Na Seqüência de West
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Manejo de Emergências & Materiais Perigosos

Na Seqüência de West

Por Fred Durso, Jr.

Depois da explosão mortífera numa empresa de fertilizantes que assolou uma pequena cidade do Texas no ano passado, a NFPA representou um recurso vital para as entidades normativas e para o Inspetor de Incêndios do estado, que se encontra numa missão para difundir informação sobre a segurança nos armazéns de produtos químicos.

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Depois da explosão mortífera numa empresa de fertilizantes que assolou uma pequena cidade do Texas no ano passado, a NFPA representou um recurso vital para as entidades normativas e para o Inspetor de Incêndios do estado, que se encontra numa missão para difundir informação sobre a segurança nos armazéns de produtos químicos.

Às 7h30 aproximadamente, em 17 de abril de 2013, os despachantes de emergência foram informados da presença de fumaça e chamas no armazém e centro de distribuição da West Fertilizer Company, no centro da cidade de West, Texas (2,800 habitantes), localizada na Interstate 35, imediatamente depois da estrada de Waco. Os bombeiros do corpo de bombeiros voluntários da cidade dirigiram-se rapidamente ao local, onde o incêndio se intensificava a olhos vistos. As pessoas que viviam na proximidade, incluindo muitos residentes da casa de Repouso West Rest Haven, localizada a 180 m das instalações da West Fertilizer, observavam o espetáculo abrasador. A casa de repouso ficava tão perto da nuvem de fumaça que o pessoal da casa de repouso começou a transferir os residentes para áreas mais protegidas no interior do edifício para afastá-los do perigo.

Uma equipe de emergência de 22 pessoas chegou ao local e, apoiada por dois residentes de West, tentou extinguir as chamas. O incêndio era grande e crescia devorando um armazém de madeira. O edifício tinha estrutura e paredes de madeira e abrigava contêineres de madeira com aproximadamente 60 toneladas de fertilizante de nitrato de amônio, um sólido granulado que pode detonar em certas condições em presença do fogo. Construído em 1961, o edifício não tinha sprinklers automáticos ou elementos de supressão e não era obrigado a instalá-los, já que o estado de Texas não tem um código de incêndio estadual. Não havia normas do estado para regular as quantidades apropriadas de fertilizantes armazenados. As instalações não eram vigiadas no momento do incêndio.

Aproximadamente 20 minutos depois da notificação do incêndio, o nitrato de amônio detonou, produzindo uma enorme explosão que pulverizou grande parte do local da West Fertilizer e projetou pedaços de concreto, madeira e aço nos bairros vizinhos. A onda de choque da explosão abalou toda a cidade. A explosão ouviu-se a 80 milhas de distância e produziu um tremor de magnitude de 2.1 registrado pelo U.S. Geological Survey. Na Casa de repouso West Rest Haven, as janelas quebraram e o teto ruiu, prendendo muitos idosos debaixo dos escombros. Do outro lado da rua, o complexo residencial West Terrace foi destruído pela explosão. A meia milha do local da explosão, a West Middle School sofreu danos importantes, assim como a West Intermediate School. Quase 200 casas foram danificadas ou destruídas.

A explosão matou 15 pessoas: 10 bombeiros, de idades compreendidas entre 26 e 52 anos; seus dois ajudantes civis; dois residentes do complexo residencial West Terrace e um residente da casa de repouso. Aproximadamente 200 pessoas ficaram feridas. Muitas das estruturas afetadas—incluindo as duas escolas, a casa de repouso e o complexo residencial—foram demolidas posteriormente. O U.S. Chemical Safety Board (CSB), que publicou as primeiras conclusões sobre o incidente e está trabalhando num relatório final, estima que os danos totais poderiam superar os 230 milhões de dólares. A causa do incêndio ainda não foi determinada: em seu relatório preliminar, o CSB disse que “a explosão resultou dum incêndio intenso...que levou à detonação do nitrato de amônio armazenado”.

