Segurança contra incêndio em palco

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Segurança contra incêndio em palco

Por Christine Theisen & Richard Muller

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Levar os espectáculos ao limite em Las Vegas
Bolas de fogo que se elevam até aos 9 metros de altura no interior de recintos fechados, palcos que sobem e descem, artistas e adereços que se elevam por cima da audiência – são efeitos especiais que fazem parte de um dia normal de trabalho nas salas de espectáculos de Las Vegas

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Levar os espectáculos ao limite em Las Vegas

Bolas de fogo que se elevam até aos 9 metros de altura no interior de recintos fechados, palcos que sobem e descem, artistas e adereços que se elevam por cima da audiência – são efeitos especiais que fazem parte de um dia normal de trabalho nas salas de espectáculos de Las Vegas, no estado norte-americano do Nevada. Para os responsáveis de fiscalização e das corporações de bombeiros da capital do entretenimento dos Estados Unidos, são diários os desafios que se colocam à segurança dos ocupantes dos recintos de espectáculos.

Levar os espectáculos ao limite implica levar os edifícios ao limite, bem como os regulamentos de incêndio e de edificação e as respectivas normas, tarefa que se revela especialmente desafiante uma vez que os regulamentos de Las Vegas são dos mais exigentes do país. A cidade regula-se pelas disposições do regulamento internacional de edificação de 2006 e pelas correspondentes normas NFPA, incluindo a regulamentação específica aplicável aos efeitos especiais e pirotecnia.

De acordo com informações das autoridades fiscalizadoras dos edifícios e das condições de segurança contra incêndios, a criatividade exibida nos espectáculos de Las Vegas faz com que as salas de entretenimento apresentem desafios únicos, que, por sua vez, implicam soluções de segurança contra incêndios também elas únicas. A delegação de Las Vegas da empresa Rolf Jenson & Associates, Inc. (RJA) foi responsável pela elaboração dos projectos dos sistemas de segurança contra incêndios de nove salas de espectáculos, a saber:

    * O espectáculo Blue Man Group no The Venetian Resort-Hotel Casino
    * O espectáculo Phantom™ no The Venetian Resort-Hotel Casino
    * O espectáculo Zumanity™ no New York-New York Casino
    * O espectáculo Stomp Out Loud™ no Planet Hollywood Resort e no Casino Show-Room
    * O espectáculo The Beatles™ Love™ no The Mirage
    * O espectáculo Steve Wyrick Magical no Miracle Mile
    * O espectáculo Ká™ no MGM Grand
    * O espectáculo Jersey Boys no Palazzo Resort Casino
    * O espectáculo de Wayne Brady no Venetian Show Room do The Venetian Resort-Hotel Casino

Acompanhando o crescimento de Las Vegas, a empresa RJA está actualmente a elaborar projectos para mais quatro salas de espectáculos. Os cenários, o ambiente e a audiência fazem parte do espectáculo da mesma forma que os próprios artistas. Desta forma, cada sala representa um novo desafio, colocando-se invariavelmente a mesma questão: “Como ultrapassar os limites?”

Um caminho para a diversão

As actuações do Cirque du Soleil® - Ká, Love e Zumanity – têm início no foyer, que os espectadores têm de percorrer até chegar aos seus lugares, tentando cada sala recriar o ambiente adequado ao espectáculo a apresentar. Por exemplo, no foyer do espectáculo Ká do Cirque du Soleil no MGM Grand, os arquitectos e projectistas procuraram criar um ambiente especial, criativo e místico através do uso de materiais inovadores nos acabamentos interiores, cuja conformidade com o regulamento de edificação do Nevada do Sul ainda não tinha sido demonstrada.

Os acabamentos incluíam elementos elaborados com folhas artificiais e painéis de resina para aplicação em paredes e tectos. Enquanto as resinas eram consideradas adequadas para aplicação em paredes não combustíveis, o mesmo não aconteceu com a sua aplicação em tectos, bem assim como a utilização de elementos com folhas para aplicação em paredes e tectos.

Relativamente a estes elementos decorativos, a principal preocupação relacionava-se com o facto de, depois de fixos, ficarem suspensos nas paredes e tectos, implicando que as folhas não podiam ser ligadas a materiais não combustíveis. Relativamente aos painéis de resina, os principais constrangimentos relacionavam-se com a eventual degradação da resina quando exposta a um incêndio. À medida que os elementos derretessem, haveria o risco dos seus resíduos poderem escorrer sobre os ocupantes, podendo o material derretido inclusivamente interferir com a actuação dos sprinklers.

