom frenético de mega-cassinos / resorts com o maior, o Sands Cotai Central, abrindo em 2012 com 1,300,000 m2 – o equivalente de 240 campos de futebol. O preço da construção aumentou com o tamanho das instalações, com o Wynn Palace Cotai, que abriu em 2016, custando $4.2 bilhões de dólares.

Como era de esperar, o tamanho e a complexidade dos sistemas de segurança contra incêndio e proteção da vida nessas instalações são proporcionais ao tamanho dos edifícios e podem resultar em maiores desafios para o comissionamento. Esses projetos podem incluir mais de cem painéis par-a-par de detecção e alarme de incêndio com centenas de fontes de energia auxiliares que monitoram e controlam mais de dez mil dispositivos. Esses dispositivos, por sua vez, estão integrados com mais de cem zonas de sistemas de sprinklers, sistemas de supressão alternativos, controladores de elevadores e mais de cinquenta (cada um) sistemas de controle de fumaça e de controle de acesso. Isso não inclui o número de geradores monitorados, de persianas e sistemas de fechamento de portas controlados e uma variedade de outras funções de controle de emergência associadas aos grandes sistemas integrados.

Esse desafio se aplica também às abordagens do comissionamento. Os processos e procedimentos aceitos localmente para o comissionamento dos sistemas nem sempre cobrem a integração completa dos sistemas ou exigem o nível requerido pela NFPA para a verificação dos sistemas quanto a seu desempenho, confiabilidade e capacidade de sobrevivência, nem requerem as mesmas qualificações e certificações profissionais.

Os códigos e normas adotados para o ambiente edificado definem os requisitos de segurança contra incêndio e proteção da vida. Esses requisitos tendem a se tornar mais complexos com cada nova edição dos códigos e normas e são ampliados à medida que os requisitos dos sistemas aumentam com o tamanho, o uso, a carga de ocupação, a complexidade e os riscos associados. Considerando que os megaprojetos de cassinos/resorts em construção em Macau incluem todos esses desafios – com lotações de público comparáveis à população de pequenas cidades dos Estados Unidos – o processo de comissionamento desses sistemas pode ser assustador.

Nossa experiência de comissionamento em Macau nos levou a desenvolver processos e procedimentos que se comparam com os identificados na NFPA 3, Comissionamento de Sistemas de Segurança Contra Incêndio e Proteção da Vida e na NFPA 4, Testes dos Sistemas Integrados de Segurança contra Incêndio e Proteção da Vida. A Jensen Hughes participou dos comitês técnicos responsáveis pelo desenvolvimento dessas normas e compartilhamos nossa experiência de comissionamento desse tipo de instalações com o comitê. Como acontece com todos os processos complexos integrados, que envolvem múltiplos resultados que devem ser monitorados e verificados, o comissionamento bem sucedido dum sistema começa muito antes do início de qualquer teste e não acaba com a ocupação do edifício. O comissionamento e testes integrados dos megaprojetos de Macau incorporavam esses conceitos através das quatro fases do empreendimento: planejamento, projeto, construção e ocupação.

eyepress070292 CC CMYKGRANDE, MAIOR, AINDA MAIOR a Cotai Strip de Cotai inclui uma série de resorts/ cassinos que são das maiores estruturas de reunião de público no mundo Foto: Newscom

Embora em muitas regiões do mundo se verifique um aumento significativo do número de instalações de reunião de público grandes e complexas, os códigos locais que regulam seu desenvolvimento podem não ter acompanhado o tamanho, a complexidade ou o uso pretendido. Quando isso acontece, não é raro que as jurisdições locais considerem a adoção de códigos e normas da NFPA para complementar ou substituir os regulamentos locais. Mas a adoção de qualquer norma pode apresentar um desafio quando uma jurisdição tem uma regulamentação de segurança contra incêndio e proteção da vida já estabelecido que funcionou relativamente bem para edifícios menores e mais simples. Essa mesma regulamentação pode não cobrir completamente projetos arquitetônicos únicos ou riscos pouco usuais associados a instalações maiores e mais complexas que têm áreas significativas dedicadas a um uso com elevada lotação de público.

