Soe o Alarme

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Alarme, Detecção, Notificação & Señalización

Soe o Alarme

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alarmas contra incendios
 
Como um projeto para instalar alarmes de fumaça em favelas na África do Sul promete um futuro mais seguro para o país – e para milhões de pessoas ao redor do mundo
 
Por Angelo Verzoni

Antenas de satélites aparecem num número surpreendente de telhados em Wallacedene, um assentamento informal na Cidade do Cabo. As parábolas cinza, vistas na visão de satélite do Google Maps, são um dos poucos sinais de confortos modernos numa área densamente povoada que parece uma favela.

Localizada na extremidade este da Cidade do Cabo, a cerca de vinte quilômetros da costa do Atlântico Sul, Wallacedene tem mais ou menos trinta e seis mil habitantes. A favela cobre uma área de cem campos de futebol, resultado numa densidade populacional que é mais de seis e meia vezes a de Nova Iorque. Residências e comércios não são mais que barracos, construídos com telhas de metal corrugado, chapas de aglomerado e outras sobras. O lixo é atirado nos espaços livres e ao longo das estreitas ruas.

Assentamentos informais como Wallacedene são encontrados por todo o mundo, a maioria em países em desenvolvimento, mas também no mundo desenvolvido, resultado da pobreza e aglomeração nas áreas urbanas. Num artigo publicado em 2009, no Planning Theory Journal, informalidade é definida como "um estado sem regulamentação, onde a propriedade, uso e finalidade da terra não podem ser definida e mapeada de acordo com qualquer conjunto de regulamentações ou leis."

A condição de vida amontoada e barracos caindo aos pedaços nas favelas criam importantes riscos de incêndios. Dados do censo indicam que, enquanto menos de 20% da população da Cidade do Cabo vive nas favelas, mais da metade dos incêndios da cidade ocorrem nestas áreas, de acordo com as publicações. Riscos associados aos ambientes construídos são compostos pela ausência de regulamentação e pelo comportamento humano arriscado, como fumar na cama, deixar fogões acessos sem supervisão e sobrecarregar circuitos elétricos.

Os resultados são frequentes incêndios, que podem rapidamente se propagar e ficar fora de controle e destruir favelas inteiras, destruindo milhares de casas e deslocando milhares dos residentes. Um destes incêndios no ano passado, numa favela conhecida como Imizamo Yethu, na Cidade do Cabo, matou quatro pessoas, destruiu quase duas mil e duzentas casa e deslocou nove mil e setecentos residentes. O incêndio, que custou à cidade estimados cem milhões de Rand, ou cerca de seis milhões e setecentos milhões de dólares, foi um dos piores na história da cidade. A Divisão de Pesquisa da NFPA está ajudando as Universidades de Edinburgo e Stellenbosch, na província de Cabo Oeste, onde está a Cidade do Cabo, com um projeto para estudar como os incêndios se propagam nestas favelas para que seus efeitos possam ser mitigados.

imagen de incendioIMAGENS DE UM INCÊNDIO Em 2017 um incêndio na favela chamada Imizamo Yethu, na Cidade do Cabo, matou quatro pessoas, destruiu quase 2.200 casas, deslocou 9.700 residentes e resultou em perdas equivalentes a cerca de sete milhões de dólares. Imagens capturadas durante o incêndio por um bombeiro/cineasta da cidade mostram os desafios encontrados pelos bombeiros nas favelas.. Fotos: Justin Sullivan.

Os incêndios nas favelas ameaçam não só os residentes, mas também bombeiros e outro pessoal de emergência. Residentes que podem ou não entender de táticas de combate a incêndios às vezes tentam pegar as mangueiras dos bombeiros e levar a água para as suas próprias propriedades. Aconteceram casos nos incêndios nas favelas de residentes furarem com facas as mangueiras para desviar a água. "Quando o fogo queima nestes ambientes, expõe os bombeiros a riscos desnecessários," disse Rodney Eksteen, antigo diretor assistente de gerenciamento de desastres e socorro de incêndios na província. "Está se tornando um problema maior que o risco de incêndio e mortes por fogo nas favelas."

