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A opção pela construção modular, cada vez mais popular, oferece funções inovadoras e eficientes aos projetistas, construtores e proprietários. Mas ainda persistem questões quanto à forma de regulamentar a indústria.

POR ANGELO VERZONI

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ESTE INVERNO, NUM DIA DE CHUVA, trabalhadores da construção se encontravam num telhado sete andares acima do bairro de South Lake Union no centro da cidade de Seattle. Acima deles, um guindaste desceu em direção ao teto com uma caixa retangular do tamanho dum container marítimo. Os trabalhadores iam dum lado para o outro, puxando as cordas conectadas à caixa, para guiá-la até ocupar o seu lugar entre caixas idênticas empilhadas. Era a última das 228 unidades modulares, ou módulos, que seriam conectados para constituir o novo Citizen M Hotel de 264 quartos em Seattle.

Em todos os Estados Unidos, a construção modular - onde módulos de tipo caixa são fabricados fora do lugar antes de serem transportados para o local da obra, onde são montados como Legos® para formar um edifício de tamanho inteiro - se está tornando mais popular. A técnica não é nova - ela existiu por décadas, mas tem sido utilizada principalmente para pequenos projetos de construção residencial, como casas para uma e duas famílias. Aquilo que está mudando é o seu uso em projetos muito maiores e mais complexos como edifícios modulares cada vez maiores e mais altos. A construção modular já está em uso nos países europeus, mas agora estamos encontrando um número cada vez maior de hotéis, edifícios residenciais, escritórios e estabelecimentos de saúde modulares nos Estados Unidos.

Essa popularidade em aumento nos Estados Unidos está ajudando a dar um impulso ao crescimento global do sistema modular. A construção modular é uma indústria cujo valor alcança 112 milhões de dólares em todo o mundo, de acordo com Construction Dive, um site de notícias e análise da indústria da construção, e prevê-se que chegue aos 160 milhões de dólares até 2023, com uma taxa anual de crescimento de aproximadamente 7%, comparado com 5% para a indústria da construção no seu conjunto, de acordo com fontes da indústria.

"Estão aparecendo mais construções modulares porque os proprietários querem utilizar o processo," disse Tom Hardiman, diretor executivo do Modular Building Institute (MBI), um grupo da indústria da construção ao Construction Dive. Essa vontade é motivada por uma série de fatores incluindo a falta de mão de obra qualificada no setor da construção tradicional, a falta de habitação acessível, custos dos materiais em aumento e imprevisíveis e a pressão constante para entregar o produto dentro dos prazos e do orçamento. A construção modular, disse Hardiman, "responde a muitas das necessidades do proprietário."

O crescimento explosivo de edifícios modulares maiores e mais altos nos Estados Unidos levou alguns profissionais ligados a proteção contra incêndio e segurança humana a questionar como está regulada a indústria, como por exemplo a modalidade de inspeção das unidades fabricadas em instalações fora do local da obra e a forma como a montagem final tem lugar no local da obra. Se as unidades modulares destinadas a um edifício em construção em Nova York são fabricadas na Carolina do Norte ou no Ohio ou no Maine, por exemplo, como é feita a coordenação entre os estados para garantir que os componentes cumpram os códigos aplicáveis?

NFPA.ORG/MODULAR

Veja um pequeno filme que mostra o processo de construção de um hotel modular que está sendo construído em Seattle.

Em entrevistas com o NFPA Journal, pessoas com experiência trabalhando com a construção modular - tanto membros da indústria como autoridades competentes – responderam a essa pergunta e mais. Eles descrevem um panorama duma indústria melhor regulada do que parece, mas onde ainda tem lugar para melhorias em relação à regulamentação- nomeadamente através da padronização.

Atualmente não há informação específica sobre a construção modular incluída em códigos e normas da NFPA, mas já foram identificados vários documentos da NFPA onde essa informação poderia ser incluída no futuro, incluindo o NFPA 5000®Código de Construção e Segurança das Edificações e o NFPA 101®Código de Proteção da Vida.

"Se a indústria modular fosse capaz de estabelecer uma norma, penso que todos os estados poderiam aderir," disse Tim House, funcionário do estado do Kentucky que tem experiência com projetos de construção modular. Ele disse que, de qualquer forma, as autoridades competentes em todo o país "terão de aceitar" a construção modular - ela vai continuar a ser mais comum e mais ambiciosa.

