O papel das normas da NFPA em idioma local

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NFPA, Desenvolvo & Adoção de Regulamento

O papel das normas da NFPA em idioma local

Por Olga Caledonia

Os membros da NFPA lideram a luta por mudanças mundiais

Hoje, mais que nunca, a comunidade internacional de proteção contra incêndios enfrenta questões complexas. A globalização mudou favoravelmente o panorama das maiores metrópoles mundiais, inclusive nos países do terceiro mundo. Não faz muito tempo, ouvi um colega referir-se a Cidade do Panamá como a “Hong Kong da América Latina”, devido à elevação da linha do horizonte. Contudo, o desenvolvimento da construção e as características modernas podem apresentar problemas novos e maiores.

Ao longo da minha carreira na NFPA, aprendi que o compartilhamento de conhecimentos com entidades nacionais, que elaboram as normas, e com as autoridades competentes não pode existir sem informação em língua local. As decisões diárias sobre proteção contra incêndios que enfrentam os bombeiros, as seguradoras, os profissionais de segurança contra incêndios, os engenheiros e arquitetos podem ter consequências duradouras. A tomada de decisão requer informação, mesmo que, às vezes, não estejam disponíveis novas informações.

Não há dúvidas que os códigos e normas da NFPA são considerados, no mundo inteiro, como a orientação mais confiável em relação à segurança contra incêndios e proteção da vida. Um número crescente de códigos NFPA foi traduzido para espanhol, francês, português, chinês, japonês, coreano, hebraico e árabe. Muitas dessas traduções resultam de um movimento crescente pela adoção ou referência aos códigos e normas da NFPA. A NFPA 13, Norma para Instalação de Sistemas de Sprinklers, é um dos documentos mais procurados e, mais significativamente, é constantemente objeto de pedidos de novas licenças a cada publicação de edições atualizadas.

As atuais traduções da NFPA 13 foram úteis para providenciar formação local não apenas às Autoridades Competentes, como também aos usuários que, por sua vez, sentem-se mais seguros ao aplicar a norma em seus países.

Sultan Javrei, diretor da NFPA para Europa, nos diz que “a vantagem [que ele notou] das traduções da NFPA 13 é que ajudam as autoridades locais a aceitarem a utilização da norma na medida em que dispõem dum texto legível ao qual recorrer.” Ele também nota que “o documento traduzido ajuda o proprietário do edifício a apreciar o quão pragmática é a norma.”.

A NFPA tem atualmente disponíveis em francês a NFPA 13 e a 25, Norma para Inspeção, Ensaios e manutenção dos Sistemas de Proteção contra Incêndio a Base de Água, depois dum acordo de licença e tradução com o Centre National de Protection et Prévention, mais conhecido como CNPP. Os grandes progressos na tecnologia de sprinklers emanada dos Estados Unidos tiveram também uma grande influência na utilização da NFPA 13 no mundo inteiro. Isso porque essas novas tecnologias são avaliadas por um comitê técnico e são rapidamente integradas na norma. No caso da Europa, essa é a razão pela qual a NFPA 13 tem vários anos de avanço em relação à maioria das normas europeias.

Na América Latina, onde se concentra o nosso maior esforço em prol do desenvolvimento profissional fora dos Estados Unidos, vimos que, a partir da compreensão dum determinado código ou norma por um utilizador, surge a necessidade dum conjunto mais amplo de seminários. De acordo com Jaime A. Moncada, que gere nossas iniciativas de desenvolvimento profissional na região, um “cliente típico do desenvolvimento profissional” é um engenheiro, curioso porque os documentos de licitações de um projeto em que trabalha fazem referências ao NFPA 101, Código de Proteção da Vida, mas após ter assistido ao seminário sobre o NFPA 101, ele ou ela descobre o NFPA 72, Código Nacional de Alarme de Incêndio e Sinalização, e a NFPA 13. Muitas pessoas que frequentaram o seminário da NFPA 13 pedem seminários mais aprofundados acerca das bombas anti-incêndio, da inspeção e manutenção, do fornecimento de água e dos circuitos de detecção.

Os mercados locais na América Latina nos mostram que a utilização mais ampla dos nossos documentos é seguida pela adoção direta dos nossos códigos. Na América Latina muitas jurisdições tendem a estudar a adoção não só do NFPA 101, mas também do NFPA 1, Código de Incêndio, proporcionando não só a segurança humana como também a proteção da propriedade.

“Ficarei surpreso caso um projeto importante na América Latina não fizer referencia aos códigos e normas da NFPA, e isso é mais que a metade da batalha,” diz Moncada.

A NFPA tem muita sorte que nossos membros sejam os que dirigem a luta no mundo inteiro. Quando uma jurisdição local está modernizando seus códigos locais e as normas da NFPA não são usadas como base do novo código, nossos membros se mobilizam. Vi esta dinâmica repetir-se nos últimos meses na Colômbia, Costa Rica, Chile, Equador, Peru, Porto Rico e Panamá.

Além da disponibilidade da última versão da NFPA 13 em Espanhol e da formação na língua local, este ano teremos um novo esforço regional de padronização pela Organização Panamericana de Normas Técnicas (COPANT), onde entidades que lidam com as normas na América Latina se reunirão em dois países para receber formação complementar sobre a NFPA 13.