Em junho passado, Rafael Moure-Eraso, presidente do CSB, compareceu numa audiência do Comitê de Ambiente e Obras Públicas do Senado dos Estados Unidos. “Visitei West... umas duas semanas depois da explosão,” ele disse ao comitê. “Os danos às casas, escolas e negócios eram quase inimagináveis, ultrapassando o cenário dos maiores desastres químicos. Estou convencido de que passarão anos antes que até as cicatrizes físicas dessa terrível explosão comecem a desaparecer. Em seu site, csb.gov, o CSB documenta o desastre de West e inclui um video onde Daniel Horowitz, diretor executivo do CSB, chama o incidente de West “o pior de todos os incidentes químicos na história do CSB.”

Agências dos Estados Unidos envolvidas na segurança da armazenagem de produtos químicos estão utilizando a NFPA como um recurso para aprender dos acontecimentos de West.

O CSB e outras organizações estão trabalhando com o Comitê Técnico sobre Químicos Perigosos (responsável do NFPA 400, Código de Materiais Perigosos), para tentar integrar as lições aprendidas na edição 2016 do código. Os requisitos do NFPA 400 concentram-se principalmente nas novas instalações, significando que mesmo se o código tivesse sido adotado, muitas de suas provisões não se teriam aplicado ao armazém da West. Um novo grupo de trabalho do NFPA 400 está definindo requisitos para as instalações existentes, entre outros assuntos. (Ver “Lista de Segurança”.)

O incidente de West induziu uma ordem executiva do Presidente Barack Obama que ordenou ao governo federal que aprimorasse a proteção e a segurança em instalações químicas e o Departamento de Segurança Interior buscou a assistência da NFPA como parte de seus esforços para cumprir essa ordem. A Agência de Proteção Ambiental (EPA, da sigla em inglês), respondeu também à chamada do presidente e do CSB participando num grupo de trabalho que incluía a Administração de Saúde e Segurança Ocupacional (OSHA, da sigla em inglês), que está lidando com a segurança em instalações químicas.

Essa atividade é oportuna e necessária, já que o potencial para novos desastres vai muito além de West, Texas. A EPA estima que 13,000 instalações similares à West Fertilizer apresentem ameaças às comunidades em todos os Estados Unidos.

westexplosionsp 498x342 MAGNITUDE: No meio (centro), observadores com coletes cor de laranja em frente do epicentro da explosão, que torceu os trilhos da via férrea, cobriu de escombros os campos de jogo vizinhos e deixou uma cratera de quase 100 pés de diâmetro por 10 pés de profundidade. Inserido, um mapa do impacto da explosão baseado na avaliação do U.S. Chemical Safety Board. Quase todas as casas ou estruturas num raio de 1500 pés foram danificadas ou destruídas.


Conhecer os riscos
O desastre de West foi uma chamada de atenção para Chris Connealy, o inspetor de incêndio do estado do Texas. A explosão “teve um profundo impacto na comunidade de West,” diz Connealy, de 55 anos, membro de serviço de combate a incêndio do Texas faz 36 anos, que foi nomeado inspetor de incêndio em junho 2012. “Os custos financeiros e psicológicos foram consideráveis. Junto com a NFPA, estamos tentando fazer os possíveis para fortalecer e criar novas boas práticas para evitar outra situação como a que aconteceu em West. Temos alguns desafios que enfrentar, mas como sociedade precisamos ter alguns requisitos regulatórios para garantir que as pessoas sigam pelo menos algum tipo de boas práticas para minimizar o risco.”

Menos de duas semanas depois da explosão, o gabinete de Connealy contatou a NFPA para pedir informação sobre a segurança das instalações químicas, em particular as provisões que se encontram na edição 2013 do NFPA 400. O código se aplica à armazenagem, manuseio e utilização de muitos químicos perigosos, incluindo o nitrato de amônio. A NFPA 490, Armazenagem de Nitrato de Amônio, lidava com esses tópicos, mas o código foi retirado em 2009 e suas provisões integradas na edição 2010 do NFPA 400—sua primeira edição—que lida com um conjunto de químicos.

