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Uma visão antecipada da edição 2020 do NEC, que vai incluir questões emergentes como a alimentação elétrica pela Ethernet, a segurança das marinas e docas para eliminar os afogamentos por eletrocussão, entre outros

Em média, mais de uma pessoa morre por dia nos Estados Unidos em incêndios causados por uma falha ou avaria elétrica. Para um país que foi líder mundial da segurança contra incêndio e elétrica por mais de um século – por exemplo, o primeiro Código Elétrico Nacional (NEC®) foi publicado em 1897 pela NFPA – é uma estatística preocupante.

De acordo com Chris Dubay, vice-presidente de códigos e normas da NFPA, podemos identificar algumas causas. “Em primeiro lugar, na prática ignoramos os sistemas elétricos,” ele disse aos participantes do Independent Electrical Contractors Business Summit em Las Vegas em janeiro. “Instalamos os sistemas e depois não fazemos mais nada com neles. Os edifícios envelhecem, junto com os sistemas... Talvez tenha chegado o momento de considerar a inspeção e os reparos requeridos dos sistemas elétricos no momento da mudança de proprietários.” Dubay notou também que a maioria das jurisdições está muito atrasada com a adoção do código e que pessoas não qualificadas estão realizando trabalho elétrico – motivos adicionais das mortes e ferimentos que continuam a ocorrer causados por falhas ou avarias elétricas.

Com o novo NEC no horizonte de 2020 e uma visão do código como recurso global sobre questões elétricas emergentes como a alimentação pela Ethernet e o afogamento por eletrocussão, a NFPA está decidida a mudar o relato nos próximos anos. Na Conference & Expo vários palestrantes darão sessões de educação que estão enfocadas na segurança elétrica e refletem esse esforço. 

O futuro do código

O NEC é adotado de alguma forma em todos os estados dos Estados Unidos. Dezenove estados usam a versão 2017, 20 usam a versão 2014, e oito usam versões anteriores – apenas três estados não adotaram o código na totalidade do estado. Fora dos Estados Unidos a adoção do NEC está crescendo rapidamente. O código é um dos documentos da NFPA mais conhecido e amplamente usado e para a edição 2020, uma série de mudanças são propostas para manter o NEC na vanguarda da segurança elétrica.

Uma proposta atualiza a forma como o código guia os usuários na realização de cálculos de carga, que medem a quantidade de energia utilizada no edifício e influenciam o tipo de equipamento necessário para seu sistema elétrico.

Atualmente o NEC utiliza tabelas que têm mais de 50 anos para guiar os utilizadores nesses cálculos que, em muitos aspectos, explicam a existência de sistemas elétricos superdimensionados nas propriedades comerciais e industriais. 

Em teoria, esses sistemas superdimensionados podem resultar em eventos de arco elétrico de maior duração com maiores tempos de eliminação da falta, de acordo com Derek Vigstol, diretor de serviços técnicos elétricos da NFPA. “Quanto maior for o tempo de eliminação da falta, maior será a duração dum evento de arco elétrico,” ele disse. “O equipamento até poderia ser superdimensionado de tal maneira que a falta de arco nunca se elimine e você terá um evento onde o arco não para. Se pudermos ajustar os cálculos de carga de forma a ter menores tempos de eliminação acredito que estaremos numa melhor posição.”

A mudança proposta para 2020 acrescenta novas tabelas de cálculo de carga que levam em conta os esforços crescentes das jurisdições para tornar os edifícios mais eficientes do ponto de vista energético e adotar tecnologias elétricas como a iluminação LED, que requer muito menos energia que os sistemas de iluminação em uso décadas atrás. A mudança resultaria numa melhor adaptação do equipamento à propriedade – além de aprimorar a segurança poderia também significar importantes poupanças para as propriedades nos custos de compra e instalação dos serviços elétricos. O edifício próprio de quatro andares da NFPA no Massachusetts é um bom exemplo. “Usando o novo método de cálculo poupamos bastante nos custos diretos da energia,” disse Vigstol.

