O desafio dos armazéns
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Ocupações Industriais/Armazenamento

O desafio dos armazéns

Por Richard Gallagher

Enquanto a proteção dos armazéns é cada vez mais difícil para os bombeiros, um painel de peritos oferece três esquemas fixos de proteção contra fogo, projetados para chegar à extinção completa.

warehouse 200x312Enquanto a proteção dos armazéns é cada vez mais difícil para os bombeiros, um painel de peritos oferece três esquemas fixos de proteção contra fogo, projetados para chegar à extinção completa.

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Os sprinklers automáticos têm, sem dúvida, um papel essencial no controle dos incêndios em armazéns, mas a NFPA 13, Instalação de Sistemas de Sprinklers, reconhece que esse tipo de incêndio não pode ser apagado apenas pelos sprinklers. Os sprinklers são projetados para controlar ou suprimir um incêndio; a NFPA 13 define os conceitos de controle de incêndio e supressão de incêndio e o Manual sobre Sprinklers Automáticos da NFPA oferece uma visão mais detalhada. Espera-se dos bombeiros que entrem no local e consigam a extinção final do incêndio.

Contudo, isso se torna cada vez mais difícil, já que os riscos do combate a incêndio manual, nos armazéns, aumentaram constantemente nos últimos sessenta anos. Os armazéns modernos são maiores, mais altos, com grande volume e com maiores quantidades e variedade de mercadorias perigosas do que antes. Não é raro ver armazéns, em parques industriais, ocuparem uma área igual ou maior que a de dez campos de futebol, com alguns chegando a trinta campos de futebol ou mais. Esses grandes armazéns têm também tetos de 9 a 12 m de altura; nos armazéns onde estão instalados sistemas de armazenamento e recuperação automatizados, os produtos armazenados podem ser colocados em prateleiras de 30 m de altura. A economia e a eficiência dos armazéns levam à necessidade de maximizar a altura da armazenagem e reduzir a área de pavimento não utilizada, o que significa reduzir tanto o número como o tamanho dos corredores. A situação mais vantajosa consegue-se pela utilização de produtos empilhados ou fileiras múltiplas de prateleiras. Além disso, os produtos armazenados incluindo plásticos e aerossóis introduzem desafios muito maiores que os dos combustíveis comuns.

À luz dos riscos cada vez maiores, será ainda razoável pretender que os bombeiros entrem num armazém para extinguir um incêndio controlado por sprinklers? Embora os equipamentos de proteção e de combate a incêndio manual tenham se desenvolvido muito, os avanços não resolveram os desafios apresentados pelo combate a incêndio em armazéns. Vejamos a responsabilidade do oficial dos bombeiros lidando com um incêndio de armazém controlado por sprinklers. O oficial em comando enfrentará uma série de questões, mas terá poucos recursos para obter os dados necessários a uma tomada de decisão informada. Num edifício cheio de fumaça, como saber se os sprinklers estão controlando o incêndio dos produtos armazenados? Como saber se os sprinklers mantêm todo o aço do edifício frio e estruturalmente seguro? Como saber onde os produtos armazenados se tornam instáveis e se rompem ou quando chegou o momento de ventilar o edifício e desligar os sprinklers? Cada vez mais, os oficiais dos bombeiros, que podem apenas conjeturar sobre essas questões críticas, tomam a decisão razoável de não arriscar seu pessoal num esforço incerto para salvar bens que talvez já estejam perdidos.

Embora já disséssemos que os bombeiros podem lidar com incêndios de armazéns dentro de certos limites razoáveis, a fronteira desses limites deve ser entendida. Para os armazéns que saem destes limites razoáveis, existe uma necessidade de soluções criativas não só para controlar, mas também para extinguir os incêndios nessas estruturas sem intervenção humana.