Já que o nitrato de amônio, um composto químico utilizado frequentemente como fertilizante, vem em diferentes formas, os requisitos do código variam com base em sua composição. Uma forma mais pura do composto, por exemplo, requereria muito mais controles que uma versão diluída, já que o composto apresenta um grau de risco maior quando não estiver diluído. (As instalações de West misturavam os fertilizantes para os clientes varejistas e não fabricavam o produto no local.) A EPA, junto com a OSHA e o Bureau of Alcohol, Tobacco, Firearms and Explosives, publicaram um informe em agosto passado sobre a armazenagem, o manuseio e a gestão do nitrato de amônio. O informe nota que a substância pode alimentar uma explosão já que é um oxidante poderoso e rico em nitrato e sua presença perto de combustíveis ou duma fonte de calor é “uma situação muito perigosa”. De acordo com o CSB, o nitrato de amônio representa aproximadamente dois por cento do total de fertilizantes nitrogenados aplicados nos Estados Unidos, mas contribuiu para alguns dos acidentes químicos mais catastróficos no século passado, como uma explosão extraordinariamente similar ocorrida em Texas City, Texas, em 1947. (Ver “Plano de Ação”.) Foi também um componente da bomba utilizada por terroristas domésticos para destruir um edifício federal em Oklahoma City, Oklahoma, em 1995, que matou 168 pessoas e feriu quase 700.

Devido a seu caráter único, o nitrato de amônio é o único químico ou agente que tem seu próprio capítulo no NFPA 400. Entre os requisitos do código, no Capitulo 11 se encontram provisões sobre armazenagem, sprinklers e quantidade máxima admitida—os limites de quantidade dum químico que, se forem excedidas, requer controles adicionais ou requisitos de construção. “O nitrato de amônio tem propriedades únicas que tornam mais difícil sua compreensão,” diz Nancy Pearce, pessoa de contato do NFPA 400. “Pode ser muito inócuo e não causar nenhum problema. Mas quando houver um incêndio e confinamento, é quando pode ocorrer uma deflagração e uma detonação. Podem ocorrer situações que o tornem mais perigoso do que se esperava. O comitê está aprendendo mais sobre o nitrato de amônio e todos os requisitos novos necessários para suas diferentes formas.”

No ano passado, o Presidente do Comitê Técnico sobre Químicos Perigosos criou o grupo de Trabalho sobre o Nitrato de Amônio para desenvolver novas formulações para a segurança da armazenagem de químicos no NFPA 400, incluindo novas provisões que lidam com a segurança da armazenagem de químicos em instalações existentes. O grupo é constituído por membros do comitê do NFPA 400 junto com representantes de agências do governo, incluindo o CSB e a OSHA e associações da indústria como a Agricultural Retailers Association e o Fertilizer Institute. O relatório preliminar do CSB sobre a investigação indica que não existem provisões do código que proíbam a armazenagem de nitrato de amônio guardado em contêineres de madeira em edifícios de madeira como aquele da West Fertilizer. De fato, de acordo com o CSB, guardar nitrato de amônio em edifícios de madeira é a regra nos Estados Unidos.

Como parte de seus esforços para lidar com essas questões, Connealy manifestou-se publicamente a favor dum código estadual de incêndio de acordo com o NFPA 1, Código de Incêndio. Ele também entrou no comitê técnico do NFPA 400 em novembro passado, convidado por Pearce. “Foi útil para entender o NFPA 400 e foi esclarecedor quanto aos desafios [nas instalações químicas]”, diz Connealy. “Penso que haverá algumas mudanças significativas no código pós-West.” Prevê-se que o grupo de trabalho apresente uma proposta preliminar de revisão do capítulo 11 e provisões relacionadas para comentários públicos até maio e apresentará ao comitê todas as recomendações durante sua reunião em agosto.

Resposta do Texas
Integrar o comitê do NFPA 400 é apenas uma parte do ativismo de John Connealy, trabalho que poderia ter um impacto sobre a segurança das instalações químicas em todo o país.

