A Prevenção Começa em Casa
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Ocupações de Cuidado da Saúde

A Prevenção Começa em Casa

Por Julian Arcila

No México, o Hospital Shriners para Crianças conta com modernas instalações construídas cumprindo com a normativa da NFPA

Shriners498x280 No México, o Hospital Shriners para Crianças atende, entre outras coisas, a menores afetados por queimaduras e conta com instalações que cumprem a norma da NFPA para a proteção contra incêndios.

Os Hospitais Shriners para Crianças são uma organização reconhecida, sem fins lucrativos, onde os tratamentos oferecidos são centrados na família e está dedicada à pediatria especializada, inovação e educação de profissionais de medicina. Com sedes em varias cidades dos Estados Unidos, em Montreal, no Canadá e na Cidade do México, a rede de unidades médicas oferece tratamento gratuito de primeira qualidade para crianças de até dezoito anos que tem problemas ortopédicos, queimaduras, lesões na medula e fissuras labiais e palatinas.

O único hospital da rede localizado na América Latina está na Cidade do México, uma das maiores cidades do mundo (mais de 8 milhões de moradores na cidade e ao redor de 21 milhões nas cidades vizinhas). A construção do prédio começou em 2003 e terminou em 2006. Um dos objetivos do projeto foi cuidar sempre da segurança dos pacientes e empregados, e que as instalações atendessem a normas internacionais, principalmente quanto ao quesito de proteção contra incêndios, para o que se trabalhou duramente para seguir a NFPA 99, Código para Instalações de Cuidados de Saúde.

Assim sendo, o esforço dos Hospitais Shriners para Crianças, e o do México não é exceção, se estende além da medicina, para incluir a prevenção e a educação da comunidade. De acordo com a administradora Araceli Nagore, gerente da entidade, cada ano a rede dedica uma semana para realizar um programa de prevenção contra queimaduras, onde se fala com os pacientes sobre as práticas de prevenção de acidentes e incêndios.

Um projeto de categoria mundial
O projeto do prédio, de 28,900 m², que hoje abriga o hospital, foi feito nos Estados Unidos e esteve a cargo do escritório de arquitetura SLAM Collaborative. A edificação inclui 80 camas para pacientes internados, quatro salas de cirurgia e vários equipamentos de imagens, salas para reabilitação física e atendimento de pacientes externos. O projeto combina a estética que segue o estilo modernista mexicano e encaixa o contextual das comunidades em volta. A isto se soma que cumpre todas as regulamentações, códigos e norma deste tipo de edificação nos EUA.

Quando foi feito, o projeto foi enviado a várias firmas de arquitetura e engenharia locais para que analisassem e verificassem se atendiam também às normas nacionais, que, em alguns aspectos, é diferente da americana. De acordo com o engenheiro Hugo Garcia, Diretor de Engenharia e Manutenção, quando se fez a comparação, houve somente uma pequena diferença relacionada com o cabeamento utilizado. Como o prédio era público, a norma exigia que os cabos fossem de baixa fumaça e assim se fez. Um elemento muito importante era que o construtor estivesse consciente de que o prédio fosse construído de acordo com as normas locais, além das internacionais.

Sprinklers, a ponta de lança do sistema de proteção contra incêndios
O Eng. García nos conta que todo o hospital está protegido com sprinklers e o tipo de sprinkler usado depende da área onde está instalado, ou seja, os escritórios e salas (sprinklers pendentes) estão cobertas por um equipamento diferente daqueles que estão instalados num porão (sprinklers para embutir, instalados em áreas com carga calórica mais alta).

Na etapa inicial de desenvolvimento do projeto não se tinha pensado em instalar sprinklers nas salas de computadores, pois se pensava em proteger o prédio e não os dados. Com o correr do tempo se determinou a instalação de sprinklers nesta área também, mas sem sistemas especiais de proteção, pois os dados são salvos semanalmente em Tampa, FL.

Além dos sprinklers, o hospital também está protegido contra incêndios com sistemas secos. Não há muitos instalados, mas os que estão foram instalados em áreas externas, expostas a intempérie, onde os canos podem congelar (embora os casos de congelamento na Cidade do México sejam raros). Exemplos de áreas com sistemas secos são as docas de carga e os sótãos, que, em geral, estão quase sempre na temperatura ambiente.

Agora, o Eng. García explicou que também há áreas externas, como as subestações, que estão protegidas por sprinklers, da mesma forma que as salas elétricas. As salas de operações também estão cobertas por sistemas de sprinklers.

Mangueiras, importante complemento do sistema de sprinklers
Os sprinklers e os sistemas secos são apoiados por mangueiras internas. Em cada piso existem entre 6 e 9 mangueiras que são testadas anualmente, ativando-as para verificar que estão em bom estado e que não estejam rompidas ou furadas e que o bocal funcione corretamente. Além das mangueiras, o Eng. García explicou que o hospital conta com hidrantes externos de 2.5 polegadas (64 mm) que também entram no programa anual de testes.

