Tomando a Iniciativa

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Os corpos de bombeiros voluntários e o desafio dos incêndios florestais

Em março, um jornal do Kansas descreveu os desafios que os bombeiros do estado enfrentavam quando os incêndios de grama devastavam a região – um desafio que recaia em grande parte sobre bombeiros voluntários. Como no caso de muitos estados rurais, aproximadamente 90 por cento dos corpos de bombeiros do Kansas só contam com bombeiros voluntários. 

“Isso tudo é sempre uma luta, mas se os voluntários não tomam a iniciativa e lidam com os problemas, quem vai fazer?” disse Darren Grow, um chefe dos bombeiros voluntários no Condado de Butler, Kansas, ao The Wichita Eagle. “Depende de nós”.

Como no Condado de Butler, muitos corpos de bombeiros dos Estados Unidos foram chamados a assumir um papel mais importante na resposta aos incêndios florestais. É mais uma responsabilidade numa longa lista de ameaças para as quais as comunidades contam com seus corpos de bombeiros, pressionando ainda mais seu tempo e recursos já limitados. Apesar dos desafios, esses corpos de bombeiros responderam as necessidades, extinguindo 89 por cento dos incêndios florestais não desejados no ataque inicial.

Mas eles precisam de ajuda. De acordo com o documento recentemente publicado pela NFPA “Fourth Needs Assessment of the U.S. Fire Service,” um levantamento exaustivo dos corpos de bombeiros do país, “a maior necessidade de treinamento em pequenos corpos de bombeiros que protegem populações de menos de 2500 habitantes é o controle do transito e o combate aos incêndios florestais.”

Combater os incêndios florestais de forma segura e efetiva requer um treinamento adequado, equipamento especializado e equipamento de proteção individual apropriado e uma compreensão da ciência dos incêndios florestais na zona de interface urbano/florestal (WUI, da sigla em inglês). Tudo isso leva tempo e recursos, ambos escassos hoje nas estações de bombeiros. Quando Grow disse “depende de nós”, ele falava de si e de seus companheiros bombeiros voluntários. Na verdade, contudo, lidar com esse problema deveria depender de todos nós. Nem todos precisam sair com o equipamento e combater o incêndio florestal, mas o público precisa garantir que seu corpo de bombeiros local tenha a capacidade, o tempo e os recursos para trabalhar com êxito quando enfrenta novos desafios emergentes.

O público já tomou a iniciativa e fez isso anteriormente. Nos anos 70, os serviços de emergências médicas passaram a fazer parte dos serviços que o público esperava dos bombeiros. O público esperava que os bombeiros prestassem serviços de atenção médica e os corpos de bombeiros locais tiveram de mudar e se adaptar a esse novo desafio. Para apoiar esse esforço, as comunidades locais pagaram para o treinamento e os recursos necessários. Uma consciência e dinâmica similar são necessárias para que o público continue a contar com os corpos de bombeiros locais para assumir uma parte maior da carga do combate aos incêndios florestais.

Os estados devem reconhecer que uma resposta adequada dos corpos de bombeiros locais não é um luxo reservado às cidades com uma base tributária mais alta, mas uma necessidade que deveria ser financiada por todos. Se os estados dependem de voluntários para a resposta nas áreas de interface urbano/florestal, eles devem aumentar também os recursos atribuídos a esses departamentos. Precisam-se também leis estaduais que garantam que o pessoal voluntário não seja castigado pelos empregadores ou sofra desconto no salário quando responde à chamadas de incêndios. Ao nível nacional, o apoio as equipes de gerenciamento de incidentes e a resposta federal aos incêndios florestais devem também ser fortalecidos. No nível da comunidade, os residentes precisam fazer sua parte assegurando-se que suas propriedades cumpram as diretivas Firewise tornando-as seguras para os bombeiros.

Vários recursos existentes e em preparação ajudam a enquadrar a questão. A recente avaliação de necessidades (nfpa.org/4thneeds) assim como o relatório “Wildland/Urban Interface: Fire Department Wildfire Preparedness Readiness Capabilities Final Report” (disponível online em nfpa.org(wuireadinessreport), ambos exploram as necessidades dos corpos de bombeiros e suas capacidades de resposta aos incêndios na WUI. Além disso, a Conference & Expo 2017 da NFPA em Boston (online em nfpa.org/conference) inclui um sólido registro sobre incêndios florestais que ilustra essas e outras questões atuais, que estará disponível por meio de gravações áudio online depois da conferência.

LUCIAN DEATON é Chefe de Projeto na Divisão de Incêndios Florestais da NFPA 

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