Bem-vindos ao Ninho de Pássaros
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Bem-vindos ao Ninho de Pássaros

Por Lisa Nadile

Em agosto 2008, os Chineses dão uma festa e convidam o mundo, e estão decididos a que absolutamente nada corra mal. Isso é muito pedir par qualquer país, mas para um país que não está acostumado a um exame detalhado desse tipo, e que deve construir ou renovar 31 estádios e ginásios de competição e 43 centros de treinamento, esse desafio se torna premente.  Acrescente agora o desafio da ameaça de terremotos.

Em agosto 2008, os Chineses dão uma festa e convidam o mundo, e estão decididos a que absolutamente nada corra mal. Isso é muito pedir par qualquer país, mas para um país que não está acostumado a um exame detalhado desse tipo, e que deve construir ou renovar 31 estádios e ginásios de competição e 43 centros de treinamento, esse desafio se torna premente.  Acrescente agora o desafio da ameaça de terremotos.

Em 1976, a apenas 91 milhas de Beijing, o segundo terremoto mais destrutivo registrado no mundo, medindo 7.9 na escala de Richter, atingiu a Cidade de Tangshan.  Enquanto a China coloca o número oficial de mortos em 240.000, o U.S. Geological Survey informa que certas estimativas são mais próximas dos 655.000 mortos. Mais de 799.000 pessoas ficaram feridas.

Considerando que esse terremoto ocorreu apenas 32 anos atrás, pode começar a entender porque a China queria fazer da segurança-especialmente, mas não unicamente a segurança anti sísmica- uma prioridade máxima para os projetistas, engenheiros e construtores das novas instalações olímpicas. Desde o início da concepção desses edifícios em 2003, a pressão foi colocada na divisão de proteção contra incêndio da Arup, Inc., que elaborou o projeto de proteção contra incêndio para o Estádio Nacional e o Centro Aquático Nacional, alcunhados o Ninho de Pássaro, e o Cubo de Água, respectivamente.

Não há “talvez” em “cumprir”
“Em 2005, encontrava-me em Beijing quando tiveram um terremoto de 4 ou 5 na [escala] de Richter. Sentimos que o edifício onde nos encontrávamos subia e descia. Isso foi quando esses dois edifícios [O Ninho de Pássaro e o Cubo de Água] estavam em construção,” diz o Dr. Ming Chun Luo, diretor técnico e chefe de equipa da Arup Fire de Hong Kong, quem trabalhava em ambos edifícios nas fases iniciais do seu desenvolvimento.

O fato que Beijing seja uma zona sísmica é apenas um dos motivos pelos quais a China enfatizou que a proteção da vida é uma prioridade para todos os centros olímpicos, diz o Dr. Luo. Qualquer companhia projetando e construindo a proteção contra incêndio dos locais olímpicos devia aderir a requisitos estritos para suportar eventos sísmicos.

“Os requisitos para projeto sísmico em certa medida nos ajudam em termos de incêndio”, diz a Dra. Marianne Foley, sócia sênior da Arup Fire em Sydney, Austrália, quem ajudou a criar o primeiro projeto de proteção contra incêndio do Cubo de Água. “O projeto sísmico para a estrutura devia ser tão redundante como para poder suportar a carga de maneira que, em caso de um incêndio separado de um terremoto, poderíamos permitir-nos de perder muitos elementos no edifício devido ao fogo sem que isso cause o seu colapso.”

A proteção contra incêndio sobre-dimensionada resultante do projeto sísmico verifica-se também para o Ninho de Pássaros, que está dividido em zonas, cada uma estabilizada independentemente, diz Luo.

Tecendo o ninho- prescrição versus desempenho
O projeto alegórico do ninho de pássaros ganhou os corações do povo Chinês quem tomou parte na votação dos diferentes projetos para o estádio. O estádio é de forma elíptica, e o teto aberto do Ninho de Pássaros curva como uma sela. Projetado par albergar 80.000 pessoas, o estádio em modo Olímpico vai contar com assentos para 11.000 pessoas adicionais.

De acordo com a Arup, a sua área bruta é de 309.000 jardas quadradas (258.000 metros quadrados), a área total do sítio é de cerca de 244.000 jardas quadradas (240.000 metros quadrados), a altura é de 227 pés (69 metros) sobre o campo, e a estrutura é composta de 43.056 jardas quadradas (36.000 metros quadrados) de aço estendido.

Projetado pelos arquitetos suíços Herzog & De Meuron e trabalhando com o China Architectural Design and Research Group, que fez a supervisão da construção, o estádio consiste em um anfiteatro com sete níveis, em volta do qual foi conectada a fachada feita de segmentos de aço, que aparenta um ninho. Alguns desses segmentos são também corredores que as pessoas vão usar para aceder as arquibancadas e subir no estádio.