Para iniciar uma discussão sobre possíveis soluções, a Fundação de Pesquisa para a Proteção contra Incêndio realizou um seminário sobre armazéns com grandes desafios, durante o Simpósio “Detection Research and Application”, ou SUPDET, que ocorreu em fevereiro de 2010 em Orlando, Florida. O caso de estudo do seminário se concentrou num hipotético armazém de grande altura numa comunidade rural – uma localização comum para os mega-armazéns modernos, o que se deve, na verdade, em parte à disponibilidade de terra a preço accessível. O armazém do estudo de caso tinha 17 m de largura, 46 m de cumprimento, e 21 m de altura, era construído em aço e armazenava plásticos cartonados do Grupo A, num arranjo de prateleiras múltiplas de 13 níveis, de 20 m de altura.

Os produtos armazenados seriam manuseados por um sistema de armazenagem e recuperação automatizado, operando em corredores de 1.5 m de largura. A prateleira principal teria uma largura equivalente a quatro paletes. O chefe local dos bombeiros diz que os bombeiros entrariam no edifício apenas num esforço para salvar as vidas que pudessem ser salvas.

Enfrentando um conjunto de condições que desafiam a sabedoria convencional, uma série de apresentações no seminário ofereceu uma visão de longo prazo das abordagens dos sistemas fixos de proteção anti-incendio projetados para extinguir o fogo sem intervenção dos bombeiros. Das apresentações feitas, três utilizavam sistemas de proteção contra incêndios disponíveis comercialmente, aplicados em formas não convencionais. Esses métodos são apresentados aqui apenas como possibilidades hipotéticas numa forma conceitual, não como objetos de engenharia que foram analisados pela comunidade de proteção contra incêndio ou submetidos a uma análise científica rigorosa. A intenção é estimular ulteriores debates sobre uma questão de crucial importância para a indústria, as seguradoras, os bombeiros, e as organizações que desenvolvem as normas como a NFPA, e insistir para que se trabalhe mais na busca de soluções realistas e efetivas.


ESFR + Dióxido de Carbono
Conceito por Aon Fire Protection Engineering (Ex-Schirmer Engineering)

CONCEITO - Esse conceito utiliza como supressão primária um sistema de sprinklers de extinção precoce e resposta rápida (ESFR, da sigla em inglês) para vãos de separação (flue spaces), complementado por dióxido de carbono – um agente que já se encontrava disponível no comércio, comprovado em aplicações de proteção contra incêndio e que pode ser canalizado em longas distâncias utilizando a pressão própria de armazenagem. (A NFPA 12, Sistemas de Extinção de Dióxido de Carbono, fornece orientações para a aplicação de sistemas de dióxido de carbono). 

O dióxido de carbono é um agente de extinção recomendado para líquidos inflamáveis, riscos elétricos e ocupações sensíveis à água. No momento da descarga um sistema de dióxido de carbono não deixa nenhum resíduo. Isso significa que não contribui para a contaminação durante um incêndio e não aumenta o trabalho de limpeza depois da extinção. O conceito divide o espaço entre zonas altas e zonas baixas; as zonas altas contam apenas com os sprinklers ESFR, enquanto as zonas baixas são protegidas por sprinklers ESFR na parte de cima da zona, complementados por uma aplicação local de dióxido de carbono para reduzir o conteúdo de oxigênio na zona até o ponto onde a combustão aberta não é possível. As zonas baixas seriam reservadas para os produtos que apresentam os riscos maiores. Enquanto o modelo utilizava o dióxido de carbono apenas nas zonas mais baixas, seria interessante considerar sua utilização também nas zonas altas.

LAYOUT - Barreiras sólidas horizontais ou verticais são instaladas nas prateleiras para separar o espaço em quatro zonas de proteção, duas zonas baixas de 8 m de altura e duas zonas altas de 14 m de altura (acima). A divisão em zonas foi proposta para proporcionar barreiras de proteção consistentes com o limite máximo de altura de teto para os sprinklers ESFR e limitar a quantidade de dióxido de carbono que seria descarregado em resposta a um incêndio. A NFPA 13 fornece orientações sobre os materiais das barreiras, incluindo chapas metálicas e madeira.