Durante nosso trabalho em Macau identificamos importantes regras básicas para cada uma das quatro fases do projeto que podem ajudar as partes interessadas a evitar erros comuns relacionados ao comissionamento. Com a tendência para construções grandes presente em todo mundo, qualquer pessoa envolvida no processo de comissionamento deve considerar uma série de práticas essenciais que podem efetivamente influenciar as expectativas e agilizar os passos necessários para conseguir instalações prontas a funcionar, no prazo e respeitando o orçamento.

FASE DE PLANEJAMENTO

Identificar os desafios do comissionamento logo no início

Obter e manter a atenção, o enfoque e a contribuição dos principais intervenientes no projeto durante a fase de planejamento é sempre um grande desafio. É nessa fase que são tomadas decisões criticas que ajudarão o projeto a respeitar orçamento e cronograma e a alcançar um desempenho ótimo do sistema durante seu ciclo de vida.

A NFPA 3 define a fase de planejamento como o período onde a equipe de comissionamento dos sistemas de segurança contra incêndio e proteção da vida é constituída e os conceitos iniciais do projeto e os requisitos de projeto do proprietário são desenvolvidos. Saber no início da fase de planejamento quais serão os desafios do comissionamento permite que o agente de comissionamento impulsione metas de planejamento que correspondam aos objetivos de desempenho do projeto sempre compreendendo suas limitações, com o objetivo adicional de garantir um nível mínimo de segurança requerido pelos códigos e normas adotados.

Na maioria dos cassinos/resorts, grande parte do edifício é dedicada ao uso de reuniões de público que inclui jogos, cinemas, arenas para eventos, espaços de convenções, centros de conferência, salões de dança, restaurantes, bares e espaços similares. O planejamento precisa reconhecer não só o tamanho como também a complexidade dos sistemas de segurança contra incêndio e proteção da vida. As exigências dos códigos e normas encontrados em áreas de reunião de público muito grandes são em geral mais numerosas e restritivas devido à elevada carga de ocupação; mesmo o comparativamente pequeno Sands Macao tem uma área total de jogos de aproximadamente 22,000 m2, com uma lotação legal de aproximadamente 20,000 pessoas somente nas áreas de jogos.

O projeto maior, o Sands Cotai Central, tem uma lotação total calculada para o edifício superando as 176,000 pessoas.

A fase de planejamento proporciona a primeira oportunidade para apresentar às partes interessadas os desafios fundamentais, como as saídas horizontais e os corredores de saída e o impacto que podem ter sobre o projeto dos sistemas mecânicos, elétricos e hidráulicos, os sistemas de proteção contra incêndio e as operações do edifício. As saídas horizontais podem ter um impacto nas zonas de sinalização de evacuação do alarme de incêndio e as zonas de sprinklers e de fumaça devem muitas vezes ser coordenadas com as paredes que delimitam as saídas horizontais. As paredes resistentes ao fogo certificadas precisam ter uma combinação de registros de incêndio e/ou fumaça, que requerem controles interconectados dos detectores de fumaça associados. As aberturas nas saídas horizontais requerem hidrantes de cada lado da parede adjacente à abertura.

fcc elevator controls1

RJK 5915 CC CMYKSOBREPOSIÇÃO COMPLEXA Os desafios do comissionamento e testes apresentados pelos megaprojetos incluem extensos controles de elevadores (esquerda) e sistemas de alarme de incêndio (direita).

 

FASE DE PROJETO

Considerar meios alternativos para materiais e práticas

A NFPA 3 define a fase de projeto como o período onde é produzida a base do projeto, quando se produzem os desenhos e os cálculos, incluindo os necessários para o projeto e a fabricação e quando se desenvolvem os procedimentos de testes.

