Elos Fracos

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Elos Fracos

Por Michele Steinberg

Décadas de negligência com os aspectos chave do Ecossistema de Segurança de Vida e Incêndio resultaram em incêndios florestais devastadores. Podemos mudar?

Enquanto meus colegas e eu viajamos pelo mundo, muitas vezes apresentamos o conceito do Ecossistema de Segurança de Vida e Incêndio e como ele se aplica ao problema de incêndios florestais. Como com outros fatores de segurança e incêndios, tratar de incêndios florestais exige todos os oito componentes do ecossistema trabalhando em conjunto – um único elo fraco abre o sistema a um fracasso catastrófico. Mas, ainda assim, como mostrado pelos mortais desastres de incêndios florestais pelo mundo, elos fracos e falhas importantes estão em todo o lugar. Grandes partes da roda do ecossistema dos incêndios florestais estão sendo ignorados.

Os defensores da segurança dos incêndios florestais rotineiramente enfatizam a importância de um público informado, e o papel da preparação e resposta de incêndio, dois elementos importantes do ecossistema. É claro, precisamos que cada indivíduo seja informado e ativo na proteção de sua casa e família de um incêndio florestal. Sempre precisaremos de resposta a incêndios. Mas, e o resto? Qual é a responsabilidade do governo em criar e resolver o problema? Por que nossos bem pesquisados, cientificamente comprovados códigos e normas ficam nas prateleiras? Por que nossa sociedade escolhe gastar dinheiro com ajuda nos desastres no lugar de investir em segurança? E onde está a força de trabalho especializada que pode implementar as medidas de segurança necessárias?

O fracasso dos governos locais em levar em conta os riscos de incêndios florestais quando tomando decisões críticas sobre urbanização e reurbanização está bem documentado. Ainda assim é quase nunca visto autoridades locais sendo responsabilizadas por decisões irresponsáveis que permitem perigosas urbanizações sem restrições quanto a materiais, disposição e arranjo e sem um sério programa de fiscalização para garantir resistência à ignição de prédios e terrenos. Mesmo depois de recentes tragédias, autoridades locais estão permitindo que as estruturas sejam reconstruídas sem o benefício de códigos e normas comprovados que foram montados durante décadas de pesquisa e experiência.

Por muito tempo os incêndios florestais foram tratados como um problema de incêndio invés de um problema social. Ao invés do foco único na resposta ao incêndio – muitas vezes pouca e tardia para salvar vidas e propriedades – a sociedade precisa investir em segurança no projeto e na construção, tanto das nossas casas e da nossa infraestrutura física para resistirem à ignição num incêndio florestal e torna-los seguros para as pessoas se abrigarem ou evacuar quando o fogo, inevitavelmente, chega. Para investir corretamente em segurança, o preço precisa estar claramente definido no começo da transação. Gastar tempo e dinheiro na urbanização segura é um investimento mais inteligente do que esperar ser atingido pelo desastre e descobrir que coberturas inadequadas e ajuda governamental limitada resulta em residentes que não conseguem reconstruir suas vidas.

Mesmo com a melhor futura urbanização, já existem milhões de estruturas pelo mundo prontas para pegar fogo. Precisamos desesperadamente uma força de trabalho que possa não só aconselhar corretamente os proprietários, mas também fazer as mudanças físicas necessárias para melhorar a resistência à ignição de nossas casas e negócios. Precisamos incentivos, apoio, treinamento e credenciais no lugar para fazer estas mudanças possíveis a qualquer tempo, não apenas depois do desastre.

Vemos que alguns estão começando a entender a natureza interconectada de nosso ecossistema de segurança de vida e incêndios. Em Portugal os prefeitos de três municípios onde 66 pessoas morreram, em 2017, durante um incêndio florestal, estarão entre os dez julgados por suas responsabilidades em permitirem um evento “onde praticamente todos os elos da corrente romperam”, como um dos jornais escreveu. Hoje é muito fácil para os moradores, governos locais e interesses de negócios ignorarem os muito verdadeiros riscos de incêndios florestais que podem riscar comunidades do mapa. Pressão em todos os responsáveis para fazerem seu trabalho – não apenas moradores e bombeiros – pode começar a mudar os resultados futuros.

Michele Steinberg é diretora da divisão de incêndios florestais da NFPA.

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A National Fire Protection Association (NFPA) é a fonte dos códigos e normas que regem a indústria de proteção contra incêndios e segurança da vida.

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