Pioneiros da adoção de normas

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Pioneiros da adoção de normas

Por Paul Dunphy

earlyadopters60x60De que modo as escolas superiores e os colégios podem demonstrar a importância da nova NFPA 3

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Dunphy no Wasserstein Hall em Cambridge, um novo edifício acadêmico da Harvard Law School. O edifício está passando pelo processo de comissionamento e testes integrados.

De que modo as escolas superiores e os colégios podem demonstrar a importância da nova NFPA 3

A Universidade de Harvard trabalhou muito nos últimos 10 anos, construindo e renovando as instalações de pesquisa, as salas de aulas, os dormitórios, os prédios de estacionamento, e os centros de infra-estruturas. Alguns dos projetos são complexos e extensos, e incluem edifícios altos com vários andares subterrâneos. Na qualidade de inspetor de eletricidade e coordenador de cumprimento das normas da Universidade, estive envolvido desde o início até o fim (e além) em todos os projetos. Foi desde essa perspetiva que me tornei um defensor convicto dos testes integrados dos sistemas de proteção contra incêndio e segurança humana em todos os novos projetos de edifícios da universidade, e na maioria dos projetos de renovação mais complexos. Esses são os tipos de processos cobertos pela nova NFPA 3, Prática Recomendada para o Comissionamento e Testes Integrados dos Sistemas de Proteção Contra Incêndios e Segurança Humana.

De fato, acredito que as escolas superiores e as universidades ocupam uma posição ideal para demonstrar a real importância da NFPA 3. À medida que essas instituições expandem seus recursos e infra-estruturas físicas em diferentes formas, a proteção da vida e a gestão de risco continuam sendo preocupações operacionais essenciais. Todos os membros da comunidade universitária, tanto os estudantes como as famílias que moram num complexo residencial num edifício alto, ou os professores dos laboratórios que trabalham nas entranhas dum edifício de pesquisa, devem estar seguros em todas as circunstâncias.

O comissionamento e os testes são também componentes naturais das práticas modernas de projeto e construção. Muitas estruturas novas que crescem nos campus em todo o país são obras de alta complexidade, projetadas e construídas de acordo com as novas especificações, códigos e normas. Os sistemas de segurança humana e proteção contra incêndios são também mais complexos. Os sistemas de alarme de incêndio endereçáveis e os sistemas automatizados dos edifícios, por exemplo, devem trabalhar juntos para controlar uma multiplicidade de entradas e saídas de sistemas interconectados, como os ventiladores de controle da fumaça e os ventiladores de pressurização das escadas. Aquilo que hoje funciona pode deixar de funcionar amanhã, se os fornecedores modificarem um dos sistemas por separado.

Essas questões complicam-se pelo atual ritmo, muitas vezes acelerado, da construção, com datas de ocupação fixas. Os prazos e o resultado final podem tornar-se o ponto focal para os gestores de projeto e os construtores, e os testes para proteção da vida podem chegar a ocupar inadvertidamente uma posição secundária – um problema que os fiscais das edificações, as companhias seguradoras e os proprietários de edifícios reconhecem. Como resultado, as universidades reconhecem agora o valor do comissionamento, que pode ser aplicado para provar que os sistemas dos edifícios são projetados e construídos para operar duma forma eficiente - ou, caso contrário, para determinar se é possível aprimorar os sistemas para garantir aos ocupantes condições de segurança ideais. A NFPA 3 é um documento que serve essencialmente para dirigir um novo edifício no processo dos testes.

Testes para a proteção da vida, e mais

Esse tipo de documento teria sido útil num projeto no qual estive envolvido vários anos atrás. Em 2007, trabalhava com um diretor de projeto em Harvard, realizando testes exaustivos dos sistemas dum novo anfiteatro no campus. O cenário que esboçamos simulava um incêndio real num edifício alto de escritório pertencente a uma corporação aqui em Cambridge, Massachusetts, que começou numa câmara transformadora e criou rapidamente uma situação muito perigosa para os ocupantes, por causa da fumaça.

Nosso plano era accionar uma bomba de fumaça na câmara transformadora subterrânea, que iniciaria um detetor de fumaça e daria o sinal de ativação aos sistemas integrados. Depois de verificar cada parte móvel com a alimentação elétrica normal, cortamos a alimentação principal do edifício operando a chave de controlo da bobina de abertura no centro de comando de incêndio. A seguir controlamos de novo o edifício para garantir que todos os sistemas e as partes móveis estivessem operando corretamente.

Para levar a cabo esse tipo de teste, precisávamos um diagrama dos sistemas de pressurização das escadas e de exaustão de fumaça. O desenho tinha uma matriz da seqüencia de operações, e cada ventilador e damper eram numerados. Também precisávamos um diagrama de eletricidade para fazer uma lista do equipamento que devíamos verificar em modo de falha de alimentação elétrica. Com os documentos na mão, criamos uma equipe de teste constituída por vários empreiteiros e membros do pessoal de Harvard. (Esse tipo de teste, por sinal, é um momento ideal para treinar o pessoal de operação dos edifícios.) Nosso teste finalmente mostrou pequenos defeitos de instalação e problemas de projeto, e trabalhamos alguns dias para por todas as interfaces a funcionar corretamente.