O projeto aparenta quebrar um bom número de regras- e de fato o faz. O projeto não cumpre com o Código Nacional Chinês baseado nos requisitos prescritivos.

“A China não tem projeto baseado no desempenho, mas reconheceu cedo que os locais Olímpicos eram tão especiais que um código prescritivo não seria adequado... para eles. Eles concordaram na abordagem baseada no desempenho, então em vez de mudar as suas normas o usar normas de outros paises, eles foram direito ao projeto baseado no desempenho,” diz a Dra. Foley. “Onde não cumpríamos com o código, devíamos provar, usando a engenharia de proteção contra incêndio, que o projeto era seguro.”

“A China tem normalmente aplicado um código para os edifícios altos, e um código para edifícios baixos ou código normal de edificações chamado o Código Nacional Chinês. Também tem uma regulamentação para instalações desportivas, que foi publicada antes da concepção desses dois edifícios,” diz o Dr. Luo.

Informalmente, a Arup fazia referencia as normas do reino Unido, especificamente o Guide to Safety and Sports Grounds, alcunhado o “guia verde”, e as normas da NFPA que se aplicam a estádios e a proteção contra incêndio para estruturas integralmente feitas de aço.

Por exemplo, os regulamentos chineses requerem que certas colunas e vigas dos edifícios possam resistir a exposição ao fogo por muitas horas, mas porque o estádio é um espaço muito grande com um teto muito alto, “não precisávamos ter isso em algumas áreas,” ele diz.

 “De fato fazemos referência aos regulamentos da NFPA e ao mesmo tempo preparamos o projeto baseado no desempenho para justificar quais áreas precisam proteção contra incêndio,” diz o Dr. Luo.

Voando fora da zona de conforto
Para tornar o projeto baseado no desempenho numa realidade nesses locais, a Arup Fire começou um processo global de projeto e análise que se estendeu de Beijing a Shanghai e de Sydney a Manchester, Inglaterra. Em cada fase do processo de projeto, mesmo durante a fase inicial de projeto para o concurso, solicitou-se a Arup que reportasse as autoridades chinesas e a um painel de revisão pelos pares, para garantir que o seu trabalho cumpria com as metas de proteção contra incêndio.

“Sempre temos uma [discussão] de ida e volta com os arquitetos e os nossos colegas internamente. Assim depois de terminar o projeto, começou o processo de negociação com as autoridades chinesas,” diz o dr. Luo.

Tratava-se de um processo complexo que requeria da Arup a exposição detalhada da totalidade do seu trabalho. “Tínhamos uma análise complexa que devíamos reportar as autoridades Chinesas, então organizamos um painel,” ele diz.

“Apresentamos o projeto e as soluções ao painel de peritos, que mantinha a seguir uma sessão de P&R. Depois da sessão de P&R, o painel estava de acordo com algumas das nossas respostas e não com outras, e para essas voltávamos atrás para análise. A seguir apresentávamos novamente os resultados [ou a análise mais recente] ao comitê, havia portanto uma espécie de ida e volta.”

“Para o estádio, tivemos duas ou três idas e voltas, e para o Cubo de Água tivemos duas reuniões também,” ele diz.

Uma área para a qual a Arup devia apoiar-se no projeto baseado no desempenho era a evacuação. “A Saída é sempre a questão principal para o projeto de segurança contra incêndio. Na China, o regulamento de instalações desportivas divide o inteiro estádio em zonas. Cada zona deve ter o seu próprio caminho de saída e deve também verificar que o tempo de evacuação é limitado a 4 ou 5 minutos de acordo com o regulamento,” diz o Dr. Luo.

Uma instalação do tamanho do ninho de pássaros precisaria de um grande número de saídas, então a Arup utilizou as normas Britânicas como guia.

“Depois do incêndio de 1985 [do estádio de futebol de Bradford City] no Reino Unido, houve uma pesquisa extensa. Encontraram uma regra dos 8 minutos: se as pessoas se encontram em uma situação de evacuação, elas tornam-se instáveis depois de 8 minutos, e as pessoas não vão sair da área,” ele diz.

“Utilizamos esta estimativa e buscamos qual era o número mais pequeno de saídas requerido e o que [o pessoal do estádio deveria fazer] para garantir um processo de evacuação sem obstáculos,” diz o Dr. Luo. A mesma análise foi completada par ao Cubo de Água.