Desde a explosão de West, Connealy se tornou pregador itinerante da segurança nos armazéns de produtos químicos. Ele e sua equipe visitaram condado por condado dando palestras para o pessoal de emergências, os planejadores urbanos, os gerentes de instalações e outros sobre as práticas de armazenagem de químicos e a tática de resposta a incidentes. As áreas onde faz proselitismo não foram escolhidas ao acaso: seu gabinete identificou mais de 100 instalações em 68 condados em todo o Texas com grandes quantidades—10,000 libras ou mais—de nitrato de amônio. Até fevereiro, Connealy tinha dado sete palestras em sete condados—“ficam 61”, diz ele, com uma pequena risada e muita convicção. Os residentes podem também ter acesso a um mapa desenvolvido recentemente no site do inspetor de incêndios do estado, tdi.texas.gov/fire, que lhes permite saber se existem instalações de armazenamento de químicos na área de seu código postal. “O público gosta de averiguar o que há na sua comunidade,” diz Connealy.

Além disso, o gabinete de Connealy realizou, no ano passado, inspeções voluntárias em 134 instalações do Texas que abrigam nitrato de amônio, e enviou-lhes o documento “Referências relacionadas com Boas Práticas—Armazenagem de Nitrato de Amônio” que inclui informação sobre o NFPA 704, Identificação dos Riscos dos Produtos para a Resposta de Emergência. A norma diz, entre outras coisas, que deveriam ser colocadas placas identificando os conteúdos potencialmente perigosos em pelo menos dois lados de qualquer edifício que armazene produtos perigosos e em cada acesso principal ao edifício.

Mas os problemas mais graves que Connealy encontra em suas inspeções vão além do escopo duma norma de identificação. Na opinião de Connealy, duas das principais deficiências que encontrou nessas instalações são: a construção em materiais combustíveis, principalmente madeira e a ausência de sprinklers. Os códigos atuais não proíbem a construção em materiais combustíveis e não definem claramente quais instalações deveriam ser protegidas por sprinklers.

Parte da solução, afirma Connealy, é a adoção dum código de incêndio em todo o estado. Texas é um dos dois únicos estados—o outro é Missouri—sem um código de incêndio estadual e Connealy apóia a idéia de realizar inspeções de acordo com o NFPA 1, com referências ao NFPA 400. Contudo, a Legislatura do Estado de Texas deve aprovar essa medida antes que Connealy possa aplicar a conformidade com o código. Uma ação mais provável no curto prazo, ele diz, são regulamentos mais rigorosos para as instalações químicas. Em preparação da sessão legislativa do estado em 2015—Texas tem sessões a cada dois anos—e em resposta ao incidente de West—o Presidente republicano da Câmara de Representantes Joe Strauss encarregou o Comitê da Câmara Sobre Segurança Interior e Proteção Pública de investigar as deficiências de segurança, o gerenciamento de riscos e o planejamento para desastres em instalações químicas. O comitê determinará também se deveriam ser introduzidas mudanças nas leis ou regulamentos existentes sobre inspeção, investigação ou fiscalização.

Entretanto, Connealy está pressionado para uma adoção do NFPA 1 que não requer ação legislativa. Ele recebeu apoio de vários intervenientes e agências para inspecionar 16,000 edifícios de propriedade estatal e operados pelo estado—prisões, hospitais estaduais e universidades, para citar alguns—de acordo com o NFPA 1. Seguindo o processo de formulação de leis do estado, Connealy espera receber a aprovação para a adoção este verão.

“O evento em West teve implicações muito além da comunidade em si, diz Connealy. “Estamos trabalhando em estreita ligação com o CSB, o Departamento de Segurança Interior e outros parceiros do estado para prevenir a ocorrência de outro West. Estou convencido que temos um dever. Nenhuma comunidade deveria sofrer esse tipo de desastre”.

A nação responde
Os funcionários do Texas não foram os únicos que se sentiram obrigados a agir depois da explosão de West. Em agosto passado, o Presidente Obama assinou uma ordem executiva que incumbia ao governo federal aprimorar a segurança das instalações químicas e reduzir os riscos nas comunidades vizinhas. Entre as diretivas se encontram o aprimoramento da coordenação entre agências federais e o início de processos que identifiquem as instalações de alto risco, as inspeções e a aplicação das normas. A ordem executiva, que trata especificamente do nitrato de amônio, intimou as agências a examinar a armazenagem, o manuseio e a venda desse material. A Insfrastructure Compliance Division, do Departamento de Segurança Interior, contatou a NFPA para determinar quais de seus códigos e normas poderiam ajudar com suas diretivas. Pearce, pessoa de contato do NFPA 400, forneceu ao departamento a informação sobre o código.