É importante lembrar que os regulamentos de segurança contra incêndio e proteção da vida representam, em termos gerais, um nível aceitável de segurança para a localidade. Aquilo que se precisa para alcançar esse nível difere significativamente dependendo da localidade e isso se aplica também às exigências regulamentares de projeto. Os códigos e normas, incluindo os da NFPA, são específicos quanto aos padrões de fabricação e desempenho dos produtos que não se encontram facilmente no local ou quando existe pouca ou nenhuma experiência com a instalação dos produtos. A experiência de instalação é muitas vezes essencial para a confiabilidade, o desempenho e, no caso da segurança contra incêndio e proteção da vida, para a capacidade de sobrevivência dos sistemas.

Nossas experiências em Macau nos mostraram que faz sentido, do ponto de vista operacional, aceitar meios e métodos alternativos relacionados aos produtos, ao equipamento e aos componentes do sistema construtivo ou práticas de instalação se as equivalências puderem ser provadas. É melhor lidar com essa questão logo no início da fase de projeto de maneira que todos os intervenientes relevantes estejam conscientes das normas e certificações aprovadas, para que tenham tempo suficiente de pesquisar equivalências aceitáveis e submetê-las à aprovação.

GettyImages 86086614 CC CMYKO IMPACTO DA ESCALA Uma área pública no Venetian Macau. À medida que o tamanho dos edifícios aumenta, dizem os especialistas, os processos de comissionamento e testes se tornam também mais complexos.

As partes interessadas deveriam conhecer os métodos de testes dos sistemas antes de começar a projetar os sistemas – embora isso possa apresentar desafios adicionais. O ritmo dos projetos de Macau é muito acelerado – o Venetian Macau, com seus 975.000 m2, foi projetado e construído em três anos e isso foi depois da recuperação do terreno situado numa zona pantanosa em grande parte submersa – e os testes desses materiais e métodos alternativos podem facilmente ser omitidos devido à pressa para terminar a construção das instalações. O agente de comissionamento dos sistemas de proteção contra incêndio deve ter conhecimento desse fato e conseguir que todas as partes envolvidas sejam cientes da necessidade de realizar testes durante ambas as fases de projeto e construção.

FASE DA CONSTRUÇÃO

Permitir os testes do sistema em fases e os testes de grupos de controle

A fase de construção é definida pela NFPA 4 como “a fase durante a qual os sistemas e os materiais são fabricados e instalados, testados e aceitos.”

A NFPA 4 requer testes de ponta a ponta dos sistemas: isso quer dizer um teste desde o primeiro input do primeiro sistema até o ultimo output do último sistema. A finalidade do teste ponta a ponta é observar a resposta dos componentes aplicáveis dos sistemas em lugar de medir o desempenho do sistema global. A norma permite os testes de grupos de controle para cumprir a meta de testes do sistema integrado, que é “demonstrar que a instalação final do sistema integrado cumpra os objetivos específicos de projeto para as instalações e os códigos e normas aplicáveis.”

Um desafio comum em nossos projetos de Macau é o comissionamento integrado do sistema de detecção de incêndio e sinalização, que é usualmente o ponto central da integração para a maioria dos sistemas de proteção contra incêndio. Além de proporcionar a detecção do incêndio o sistema proporciona usualmente o monitoramento e controle duma ampla variedade de sistemas associados, incluindo o sistema de sprinklers e sistemas alternativos de supressão de incêndio, controle de fumaça, controle de acesso, sistemas HVAC, elevadores, escadas rolantes, musica ambiente, iluminação, entre outros. Nas instalações muito grandes é pouco prático e virtualmente impossível testar cada aspecto e função dos sistemas ao mesmo tempo; o sistema de alarme de incêndio para o Venetian Macau, que inclui o Parisian e o Plaza Macau, tem mais de 25,000 pontos de alarme de incêndio endereçáveis e não é realista pensar que os testes integrados possam dar conta de cada uma das possíveis variáveis.