Levado pelo problema dos incêndios nas favelas, a taxa de mortalidade por incêndios na África do Sul por cem mil habitantes era de 4,87 em 2016, comparado com os 1,29 nos EUA. Embora estatísticas confiáveis não estejam disponíveis comparando incêndios e mortes por incêndio nas favelas da Cidade do Cabo com os da cidade, da província e do país, os moradores podem dizer como a situação é ruim. Em Fogo do Dragão, curta metragem lançado em julho, que mostra o problema dos incêndios nas favelas – filme dirigido por Justin Sullivan, bombeiro voluntário que contribuiu com fotografias para este artigo – uma mulher chamada Hazel conta sua história de viver através de quatro incêndios, o mais recente o mortal Imizamo Yethu que destruiu sua casa. "As pessoas gritavam e corriam com suas coisas. As chamas vieram muito, muito rápido. Ainda estou arrasada com isto," diz Hazel, começando a chorar. Outra mulher, Veliswa, residente de Wallacedene, disse ao pessoal da filmagem que "Pessoas estão morrendo… Gritando dentro das casas pegando fogo. Não está certo."

Ao menos numa parte de Wallacedene, contudo, o progresso tem sido feito usando uma única, simples peça de tecnologia: detectores de fumaça. A Área de Reassentamento Temporário de Wallecedene (ART) – uma área de 6,5 ha com uma população de cerca de 4.500 pessoas e uma história de incêndios frequentes e outros riscos de segurança, como enchentes – foi o local de um projeto do governo que introduziu milhares de detectores de fumaça operados a baterias nas casas dos residentes. De acordo com os organizadores do projeto, os resultados foram impressionantes.

"Reduziu as mortes a zero," disse Eksteen, que coordenou o processo de instalação dos detectores. "Em todos os incidentes de incêndio que aconteceram na comunidade [no período em que os pesquisadores monitoraram os incêndios], não aconteceram mortes. Zero."

Wallacedene TRA outline CC CMYK

Alguns disseram que não poderia ser feito

A maioria dos moradores de Wallacedene ainda aquecem suas casas com o tradicional mbawullas, latas de vinte e cinco litros furadas para ventilação, que são cheias de brasas. Para cozinhar, pequenos fogões a querosene ou parafina são o comum. Tanto um como outro começaram incêndios; A Sociedade de Parafina da África do Sul estima que mais de duzentos mil sul africanos são feridos ou perdem suas propriedades em incêndios relacionados à parafina a cada ano.

Mas a eletricidade, recentemente introduzida em Wallacedene como parte de um esforço do governo, começado nos anos 90 para dar às favelas eletricidade legal, também apresenta riscos. Dados do governo da Cidade do Cabo mostram que a eletrificação de assentamentos como Wallacedene coincidiu com um aumento de 335% nos incêndios por eletricidade nestas áreas, muitos causados por circuitos sobrecarregados quando moradores empilham aparelhos – refrigeradores, fogões e, aparentemente, televisões e antenas de satélites – em pequenos espaços. Um relatório publicado em maio, sobre a instalação de alarmes de fumaça em Wallacedene, indica que os moradores descobriram que fogões elétricos são muito mais seguros que os de gás, o que pode criar uma falsa sensação de segurança e resultar em mais incêndios começados por cozinhas sem supervisão.

Por anos as soluções para os incêndios em assentamentos como Wallacedene vieram através de vários produtos de detecção e supressão de fogo vendidos aos residentes e às prefeituras pelos fabricantes, alguns mais preocupados com o lucro do que oferecer soluções legitimas, disse Eksteen. Os produtos raramente eram apoiados por pesquisas provando que eles realmente funcionavam.

Em países desenvolvidos como os EUA e Reino Unido, alarmes de fumaça a bateria são tecnologia comprovada e em uso. Normalmente são exigidos em múltiplos locais em casas, e organizações como a NFPA tem divulgado sua importância há décadas. Em países em desenvolvimento, contudo, a história pode ser muito diferente – na África do Sul, por exemplo, não há exigências para alarmes de fumaça em casas, formais ou não. Mesmo com a tecnologia embutida na cultura de segurança de incêndio nos países desenvolvidos, detectores de fumaça são ainda pouco utilizados. Dados da NFPA mostram que estão ausentes ou inativos em três de cada cinco mortes domésticas nos EUA. Muitas vezes, alarmes falsos ou casos em que os alarmes soam por causa de atividades diárias como cozinhar, faz com que as pessoas os desliguem.