Para a proteção primária, incluem-se dois níveis de sprinklers ESFR, um no nível do teto, projetado para proteger os 12 m superiores de produtos (acima à direita) e outro nível dentro das prateleiras para proteger os produtos de 8 m para baixo (centro). O projeto é melhorado pela localização seletiva de sprinklers ESFR nos vãos de separação (flue spaces) no topo de cada zona. Os esguichos para dióxido de carbono no interior das prateleiras são instalados na segunda, terceira e quarta fileira de armazenagem apenas na zona baixa, entre 4.5 m e 8 m acima do chão, como indicado na ilustração central. O dióxido de carbono é armazenado num tanque refrigerado, localizado provavelmente fora do edifício, e o gás é canalizado até os esguichos nas prateleiras de armazenagem em caso de incêndio. Detectores de calor de tipo pontual ou linear são localizados no interior das zonas.

COMO FUNCIONA - A detecção de calor numa zona alta ativa o alarme de incêndio, assim como o fluxo de água do sistema ESFR que continua até a extinção do incêndio (à direita, acima). Nas zonas baixas, a detecção de calor ativa o alarme de incêndio, assim como o fluxo de água do sistema ESFR, e começa o tempo de espera do sistema de descarga de CO2 em coordenação com o sistema ESFR (abaixo à esquerda). Esse tempo de espera é requerido pela NFPA 12 para permitir a evacuação do pessoal e para garantir que os sprinklers ESFR tenham operado. O tempo de espera da descarga de CO2 é, em muitos casos, de 30 segundos, mas em instalações maiores pode ser necessário mais tempo para permitir uma evacuação completa. Abaixo, à direita, enquanto o sistema ESFR continua a operar, começando a supressão do incêndio e mantendo frias a estrutura de aço do edifício e as prateleiras metálicas, o dióxido de carbono chega aos esguichos na armazenagem em prateleiras e é descarregado na zona onde se encontra o fogo, apagando o incêndio pela redução de oxigênio na zona protegida.

BENEFÍCIOS E DESAFIOS – O modelo aproveita uma tecnologia conhecida e comprovada na forma dos sprinklers ESFR, mas da mais um passo pela extensão da tecnologia ESFR utilizando “tetos” pela instalação de barreiras sólidas e inserindo os sprinklers ESFR nos vãos de separação (flu spaces) apenas em dois níveis da estrutura de 21m de altura. Evita-se assim um sistema convencional de sprinklers de prateleiras em cada nível.

Um benefício específico do dióxido de carbono num ambiente de armazém é sua habilidade em lidar com os incêndios envolvendo produtos de alto risco como líquidos inflamáveis e combustíveis. No passado, perderam-se grandes armazéns quando a proteção contra incêndios foi incapaz de lidar com incêndios que envolviam produtos de risco mais elevado que o planejado inicialmente. Os produtos de maior risco podem insinuar-se nos armazéns ao longo do tempo como, por exemplo, pela substituição de produtos metálicos por produtos de plástico. A armazenagem de produtos de maior risco pode também ser autorizada propositadamente devido às necessidades do negócio. Um exemplo poderia ser um transbordamento de líquidos inflamáveis porque não cabem em sua área normal de armazenagem.

A segurança pessoal aparece como uma preocupação cada vez que se considera o dióxido de carbono para proteção. A NFPA 12 fornece requisitos para alarmes de evacuação, tempos de espera de descarga, e requisitos de bloqueio e etiquetagem para lidar com as exposições associadas a uma descarga inesperada desse gás inerte e asfixiante. É essencial que a instalação dum sistema utilizando CO2 cumpra integralmente os requisitos da NFPA 12.

Antes que o dióxido de carbono possa tornar-se uma solução generalizada de proteção dos armazéns, é necessário realizar pesquisas, testes e certificações para duas características específicas do sistema: uma disposição adequada da detecção de incêndio em prateleiras, para a ativação do sistema de dióxido de carbono e um esguicho para dióxido de carbono para uso em prateleiras. Um procedimento para testar e certificar os sprinklers ESFR em prateleiras seria necessário para apoiar essa abordagem inovadora e promissora. 