Pode não ser necessário presenciar a função associada ao desempenho cada vez que o dispositivo de iniciação for ativado, mas o NFPA 72®, Código de Alarme de Incêndio e sinalização, requer a verificação da “ativação do dispositivo de interface da função de controle de emergência” durante os testes iniciais, de re-aceitação e periódicos. O desafio é fazer isso num sistema integrado extremamente grande com sistemas e funções interconectados que não estarão prontos para serem testados todos ao mesmo tempo. Por exemplo, num edifício alto com um grupo de controle de mais de cem detectores de fumaça que ativará a chamada de retorno dum elevador quando houver uma ativação individual, não é necessário chamar o elevador cem vezes durante os testes desses detectores individuais de fumaça. É aqui que pode entrar em jogo um teste de grupo de controle – é aceitável desenvolver cenários de testes que verifiquem a ativação de todos os dispositivos relevantes de controle de detecção de incêndio relacionados com a chamada de retorno dum elevador quando os dispositivos de iniciação dentro do grupo de controle estiverem ativados, sempre que o cenário inclua uma chamada de retorno real do elevador durante o teste de pelo menos um dispositivo de iniciação pertencente ao grupo de controle.

Nossa abordagem dos testes é verificar a função, como o retorno do elevador, com a ativação do primeiro e do último dispositivo dum grupo de controle. O primeiro dispositivo assegura que a função de controle de emergência em si funcione como previsto, o que pode ser retificado se a função não tiver o desempenho pretendido enquanto os outros dispositivos estão sendo testados. Podemos então confirmar que a função de controle de emergência funciona corretamente com a ativação do último dispositivo, proporcionando uma verificação final de comissionamento.

Embora esta abordagem dê garantias quanto a uma função do sistema com interface, raras vezes é possível obter o mesmo nível de garantias quando múltiplos sistemas com diferentes funções são ativados desde os mesmos dispositivos de iniciação dentro do grupo de controle. Considere a função de chamada de retorno do elevador; devido à programação da construção num projeto em grande escala, pode ser necessário finalizar a relação integrada entre sistema de detecção de incêndio e chamada de retorno do elevador antes que as funções de controle de fumaça estejam prontas para serem testadas, mesmo se ambas podem ser ativadas desde dispositivos comuns de iniciação. Embora seja possível usar para o sistema de controle de fumaça o mesmo método de teste “Primeiro e Último” usado anteriormente para a chamada de retorno do elevador, a ativação de alguns dos detectores de fumaça relacionados aos testes do controle de fumaça vai ativar também a chamada de retorno do elevador, que está agora funcionando.

Esse é um dilema freqüente associado à programação dos projetos de grandes sistemas, onde um dispositivo de iniciação pertence a múltiplos grupos de controle que ativam diferentes funções que não estão prontas ou não podem ser completadas e prontas para os testes ao mesmo tempo. Conhecer esses desafios quando se desenvolve o plano de comissionamento e os procedimentos de testes integrados permite que a equipe de comissionamento assegure que a interconexão com funções não aplicáveis ao teste de integração específico sejam temporariamente desativadas.

Mesmo assim, todas as partes envolvidas precisam aceitar uma característica usual do comissionamento de sistemas grandes e complexos de detecção de incêndio e sinalização, que é que o processo é raramente linear – numerosos dispositivos de iniciação farão interface com múltiplas funções de controle de emergência que não estarão completadas e prontas para testes ao mesmo tempo. Mesmo quando essas funções estiverem prontas ao mesmo tempo, o tamanho e a complexidade do sistema podem tornar impossível a verificação do desempenho de todas as funções ao mesmo tempo, o que vai requerer a ativação redundante do mesmo dispositivo. Teste o que puder, documente e registre os resultados e continue até que fique verificado que o desempenho dos sistemas cumpre as metas de projeto.