CUMPRIMENTO DO OUTRO LADO DO OCEANO

Anos atrás, um edifício construído em Seattle era só isso - um edifício construído em Seattle. Mas a história foi outra para o projeto do CitizenM hotel.

A criação daquele edifício começou com a fabricação de 228 módulos separados em uma fábrica na Polônia. Os módulos foram logo transportados de barco numa viagem de 9000 milhas, passando pelo Canal de Panamá, até o porto de Everett, no estado de Washington, de onde percorreram 30 milhas de caminhão até o local da obra no centro de Seattle, de acordo com um artigo da revista Building Design + Construction (BDC).

CitizenM, uma cadeia de hotéis baseada em Amsterdam, tem usado a mesma fábrica polaca para construir módulos para os seus hotéis em todo o mundo; de acordo com o artigo da BDC, a companhia prevê uma forte entrada no mercado dos Estados Unidos este ano, com vários hotéis modulares planejados para Boston e Los Angeles. Em setembro, a CitizenM abriu um hotel em Bowery Street em Manhattan – com 21 andares é o hotel modular mais alto do país.

A indústria da construção modular no mundo e seu aumento projetado

» $112 bilhões de dólares em 2018

$160 bilhões de dólares em 2023

↑7% taxa anual de crescimento

Para aquele projeto - e outros projetos de construção modular na cidade de Nova York - os funcionários locais que trabalham com a aplicação dos códigos tiveram de aprovar o fabricante polaco como empreiteiro para garantir que os módulos, apesar de serem construídos a milhares de milhas de distância, cumprissem os códigos da cidade de Nova York, como a exigência de sprinklers automáticos e sinais de saída iluminados por uma fonte de energia de emergência. "Eles tiveram de submeter os seus procedimentos de controle de qualidade à cidade," disse Mike Schwartz, sócio sênior da De Simone Consulting Engineers, a firma de engenharia estrutural do projeto do CitizenM Bowery. "Foi um processo que levou realmente muito tempo, mas penso que a equipe fez um bom trabalho de planejamento e a cidade pareceu receptiva."

Na cidade de Nova York se encontram vários edifícios modulares, incluindo a estrutura desse tipo mais alta do mundo, uma propriedade residencial de 32 andares que abriu no Brooklyn em 2016. O processo de aprovação para os fabricantes de unidades modulares está definido no código de construção da cidade de Nova York e regulado pelo gabinete de Certificações Técnicas e Pesquisa. O processo inclui passos para enviar inspetores da cidade de Nova York até o local onde os módulos estão sendo construídos para sua inspeção, mas permite também que fabricantes aprovados, que podem estar situados tão perto como Nova Jersey ou tão longe como outro continente, realizem a auto inspeção do seu trabalho, que leva a aprovação de um profissional independente registrado, antes de os módulos serem transportados até ao local da obra. Uma vez chegados ao local, os inspetores da cidade fazem a supervisão dos passos finais como a conexão dos encanamentos, da proteção contra incêndio e dos sistemas elétricos de um módulo ao outro.

O processo de autorização e inspeção dos edifícios modulares está codificado na cidade de Nova York, mas é possível que um projeto modular seja realizado numa jurisdição local que não tem um sistema regulatório para os edifícios modulares. A responsabilidade da regulamentação recai, na maioria dos casos, no Estado, de acordo com Hardiman. "Trinta e cinco estados têm uma agência administrativa com jurisdição em todo o estado que faz a supervisão da indústria de construção modular," disse Hardiman em e-mails enviadas ao NFPA Journal. "A agência tem engenheiros permanentes ou contrata engenheiros externos independentes para uma série de funções. Esses engenheiros são responsáveis pela inspeção das fábricas e dos projetos, da análise e inspeção dos processos de controle de qualidade e finalmente de determinar que o componente de construção ou módulo cumpra os códigos no destino final. A maior parte do tempo, esses inspetores visitam fábricas próximas (até 500 milhas). Mas algumas vezes… devem viajar para o estrangeiro para o controle de qualidade ou garantia de qualidade. A melhor prática recomenda uma comunicação regular com a autoridade competente local durante o processo."

048MONTANDO OS MÓDULOSNo processo típico de construção modular, os módulos (abaixo) são fabricados fora do local da obra, às vezes em outro país. Na página ao lado, no sentido horário desde o topo à esquerda: os módulos são transportados até o local da obra onde são colocados com um guindaste, em volta de uma torre de concreto que serve de apoio. Trabalhadores certificados localmente conectam os módulos, assim como os encanamentos, a proteção contra incêndio, e os sistemas elétricos. Como passo final, são colocadas paredes exteriores sobre os edifícios para melhorar o seu aspecto.