Para abordar estes assuntos, as autoridades competentes exigiram que cada produto fosse ensaiado isoladamente de acordo com a norma NFPA 286, Fire Test for Evaluating Contribution of Wall and Ceiling Interior Finish to room Fire Growth. Os resultados dos ensaios realizados aos dois produtos em questão não foram favoráveis pelo facto de terem entrado em colapso muito antes dos tempos limite estabelecidos pela norma NFPA 286. Em consequência, os produtos com folhas não foram utilizados no foyer, mas os painéis de resina foram alterados de modo a poderem cumprir com as regulamentações aplicáveis, através da utilização de uma cobertura em vidro nos bordos inferior e superior dos painéis, solução que permitiu eliminar significativamente os riscos associados à degradação destes elementos e, simultaneamente, manter o projecto inicial.

Para aceder aos lugares, o público do espectáculo tem de utilizar as naves laterais das salas. Estas naves são críticas no que diz respeito à segurança das pessoas em caso de emergência uma vez que constituem os caminhos de evacuação, devendo permitir a saída rápida e segura de um elevado número de pessoas que, regra geral, desconhece a localização das saídas do edifício. Assim sendo, a disposição e configuração das naves são factores cruciais. No caso das naves terem escadas, a altura, largura e profundidade dos degraus deve ser uniforme, de modo a evitar que os ocupantes tropecem ou caiam. A iluminação de emergência destas naves assume também grande importância. De referir que qualquer erro ou insuficiência na concepção deste tipo de saídas, poderá ter um grande impacto no incremento do nível de ansiedade dos ocupantes, já sujeitos a elevados níveis de stress causados pela própria situação de emergência.


Paredes do proscénio e bocas de cena
Quando a distância entre o nível do palco e a cobertura é superior a 15 metros, é exigível que a parede do proscénio, que separa o público do palco, apresente determinadas características de resistência ao fogo. Quando a boca de cena tem uma largura considerável, a parede do proscénio deve ser protegida por um dispositivo móvel para obturação da boca de cena através de uma cortina de protecção do público contra os gases quentes, chamas e fumo produzidos por um incêndio, que actue, pelo menos, durante 20 minutos. Esta cortina é também utilizada para proteger, pelo mesmo período de tempo, a audiência da luminosidade resultante de incêndios de grande intensidade, que possam eclodir no palco.

Na sala que recebe o espectáculo Ká são utilizados sistemas mecânicos para conduzir os adereços e os artistas das laterais do proscénio para as bancadas laterais e destas novamente para a boca de cena do proscénio, o que impede a utilização dos dispositivos de obturação comuns. Estes sistemas impedem também o recurso de cortinas resistentes ao fogo, utilizadas normalmente em conjunto com cortinas de água. A dimensão da abertura das paredes do proscénio também colocou sérios desafios ao projectista de segurança em virtude dos seus 17 metros de altura por 34 metros de largura, totalizando uma área de 580 m2.

O projecto de segurança entrou em linha de conta com estes desafios, pelo que, em vez dos dispositivos de obturação comuns, foi utilizada uma cortina de água entre o palco e plateia e bancadas, interligada através de um sistema automático de extinção por sprinklers, do tipo dilúvio, instalado ao nível das grelhas, por cima do palco. De modo a conseguir suplantar a dinâmica dos gases e fumos quentes e a alcançar um eventual incêndio no palco, o sistema foi concebido com sprinklers de maior diâmetro de modo a criar gotas de água também maiores. O sistema de dilúvio é activado através de um sistema de detecção de incêndios dotado de detectores de chama e de aspiração. O sistema de dilúvio apenas é accionado quando os dois tipos de detecção são activados.

Existindo a possibilidade da cortina de água não conseguir impedir o escoamento dos gases e fumos quentes do palco para a zona da plateia e bancadas, foi projectado um sistema de desenfumagem com o objectivo de manter a barreira de fumo acima da abertura do proscénio. Este sistema foi concebido para extrair fumo à razão de 9. 550 m3/min, tendo como base um fogo de 10.000 BTU/min e considerando uma fonte de emissão de ar localizada na zona de bancadas.