FASE DE OCUPAÇÃO

Revisite os problemas até que esteja todo certo. Prepare-se para um processo contínuo de inspeção, testes e manutenção dos sistemas de segurança contra incêndio e proteção da vida durante toda a vida útil do edifício.

Como agentes de comissionamento e testes integrados para múltiplos projetos em Macau, observamos que muitas vezes é necessário revisitar as questões para garantir que os requisitos dos sistemas estejam corretamente tratados, mesmo quando desafios enfrentados normalmente durante a fase de construção se estendem à fase de ocupação.

Embora os projetos em Macau devam submeter toda a documentação exigida, fica muitas vezes aparente durante as últimas fases do comissionamento que a documentação não lida com todos os desafios de forma exaustiva. Isso pode ser devido em parte à falta de experiência dos intervenientes no projeto em relação aos códigos adotados e à cultura local de projeto e construção. A maioria dos intervenientes não está familiarizada com os códigos e normas relevantes, especialmente no que diz respeito ao impacto que esses requisitos podem ter sobre as características, o propósito e as funções arquitetônicas.

Para os projetos de Macau, os proprietários e os arquitetos adotaram inicialmente códigos e normas alternativos porque admitiam espaços de reunião de público grandes e abertos que não eram permitidos pela regulamentação local. Os corpos de bombeiros locais aceitaram a abordagem porque a nova regulamentação era exaustiva e lidava com conceitos arquitetônicos e riscos únicos que se encontram nos megaprojetos de cassinos/resorts. Mas o impacto global na arquitetura e nos sistemas dum projeto é raras vezes compreendido ou apreciado até que se apliquem os novos requisitos – e isso às vezes requer múltiplas tentativas antes de alcançar um nível aceitável de desempenho do sistema.

GettyImages 454015276 CC CMYKPALCO E RINGUE os espaços como cinemas e arenas, comuns em grandes instalações de cassinos/resorts, podem apresentar desafios adicionais de comissionamento e testes.

Por exemplo, Macau está familiarizado com os sistemas de exaustão de fumaça, mas seus objetivos de desempenho eram limitados em comparação com os sistemas de controle de fumaça definidos pela NFPA. A introdução do controle de fumaça como um sistema de proteção da vida com objetivos de desempenho definidos para proporcionar um ambiente defensável no acesso às saídas era um conceito bastante novo para as autoridades de Macau. Como sistema complexo de proteção da vida, o controle de fumaça tem múltiplas funções integradas que incluem usualmente a detecção de incêndio, o controle de sprinklers e os sistemas de tratamento do ar que requerem um monitoramento de estado positivo (positive-status) pelo sistema de controle de fumaça durante ambos os estados passivo e ativo. A complexidade dessa integração era um conceito novo para a maioria dos intervenientes e requeria uma educação abrangente e coordenação durante todas as fases do processo de comissionamento para garantir um desempenho adequado do sistema.

Além disso, a fase de ocupação deve incluir o estabelecimento do sistema de inspeção, testes e manutenção para a vida útil do edifício. Mesmo se os sistemas de comissionamento e os métodos de testes estão estreitamente relacionados com os requisitos de manutenção do sistema, nem todos os códigos e normas incluem diretrizes específicas exaustivas para a manutenção.

A NFPA 3 e a NFPA 4, pelo contrario, definem exaustivamente as necessidades de comissionamento que deveriam ser levadas em conta pelas organizações que desenvolvem os códigos e pelos fabricantes para melhor integrar seus requisitos e produtos no desenvolvimento global do projeto e na eventual manutenção desses sistemas. Considere os sistemas de detecção de incêndio e sinalização, por exemplo. Tanto os códigos relacionados à construção como os relacionados aos sistemas ampliaram os requisitos de desenvolvimento do projeto ao longo dos anos para lidar com o desempenho dos sistemas e as necessidades da instalação, mas os requisitos reforçados de projeto não requerem uma justificação abrangente do layout do sistema em relação às eventuais necessidades de testar e manter o sistema. A confiabilidade e o desempenho de sistemas grandes seriam favorecidos por uma análise racional que lide com o layout dos circuitos, o agrupamento das funções de controle de emergência, as zonas de sinalização para evacuação e outras funções integradas com a meta de desenvolver um plano de manutenção que limite a interrupção das operações do edifício durante os testes programados.

