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Por Angelo Verzoni

Após os violentos protestos em todo o país, os chefes metropolitanos endossam procedimentos para ajudar os corpos de bombeiros a lidar com incidentes em distúrbios civis. você tem um plano?

 


Por Angelo Verzoni
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Em 20 de setembro, Jon Hannan, comandante de bombeiros em Charlotte, Carolina do Norte, recebeu um telefonema informando que notícias inquietantes chegavam da sua cidade: Keith Lamont Scott, um homem negro de 43 anos, tinha sido morto a tiros por um oficial de polícia de Charlotte.

A morte de Scott preocupou Hannan, que era comandante de bombeiros em Charlotte, a maior cidade do estado, há quase nove anos. Além do fato que tinham matado um cidadão, Hannan estava preocupado porque o tiroteio – mais um duma série de disparos mortais da polícia contra homens negros em todo o país – resultaria numa escalada de tensões entre a polícia e a comunidade afro- americana, possivelmente causando protestos violentos como tinha acontecido em outras cidades. Ele se manteve a par da situação o melhor que pôde.

Parte do desafio para Hannan era que estava longe de casa; de fato, ele estava visitando a sede da NFPA em Massachusetts para atender o Forum Urbano sobre Incêndio (UFF, da sigla em inglês). Por coincidência, um dos principais tópicos de discussão no UFF foi como o serviço de bombeiros poderia responder a incidentes em distúrbios civis.

Os socorristas em Charlotte não tiveram muito tempo para se preparar. Apenas horas depois do tiroteio, as manifestações começaram e rapidamente se tornaram violentas; 16 oficiais de polícia ficaram feridos em confrontos com os manifestantes naquela noite, de acordo com o Charlotte Observer. Havia relatos de manifestantes atirando pedras, garrafas e cones de sinalização, danificando veículos presos no transito na Interstate 85. Quando os protestos não mostraram sinais de abrandar na manhã seguinte, Hannan deixou Boston no primeiro voo para Charlotte. "Eu sentia que precisava estar no meu posto para algo tão sério", ele disse.

As noites de violência de Charlotte ilustraram a urgência com a qual os corpos de bombeiros e outras agências de resposta encaram as situações de distúrbios civis, que ocorrem quando os manifestantes ou outros grupos de pessoas se tornam violentos e destrutivos, apresentando um risco para eles mesmos e à comunidade. No passado, os corpos de bombeiros ou trabalhavam com base em suas próprias políticas quanto aos distúrbios ou se viravam sem procedimentos formais para responder a esse tipo de situação, de acordo com Russ Sanders, secretario executivo da IAFC/NFPA Metropolitan Fire Chiefs Association, o grupo dos bombeiros que coordena a UFF. Mas graças a novos documentos de posição endossados pelos lideres dos corpos de bombeiros urbanos que atenderam o UFF, os departamentos em todo o país têm agora recursos para apoiá-los quando precisam assistência para formular uma resposta em situações de distúrbios. "Agora podemos trabalhar todos na mesma partitura, por assim dizer," disse Sanders. "Penso que é um passo importante na direção correta."

Relações, capacitação e comunicação

O primeiro documento, um livro branco sobre a resposta dos bombeiros aos distúrbios civis, detalhes da história por detrás dos eventos de distúrbios civis envolvendo bombeiros; medidas que os departamentos podem tomar para estarem preparados para esses eventos, como manter uma relação positiva com os membros da comunidade e como os bombeiros deveriam trabalhar com a polícia tanto antes como durante os eventos que envolvem distúrbios civis. O segundo documento, um procedimento padronizado para distúrbios civis (SOP, da sigla em inglês) para corpos de bombeiros, detalha os assuntos específicos da resposta segura aos eventos que envolvem distúrbios civis, desde definir a composição e o objetivo dos grupos de resposta na linha de frente dum evento de distúrbios civis até esboçar o procedimento de abandono duma estação de bombeiros, se isso for necessário.

Os documentos são basicamente produtos preparados contando com a experiência dos bombeiros quanto ao que funciona melhor na resposta aos distúrbios civis e, com a mesma importância, aquilo que não funciona. Por exemplo, disse Sanders, alguns SOPs anteriores dos departamentos relativos aos distúrbios civis proibiam aos bombeiros o uso de escadas para subir até as janelas ou nos tetos dos edifícios nas zonas conhecidas como "quentes", ou áreas de distúrbios intensos. De acordo com os novos documentos, contudo, esse tipo de uso das escadas é permitido no caso de estar envolvido um resgate.

"Se estiver envolvido um resgate, você poderia ter de arriscar-se a colocar escadas no edifício e colocar linhas interiores," disse Sanders, acrescentando que isso é o que os bombeiros fazem naturalmente. "É apenas sentido comum. Nenhum corpo de bombeiros vai sair quando tem uma pessoa pendurada da janela no segundo andar. Eles vão resgatá-la."

