Trágico incêndio numa jazida carbonífera da Argentina
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Materiais Inflamáveis & Combustíveis

Trágico incêndio numa jazida carbonífera da Argentina

Por Eduardo D. Álvarez, P.E., SFPE

No último dia 15 de junho, a Argentina assistiu comovida à maior tragédia ocorrida nas últimas décadas no seu setor de mineração, quando quatorze mineiros perderam a vida na Mina 5 da jazida carbonífera de Rio Turbio, na Província de Santa Cruz, no sul da Patagônia.

Os informes indicam que o acidente teria sido iniciado por um incêndio originado na esteira transportadora que fazia a retirada de carvão da mina. O fogo gerou uma espessa fumaça que dificultou a evacuação dos trabalhadores, devido à redução da visibilidade e presença de perigosas concentrações de gases tóxicos.

Uma vez ativado o alarme de evacuação, alguns mineiros tentaram escapar em um dos caminhões que habitualmente circulam no túnel, mas a pouca visibilidade fez com que este se chocasse contra os pilares laterais, causando um desmoronamento.

Ainda assim, quarenta e três mineiros conseguiram sair, de mãos dadas e ajudando uns aos outros, mas quatorze de seus companheiros não puderam superar os obstáculos e morreram, na maioria dos casos, por inalação de gases tóxicos de combustão.

A NFPA 123, Norma para a Prevenção e Controle de Incêndios em Minas Subterrâneas de Carvão Betuminoso estabelece uma série de exigências mínimas com o objetivo de reduzir as possibilidades de perdas humanas e materiais em caso de incêndio nesse tipo de instalação. Apesar da norma não ser obrigatória para instalações existentes, recomenda que seus requisitos sejam aplicados nos casos em que seja razoavelmente possível.

A NFPA 123 presta especial atenção às várias operações e equipamentos típicos da atividade mineradora, entre eles as correias transportadoras , para as quais especifica uma série de características de projeto, instalação e operação. Entre elas:

  • Devem ser aprovadas para uso em minas de carvão.
  • As galerias por onde passam devem ser razoavelmente livres de acúmulos de carvão e pó de carvão.
  • Devem possuir um sistema de desligamento da correia caso seja detectado o deslizamento entre a correia e os roletes.
  • Deve haver um sistema de bloqueio capaz de interromper a energia para a correia e para os equipamentos de carregamento quando for detectado o travamento da correia ou a redução de sua velocidade normal de funcionamento.
  • No caso em que as colunas, pilares ou estrutura do teto da galeria forem de material combustível, devem ser protegidas do contacto com a correia, utilizando-se um material incombustível ou mantendo-as afastadas dos roletes a uma distância equivalente à, no mínimo, metade da largura da correia transportadora.
  • Deve haver detectores de incêndios sobre a correia e nas extremidades de carregamento automático de vagões.
  • Devem ser instalados sprinklers automáticos nas áreas dos motores de acionamento das correias, assim como gabinetes com mangueiras de incêndio e bolsas com pó de rocha seco, dentro dos gabinetes ou próximos a eles.
  • Devem ser instalados extintores de incêndio de acordo a NFPA 10, Standard for Portable Fire Extinguishers.

Além das exigências referentes às correias transportadoras, exige-se a realização de uma análise do risco de incêndio em cada equipamento elétrico ou com motor de combustão interna, sejam eles fixos ou móveis. Deve ser indicado o procedimento a ser seguido em caso de incêndio e, além disso, ampliar o alcance para evitar riscos desnecessários.

Esses estudos devem ser realizados em quatro etapas: Identificação do potencial de risco de incêndio; Avaliação das conseqüências desse incêndio; Determinação das necessidades de proteção e Seleção da opção apropriada de proteção.

Para se ter melhor quadro de situação deve-se levar em conta também os seguintes aspectos:

  • Métodos de redução ou eliminação de condições perigosas.
  • Existência de meios de detecção e aviso rápido de incêndios.
  • Compartimentação de equipamentos ou isolamento de áreas para evitar ou deter a propagação do fogo.
  • Disponibilidade de pessoal treinado para o combate ao fogo e existência de meios de extinção.
  • Possibilidade de ignição de materiais combustíveis com equipamentos próximos.
  • Sistemas de ventilação que permitam a exaustão dos produtos de combustão.
  • Outros sistemas ou procedimentos necessários para proteger a vida e o patrimônio.

Tudo isso sem se esquecer que uma mina, como poucas atividades, é uma local em permanente modificação, exigindo que as avaliações de segurança e a capacitação de pessoal sejam contínuas, fazendo parte de um sistema integral de gestão de riscos.

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A National Fire Protection Association (NFPA) é a fonte dos códigos e normas que regem a indústria de proteção contra incêndios e segurança da vida.