Espuma de alta expansão
Conceito por FPI Consortium e Hughes Associates

CONCEITO.  Proposta de utilização da espuma de alta expansão, uma solução que já foi comprovada na proteção contra riscos de incêndios que apresentam grandes desafios. A espuma de alta expansão aplicada de acordo com a NFPA 11, Espuma de Baixa, Média e Alta Expansão, é um agente de extinção de incêndio utilizado frequentemente para proteger hangares de aviões, armazéns de líquidos inflamáveis, rolos de papel, e uma série de outras aplicações. O princípio de projeto é simples: utilizar a inundação total numa área delimitada até uma profundidade que submerge o fogo. O conceito utilizou pesquisas sobre a aplicação de espuma de alta expansão para extinção de incêndios em espaços de navios que envolvem tanto paletes de madeira como poças de líquido inflamável. A Hughes Associates apresentou as conclusões dessa pesquisa na conferência SUPDET da Fundação de Pesquisa Para a Proteção contra incêndios em 2009.

LAYOUT – Para reduzir a demanda total de água, colocam-se barreiras verticais sólidas ou têxteis para dividir o espaço em quatro zonas de proteção iguais, que se mostram abaixo. Consideraram-se dois métodos de detecção de calor: detectores pontuais de teto e em prateleiras e detecção linear localizada dentro das prateleiras, com linhas alternando de frente para trás e lado a lado em cada nível. Também foi proposta a detecção de chamas em áreas abertas do edifício e nos corredores. Ofereceram-se sistemas de detecção por videocâmara (VID, da sigla em inglês) como uma opção para detectar tanto as chamas como os incêndios latentes. As videocâmaras, indicadas em castanho, seriam localizadas nos cantos superiores das zonas para uma cobertura ótima do espaço. As câmaras permitiriam também a monitoração do nível de espuma dentro do armazém depois da primeira submersão por espuma e a gestão da profundidade da espuma por meio dum sistema manual de controle da espuma.

O concentrado de espuma é armazenado em espaços aquecidos no edifício baixo adjacente, e levado pela água canalizada até o edifício alto em caso de incêndio. A solução é enviada a grandes geradores de espuma localizados a altura do teto; cada quadrante inclui pelo menos dois geradores, localizados sobre os corredores transversais no lado de frente e de trás do edifício. Cada par de geradores de 17,000 cfm (pés cúbicos por minuto) é capaz de encher uma zona protegida em três a quatros minutos.

COMO FUNCIONA - O sistema de detecção dispara o alarme de incêndio e o sistema de espuma. O concentrado de espuma é fornecido a um sistema de dosagem: aproximadamente três partes de concentrado são misturadas a 97 partes de água para formar uma solução de espuma. A solução é então enviada a um gerador de espuma de alta expansão, onde uma parte da solução é misturada com 500 a 1,000 partes de ar para formar uma espuma de alta expansão. A espuma é distribuída por geradores montados no teto ou nas paredes, que encheria completamente a zona protegida e extinguiria o fogo.

UTILIZAÇÃO DE ASRS - O modelo assumiu dois pontos de vista sobre os sistemas de armazenamento e recuperação automatizados (ASRS, da sigla em inglês): um ponto de vista considerava o sistema como uma fonte provável de incêndio, sendo assim a detecção dum incêndio provocaria o intertravamento do ASRS, que voltaria à sua estação de origem e ficaria imobilizado. O outro ponto de vista supõe um sistema de armazenamento e recuperação automatizado fortalecido, capaz de funcionar durante um incêndio.

Esse tipo de sistema poderia ser considerado para diferentes usos. Em primeiro lugar, um sistema de extinção de incêndio montado sobre paletes, equipado com uma câmera a infravermelho sem fio e um extintor de incêndio com controle remoto, poderia ser transportado até a área do incêndio para localizar e extinguir materiais em chamas ou com fogo latente. O sistema poderia também ser utilizado para retirar produtos situados na área do incêndio e ao redor, para reduzir a carga combustível. Além disso, os produtos danificados pelo fogo situados na área imediata do incêndio poderiam ser removidos após a extinção, apesar de essa tarefa requerer meios para manusear paletes danificados ou instáveis.