O dito procedimento se realiza durante um feriadão, num fim de semana, para que, na medida do possível, não se perturbe os pacientes. Estes testes ativam todos os sistemas de alarme e se fazem medições, como, por exemplo, os tempos em que se ativam os alarmes numa situação determinada, os tempos em que sai água das mangueiras e hidrantes e o tempo em que se ativam os alarmes nos sistemas de controle. A ideia é que os ditos alarmes se ativem em um tempo razoável, como dita a NFPA 25, Norma para a Inspeção, Teste e Manutenção de Sistemas de Proteção Contra Fogo com Base em Água.

Um dos elementos particulares dos testes que se fazem com os hidrantes de 2.5 polegadas (64 mm) é o seu manejo, pois não é nada simples opera-los e são necessárias até três pessoas, previamente treinadas, para manejar as mangueiras e os bocais.

Estes bocais estão em processo de substituição por unidades com empunhaduras e que são operados por fechamento de comporta, para fazer a operação mais simples.

Coordenação, o fator de êxito dos procedimentos de proteção

No México, o Hospital Shrines para Crianças tem um eficiente e cuidadoso programa de resposta aos alarmes, em que se coordenam elementos humanos (brigadas de incêndio) com procedimentos e elementos tecnológicos (alarmes contra incêndio e equipamentos de proteção física ou segurança eletrônica).

As brigadas contra incêndio estão ativas 24 horas, como a operação do hospital. Estas brigadas são integradas principalmente por pessoal de manutenção e segurança e sua direção esta a cargo do Coordenador de Riscos e Inventários. “É ele que nos apoia, que coordena esta brigada além dos outros membros da manutenção, especialmente da área de segurança. A brigada funciona através de um núcleo básico de pessoal que está disponível para atender a qualquer incidente, mas também se acerta com o pessoal do escritório”, explicou o Eng. García.

Existe também no hospital uma sala de segurança, onde há gente 24 horas e é quem se encarrega de coordenar a operação de resposta aos alarmes. Nesta sala também trabalha uma pessoa durante o dia que está encarregada de realizar os monitoramentos de rotina – como checagem do equipamento, relatórios de incidentes e, além disso, está em contato direto com a Adm. Araceli Nagore.

Quando um alarme dispara e ativa o sistema em geral, o operador do painel (localizado na sala de segurança) verifica se há algum sensor que esteja apresentando algum tipo de alarme, com fumaça. Logo se desloca vigilância até o local de onde veio o alarme para constatar que se trata de uma situação real. Segundo o Eng. García, até o momento não se apresentou nenhum alarme real e as que se apresentaram foram produzidas por pó suspenso no ar ou porque alguma pessoa estava trabalhando no local e não cobriu o detector.

Os alarmes são diferentes e se diferenciam segundo a área do hospital onde estão instalados. Há alarmes de fumaça, mas por razões óbvias há áreas, de grande geração de pó, em que não puderam ser instalados. Em tais casos se instalou alarmes de calor ou combinações de fumaça/calor. O mais importante, para o hospital, no caso dos alarmes, foi observar o tempo de resposta e verificação, que não passou de 2 minutos.

Todo o sistema de alarmes está, por sua vez, apoiado por estações manuais, que estão distribuídas por todo o edifício. Tais dispositivos estão protegidos por caixas acrílicas para evitar que as crianças que visitam o hospital os ativem, de propósito ou não.

Os alarmes estão, por sua vez, interconectados com o sistema de saídas de emergência, estando o hospital equipado com sensores locais de abertura das portas de saída de emergência. Explicou o Eng. García: “Quando se abre a porta de emergência, toca um alarme. Estes alarmes foram instalados pensando principalmente nas crianças que, em algum momento, se perdem. Então, se algum deles abre uma porta de emergência, soa o alarme. Assim como se entrar alguém sem autorização”.

As escadas de emergência somente são utilizadas em caso de emergência e não estão habilitadas para o trânsito diário. Estas estão monitoradas por câmeras que permitem aos operadores verificarem as causas quando acontece alguma ativação de alarme. Estas câmeras cobrem praticamente todo o hospital e, de acordo com García, não há ponto de entrada ou saída que não esteja monitorado.

O sistema de proteção também é apoiado por um programa de controle de acesso que, embora não seja de proteção de incêndio, também ajuda no manejo das pessoas dentro do prédio.