Não surpreende, então, que quando Eksteen e outros do governo de Cabo Ocidental, além de pesquisadores na Stellenbosch University, fizeram um plano há cerca de dois anos para introduzir os aparelhos nas favelas, muitos disseram que não ia dar certo. "Havia esta crença de que, como eram assentamentos informais e porque as pessoas estão acostumadas a usar fogo aberto para aquecer e para cozinhar nos seus barracos, teríamos fumaça por todo o lugar e os detectores iriam disparar a todo instante, e não funcionaria," disse Eksteen ao NFPA Journal numa entrevista em setembro. Mesmo alguns bombeiros locais duvidavam que os alarmes de fumaça pudessem ser usados nos barracos, disse ele.

Mas Eksteen tinha visto pesquisas mostrando a sua efetividade em espaços pequenos similares como motor homes e treileres, e ficou pensando se não poderiam ser usados nos barracos que são a base das favelas na Cabo Ocidental. Eventualmente, um departamento de bombeiros - de Breede Valley, que Eksteen descreveu como "muito progressista" – concordou e, na primavera de 2016 trabalhou com o governo e pesquisadores para instalar duzentos detectores de fumaça a bateria nos barracos de duas favelas, Zwelethemba e Avian Park. O projeto foi um sucesso instantâneo. Os alarmes começaram alertando residentes para incêndios potencialmente perigosos para a vida, disse Eksteen, e os residentes que não receberam os aparelhos vieram pedir por eles.

A pesquisa abriu caminho para um projeto maior em Wallacedene que começou cerca de dez meses mais tarde, em fevereiro de 2017. Os lideres do projeto ainda estavam preocupados, contudo, inseguros se o sucesso do projeto anterior, menor, se transformaria num sucesso em escala maior. Ainda assim, cerca de dois mil alarmes fotoelétricos, direto das prateleiras e com baterias de longa duração de íons de lítio foram comprados para o projeto. Pesquisador tinha determinado, através do projeto anterior e pesquisas posteriores, que alarmes fotoelétricos – em lugar dos de ionização ou de taxa de aumento de temperatura – eram os mais indicados para detectar o tipo de fogo de combustão lenta que ameaçam as favelas da África do Sul.

Como no projeto preliminar, os resultados em Wallacedene foram imediatos e positivos. No quase um ano que os pesquisadores monitoraram incêndios nas favelas recém equipadas com detectores, não aconteceram ferimentos sérios ou mortes nos oito incêndios acontecidos. "Sabemos que eles salvaram vidas," disse Eksteen. "Assim, naquele aspecto do projeto, a habilidade dos detectores de reduzir as taxas de mortes e ferimentos, foi um completo sucesso."

No começo do projeto em Wallacedene, Eksteen começou a ouvir histórias sobre como residentes escaparam da morte ou de ferimentos por causa dos alarmes. Uma das primeiras histórias envolvia um idoso que voltou para casa depois de uma noite de bebedeira com os amigos num lugar chamado de "shebeen". Começou a cozinhar, mas pegou no sono. Começou um incêndio no fogão e o alarme de fumaça soou, levando os vizinhos a correr para o barraco, derrubar a porta e jogar o pote em chamas fora. O incidente convenceu um punhado de moradores do local, que inicialmente tinham recusado os detectores, a pedir os seus.

Num outro incidente, um idoso que também tinha chegado a casa depois de beber num shebeen, pegou no sono na cama enquanto fumava. Quando o lençol pegou fogo e o alarme soou, os vizinhos vieram e conseguiram retirá-lo do barraco. Enquanto o barraco queimava, os vizinhos derrubaram as suas quatro paredes e apagaram o fogo, evitando que se espalhasse para os barracos vizinhos. O homem que eles trouxeram para fora teve apenas ferimentos leves.

"Aí foi que me dei conta do potencial destes aparelhos, vendo a resposta da comunidade," disse Eksteen. "Como os barracos são amontoados, quando o alarme toca, os vizinhos respondem. E o tempo do disparo para a resposta é quase sempre muito curto. Mesmo nas situações como os lençóis pegando fogo, quando você está muito íntimo do fogo, é literalmente o equivalente (para pessoas acostumadas com casas maiores, formais) a alguém correr do quarto ao lado para lhe ajudar." Além disso, disse ele, alarmes de fumaça "também podem evitar que os bombeiros sejam expostos ao tipo de situação hostil que eles podem encontrar quando residentes desesperados estão tentando salvar suas propriedades de um incêndio já bem desenvolvido."