DESAFIOS E BENEFÍCIOS - Um benefício significativo da espuma de alta expansão é o tempo de submersão de quatro minutos, que proporcionaria um controle rápido do fogo e uma propagação limitada do incêndio. A espuma de alta expansão reduz também o umedecimento dos produtos; depois do incêndio os paletes carregados ficarão provavelmente estáveis permitindo uma remoção mais fácil pelo sistema de armazenamento e recuperação automatizado. Com uma provisão de concentrado de espuma que forneça um fluxo de espuma durante 30 minutos, o consumo máximo de água nesse cenário seria limitado a menos de 65,000 l – menos de 20% da demanda de água para os sprinklers automáticos - o que significa menos escoamento de água contaminada. A capacidade de dividir o espaço do armazém em zonas múltiplas reduziria ainda mais a demanda de água, assim como os danos causados aos produtos, devido ao contato com a espuma. Ao contrário de barreiras mais robustas, necessárias para outros agentes de extinção de incêndio, as barreiras para espuma de alta expansão podem incluir cortinas têxteis. Nos corredores dos armazéns, podem-se abrir fendas nas cortinas para permitir o movimento normal, sem obstrução, do ASRS.

A abordagem de divisão em zonas proposta aqui aumenta as preocupações potenciais, já que um incêndio perto duma separação de zona poderia levar a operação da proteção de espuma em mais de uma zona. Seria necessário desenvolver um método confiável de divisão em zonas para responder à preocupação acerca de incêndios perto das zonas de separação. Embora a quantidade total de água na espuma seja relativamente baixa, todos os produtos situados na zona ficariam molhados pela espuma. A maioria dos produtos não queimados deveria ser recuperável.


Névoa de água (Water mist)
Conceito por RJA

CONCEITO – Esse modelo foi uma das abordagens mais inovadoras do seminário. O princípio de projeto emprega um sistema de dampers e ventiladores de exaustão, para levar a névoa de água ao conjunto de prateleiras. A névoa de água é um sistema de supressão de incêndio reconhecido para um amplo leque de desafios, desde as ocupações de risco leve, como salões de dança, até bancadas úmidas de plástico para salas limpas onde se utilizam líquidos inflamáveis. A NFPA 750, Sistemas de Proteção contra Incêndio de Névoa de Água, fornece orientações para aplicar sistemas de nevoa de água onde o sistema foi especialmente certificado para o risco a proteger.

LAYOUT - Ao contrário do dióxido de carbono e da espuma de alta expansão, a abordagem da névoa de água não envolve a divisão em zonas do espaço do armazém por barreiras horizontais ou verticais. O sistema é projetado para operar automaticamente com base em zonas, dependente da localização do fogo detectado. Um sistema de detecção linear de calor é instalado em cada nível da armazenagem nos conjuntos de prateleiras assim como no teto acima das prateleiras.

A parede do armazém compartilhada com o edifício baixo é uma caixa plena, um muro que contém espaço aberto com acesso ao ar exterior. Uma série de grelhas de ventilação é posicionada ao longo dessa parede. Um conjunto de ventiladores de exaustão potentes é posicionado ao longo da parede oposta.

Esguichos de nevoa de água de alta pressão são posicionados ao longo das faces das prateleiras do lado do conjunto das grelhas de ventilação Os esguichos correm paralelos aos corredores em cada nível nos conjuntos de prateleiras, sendo divididos em zonas verticais do piso ao teto.

UTILIZAÇÃO DE ASRS - Supõe-se que o sistema de armazenamento e recuperação automatizado foi fortalecido para permitir sua operação durante um incêndio. O sistema transportaria um conjunto de extinção de incêndio autônomo montado sobre palete. Esse sistema levaria uma câmara a infravermelho para localizar material em chamas ou com fogo latente. Um canhão aplicaria até 2.200 l de espuma de ar comprimido para alcançar a extinção final do incêndio.