Dale Stern, arquiteto da MGAC, uma empresa nacional de consultoria de gestão da construção, equipara o processo de autorização para cada módulo a "conseguir o rótulo do UL," num produto, de acordo com o blog que ele escreveu para a página da sua empresa. Isso por que, uma vez que as unidades são trazidas até o local da obra, elas estão totalmente enclausuradas, então um inspetor de incêndio não pode simplesmente olhar dentro das paredes para ver como os módulos foram montados," disse Stern.

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O processo não é muito bem aceito por algumas autoridades competentes, que podem pensar que estão demasiado distantes do projeto, disse Jon Laux, diretor de desenvolvimento da comunidade do departamento de planejamento e zoneamento do Condado de Twin Falls, no Idaho. Em 2017, uma casa de repouso que estava sendo construída usando a construção modular abriu em Twin Falls e o estado do Idaho era responsável por regular a sua construção. "Já que você não tem os olhos nisso, você deve confiar em outra jurisdição," disse Laux. Podem correr boatos de que "algumas coisas não são analisadas tão exaustivamente como deveriam," ele disse, porque o processo de construção modular é tão rápido comparado com a construção tradicional – muitas estimativas dizem que o tempo de construção é reduzido pela metade.

Mas uma vez que as autoridades competentes, possivelmente desconfiadas, aprendam mais sobre o processo, Laux acredita que elas se sentirão mais à vontade com isso. "Todas essas cápsulas são produzidas em série numa linha de montagem, então você pode ficar um pouco preocupado porque não faz parte do processo," ele disse. "Provavelmente isso vem de uma falta de compreensão plena do processo e do seu progresso, então infelizmente pode ser que haja alguns preconceitos."

Da mesma forma House, vice-diretor do Kentucky Department of Housing, Building and Construction, disse que o maior problema em relação à construção modular e a sua regulamentação é "a falta de conhecimento."

"Se os responsáveis da construção e os oficiais dos bombeiros pudessem visitar uma fábrica e ver o processo desde a primeira peça de madeira até o produto acabado, penso que grande parte do seu mal-estar poderia desaparecer," ele me disse. Porque se você pensa realmente nisso, numa planta modular os materiais de construção nunca veem uma gota de chuva ou um floco de neve. O clima está sempre controlado. Você não tem isso numa obra… Tem mais controle de qualidade numa fábrica modular do que tem cá fora na terra, por assim dizer."

050GRISS Na cidade de Nova York existem vários edifícios modulares, incluindo a estrutura desse tipo mais alta do mundo, uma propriedade residencial de 32 andares que foi inaugurada em Brooklin em 2016.

Nos 15 Estados que não têm agência estadual para regular a construção modular, a autoridade competente geralmente assume sozinha a responsabilidade, disse Hardiman. Embora isso possa aliviar as preocupações como as indicadas por Laux, pode também ser muito pesado para eles colocarem o pessoal numa área de fabricação, sobretudo se estiver localizada a centenas ou mesmo milhares de milhas de distância. "Você teria de colocar os seus próprios inspetores naqueles lugares e isso é uma carga muito grande para uma autoridade competente," disse Laux.

Mas pode ser que já exista a resposta a esse problema: inspeções remotas por vídeo. É assim que fazem no Kentucky, disse House. No passado, para qualquer construção modular no Kentucky era preciso enviar um inspetor até a fábrica na Florida, no Texas, em Indiana ou em Ohio," ele disse. "Mas ao longo dos anos fomos capazes de usar inspetores independentes e fomos capazes de usar inspeções por vídeo…" Usamos tudo, desde Skype até FaceTime."

Em agosto, a NFPA publicou um livro branco intitulado "Conducting Remote Video Inspections" que concluiu que a inspeção remota por vídeo "oferece tanto às jurisdições como aos detentores de licenças a oportunidade de usar a tecnologia para aumentar a eficiência do processo de inspeção, com o potencial de beneficiar ambas as partes." Mas isso acarreta também limitações e riscos potenciais, disse o documento..inco meses depois da publicação do documento, o Conselho de Normas da NFPA aprovou um projeto para desenvolver exigências sobre o desempenho e uso de meios digitais como vídeo, fotografias, áudio e outros para realizar inspeções remotas em edifícios ou sistemas construtivos. As candidaturas ao comitê técnico para esse projeto fecharam em fevereiro e uma lista preliminar de membros do comitê será apresentada ao conselho em abril.