No espectáculo dos Jersey Boys, os artistas utilizam um passadiço suspenso que se estende do palco em direcção à audiência, o qual interfere com o fecho da cortina do proscénio em caso de emergência. De modo a impedir esta interferência, logo que a cortina passa à posição de segurança é activado um interruptor que faz cair parte do passadiço, permitindo assim a normal abertura da cortina. Uma vez que a cortina e o passadiço são accionados mecanicamente, não carecem de qualquer fonte de alimentação, monitorização ou supervisão. Havendo a possibilidade de um artista estar do lado da audiência aquando do accionamento da cortina, existe uma passagem directa na bancada lateral que evita que o artista tenha de contornar toda a cortina para voltar para o palco.

O regulamento de edificação do Nevada do Sul exige que as paredes do proscénio sejam contínuas desde as fundações do edifício até à sua cobertura, o que pode constituir um grande desafio quando as salas de espectáculos fazem parte de instalações de utilização polivalente ou são acrescentadas a espaços ou edifícios já existentes utilizados para outros fins. No Planet Hollywood Casino e Resort, a sala que aloja o espectáculo Stomp Out Loud foi projectada no quarto andar do edifício, espaço este que não tem paredes de proscénio. No entanto, o Planet Hollywood foi projectado de acordo com o regulamento geral de edificação de 1994, exigindo este regulamento a separação entre os vários tipos de utilizações. Em consequência desta exigência, o pavimento do edifício foi projectado com uma classificação de resistência ao fogo de 180 minutos, tendo as autoridades competentes permitido aos projectistas que a parede do proscénio terminasse no pavimento de 180 minutos, em vez de terminar nas fundações do edifício. Nesta parte da instalação, a cobertura acima do palco é a cobertura do edifício. Assim sendo, a parede do proscénio foi desenvolvida de modo a terminar nesta cobertura, conforme exigido pelo regulamento.

Espectáculos em palcos circulares
Os espectáculos em palcos circulares apresentam desafios únicos para o projecto e concepção de soluções de segurança. Com o público disposto em torno do palco, efectuar a separação entre o público e o palco revela-se uma tarefa especialmente difícil. Veja-se, por exemplo, a sala que aloja o espectáculo LOVE no The Mirage. O palco principal tem seis passadiços simétricos que convergem para o palco, separando a plateia em seis secções. Os artistas utilizam os passadiços durante a actuação. Uma vez que o palco se situa no centro da plateia, de acordo com as disposições da regulamentação aplicável, seria necessário instalar um dispositivo de obturação em todo o perímetro da área de actuação. No entanto, em vez da utilização dos dispositivos de protecção comuns, foram instalados dois sistemas de dilúvio para proteger o palco principal e três para proteger os seis passadiços. Os sistemas de dilúvio do palco são accionados através de sistemas automáticos de detecção de incêndios dotados de detectores de chama e de aspiração, que são, por sua vez, também eles protegidos por sistemas de dilúvio. Estes sistemas apenas são activados quando ambos os sistemas de detecção de incêndios são accionados.

Os sistemas de dilúvio dos passadiços também são activados por sistemas automáticos de detecção de incêndios dotados de detectores de aspiração. O sistema de dilúvio apenas é activado quando os sprinklers e os detectores de aspiração são accionados em simultâneo.

Parte do palco da sala de espectáculos do New York-New York Hotel & Casino, na qual o Cirque do Soleil exibe a produção Zumanity, é aberta, sendo rodeada pelo público em três lados. Inicialmente, era suposto que o proscénio acompanhasse a configuração desta parte do palco. No entanto, o projecto inicial foi alterado, passando o proscénio a constituir unicamente uma separação entre o palco principal e o público, conforme exigido pelas disposições regulamentares aplicáveis. A parte aberta do palco é considerada pela regulamentação como uma plataforma, pelo que a sua separação do público não se revelava obrigatória. Isto proporcionou ao Cirque du Soleil uma redução dos custos de produção e, simultaneamente, uma maior liberdade de actuação, sem os limites impostos pela existência de um proscénio.

Acesso de apoio ao palco

Grande parte das salas de espectáculos de Las Vegas fazem o aproveitamento da totalidade da área que circunda a zona de representação, conhecida como a área de suporte do palco. A regulamentação aplicável aos camarotes superiores e laterais não apresenta um nível de exigência elevado. Contudo, quando a área inferior ao palco é utilizada como via de acesso de suporte ao palco, é necessário ter em consideração algumas disposições adicionais.