COMO FUNCIONA - A ativação do sistema linear de detecção de calor dispara o alarme de incêndio e identifica a localização do fogo no conjunto de prateleiras. Imediatamente à direita, ativam-se os esguichos de nevoa de água nas zonas verticais apropriadas. Os ventiladores de exaustão são também ativados, puxando ar de ponta a ponta do armazém, desde as entradas de ar situadas no muro exterior oposto. A nevoa de água descarregada é puxada ao longo do conjunto de prateleiras em direção aos ventiladores de exaustão, extinguindo o fogo.

BENEFÍCIOS E DESAFIOS - Apesar de não terem sido desenvolvidas estimativas da demanda de água para este modelo, supõe-se que com a névoa de água o consumo de água seria ainda menor do que na abordagem com a espuma de alta expansão. Para os locais rurais com abastecimento de água limitado, a névoa de água poderia oferecer uma opção eficaz quanto ao custo contra sprinklers automáticos apoiados por uma bomba de incêndio e grandes tanques de armazenagem de água.

O conceito de combinar a nevoa de água com o fluxo de ar tem por objetivo reduzir a geração da e remover do edifício parte da fumaça. Isso produz como benefício uma melhor visibilidade dentro do edifício, junto com o potencial de redução do dano causado pela fumaça aos produtos armazenados. Contudo, essa abordagem combinada é nova e requer testes e o desenvolvimento de orientações de projeto.

Além disso, dever-se-ia procurar desenvolver um projeto certificado de nevoa de água para extinção de incêndios em armazéns, já que a NFPA 750 requer que esses sistemas sejam especificamente certificados para o risco a proteger.


Rumo a uma nova sabedoria convencional: perspectivas e próximos passos
Durante sessenta anos a sabedoria convencional nos disse que os sprinklers devem controlar ou suprimir os incêndios nos armazéns e que os bombeiros alcançam a extinção final. Já é hora de reconhecer que os armazéns mudaram e que as tarefas que os bombeiros enfrentam podem ser muito maiores e mais perigosas do que eram quando foi criada a sabedoria convencional. A liderança no pensamento inovador demonstrada no seminário sobre armazéns de alto desafio mostra que existem tecnologias disponíveis, podendo oferecer alternativas eficientes do ponto de vista dos custos e extinguir incêndios nas configurações mais desafiantes de armazenagem.

Isso tem consequências óbvias para uma série de intervenientes, começando pelos bombeiros. A tática dos serviços de bombeiros não foi capaz de acompanhar o tamanho dos armazéns, porque introduz uma geometria de armazenagem que exclui a utilização de jatos de mangueiras e escadas de incêndio. Os limites na capacidade dos aparelhos de respiração introduzem a ameaça adicional dos bombeiros ficarem sem ar estando longe duma saída. O projeto dos sistemas de supressão nos armazéns modernos deve contar com os limites do combate a incêndio manual.

Para os gestores de risco, esses armazéns têm um papel crucial na cadeia de suprimento de qualquer empresa. Sejam as instalações próprias, alugadas a terceiros ou operadas pelos fornecedores, praticamente todas as indústrias contam com armazéns para manter a continuidade dos negócios. Os gestores de risco requerem muitas vezes que os armazéns na sua cadeia de produção sejam protegidos de acordo com as normas reconhecidas de proteção contra incêndio. A remoção dos bombeiros da equação da extinção final significa que as normas para sistemas fixos de proteção nessas estruturas deverão mudar. Como resultado, as organizações que desenvolvem as normas como a NFPA deverão adaptar suas normas ou desenvolver novas, para atender aos novos requisitos da proteção de armazéns. Os projetistas de proteção contra incêndios farão referência às novas normas enquanto buscam soluções inovadoras e eficazes do ponto de vista dos custos para proteger esses espaços.

A mudança rumo a uma nova sabedoria convencional vai requerer muito mais discussão e pesquisa para validar as novas abordagens da extinção dos incêndios em armazéns. Além das necessidades de pesquisa mencionadas para cada uma das abordagens aqui apresentadas, existe uma necessidade geral de justificar os gastos de pesquisa e desenvolvimento de uma nova geração de sistemas de extinção de incêndio. Além disso, é preciso demonstrar que existem opções custo-eficientes utilizando só sprinklers. Os benefícios podem ser percebidos em aspectos como a armazenagem reduzida de água, bombas de incêndio menores e menores riscos de impactos ambientais e limpeza facilitada. Esses benefícios também podem facilitar alternativas verdes.