O sistema de proteção de incêndio e o de segurança, por sua vez, estão vinculados ao de climatização e eficiência energética. Tudo começa com o sistema de ar condicionado (13 máquinas de diferentes tamanhos), que trabalha com água gelada (o hospital conta com quatro resfriadores de 400 toneladas) cujo controle está centralizado em um Sistema de Automatização de Edifícios (Building Automation System, ou BAS). Se se chegar a detectar fumaça dentro dos dutos, se tomam medidas para removê-la e, ao contrario do que se poderia pensar, quando se detecta fumaça dentro do duto a resposta não é, necessariamente, desligar o equipamento: em geral se suspende a injeção de ar e se ativa unicamente o retorno, para que a fumaça vá para fora do prédio.

Uma das poucas operações que escapa do controle centralizado é o sistema de notificação, que é operado de modo pessoal (com a finalidade de evitar falsos alarmes). Quando acontece um alarme, a pessoa encarregada do hall de entrada (que tem comunicação direta com a sala de segurança) não dá o sinal de evacuação até que a emergência esteja confirmada. Esta pessoa no hall de entrada é o primeiro ponto de contato com o pessoal externo ao hospital e seu trabalho se foca em comunicar o alarme, pedir calma aos presentes e informar que o pessoal de segurança fará a verificação.

Os elevadores também estão interconectados e, se algum dos sensores da entrada detecta fumaça, se executa uma sequência em que o elevador se desativa automaticamente, vai para o térreo e abre uma comporta na parte de cima do tubo do elevador com a finalidade de evacuar a fumaça que tenha se acumulado. Logo se ativa também um extrator (também integrado com o painel de alarme na sala de segurança) para tira-lo do fundo do poço.

Mas há um elemento que não se deve deixar de lado e são as luzes estroboscópicas que, em alguns casos, estão vinculadas com os alarmes, se ativando quando se produz um alerta.

Em caso de emergência, mantenha a calma...
Outra das áreas onde o hospital tem foco são os procedimentos de evacuação, para o qual executam quatro simulações por ano, uma com aviso e os outras três que pegam o pessoal de surpresa. Uma ideia chave do programa de evacuação é transmitir ao pessoal o conceito da importância de manter a calma em caso de emergência, para evitar que as pessoas comecem uma correria, com todos os riscos que isto implica.

Isto é importante devido ao fato que o hospital tem baixa rotação de pessoal e vários empregados já estão na instituição há muito tempo. Alguns, inclusive, presenciaram o terremoto de 1985 (o mais importante na história mexicana, com aproximadamente 6 mil mortos*), sentindo, ainda, os temores de dita catástrofe.

Quando se fazem as simulações, se mede o tempo que levam as pessoas para saírem. “O Coordenador de Riscos e Inventários, Héctor Gutiérres, faz um relatório do tempo de saída da última pessoa, relaciona aqueles que não saíram e em seguida falamos com estas pessoas para pedir seu apoio nestes eventos”, explica García que, além disso, informou que as simulações têm sido muito valiosas, pois mostram o que pode ser melhorado, que, embora sejam detalhes mínimos, são importantes, como, por exemplo, o procedimento para evacuar pacientes em cadeiras de roda, o que levou a definir que, em caso de uma emergência, seriam necessárias rampas para esta evacuação. Outro detalhe que se identificou com as simulações é o caso de várias portas que se abrem para os dois lados, o que se corrigiu de acordo com a NFPA 80, Norma para Portas Corta Fogo e Outras Proteções para Aberturas. Para tornar mais claro e facilitar o processo de evacuação, o hospital sinalizou todas as rotas que levam até as saídas de emergência. Os sinais dizem “saída” e são bastante visíveis. A isto se agrega uma permanente e cotidiana verificação das saídas, para garantir que em nenhum momento estejam com obstáculos. Verifica-se se os tubos verticais estão abertos e isto, por sua vez, leva a revisar as escadas de emergência, pois as válvulas dos tubos estão nessas saídas. “Verificamos que não haja, por exemplo, caixas de papelão e mantemos as áreas limpas, pois, como filosofia do hospital, pensamos que a ordem e a limpeza são os primeiros passos para a segurança. Quando se perdem a ordem e a limpeza isto acaba virando costume e é ai que se geram situações perigosas”, assegurou o Eng. García.

Atendendo a norma internacional também com os materiais
Tal como se mencionou no começo deste artigo, desde o inicio o projeto do hospital se pensou em cumprir tanto com a norma local como com a internacional, mas não somente com o que se referia à estrutura, mas também com os materiais a serem utilizados. Entre as normas e certificações, além da NFPA, está a certificação da UL (Underwriters Laboratories, que se ocupa da analise dos parâmetros de segurança das diferentes tecnologias que se apresentam ao mercado) e a certificação da Factory Mutual Research Corp. (organização baseada em Illinois que avalia se os materiais são aptos a trabalharem em ambientes perigosos ou em condições extremas).