Combatendo o fogo no Ninho de Pássaros
O tamanho e o projeto do estádio significavam que a Arup devia também pensar de novo as práticas usuais para equipar as instalações com sprinklers. Originalmente, o estádio devia ter um teto retrátil, mas este elemento foi abandonado para reduzir o custo do projeto. Quando o projeto incluía o teto, entretanto, a Arup introduziu uma capacidade adicional de supressão de incêndio.

“A altura significava que os sprinklers normais não funcionariam nessa área, então não se colocaram sprinklers, e na China, existe um sistema especial de supressão de incêndio chamado o canhão de água. O [estádio tinha] um sistema de detecção que pode examinar toda a área e caso detecte algum fogo, o sistema irá disparar água automaticamente ao incêndio,” diz o Dr. Luo.

O canhão de água pode levar a água a uma distância de 98 pés (30m) até 197 pés (60m) a partir da fonte de água. Trata-se de um sistema automático que pode também ser operado manualmente. Teríamos tido um grande número desses canhões se o estádio tivesse sido construído com o teto retrátil, ele diz.

“A cobertura máxima do canhão de água é de 250 pés (75m), mas requer uma pressão de água demasiado alta, então normalmente os canhões de água são usados com uma potência para um raio de 98 ou 131 pés (30 ou 40 metros). Precisa-se muitos equipamentos desses para cobrir todo o estádio,” diz o dr. Luo.

Os canhões são fabricados por um fabricante chinês e são também usados na Alemanha e no Japão, ele diz.

As áreas das instalações outras que as designadas para o público, como os escritórios e as áreas de treinamento, são todas construídas de acordo com os requisitos normais do código. Incluem muros corta-fogo, sprinklers, e outras soluções típicas de proteção contra incêndio.

“Atrás da área de assentos se encontra um corredor de dois ou três níveis. Essa área tem uma zona de comércios. Recomendamos uma separação de incêndio especial nessas áreas, e temos sistemas de sprinklers e de controlo de fumaça normais para garantir que caso aconteça algo nessa área, o fogo será controlado localmente,” diz o Dr. Luo.

O desenho aberto do estádio dá aos espectadores uma vista clara dos caminhos de saída, que são os mesmos caminhos que eles utilizam para entrar nas instalações.

“O corredor é também um meio de escape desde o qual as pessoas podem evacuar a área rapidamente. [Os espectadores que saem da área de assentos] passam pela porta e entram no corredor, atravessam-no, e a seguir usam as escadas para descer ao rés-do-chão. Há apenas um nível baixo terra, mas mesmo nesse nível, uma parte do estádio é inteiramente aberto ao ar livre, assim as pessoas podem evacuar facilmente desde o corredor,” ele diz.

O nível subterrâneo consiste em armazenagem, treinamento, áreas de escritório, e um parque de estacionamento. Durante os jogos Olímpicos, o nível subterrâneo não estará aberto ao público.

Pensou-se muito em como fazer que as instalações fossem seguras para pessoas com incapacidade física, uma vez que o Ninho de Pássaros vai albergar também os jogos Paraolímpicos de 2008 em Setembro. Os corredores são acessíveis aos deficientes físicos, e existe um elevador especial para que as pessoas possam chegar as áreas dos níveis superiores. O estádio tem também zonas especiais para espectadores deficientes físicos.

Os bombeiros de Beijing- as sentinelas
Um membro importante do painel de peritos do comitê de revisão era o Corpo de Bombeiros de Beijing. Mas ele fez mais do que estar sentado nas reuniões, foi um ator chave.

“Falamos muito com o Corpo de Bombeiros de Beijing porque era parte do processo de aprovação. Era o corpo principal de aprovação, e precisávamos convencê-lo que o nosso projeto era correto. Então falamos muito com eles sobre como iriam combater os incêndios, o que eles iriam fazer, como quereriam chegar ao edifício, e onde conseguiriam a informação,” diz a Dra. Foley. Por exemplo, os bombeiros Australianos gostam tomar o controle dos sistemas de controle de fumaça, então eles gostam ter um painel que lhes da o controle manual para as tarefas como ligar ventiladores e abrir portas. O Corpo de Bombeiros de Beijing prefere que essas funções sejam automáticas.

“Fizemos o projeto à medida para ir ao encontro das suas operações,” ela diz. Isso significa repensar conceitos básicos como a forma em que os bombeiros entrariam no edifício, diz o Dr. Luo.

“Para o estádio, eles têm de fato uma estrada de emergência subterrânea perto das tribunas que lhes permite circular com veículos no estádio até ao campo desportivo se necessário,” ele diz.