O palco do espectáculo LOVE tem múltiplos elevadores ou sistemas elevatórios que se deslocam entre a área inferior ao palco e o palco principal, sendo a área inferior ao palco utilizada para armazenar adereços e cenários. Fazendo o palco parte do pavimento de resistência ao fogo de 120 minutos, impunha-se a necessidade de o separar da zona inferior. Este isolamento, semelhante ao do proscénio, foi conseguido através da combinação de um pavimento com uma classificação de resistência ao fogo de 120 minutos com uma cortina de água. O pavimento resistente ao fogo e os sistemas de elevação podem ser comparados com o proscénio e a boca de cena. Ao longo de cada abertura do pavimento foi instalada uma divisória de 1,20m de comprimento e 460 mm de espessura. De cada lado da divisória foi instalado um sistema de cortina de água. Conjuntamente com a divisória e a cortina de água, foi ainda instalado um sistema de desenfumagem, pretendendo-se com esta solução evitar a dispersão dos gases e fumos quentes para o palco.

Os adereços e os cenários são também armazenados nos bastidores, aos quais se acede através de aberturas designadas de vomitórios. Estes são semelhantes às aberturas do proscénio e são concebidos da mesma forma do que os sistemas elevatórios. De modo a isolar estas aberturas, em cada uma delas foram instalados sistemas de cortina de água e divisórias de 460 mm de espessura. Estas divisórias foram instaladas a 305 mm de distância da cortina de água, de modo a possibilitar a activação dos sprinklers. Na impossibilidade das cortinas de água impedirem a dispersão do fumo através dos vomitórios, foi instalado um sistema de desenfumagem nos bastidores de modo a minimizar o escoamento de gases e fumos quentes em direcção ao público.

A sala que aloja o espectáculo Zumanity também recorre a diversos alçapões e sistemas elevatórios. No palco principal existem três alçapões e na plataforma que permite o acesso entre a cave e o piso principal da sala existem quatro sistemas elevatórios. Três destes sistemas elevatórios possuem coberturas que deslizam sobre as aberturas respectivas. Na impossibilidade de garantir que estas coberturas tivessem uma resistência ao fogo de 120 minutos, as casas das máquinas dos sistemas elevatórios foram isoladas entre si através de uma construção resistente ao fogo. Esta solução permitiu a continuidade da parede do proscénio e uma construção resistente ao fogo a partir da cave. Como consequência, a casa das máquinas do elevador por baixo da plataforma é considerado como fazendo parte do primeiro piso do palco. Em condições normais, as duas casas das máquinas dos sistemas elevatórios devem funcionar como área de suporte durante a actuação. A separação entre as duas casas das máquinas dos sistemas elevatórios em caso de emergência é feita através de dois pares de portas de 1,2 m dotadas de retentores electromagnéticos e uma porta de enrolar de 4,9 m de largura.

Trabalhar com efeitos especiais
Com o objectivo de deslumbrar o público, muitos espectáculos recorrem a efeitos especiais que podem afectar a segurança dos ocupantes e a eficiência dos sistemas de protecção contra incêndio.

No KÁ, por exemplo, são utilizados efeitos especiais que envolvem chamas e pirotecnia desde os momentos que antecedem o espectáculo até ao final da actuação. Estes efeitos incluem múltiplas bolas flamejantes que se elevam até 3 e 9 metros de altura e uma fonte que produz uma chama contínua com 46 cm de diâmetro e 76 cm de altura. Uma vez que estas chamas aumentam a probabilidade de ocorrência de um incêndio, foi desde logo preterida a solução de activação manual dos sistemas de extinção de incêndios durante o espectáculo. Em alternativa, recorreu-se a uma abordagem dinâmica que permite o bypass alternado dos componentes de detecção.

Uma vez que os sistemas de dilúvio e de cortina de água desta sala são activados por detectores de chama e de aspiração, foi necessário encontrar uma solução que permitisse a utilização de efeitos especiais com chamas sem alterar drasticamente a concepção dos sistemas de segurança. Para evitar descargas de água indesejadas, a RJA desenvolveu um sistema para monitorizar os comandos dados pelos assistentes de palco responsáveis pela actuação  de um determinado efeito especial. O coordenador de efeitos, que activa todos os efeitos a partir da central de controlo do espectáculo, necessita de receber um sinal de todos os assistentes e do sistema automático de alarme de incêndio antes de activar os efeitos especiais. O sinal do sistema automático de alarme de incêndio indica que todos os comandos estão preparados para activação e que o bypass dos sistemas de detecção foi efectuado com sucesso para o efeito iminente. Basta que um dos comandos seja desactivado durante um efeito, para que este seja cancelado e os sistemas de detecção voltem a ficar activos. Se ocorrer um alarme noutro local da sala, o sistema de controlo dos efeitos especiais de chama irá desactivar todos os efeitos especiais de chama e remover o combustível das linhas de abastecimento. Assim que o efeito termina, os comandos são libertados e os sistemas de alarme regressam ao seu estado normal de activação.

