O NEC 2020 e as marinas, as docas, e os afogamentos por eletrocussão

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O NEC 2020 e as marinas, as docas, e os afogamentos por eletrocussão

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The 2020 NEC and marinas

No verão, quando milhões de pessoas enchem o tanque do barco e saem a navegar para desfrutar um descanso e relaxamento muito necessários, a última coisa em que vão pensar é o afogamento por eletrocussão. Mesmo assim, ano após ano as manchetes contam a tragédia das pessoas que morrem ou sofrem ferimentos durante as férias por terem mergulhado inadvertidamente na água energizada em volta das marinas e docas.

Essa foi uma área importante de discussão para o Painel de Elaboração do Código 7, durante a reunião da primeira versão do NEC® 2020 em janeiro. Especialistas com experiência na fabricação, instalação e inspeção de equipamento e sistemas elétricos usados dentro e em volta das marinas se reuniram para discutir os riscos, suas causas e as soluções sugeridas. No centro da discussão se encontrava o “porquê” – porque tem eletricidade na água? E que papel pode desempenhar o NEC na proteção das pessoas enquanto permite que os barcos se conectem à alimentação elétrica em terra?

Seria fácil apontar para uma ou outra entidade como a origem do problema, mas um fato com o qual todas as partes concordam é que o ambiente da marina pode ser agressivo. O equipamento é submetido à umidade constante ou diretamente à submersão. As ondas e as marés produzem um movimento constante que exerce pressão sobre o equipamento. Com o tempo, algo vai ceder, quer o barco quer uma parte da marina. É um dado de fato que as faltas à terra ocorrem - nos cais, nos barcos e no equipamento e dispositivos presentes nesses ambientes.

Um relatório publicado em 2014 pela Fundação de Pesquisa para a Proteção Contra Incêndio e preparado em cooperação com o American Boat and Yacht Council foi citado para determinar os níveis aceitáveis de corrente de fuga nas marinas. O relatório indica uma corrente de fuga de 30 mA como o limiar aceitável para limitar a corrente presente na água num nível seguro para as pessoas que nadam na área. Embora essa quantidade de corrente atravessando o corpo seja mais que suficiente para causar a eletrocussão, isso em geral não ocorre devido à forma como a corrente de fuga se distribui na água. Os nadadores são raramente sujeitos à totalidade da corrente de fuga. Por isso, parecia razoável que o NEC pudesse garantir a segurança das pessoas na água fixando a proteção contra falta à terra em 30mA ou menos.

A medida adotada pelo NEC 2017 aplica o nível de 30mA de proteção contra falta à terra a todos os dispositivos de proteção contra sobrecorrente que alimentam as marinas, os estaleiros navais e as docas. Isso se torna um problema logístico quando a proteção se encontra no nível do circuito alimentador e do ponto de entrada do serviço. Por exemplo, um barco poderia perder um único miliampère de corrente na água; de acordo com a pesquisa isso seria aceitável e não apresentaria um risco significativo para as pessoas na água. Mas o que aconteceria se uma marina tivesse barcos atracados em cada uma das suas 100 vagas? O nível de corrente que cada barco perde é de apenas 1mA, mas o dispositivo de proteção contra sobrecorrente no ponto de entrada do serviço detectará a totalidade das 100 faltas e mostrará uma fuga de 100mA, um valor muito superior ao limiar estabelecido pelo NEC 2017.

O desafio é elaborar uma formulação que limite a quantidade de corrente de fuga a 30mA sempre permitindo uma instalação funcional. Uma sugestão propunha que a proteção de 30mA contra falta à terra fosse aplicada apenas às tomadas elétricas em terra permitindo uma proteção contra falta à terra de 100mA no dispositivo de proteção contra sobrecorrente localizado no ponto de entrada do serviço ou no circuito de alimentação. O ambiente em volta dessas instalações é implacável; as falhas nos circuitos de alimentação e circuitos terminais vão acontecer e sem proteção contra as faltas à terra poderiam representar riscos graves. Outros pontos de discussão puseram mais ênfase nos próprios barcos e foram apresentadas sugestões para permitir os testes dos barcos no local. Muitos barcos novos são construídos levando em contra considerações sobre a fuga de corrente, mas muitos dos barcos atualmente em uso não incluem esse tipo de proteção.

Enquanto o NEC 2020 se encontra ainda na fase da primeira versão, essas são discussões valiosas que têm por objetivo mitigar os perigos que os nadadores enfrentam perto dos barcos e dos cais que são alimentados desde a terra e reduzir e eliminar o afogamento por choque elétrico. Para saber mais sobre o debate, visite o Relatório sobre Primeira Versão na pagina web de informação sobre o documento.

DEREK VIGSTOL é diretor técnico da NFPA para Serviços Técnicos Elétricos.

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