Um problema crescente no mundo todo

Chave para fazer os alarmes de fumaça um sucesso em Wallacedene foram os esforços dos pesquisadores para educar os residentes quanto à importância e ao comprovado sucesso dos alarmes de fumaça, usando materiais de organizações como a NFPA.

"Você precisa conseguir uma entrada na comunidade," diz Patrícia Zweig, da Aliança para Desastres e Redução de Riscos na Stellenbosch University em Fire from the Dragon. "Você não pode impor um projeto às pessoas. Elas têm que aceitar e, para que aceitem, eles têm que entendê-lo e para serve. E, para ajuda-los a entender para que serve, você os inclui no projeto. Assim você tem esta colaboração. Para mim, qualquer projeto que eu faça tem que ser uma colaboração."

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Pesquisadores colaboraram com a comunidade ao empregarem residentes, a maioria gente jovem que precisavam trabalhar, para irem de porta em porta educando os residentes sobre a importância dos alarmes de fumaça, ao mesmo tempo em que instalando os aparelhos. Trabalhando em pares, um instalava e o outro educava, disse Eksteen. Eles usaram o slogan da NFPA, na campanha da Semana de Prevenção de Incêndio, em 2015 – "Ouça o bipe onde você dorme" para persuadir os residentes a instalarem os aparelhos perto de suas camas.

Apesar de todos os resultados positivos que vieram do projeto, não foi sem seus desafios. Como antecipado, alarmes falsos aconteciam enquanto os moradores estavam cozinhando – especialmente carnes, que produziam fumaça – ou quando usavam mbawulas para aquecimento. Alguns residentes inventaram soluções inteligentes para o problema. Um morador, por exemplo, removia o alarme e o enrolava em roupa cada vez que ele acendia o mbawula, disse Eksteen, deixando a fumaça se dissipar antes de reinstalar o sistema. Outros alarmes falsos não eram tão fáceis de evitar. Pesquisadores acreditam que insetos entrando nos alarmes – e fazendo ninhos e defecando neles – causaram um significativo número de alarmes falsos.

No geral, Eksteen disse que acha que o uso de detectores de fumaça nas favelas sul africanas promete um futuro mais seguro não apenas para este país, mas também para as muitas outras nações ao redor do mundo que tenham favelas. Ele estima que um bilhão de pessoas – mais de dez por cento da população mundial – vivem nestas áreas, e outras fontes corroboram estes números. "Está aumentando dia a dia," acrescentou. "Não é um problema só da África do Sul. É um problema que cresce no mundo todo."

Especialistas em regulamentação de construção dizem que perto de 80% do ambiente construído nos países em desenvolvimento foram criados sem ferramentas regulatórias como códigos ou normas. "Uma importante parte do ambiente construído no mundo é informal, o que significa que não se beneficia de regulamentação do uso da terra ou de construção quanto à segurança," disse Fred Krimgold, consultor sênior com o Grupo da Regulamentação da Construção Resiliente do Banco Mundial. Isto significa que um número enorme de pessoas está em risco de morte por incêndios. Mais de trezentas mil pessoas morrem no mundo a cada ano em incêndios, com 95% das mortes acontecendo em países de baixa e média renda, enquanto milhões mais são feridas seriamente, de acordo com um estudo publicado no ano passado pelo International Journal of Environmental Research and Public Health.

O projeto em Wallacedene e esforços similares oferece esperança. Historicamente, disse Krimgold, a pesquisa sobre a melhoria da segurança nas favelas esteve focada na ameaça de grandes e agudos desastres, como furacões e terremotos – eventos que geram manchetes dramáticas, mas que não necessariamente representam as ameaças mais consistentes enfrentadas pelas pessoas vivendo nestas áreas. Focar, por sua vez, nas ameaças diárias e crônicas como incêndios é o melhor enfoque para criar um ambiente mais seguro, disse ele, e esta é a razão porque o Grupo da Regulamentação da Construção Resiliente é focado em aprender mais sobre estas ameaças.

"A origem da regulamentação de construção bem sucedida no mundo desenvolvido começou, tipicamente, com problemas como incêndios e saúde, os riscos mais distribuídos, extensos e crônicos, em vez de riscos agudos, catastróficos," disse Krimgold. "Assim, se vamos desenvolver respostas políticas e instituições consistentes para lidar com o risco no nível de comunidade (no mundo em desenvolvimento), temos que tratar estes riscos distribuídos, crônicos e extensos, portanto, pesquisar e encontrar soluções para o risco de incêndio se torna muito importante." (para maiores informações sobre o trabalho que o Banco Mundial está fazendo para fazer favelas mais seguras, vide "Um mundo sem regulamentação".)