As autoridades competentes aceitaram esta solução uma vez que limita o tempo de desactivação associado aos sistemas de protecção, assim como a probabilidade de ocorrência de um erro humano.

Durante o espectáculo Phantom na sala de espectáculos do The Venetian Casino Resort, as quatro partes constituintes de um grande candelabro “pairam” juntas por cima da audiência, unindo-se posteriormente, num único candelabro. O desafio deste efeito foi conseguir coordenar as tubagens e outros elementos constituintes do sistema de sprinklers com o sistema de suspensão do candelabro. Se surgisse um sprinkler no caminho de um cabo enquanto o candelabro se estivesse a formar, o sprinkler poderia ser danificado, levando à libertação inadvertida de água.

De volta à realidade
Uma vez que a maior parte das salas de espectáculos em Las Vegas estão localizadas em casinos, deve ter-se em especial consideração a saída de emergência principal, exigível a qualquer edifício que receba mais de 300 pessoas.

O regulamento de edificação do Nevada do Sul exige que a saída de emergência principal tenha uma dimensão suficiente para permitir o fluxo de, pelo menos, metade dos ocupantes do recinto, não podendo ser inferior à largura exigida para os caminhos de evacuação que conduzem àquela saída. Da mesma forma, é exigido que a saída principal dê para a rua ou para uma via pública, o que se torna um problema, uma vez que a entrada e saída da maioria das salas de espectáculo de Las Vegas é feita através de propriedades de maior dimensão com acesso restrito, sem acesso directo para uma rua ou via pública.

Durante a fase de projecto da sala do espectáculo LOVE, as autoridades competentes consideraram que a saída principal da sala não respeitava as exigências presentes no código de edificação para a saída de pessoas para a rua ou via pública. No entanto, as autoridades licenciadoras aceitaram a interpretação do projectista de que a saída principal da sala não teria que cumprir com este requisito uma vez que a sala faz parte de um edifício multiusos, uma situação não abordada pelo regulamento de edificação do Nevada do Sul. Desta forma, a saída principal foi autorizada a escoar o fluxo de ocupantes para o casino.

A sala da produção LOVE tinha acolhido anteriormente o espectáculo extravagante de Siegfried and Roy, tendo sido sujeita a profundas remodelações para a realização do LOVE. A sala cumpria com as disposições regulamentares aplicáveis relativamente ao proscénio e à plateia e bancadas mas, durante a remodelação, o palco foi movido para permitir a colocação de bancadas em redor da parede do proscénio existente, criando uma sala com um palco circular. A sala é, na realidade, octogonal com duas entradas principais, cada uma servindo cerca de metade da respectiva área de plateia e bancadas. Nenhum dos lados da sala tem acesso directo ao outro.

Para cumprir as exigências do regulamento de edificação, cada saída principal consegue suportar metade dos ocupantes das respectivas secções da sala. Se a sala fosse um relógio, as saídas estariam localizadas às 11 horas e à 1 hora. A combinação das duas saídas principais é capaz de suportar metade do total dos ocupantes da sala, admitindo-se esta solução sempre que não exista uma saída principal claramente identificável. As restantes saídas que permitem escoar os restantes ocupantes estão localizadas em vãos interiores, que estão distribuídos de forma equilibrada ao longo da sala.

Estes são apenas alguns exemplos dos desafios que surgem aquando da concepção do projecto de segurança em algumas das salas de espectáculo de Las Vegas, cada uma delas com configurações distintas de plateias e palcos, cada uma delas exigindo uma solução específica para protecção da audiência e dos intervenientes no espectáculo. Portanto, na próxima vez que assistir a um espectáculo, desfrute da atmosfera e tenha a certeza que a sua segurança é tão importante como o seu divertimento.


Christine Theisen, Consultora da Rolf Jensen & Associates, Inc em Las Vegas & Richard Muller, P.E., Director de engenharia da Rolf Jensen & Associates, Inc de Las Vegas

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