PARA AVANÇAR, esse tipo de ferramentas e práticas serão muito úteis para gerenciar o comissionamento e os testes à medida que os megaprojetos se tornem mais populares em todo o mundo. Provavelmente precisaremos modificar algumas das ferramentas que temos e desenvolver novas. As organizações que desenvolvem códigos e normas, por exemplo, precisam reconhecer que, com o aumento da complexidade dum sistema, são necessários controles simplificados dos sistemas para desativar e reativar as funções do sistema por área, grupo ou tipo de testes. As regulamentações atuais requerem controles de sistemas limitados para as operações de emergência e reativação, mas existem poucos requisitos sobre controles relacionados com os testes e a manutenção.

Capacidades de monitoramento de estado positivo (positive-status) dedicadas aos testes e à manutenção poderiam aprimorar de forma significativa a efetividade do processo. A capacidade de obter um feedback positivo dum dispositivo de interface do sistema de alarme de incêndio – que recebeu uma mensagem de atuação sem ativar sua função de controle associada durante os testes – simplificaria muito os métodos de teste e a quantidade de tempo dedicada aos testes. Os agentes de comissionamento dos sistemas de incêndio poderiam ativar um grupo grande de dispositivos de iniciação associados a um elevador, um registro ou uma zona de notificação comum sem interromper as operações do edifício por testes repetidos. Proporcionar um monitoramento inerente visual e sonoro do estatuto dos dispositivos de notificação poderia permitir a realização de testes de milhares de dispositivos em poucos segundos, em lugar de interromper as funções operacionais por horas e dias durante os testes.

Entende-se a possível relutância dos fabricantes em desenvolver capacidades que tornem os testes mais fáceis e eficientes, já que os aprimoramentos podem reduzir suas receitas ligadas à manutenção. Mas se as autoridades responsáveis pelos códigos continuarem a relacionar a segurança com o desempenho dos sistemas de proteção contra incêndio existentes, então eles deveriam também reconhecer que a confiabilidade do desempenho dum sistema está diretamente relacionada com os testes e a manutenção do sistema. Os requisitos dum código dedicado à manutenção deveriam ter o mesmo peso que os relativos ao desempenho do sistema.

O êxito final depende da realização de análises completas dos projetos, inspeções e manutenção, não apenas a documentação dos testes do sistema. Devemos sempre recordar que a meta final não é que o sistema passe um teste de aceitação, mas que sobreviva em condições de emergência reais sempre satisfazendo as demandas dos requisitos de desempenho. Isso só pode ser alcançado se o sistema estiver disponível e tiver o desempenho pretendido – a definição de confiável.

ROBERT KEOUGH, P.E., FSFPE, SET, é vice-presidente sênior de Pacific Rim Operations na Jensen Hughes. DAVID LEBLANC, P:E:, FSFPE, é vice-presidente e líder de serviços de comissionamento da Jensen Hughes. Fotografia no topo: Getty Images.

YunacosamasFASES FINAIS como abordagens de ocupação de edifícios, os agentes de comissionamento de incêndio precisam manter registros rigorosos para monitorar com precisão o processo de teste do sistema.

E mais uma coisa ...

Lições adicionais aprendidas do comissionamento de megaprojetos

Existem muitas mais lições que levamos de nossa experiência de comissionamento de grandes edifícios em Macau, como é obvio.