Esperamos realizar uma atividade paralela no Brasil, enquanto trabalhamos com a entidade que elabora as normas, Associação Brasileira de Normas Técnicas, ou ABNT, na identificação de futuras áreas de cooperação.

O Médio Oriente é muito parecido com América Latina, onde todos os grandes projetos referem-se aos códigos NFPA, com uma variação interessante em relação às traduções. Nalguns países, como os Emirados Árabes Unidos, não há necessidade de traduzir nossos documentos, ao passo que a Arábia Saudita acolhe o inglês, mas para fins de adoção oficial ou referência, os documentos devem ser em árabe. Além disso, em relação ao desenvolvimento profissional, toda a formação é tratada diretamente pelo nosso departamento de formação nos Estados Unidos, que realiza tanto seminários contratados como seminários de inscrição livre, através da nossa infraestrutura atual.

No caso da Ásia, existe uma mistura de atividade. Com a exceção de Índia, a tradução é certamente crucial para todos nossos esforços nessa parte do mundo e temos muitos acordos de tradução e licenciamento, que incluem a NFPA 13. A China está seguramente muito avançada em relação a outros países asiáticos no que diz respeito às referências a NFPA 13 e ao uso de sprinklers.

A Índia também pareceria ser um bom candidato, já que está progredindo no uso da NFPA 13, embora não esteja tão avançada como a China. A última versão do Código Indiano de Construção requer que se instalem sprinklers em certos tipos de edifícios. Contudo, não existe de momento um código de instalação de sprinklers. As autoridades seguradoras utilizaram tradicionalmente a velha norma do FOC (Fire Officers Committee) do Reino Unido. Contudo, não é o código preferido pelas autoridades competentes. A NFPA 13 está sendo utilizada em muitos dos novos edifícios altos que foram construídos recentemente. O principal inconveniente para a utilização da NFPA 13 na Índia é o requisito para fornecer a formação sobre a norma localmente. A NFPA está atualmente trabalhando sobre o estabelecimento desta formação no futuro.

De modo geral, haverá sempre códigos locais em línguas locais, já que os requisitos nacionais, as condições geográficas, os métodos construtivos etc., não estão inteiramente sujeitos a aplicações internacionais. Contudo, a globalização, os desenvolvimentos técnicos constantes e complexos e o crescimento do comércio internacional estão tornando mais próxima a necessidade de padronização entre países em muitos aspectos da proteção contra incêndios.

A NFPA se encontra numa excelente posição par contribuir ao desenvolvimento de normas “no país” e atrair a cooperação das autoridades responsáveis pelo fornecimento de meios de proteção adequados a seus povos. Não existe uma solução rápida ou direta para as práticas de proteção contra incêndio e padronização. Cinco dos mais mortíferos incêndios internacionais em clubes noturnos desde 1970 ocorreram na última década: Disco Luoyang China, 12/2000 (309 mortos), Saigon Interna-tional Trade Center, Ho Chi Minh City, Vietnam 10/2002 (61 mortos), Republica Cromagnon, Buenos Aires, Argentina 12/2004 (194 mortos), Santika Pub, Bangkok, Tailândia 1/2009 (66 mortos) e Lame Horse Nightclub, Perm, Russia 12/2009 (154 mortos). Olhando esses incêndios internacionais fatais notamos muitos aspectos recorrentes nas tragédias: saídas inadequadas, acabamentos e conteúdos inflamáveis, fontes de ignição e ausência de sprinklers automáticos. Mas nem vocês nem eu precisamos ser lembrados do valor e do desempenho dos sprinklers na prevenção da perda de vidas nos incêndios.  Muitos clubes noturnos e locais de reunião de público no mundo inteiro não possuem sprinklers automáticos, a proteção básica contra os incêndios.

É nosso compromisso, como associação, levar nossa missão além das fronteiras dos Estados Unidos. Em países onde o inglês não é a língua local, a tradução de nossas normas e da informação relacionada sobre segurança contra incêndio é imperiosa para alcançar uma aceitação geral e aumentar o uso. As decisões das autoridades competentes requerem informação e é um dos nossos principais objetivos apoiar as necessidades da comunidade internacional e dar apoio ao desenvolvimento de normas locais para a segurança contra incêndio, elétrica e das edificações, e a proteção da vida.

Natural do Panamá, Olga Caledonia dá uma contribuição crucial as operações globais da NFPA desde 1995. Como diretora executiva dos programas internacionais, ela é responsável dos programas de segurança contra incêndio e proteção da vida que alcançam audiências no mundo inteiro. Ela é diretora editorial do NFPA Journal Latinoamericano e se desempenha como secretária executiva da Seção de Membros da America Latina. Caledônia tem um B.A. em Administração de Negócios do Baldwin Wallace College em Ohio e um MBA. da Nova Southeastern University em Florida.

Publicado com a autorização de Sprinkler Age, copyright© 2010, American Fire Sprinkler Association.

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A National Fire Protection Association (NFPA) é a fonte dos códigos e normas que regem a indústria de proteção contra incêndios e segurança da vida.

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