Repensar a proteção de centenas de milhares de pessoas na cidade durante os jogos Olímpicos significava também que o Corpo de Bombeiros de Beijing devia elaborar um plano de contingência definitivo. Essas operações combinam ferramentas de modelação preditiva baseadas em computadores e conhecimentos de combate a incêndio da velha escola.

Conhecido como o Digital Fire Emergency Response Plan, ou DFERP, o plano “consiste em informação básica, predição e simulação e análise [de risco], decisões de resposta de emergência, e ação,” diz o Oficial do Estado-maior Chen Bin, do secretariado do gabinete geral do Beijing Fire Bureau. O DFERP recolhe dados de muitos sistemas de emergência, como análises de dinâmicas de fluidos de fogo e fumaça baseadas em computador, simulações 3D de evacuações de multidão, informação geográfica básica, informação estrutural, informação do pessoal de combate a incêndio, e planos de comando de resposta de emergência, para desenvolver um plano de combate a incêndio digital e um sistema de treinamento no mundo real.

O DFERP é útil de duas maneiras
“O sistema pode ser usado como ferramenta de busca, pesquisa, demonstração e execução para o [pessoal executando] o plano de resposta de emergência dos sítios olímpicos, bem como medidas avançadas para treinar em táticas de combate a incêndio, técnica e psicologia,” diz o Oficial Chen. O uso de DFERP permitiu a Beijing organizar os seus recursos de segurança contra incêndio e proteção da vida, diz Chen. O Beijing Fire Bureau tem quatro divisões: o Quartel Geral do Pessoal, a Divisão Política, a Divisão Logística e a Divisão de Prevenção de Incêndios e Supervisão. O Bureau tem mais que 6.000 bombeiros profissionais, e a cidade organizou recursos adicionais, recrutando mais 3.300 bombeiros pertencentes a 118 serviços do governo e 109 serviços corporativos de bombeiros.

A Beijing Fire Protection Direction Association ajuda a promover questões de segurança contra incêndio e proteção da vida e organiza a prevenção de incêndio pelos cidadãos e os grupos de vigilância de incêndio.

“Serão introduzidas medidas de gestão para reforçar as brigadas de bombeiros e intensificar os esforços para guiar [as comunidades] na oferta de cobertura contra incêndio para os Jogos Olímpicos, [montando] brigadas de bombeiros voluntários, de acordo com as necessidades e formando equipas de auto-ajuda com habilidades técnicas,” diz Chen.

Com os jogos olímpicos e seu público internacional vêm as barreiras de língua que podem tornar ineficiente até o plano de proteção de incêndio mais cuidadosamente desenvolvido. Então Beijing está também treinando pessoal de patrulha e bombeiros em habilidades para línguas estrangeiras.

“Por meio de  estudos avançados no estrangeiro, do treinamento e do ensino a distancia, dos estudos independentes, etc., lutamos para treinar bombeiros avançados, e pô-los a realizar tarefas [específicas], como gestão da operação de instalações, serviços de combate a incêndio no local, direção de resgate de emergência, etc.” ele diz.

O plano de resposta contra incêndio assegura que os bombeiros estarão na cena de qualquer incêndio em cinco minutos. Para que isso seja possível, a cidade está construindo 26 estações de bombeiros temporárias perto dos estádios olímpicos e dos ginásios, de acordo com o jornal China Daily.

O verão passado, as equipes de resposta de emergência de Beijing, incluindo os bombeiros e as brigadas de luta contra incêndio, foram treinadas em exercícios de resposta a desastres, simulação de respostas a incêndios, terremotos,e mesmo ataque nuclear, informa o sítio web oficial de Beijing 2008.  

O sítio web descreve também a rede de comunicação dos bombeiros, que integra a rede de comunicação da plataforma de alarme de incêndio do 119 (a versão chinesa do 911) com a usada pelas novas estações de bombeiros, os bombeiros estacionados nas instalações olímpicas, e aqueles em posições temporárias.  

A chave da estratégia do Corpo de Bombeiros de Beijing é de se manter perto, guardando os edifícios com os quais está muito bem familiarizado e que ajudou a orientar desde a conceição até a construção. Enquanto o estádio e o Cubo de Água são projetos de vanguarda, nenhum dos elementos da sua proteção contra incêndio é alheio, graças à diligência da Arup e a atenção estreita do serviço de bombeiros.

Lisa Nadile é editora associada do NFPA Journal. O se e-mail é . O autor deseja agradecer o Corpo de Bombeiros de Beijing pela sua assistência.

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A National Fire Protection Association (NFPA) é a fonte dos códigos e normas que regem a indústria de proteção contra incêndios e segurança da vida.