Na fase de projeto, por exemplo, é muito importante garantir que os socorristas tenham conhecimento das características do edifício necessárias para fazer seu trabalho. O projeto e a instalação de sistemas de segurança contra incêndio e proteção da vida, junto com a arquitetura do edifício e todos os outros sistemas, devem ser coordenados com as necessidades dos socorristas. A lista inclui normalmente as localizações dos hidrantes para os bombeiros, as funções de controle de elevadores dos bombeiros, as funções de retorno dos elevadores, as localizações dos sinalizadores dos alarmes de incêndio e as preferências de línguas faladas e escritas, entre outros.

Esse tipo de características normalmente não é negociável; mesmo se uma equivalência for proposta, a equivalência deveria proporcionar uma solução melhor que o mínimo requerido e sempre precisará a adesão da autoridade competente antes de sua adoção.

Na fase de construção, uma maior diligência quanto aos desafios mais complexos dos testes integrados surtirá efeito no decurso do projeto. As grandes áreas de reunião de público como cinemas e centros de eventos apresentam operações coordenadas particularmente complexas. Essas áreas requerem muitas vezes a integração dos sistemas de áudio e de iluminação, enquanto os amplificadores do entretenimento são desviados e os níveis requeridos de iluminação são restabelecidos no momento da ativação do sistema de alarme de incêndio do edifício. Controles independentes das comunicações de emergência de voz/alarme são normalmente fornecidos junto com um sistema de controle de fumaça para lidar com a arquitetura dum cenário e/ou largura de corredores reduzida que requerem a proteção da zona de assentos contra a fumaça. Os teatros especializados podem optar por uma cortina de água em lugar duma cortina de proscênio resistente ao fogo certificada, uma abordagem que requer muitas vezes a integração dum sistema de detecção de incêndio ou chamas. Esse sistema é monitorado às vezes pelo mesmo painel de alarme de incêndio ou por um painel separado que, se for ativado, requer uma função de abertura pela solenoide da válvula de dilúvio do sprinkler– tudo isso e mais monitorado e/ou controlado pelo sistema de detecção de incêndio e sinalização.

Presenciar a correta sequência de operação desses sistemas durante os testes é extremamente satisfatório para o fanático da engenharia que existe em cada um de nós, mas devemos sempre lembrar que a complexidade do sistema aumenta a chance de falsos alarmes ou alarmes não desejados. Isso é particularmente verdade quando lidamos com projetistas, empreiteiros e instaladores com experiência limitada envolvendo esses sistemas complexos e sua integração. Manter os olhos abertos durante os processos de comissionamento e testes dos megaprojetos é absolutamente essencial.

É também por isso que é essencial manter registros rigorosos dos processos de comissionamento. É comum entre as equipes de comissionamento em Macau ver testes de aceitação antes dos testes finais integrados de comissionamento. Além disso, devido ao tamanho dos sistemas, é comum ver testes de aceitação dos sistemas realizados em fases, onde uma secção predeterminada é completada antes que secções adicionais sejam postas em funcionamento. Independentemente de como acontece, são muitas coisas para registrar, e é por isso que tanto a NFPA 3 como a NFPA 4 requerem um registro muito cuidadoso. Ambas as normas requerem que as tarefas e resultados do comissionamento sejam registradas com base nas atividades diárias e que sejam registrados relatórios de não conformidade que formulam os problemas para cada sistema.

O Sands Cotai Central, por exemplo, ocupa mais de 102,000 m2 e o projeto gerou mais de 15,000 defeitos que foram registrados durante o esforço de comissionamento que superou os 20 meses. Organizar essa informação por disciplina e localização permite que os gerentes dos programas enviem relatórios diários aos empreiteiros responsáveis, mesmo quando houver vários empreiteiros instalando o mesmo tipo de sistema. Um projeto exigiu sete instaladores de sistemas de sprinklers porque o escopo do trabalho excedia as capacidades de qualquer empreiteiro sozinho.

 

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