Embora Eksteen recentemente tenha deixado o governo de Cabo Ocidental para fazer um Ph.D nos EUA, ele tem esperança que a pesquisa sobre incêndio e favelas continue na província. "Nós aprendemos muito" com o projeto de Wallacedene, disse ele. "E alguma coisa do que aprendemos será usado nas pesquisas futuras, incluindo desenhar uma cápsula que ajude a fazer os detectores de fumaça mais resistentes à infestação de insetos. Queremos reduzir o número de falsos alarmes que acontecem neste ambiente."

ANGELO VERZONI es redactor del NFPA Journal.

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Um mundo sem regulamentação 

Nos países em desenvolvimento quase não existem regras para a construção. Será que um esforço de pesquisa e educação pode mudar isto?

EM FEVEREIRO DE 2017 UM ENORME INCÊNDIO começou numa favela em Manila, a capital das Filipinas e uma das cidades mais densamente povoada do mundo. De acordo com os números publicados, embora o incêndio tenha deslocado impressionantes quinze mil residentes, não houve informações de mortes.

De acordo com a Reuters, o incêndio foi um dos mais ou menos dois mil e duzentos incêndios que ocorrem em Manila a cada ano, onde centenas de milhares dos pobres da cidade vivem em favelas feitas de vastas e densas seções de mal construídos barracos. A maioria dos incêndios da cidade aí ocorre, onde regulamentos de construção não existem, equipamento de cozinha e aquecimento são mal instalados e fiação exposta aparece em todas as casas, reunidas em nós do tamanho de bolas de basquete.

As favelas de Manila são indicadoras de um crescente problema global. De acordo com pesquisas do Grupo do Banco Mundial, que fornece financiamento para os países em desenvolvimento, quase 80% do ambiente construído nestes países são considerados informais – ou seja, construídos sem uso oficial da terra ou regulamentos de segurança. Especialistas do Banco Mundial e de organizações como a NFPA concordam que criar um sistema regulatório nestes países seria um dos meios mais efetivos de reduzir mortes nos assentamentos informais resultantes de incêndios e outros riscos. É um grande desafio para áreas onde falta dinheiro e outros recursos, mas algo que pode ser atingido através de pesquisa e educação.

Como tem sido demonstrado no mundo desenvolvido, a criação de um sistema regulatório bem sucedido começa com a compreensão dos riscos que uma comunidade em particular enfrenta, disse Thomas Moullier, coordenador global do Grupo da Regulamentação da Construção Resiliente do Banco Mundial. Ao longo da última década, contudo, pesquisa nos riscos enfrentados pelos assentamentos informais pobres focou-se, em grande parte, em eventos das manchetes como furacões e terremotos, disse Moullier.

"Mas em algumas regiões, com a África sub saariana, há evidências que os danos de riscos mais extensos, mais distribuídos e crônicos (como incêndios) são, na realidade, maiores do que os resultantes de riscos agudos (como furacões e terremotos)," acrescentou Moullier. "Assim, temos muito que fazer para mudar o foco de atenção da comunidade de gerenciamento de riscos de desastres para este tipo de risco." Projetos como este para introduzir detectores de fumaça nas favelas da Cidade do Cabo, no ano passado, sugerem que este é o começo.

Depois que mais pesquisa for feita para entender estes riscos crônicos ao nível de comunidade, especialistas veem a educação como o próximo passo para criar um sistema regulatório bem sucedido. "O convencimento efetivo depende de educar os políticos e líderes de comunidades," disse Moullier. "Assim, quando você tiver todos os fatos, você terá argumentos melhores e mais convincentes para apresentar aos líderes. Regulamentação não começa com as tecnicalidades de ter um bom código valendo, ela começa com um bom nível de conscientização."

Mais camadas de educação incluem treinar profissionais de incêndio e engenharia para construir, manter e inspecionar propriedades seguras, esforços que a NFPA tem estado envolvida em países como a África do Sul e a Jamaica. "Precisa existir treinamento de profissionais de incêndio em todos os níveis, para revisores de projetos, para inspetores, para administradores," disse Fred Krimgold, consultor sênior com o Programa de Construção Resiliente. "Existe a necessidade da criação de uma estrutura institucional factível e apropriada para a redução do risco de incêndio." – A.V.

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