O envolvimento dos bombeiros em situações de distúrbios civis não é novo. Em 2003 em Benton Harbor, Michigan, por exemplo, desordeiros incendiaram 21 edifícios, viraram carros e atiraram pedras e tijolos aos socorristas que tentavam reduzir o conflito, de acordo com o livro branco. Em São Bernardino, Califórnia, em 2006, foram incendiados contêineres de lixo, arrombadas lojas e vandalizados negócios e veículos quando uma multidão de 1000 participantes dum festival rock-punk foi às ruas, proclamando o poder branco. Sanders lembra quando respondeu a situações similares no início de sua carreira de bombeiro nos anos 1960, uma década que viu inúmeros protestos, alguns violentos, associados à guerra do Vietnam, ao movimento dos direitos civis e outras agitações sociais.

Mas com a frequência dos distúrbios civis aumentando nos últimos anos, desencadeados na maioria por disparos mortais por parte da polícia, Sanders disse que agora chegou o momento de padronizar a resposta dos serviços de bombeiros a essas situações. "Era natural que os distúrbios civis fossem discutidos no UFF, já que tínhamos passado recentemente pelos distúrbios de Ferguson e Baltimore," ele disse, referindo-se aos incidentes de protestos e violência generalizados desencadeados pela morte de homens negros nas mãos da polícia. Só em Baltimore, protestos em toda a cidade produziram 150 incêndios de veículos e 60 incêndios estruturais, de acordo com o livro branco.

A Dra. Moore-Merrell, adjunta do presidente geral da Associação Internacional de Bombeiros, escreveu o livro branco e o SOP junto com Sanders e repetiu sua observação sobre a oportunidade desses documentos. "Muitos desses corpos de bombeiros urbanos ou não tinham adotado um procedimento operacional padrão para responder a distúrbios civis ou tinham uma política muito antiga," ela disse em outubro numa entrevista ao NFPA Journal. "Então decidimos… que precisávamos ter essa discussão e identificar algo para o ambiente atual."

Quando lhe pediram de identificar algumas das contribuições mais importantes dos documentos, Moore-Merrel apontou para as seções do livro branco que sublinham a importância de os corpos de bombeiros construírem relações estreitas com a comunidade e treinarem para responder a eventos de distúrbios civis junto com a polícia e outras agências de resposta, entre outros tópicos. "Essa é uma parte importante disto," ela disse. "Você deve relacionar-se e comunicar com a polícia."

Para alguns corpos de bombeiros, o livro branco e o SOP serviram para confirmar os procedimentos que eles já estavam aplicando. No caso de Hannan, o Corpo de Bombeiros de Charlotte tem adotado políticas que se assemelham muito às políticas dos documentos da UFF. "Nosso Departamento luta para se manter atualizado quanto às políticas," disse Hannan. "Eu sinto que as políticas que adotamos já estão bastante bem alinhadas com tudo o que foi produzido pelo UFF."

Quando a poeira assentou, depois de dois dias de protestos em Charlotte, uma quantidade de edifícios e veículos tinham sido danificados e dezenas de oficiais de polícia da Guarda Nacional tinham sido feridos. Um manifestante morreu depois de ter recebido um tiro numa altercação que não envolvia a polícia. O envolvimento dos bombeiros no evento foi mínimo; de acordo com Hannan, o papel do CFD se limitou a apagar um incêndio num contêiner de lixo e atender ferimentos, na sua maioria leves, que sofreram oficiais de polícia e civis. De forma geral, Hannan disse que "estava muito satisfeito" da forma como os socorristas de Charlotte lidaram com a situação. Ele pensa estudar o livro branco e o SOP dos chefes metropolitanos para ver como as políticas de seu departamento poderiam ser atualizadas ou aprimoradas.

Moore-Merrel tinha o mesmo conselho para todos os corpos de bombeiros, mesmo se o distúrbio civil não pareça provável em suas comunidades. "Se você lê [os documentos UFF] quando já está acontecendo algo, já é tarde," ela disse. "Encorajamos todos a ler os documentos de antemão, pensar neles e aplicá-los localmente."

Protesto, distúrbio, tumulto

Alguns dos tópicos cobertos no livro branco sobre distúrbios civis e o procedimento operacional padrão endossados pelo Urban Fire Forum incluem:

 

Relações com a comunidade

 

Resposta conjunta com a polícia

 

Comunicação e coordenação com a polícia

 

Estrutura de comando

 

Treinamento Proteção da força

 

Prestação de contas individual (responsabilidade)

 

Instalações Veículos

 

Coordenação interagências

 

Finanças e logística Inteligência e mídia social

 

Mobilização

 

Operações de resposta

 

Ajuda mútua

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