Começando com as paredes, portas e janelas, que são certificadas pela UL. Já que o prédio se protegeu com paredes contra incêndio, a certificação cobre também algumas divisórias de chapa de pedra que foram certificadas como resistentes a fogo. As portas do prédio, por sua vez, atendem as normas da UL e da NFPA.

Tudo relacionado à proteção contra incêndios está avalizado pela Factory Mutual, entidade que desde o começo do projeto esteve a par dos planos de extintores, mangueiras, sprinklers e salas de bombas. Depois de receber os planos, os delegados da entidade visitaram as instalações para verificar que tudo estava de acordo com seus padrões.

O fato de as paredes serem classificadas contra fogo levou a que as perfurações tivessem que receber um recobrimento especial aprovado pela UL e, neste caso, se utilizou produtos especiais. Isto incluiu uma proteção integral, inclusive para os dutos: se um duto passa através de uma parede, ele tem uma comporta no seu interior que opera em certas condições de temperatura, para garantir também o controle da fumaça.

A Factory Mutual visitou o hospital antes de sua inauguração e segue visitando a cada ano. Um aspecto positivo é que não foram recebidas recomendações nas inspeções dos últimos três anos, o que não é pouco, já que as análises feitas pela organização são muito rígidas.

Ao longo do processo a Factory Mutual fez várias recomendações que, inicialmente, não tinham sido consideradas no projeto como, por exemplo, a criação de um dique completo para um tanque exterior de diesel e a instalação de uma válvula de fechamento automático para a linha de gás natural, que trabalha mecanicamente e cujo objetivo é fechar a linha no caso de um terremoto, quando ela fecha automaticamente. Tais melhorias nem sempre foram simples, mas o hospital investiu nelas para oferecer um ambiente seguro para seus trabalhadores e pacientes.

Assim está organizado o sistema de proteção contra incêndios no Hospital Shriners para Crianças e os bons resultados na segurança e no funcionamento correto começaram junto com o começo da obra, com o compromisso assumido pela administradora, Araceli Nagore Robles.

A determinação da direção do hospital em atender as normas internacionais contra incêndios realmente possibilitou contar com uma instalação que, além de oferecer um valioso serviço para a comunidade, oferece parâmetros de primeira qualidade na resposta a emergências.

Julian Arcila é redator do NFPA Journal Latinoamericano

** A quantidade de vítimas do terremoto do México ainda está em discussão e não há um consenso nacional a respeito.


Abordagem completa
Além da aplicação da NFPA 99, Código para Instalações de Cuidados de Saúde, o hospital inclui uma variedade de medidas de segurança humana e proteção contra incêndios que atendem os Códigos e normas da NFPA.

Sistemas de alarmes de incêndio instalados em todos os edifícios, incluindo luzes estroboscópicas e atendendo à NFPA 72®, Código Nacional de Alarme e Sinalização de Incêndio.

Sistemas de sprinklers instalados em todo o prédio, atendendo à NFPA 13, Norma para a Instalação de Sistemas de Sprinklers.

Os sprinklers e sistemas secos são apoiados por mangueiras, hidrantes de incêndio nas instalações e sistemas de hidrantes verticais instalados no prédio atendendo à NFPA 14, Norma para a Instalação de Sistemas de Hidrantes Verticais e Mangueiras; NFPA 24, Norma para a Instalação de Rede Privada para os Bombeiros e seus Apetrechos e à NFPA 25, Norma para a Inspeção, Teste e Manutenção de Sistemas de Proteção Contra Fogo com Base em Água.

A segurança humana, com ênfase em procedimentos de evacuação, incluindo quatro simulações por ano, esta de acordo com a NFPA 101®, Código de Segurança Humana e com a NFPA 80, Norma para Portas Corta Fogo e Outras Proteções para Aberturas.

Extintores de incêndio instalados por todas as instalações de acordo com a NFPA 10, Norma para Extintores de Incêndio Portáteis.

As casas de bombas contra incêndios nas instalações estão de acordo com a NFPA 20, Norma para a Instalação de Bombas Estacionárias para Proteção Contra Fogo.

A NFPA 90A, Norma para a Instalação de Sistemas de Ventilação e Ar Condicionado foi utilizada para o sistema de ar condicionado, que inclui 13 aparelhos de ar e quatro resfriadores de 400 toneladas.

O sistema elétrico instalado atende à NFPA 70 ®, Código Elétrico Nacional, que é adotado no México como NOM 001 SEDE.

O hospital não cumpre somente com as normas relativas à estrutura, mas também os materiais utilizados, que atendem à NFPA, UL e FM

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A National Fire Protection Association (NFPA) é a fonte dos códigos e normas que regem a indústria de proteção contra incêndios e segurança da vida.