Michael Johnston, diretor executivo de normas e segurança da National Electrical Contractors Association (NECA) e presidente do comitê de coordenação do NEC, comparou a mudança com a transição da indústria da edição do papel para o digital. O código não vai abandonar o velho método de cálculo, da mesma forma que os jornais ainda imprimem cópias físicas; simplesmente acrescentará um novo método. “Esse tipo de mudança acrescenta muita relevância ao NEC,” disse Johnston. “Mostra que somos voltados para o futuro e proativos e facilita muito a adoção do código pelas jurisdições que querem códigos de eletricidade modernos.”

Outra questão que o NEC 2020 poderia tratar é a iluminação de horticultura. À medida que a legalização da maconha avança em todo o país a segurança elétrica das instalações de cultivo está se tornando uma preocupação para muitos responsáveis pela aplicação dos códigos. (O NFPA Journal Latinoamericano cobriu os riscos de incêndio na indústria da maconha no seu artigo de capa da edição Dezembro 2016,“Dores Crescentes) Não há nada único do ponto de vista elétrico, mas a carga é intensa. Um artigo de 2016 no The Guardian mostrou quão intenso é o uso da energia nas operações de cultivo. No Condado de Boulder, no Colorado, por exemplo, uma das instalações de cultivo de 5000 pés quadrados consumia aproximadamente 29000 kilowatts-hora por mês – em comparação, uma casa vizinha no condado usava menos de 1000 kilowatts-hora, de acordo com o artigo.

O NEC já inclui informação necessária para lidar com esse tipo de grandes cargas elétricas. Contudo, existe uma vontade de conseguir mais orientações específicas para esse tipo de instalações, disse Johnston. A NECA discutiu a idéia de desenvolver uma prática recomendada para a instalação e a manutenção dos sistemas elétricos nas instalações de cultivo de maconha, ele disse; devido às preocupações quanto à futura legalidade da indústria, contudo, o Comitê de Códigos e Normas da NECA não avançou. Embora Johnston não preveja a introdução de texto no NEC que faça referência às instalações de cultivo da maconha, ele acredita que poderia ser acrescentada uma formulaçao mais ampla sobre a iluminação de horticultura, mencionando as instalações de cultivo da maconha como um exemplo.

Para acompanhar o progresso do NEC 2020 e dar suas contribuições, visite a página web de informação sobre o documento.

Questões elétricas emergentes

Enquanto assuntos como a iluminação do cultivo da maconha poderiam aparecer por primeira vez no NEC, outras questões emergentes já entraram no código e a NFPA trabalha para preparar recursos adicionais para elas.

A alimentação pela Ethernet (PoE, da sigla em inglês) é um bom exemplo. Poucos tópicos foram tão comentados pelo mundo elétrico nos últimos anos como o PoE, que usa cabos de comunicação para fornecer alimentação elétrica além de transmitir dados. A integração de dados e energia elétrica permite que os edifícios se tornem “inteligentes” – com o sistema PoE, por exemplo, um edifício pode detectar quais espaços estão ocupados, uma informação útil não só para poupar dinheiro em energia elétrica como também para salvar vidas em caso de emergência.

O PoE inclui também riscos potenciais. Já que os cabos estão muitas vezes juntos em feixes, a dissipação de calor se torna uma preocupação à medida que recebem mais energia. O NEC já inclui limitações sobre a quantidade de energia que os cabos PoE podem transportar antes de serem sujeitos à requisitos de instalação mais estritos comparados com os requisitos para cabos de comunicação tradicionais. Para Johnston, a edição 2020 do código “vai avançar um pouco mais para lidar com a questão do calor.”

A revisão inlcuirá pelo menos um assunto de escopo. O Capítulo 8 do NEC cobriu tradicionalmente as comunicações com provisões que não eram sujeitas aos requisitos sobre energia dos capítulos precedentes, disse Johnston. Contudo, com o PoE isso muda e foi apresentada uma proposta para eliminar essa isenção. “Agora há energia nesses cabos,” disse Johnston. “Já não são apenas dados. É um assunto muito importante para a indústria das comunicações. Eles querem manter sua independência, mas haverá regras nesses capítulos precedentes do NEC que não podem ser ignoradas.”