OS BENEFÍCIOS E O FUTURO

Os defensores da construção modular mostram logo os seus benefícios. Tem a maior velocidade da construção e a promessa de uma redução dos custos. Tem a sensação de controle obtido através da construção dos módulos em espaços fechados onde a chuva ou a neve não podem perturbar o processo. Mas tem também os benefícios potenciais relacionados com a proteção contra incêndio e segurança humana. Estima-se que 80% do ambiente construído nos países em desenvolvimento carece de códigos e normas e, em consequência disso, não tem funcionários qualificados para trabalhar com os códigos, de acordo com especialistas do World Bank Group, entrevistados em outubro para um artigo do NFPA Journal sobre os incêndios nos bairros precários. Levar grande parte do processo de construção para projetos naqueles países num ambiente com melhor regulamentação, contando com a supervisão de profissionais qualificados, poderia significar edifícios mais seguros, de acordo com os peritos. Em 2016, por exemplo, o construtor de hotéis Hilton anunciou que tinha construído um hotel modular de 280 quartos no Ghana, na África. "A opção de passar à construção modular e aprimorar a qualidade dos quartos, a entrega do projeto e minimizar o risco da construção foram muito bem recebidas por nossas equipes de desenvolvimento, projeto e construção e sentimos que é o futuro da indústria." Disse um oficial do projeto numa declaração publicada depois de abertura do hotel.

Na China, a construção modular promete "um processo de inspeção em vários passos muito mais estrito que na construção tradicional," de acordo com o artigo publicado no prefabmarket.com, um site internacional da indústria dos pré-fabricados.

Pela sua natureza, a construção modular reduz também a quantidade de atividades no local da construção, como o trabalho a quente e a acumulação de resíduos combustíveis nas obras, ambos os fatores que podem levar a incêndios catastróficos. Desde 2010 até 2014 uma média de 3750 incêndios em edifícios em construção ocorreu nos Estados Unidos a cada ano, de acordo com dados da NFPA. Esses incêndios causaram uma média anual de 172 milhões de dólares em danos diretos à propriedade. É um problema enorme e muito caro - que a construção modular poderia ajudar a resolver. Um estudo publicado em 2012 no Journal of Architectural Engineering revelou que em três projetos de construção modular – edifícios com 12,17, e 25 andares - os resíduos no local da construção foram reduzidos em 70%.

Embora a maioria das pessoas que tem experiência com a indústria da construção modular, como Laux e House, pareçam sentir-se à vontade com a atual regulamentação, ainda tem lugar para o crescimento. "O maior desafio é encontrar a forma de informar os funcionários que trabalham com os códigos acerca daquilo que inclui a construção modular, disse House. Uma forma possível de conseguir isso é incorporar texto adicional sobre a construção modular em códigos amplamente usados.

Hardiman disse que o MBI está trabalhando atualmente com o International Code Council (ICC) para desenvolver uma série de "recursos, ferramentas e conteúdo para o código" pertencendo à regulamentação sobre a construção modular. "Em 2018 conseguimos incluir texto no International Building Code para o processo de aprovação dos ‘edifícios relocalizáveis’ modulares," disse ele. "Queremos ampliar esse esforço e criar um processo padrão para a aprovação de todos os edifícios modulares. É um projeto de mais longo prazo, mas pensamos trabalhar este ano com o ICC para lançar o projeto."

Além disso, House sugeriu a criação de outros materiais educativos, como vídeos de capacitação, que poderiam vir de uma organização como a NFPA. "Penso que a capacitação virtual pode resolver muitas das preocupações," ele disse.

"Independente de como a construção modular se compara com a construção tradicional na opinião do profissional da segurança pública, disse House, as autoridades competentes terão de aceitá-la" de uma ou outra forma porque a tendência não vai desaparecer. "Dissemos a todos os nossos inspetores, ‘vocês vão ver um aumento significativo da construção modular em 2019 e outro aumento significativo em 2020,’" ele disse. "Devido à falta de mão de obra na indústria da construção tradicional, a construção modular é uma das poucas formas de poder construir respeitando os prazos no futuro."

ANGELO VERZONI é editor del NFPA Journal.

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