A experiência abriu-nos os olhos. Descobrimos que a comunicação entre os empreiteiros e os fornecedores devia melhorar; especificamente, o empreiteiro do sistema de alarme de incêndio e o empreiteiro dos sistemas automatizados dos edifícios deviam compartilhar com mais cuidado os comandos de entradas e saídas. Desenvolvi uma guia de duas páginas para testes integrados de proteção da vida baseados no teste do anfiteatro, e a universidade em pouco tempo adotou o conceito.

Em 2008, participei num seminário sobre uma norma proposta chamada NFPA 3, Comissionamento de Sistemas de Proteção contra Incêndio e Segurança Humana. Gostei das palavras do apresentador, Maurice Pilette, presidente do Comitê Técnico da NFPA 3, então falei com ele sobre nosso trabalho em Harvard. Semanas mais tarde, ele me convidou a participar duma reunião do grupo de trabalho da NFPA 3. Eles estavam empenhados na preparação dum documento importante, esperado há muito tempo.

Não sou fanático do termo “comissionamento”, porque pode ter diferentes significados e aplicações, então pedi ao grupo que considerasse a introdução de “testes integrados” no título, para chamar a atenção das pessoas. Pouco tempo depois, candidatei-me a membro do comitê técnico e fui aceito. Aprendi que desenvolver um documento por consenso leva tempo e paciência. Desde então fui contatado por outras universidades que buscam informação sobre meu envolvimento e participação no comitê técnico.

A criação da NFPA 3 é um passo de gigante em direção a uma maior segurança dos edifícios, mas o comissionamento, como prática recomendada, não pode ser imposto por uma autoridade competente (AHJ, da sigla em inglês). É por isso que também proponho separar as funções de testes integrados, com suas relações quantificáveis entre os sistemas, e colocá-las numa norma própria, que as AHJ possam fazer aplicar. O Conselho de Normas da NFPA considera a preparação duma NFPA 4, Testes Integrados dos Sistemas de Combate a Incêndio e Proteção da Vida, que beneficiaria as universidades e seus empreiteiros, ajudando-os a entender melhor os processos técnicos envolvidos num novo edifício e seus sistemas.

Confio em que Harvard adotará a noção da NFPA 4 porque é essencial para a proteção da vida. Tive muito êxito em levar avante o conceito geral de comissionamento e testes na universidade, desde os primeiros testes no anfiteatro até projetos muito maiores e mais complexos.

O trabalho para a versão preliminar da NFPA 3 ajudou-nos a definir quais sistemas deviam ser incluídos. Grandes instalações acadêmicas e laboratórios construídos sobre estacionamentos subterrâneos, por exemplo, passaram pelo processo de comissionamento, operações funcionais, testes pré-funcionais e foram testados plenamente de forma integrada. Temos documentos dos testes e listas de verificação que podem ser utilizados e re-utilizados para testes integrados periódicos, de acordo com os planos da universidade.

Com a nova NFPA 3 na mão, a universidade está planejando testes integrados retrospetivos de proteção da vida num complexo residencial alto construído sobre um estacionamento subterrâneo. Isso nos dará uma boa idéia do desempenho do edifício anos após sua construção. O processo envolve planejamento e programação para minimizar as interrupções e as moléstias para os ocupantes. Os participantes incluem engenheiros da universidade, uma equipe de pessoal de segurança contra incêndio e operação das instalações de Harvard, a empresa original de consultoria, e um “agente independente para os testes integrados” – uma nova posição definida pela NFPA 3 como “uma pessoa ou entidade identificada pelo proprietário que planeja, programa documenta, coordena e implementa os testes integrados dos sistemas de proteção contra incêndios e segurança humana e os sub-sistemas associados.”

Já que a universidade implementou com êxito o processo, induzimos a comunidade dos empreiteiros a trabalhar conosco – mais um exemplo importante de como a NFPA 3 pode funcionar para todos os proprietários de edifícios que querem adotá-la. No início os empreiteiros hesitavam um pouco, porque os testes adicionais acarretavam maior gasto de tempo e recursos, mas estavam dispostos a cooperar. Uma vez engajados no processo, eles mostraram muito interesse, porque servia para eles verificarem o funcionamento de seus produtos de acordo com o projetado.

“Isso é bom”, disse-me um empreiteiro faz pouco tempo, quando trabalhávamos juntos no projeto de testes integrados. “Porque nunca o fizemos antes?”

Paul Dunphy é inspetor elétrico e coordenador do cumprimento dos códigos na Universidade de Harvard e membro do Comitê Técnico da NFPA 3

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