Além disso, o braço de pesquisa da NFPA, a Fundação de Pesquisa para a Proteção contra Incêndio, realizou em outubro um seminário sobre PoE na Universidade de New Hampshire e publicou as minutas online. Os participantes saíram do evento de um dia com recomendações para que as comunidades de pesquisa e regulamentação definam melhor e esclareçam os termos relativos ao PoE, esbocem uma abordagem para realizar um análise de risco para cada aplicação de PoE, entre outros.

O seminário foi “apenas o começo duma longa viagem enquanto mergulhamos nesta nova era que podemos chamar de ‘Internet das Coisas’,” escreveu o Diretor da Fundação Casey Grant em sua coluna sobre pesquisa na edição deMarço 2018 do NFPA Journal Latinoamericano. “Esta nova era, junto com os dispositivos e as tecnologias que a apóiam, incluindo o PoE, veio para ficar. É imperativo que a comunidade regulatória assuma este novo desafio radical.”

Outra questão emergente enfocada pela NFPA é o afogamento por choque elétrico (ESD, da sigla em inglês), que pode ocorrer quando uma pessoa salta na água energizada em áreas como marinas, onde os barcos e os cais contêm sistemas elétricos que podem “perder” corrente elétrica na água. Se a corrente não matar a pessoa, ela pode paralisá-la e causar o afogamento.

O NEC inclui provisões sobre a instalação e o equipamento elétrico em marinas, estaleiros navais e docas. Mas os barcos em si são muitas vezes o problema, dizem os especialistas. Embora o NEC não inclua provisões sobre a instalação elétrica dos barcos no seu escopo, pode acrescentar recomendações para testá-las. “Acredito que o código possa evoluir um pouco mais para requerer algum tipo de testes no momento da entrada dos barcos nas marinas para garantir que não introduzam corrente elétrica na água,” disse Johnston. Já existem algumas empresas construtoras proativas de marinas que estão instalando áreas de testes para os barcos antes de atracar, ele disse. 

Com tantas pessoas usando barcos e marinas, muito mais pessoas, além dos usuários do NEC, precisam estar familiarizadas com o ESD. Mesmo na comunidade das marinas, o fenômeno não é bem conhecido. Por causa dessa necessidade de educação pública, a NFPA espera lançar no verão uma campanha nacional de conscientização sobre ESD. A campanha incluirá mensagens em nfpa.org sobre ESD, sinais a serem colocados nas marinas alertando o público sobre ESD, entre outros. Leia mais sobre ESD online.

Além de desafios emergentes como PoE e ESD, a falta de trabalhadores qualificados está preocupando a indústria elétrica. De acordo com dados do U.S. Bureau of Labor Statistics, entre 2015 e 2024 aproximadamente 6000 a 7000 trabalhadores elétricos deverão ser acrescentados à força de trabalho enquanto serão necessários 6000 a 7000 para substituir os trabalhadores que se aposentarem ou deixarem a indústria. Devido a essa demanda é ainda mais essencial trabalhar com a informação mais atualizada e Dubay deixou esse pensamento aos participantes da reunião do IEC.

“Reconheço que a rápida sucessão dos problemas de força de trabalho e do surgimento de tecnologias emergentes tenha acrescentado ainda mais pressão para você e sua equipe,” ele disse. “É essencial que vosso trabalho se torne mais inteligente. Quer você e seus empregados estejam realizando tarefas elétricas de rotina, quer estejam lidando com novos sistemas de comunicações ou instalando novas fontes de energia, é importante que façam isso dispondo da informação e conhecimento mais atualizados. Somos uma das fontes dessa informação e conhecimento essenciais. Tomem o tempo de nos contatar... Tenho a certeza que podemos continuar a aprender uns dos outros e levantar o nível de exigência em relação à segurança elétrica no nosso país.”

ANGELO VERZONI é redator permanente do NFPA Journal.

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