Devemos também examinar com mais atenção o papel dos sistemas de armazenagem e recuperação automáticos. Atualmente, não se pretende que os ASRS operem de forma confiável durante um incêndio. Os ASRS do futuro, contudo, poderiam ser reforçados para tolerar o calor, a água, a umidade e a fumaça, podendo ser utilizados como uma ferramenta muito mais ativa e efetiva no esforço global de supressão. Além disso, esses sistemas poderiam ser utilizados para retirar da estrutura de prateleiras as cargas paletizadas danificadas pelo fogo, molhadas e instáveis após um incêndio.

Por último, é necessário envolver os bombeiros num diálogo em relação à extinção dos incêndios de armazéns. Eles aceitam a extinção do incêndio como sua responsabilidade, ou as características dos armazéns como o tamanho, a altura, e o nível de perigo criam efetivamente fronteiras além das quais a intervenção dos bombeiros deixa de ser razoável – e será que isso introduz uma lacuna não prevista na proteção dos armazéns contra o incêndio? Compreender a evolução do impacto do modelo de gestão de risco dos bombeiros permitirá aos proprietários dos edifícios e às seguradoras reconhecer que um incêndio num armazém que apresenta desafios pode não ser extinto mesmo se o edifício for protegido com a melhor proteção fixa disponível?

Mais cedo atuamos, mais cedo poderemos substituir a expectativa que os bombeiros enfrentem os perigos dos incêndios dos armazéns por uma abordagem mais realista: que eles apoiem os sistemas automáticos de extinção de incêndios desde uma distância segura.

RICHARD GALLAGHER é diretor de linha de negócios – propriedades da Zurich Services Corporation Risk Engineering em Schaumburg, Illinois.


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Planejar a ajuda aos serviços de Bombeiros
A proteção fixa contra incêndios poderá um dia extinguir os incêndios nos armazéns, mas no futuro imediato a tarefa pertence aos bombeiros. A NFPA 1620, Planejamento Pré-incidente, é o documento principal que os bombeiros aplicam para planejar a resposta a incêndios e outras emergências numa série de ocupações, incluindo as instalações de armazenagem. Os bombeiros também utilizam a NFPA 13E, Operações de Serviços de Bombeiros em Propriedades Protegidas por Sistemas de Sprinklers e de Hidrantes.

A NFPA criou recentemente um grupo de trabalho, constituído por representantes da indústria de seguros, dos bombeiros e pessoal da NFPA, para desenvolver uma estratégia de comunicação desenhada para aumentar a consciência, a utilização e o cumprimento da NFPA 1620 e da NFPA 13E. Essa maior consciência se alcança pela implantação do programa “Fighting Fire in Sprinklered Buildings” (FFSB, da sigla em inglês), desenvolvido pela seguradora FM Global. O programa é dirigido a planejadores pré-incidente, gerentes das companhias que chegam primeiro ao local e os comandantes do incidente, sendo desenhado para ajudá-los a entender os sistemas de sprinklers automáticos. O FFSB instrui os utilizadores sobre como implantar um processo de planejamento pré-incendio nos edifícios com sistemas de sprinklers automáticos e como trabalhar com esses sistemas no local do incêndio.

O desenvolvimento duma nova edição do FFSB começará perto do fim do ano. O grupo de trabalho desenhará uma estratégia de comunicação para a edição e trabalhará com as organizações nacionais de combate a incêndio e as academias estaduais de formação para o combate a incêndio para a difusão do programa, incluindo a NFPA 1620 e 13E. Para mais informação, contate Gary Keith na NFPA () ou Mike Spaziani de FM Global ().

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A National Fire Protection Association (NFPA) é a fonte dos códigos e normas que regem a indústria de proteção contra incêndios e segurança da vida.

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