O CSB elogiou os esforços do governo, mas falou também da necessidade de agilizar o processo. Numa coluna de opinião do New York Times em janeiro, o presidente da CSB, Moure-Eraso, cita os aspetos “complicados” e “demorados” da reforma regulamentar e insta a EPA a utilizar seu poder ao abrigo do Clean Air Act para requerer que os proprietários e operadores de instalações químicas identifiquem os riscos, projetem e mantenham instalações mais seguras. “Estou muito animado pela iniciativa da Casa Branca sobre esta questão,” escreve Moure-Eraso. “A EPA está trabalhando com outras agências para cumprir a ordem. Contudo, a agência tem a autoridade para agir agora, por si só, para requerer projetos, equipamento e processos mais seguros que permitiriam avançar bastante na prevenção de mais catástrofes.”

A EPA diz que respondeu à ordem executiva participando no grupo de trabalho sobre Segurança e Proteção de Instalações Químicas, constituído por representantes da EPA, do Departamento de Segurança Interior da OSHA e outros setores. O grupo publicou recentemente uma lista preliminar para aprimorar a segurança química e as opções de segurança que está, neste momento, recebendo comentários públicos. As opções consideram especificamente o aprimoramento das práticas de gerenciamento de riscos nas instalações químicas, assim como a armazenagem e o manuseio do nitrato de amônio.

“Pedimos à indústria que identifique os riscos e estamos analisando seus programas e atividades existentes para ver como podem ser melhorados”, disse a EPA numa declaração ao NFPA Journal.

“Também ouvimos os serviços locais de resposta de emergência. Eles têm necessidades importantes como a prontidão, a capacidade de preparação e o acesso imediato à informação essencial, que devem ser tratadas.”

Ninguém conhece melhor essas necessidades que Connealy, especialmente quando pensa no impacto de West sobre seus colegas bombeiros. “Esse incidente foi o terceiro na história do estado em número de mortes de bombeiros em serviço,” ele diz. “Isso é terrível. Devemos continuar a aprender como manter o fogo afastado do nitrato de amônio. Esse é o ponto principal.”

Fred Durso, Jr, é redator permanente do NFPA Journal. Siga-o em Twitter @FredDursoJr.


 Plano de Ação
Abordagens seguras para responder a emergências que envolvem produtos perigosos.

Embora separados por 66 anos, dois eventos trágicos no Texas são extraordinariamente similares. A explosão na West Fertilizer em West, Texas, ocorreu em 7 de abril de 2013 e envolveu a detonação de nitrato de amônio numa instalação de distribuição e armazenagem de fertilizante de nitrato de amônio. O evento matou 12 membros das equipes de emergência—10 bombeiros e dois ajudantes civis—e é o terceiro mais mortífero para bombeiros em serviço na história do estado, diz o Inspetor de Incêndio do Estado de Texas Chris Connealy.

Em 6 de abril de 1947, em Texas City, perto de Galveston, procedia-se a transferência de nitrato de amônio duma planta química para um barco quando um incêndio se declarou a bordo. Ocorreu uma terrível explosão que matou centenas de pessoas, incluindo 27 dos 28 membros do Corpo de Bombeiros de Texas City. O evento ainda é considerado o pior incidente industrial na história dos Estados Unidos; é um dos quatro incidentes que ocupam um lugar em ambas as listas dos vinte incêndios e explosões mais mortíferos e dos vinte mais custosos na história dos Estados Unidos, junto com os ataques ao World Trade Center em 9/11, o terremoto e incêndio de São Francisco em 1906 e o Grande Incêndio de Chicago em 1871. Texas City ainda é o evento que causou mais mortes de bombeiros em serviço na história do combate ao incêndio no Texas.

Connealy tira lições da tragédia. Enquanto ele e outros aguardam os relatórios finais sobre a resposta dos bombeiros ao incidente de West, ele está utilizando o que estiver disponível para prevenir mortes similares. Connealy deu palestras dirigidas ao pessoal de emergência em todo o Texas que promovem as 16 iniciativas de proteção da vida—resposta aos incidentes violentos e tática de gerenciamento de risco, entre outros—estabelecidas pela National Fallen Firefighters Foundation e disponíveis em lifesafetyinitiatives.com.

A NFPA tem uma série de cursos que preparam o pessoal de emergência para os incidentes que envolvem produtos perigosos. A NFPA 1500, Programa de Segurança e Saúde Ocupacional do Departamento de Bombeiros, ajuda os corpos de bombeiros a desenvolver respostas táticas para ocupações de alto risco e planos de gerenciamento de risco. “Existem pontos de referência para avaliar os riscos/benefícios. Em West, houve uma resposta a um incêndio, mas o potencial daquilo que podia acontecer era muito maior do que um incêndio,” diz Ken Willette, diretor de Divisão de Proteção Pública contra Incêndio da NFPA. “A análise de gerenciamento de risco da norma ajuda os corpos de bombeiros locais a saberem quando devem alertar os departamentos vizinhos e as autoridades estaduais” para pedir ajuda adicional.

A NFPA 472, Competence of Responders to Hazardous Materials/Weapons of Mass Destruction Incidents, lida com os conhecimentos e o treinamento necessários para responder efetivamente a incidentes que envolvem produtos perigosos. “Em muitas mortes de bombeiros em serviço, existem fatores comuns que podem ter contribuído para a tragédia,” diz Willette. “Um é a localização de todos os bombeiros na cena do incêndio. Em West, havia membros de diferentes agências que não pertenciam ao corpo de bombeiros local. Não se sabe ao certo se o comandante do incidente tinha conhecimento da sua presença. Eles tinham o treinamento necessário, o equipamento de proteção adequado? Às vezes você deve marcar um limite e dizer, ‘Fique lá e deixe-me pensar naquilo que preciso e verei se posso aproveitá-lo’ e não deixar que as pessoas se posicionem sozinhas na cena.”

Outra norma, a NFPA 1620, Planejamento Pré-Incidente, ajuda a avaliar as condições atuais em instalações de alto risco. A norma inclui formulários que o pessoal de emergência pode utilizar para documentar perigos e outros riscos. “É essencial saber que um oxidante, o nitrato de amônio, está presente nas instalações,” diz Willette.

O departamento de Willette analisará os relatórios que serão publicados sobre a resposta em West, incluindo os do CSB e do Instituto Nacional para Segurança e Saúde Ocupacional—as datas de publicação ainda não foram anunciadas—para determinar as implicações para os códigos. Ele compara esse desastre com outros eventos centrais para os bombeiros, incluindo um incêndio num armazém em Worcester, Massachusetts, em 1999, que matou seis bombeiros e o Incêndio do Charleston Sofa Super Store, em 2007 na Carolina do Sul, que matou nove pessoas. “Esses eventos mudaram as regras do jogo para os serviços de combate a incêndio americanos,” diz Willette. Penso que West também o fará.”

Embora separadas por 66 anos, a explosão de West é extraordinariamente parecida em alguns aspetos com a catástrofe de Texas City em 1947, onde um incêndio seguido de explosão matou centenas de pessoas, incluindo 27 dos 28 membros do Corpo de Bombeiros de Texas City.

 Lista de Segurança
Tópicos tratados pelo Grupo de Trabalho sobre Nitrato de Amônio do NFPA 400|

+ Formas (líquidos, misturas, etc.) e propriedades do nitrato de amônio
+ Quantidade máxima permitida: a quantidade limite de nitrato de amônio que, uma vez superada, exige providências adicionais
+ Materiais de construção das instalações que abrigam nitrato de amônio e contêineres de armazenagem
+ Requisitos de sprinklers
+ Condições que podem causar uma detonação do nitrato de amônio
+ Requisitos e propriedades do fertilizante em sacos e contêineres de armazenagem
+ Melhores práticas de resposta de emergência

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