Um equilíbrio fantástico
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Lugares de Reunião Pública, Discotecas & Egreso

Um equilíbrio fantástico

Por Ron Coté, P.E

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O Cirque du Soleil deve executar uma coreografia bem ajustada com diferentes autoridades locais, incluindo inspetores de incêndio e de construções, para cumprir as normas de segurança de vida em seus espetáculos itinerantes em grandes tendas lotadas

Ron Coté, P.E., é engenheiro chefe de segurança humana da NFPA. Jean-François Simard, P.Eng., é assessor internacional de códigos do Cirque Du Soleil.

A chegada do novo espetáculo itinerante do Cirque du Soleil “KURIOS: Cabinet of Curiosities” a Boston, em maio, foi o ponto culminante de meses de planejamento, colaboração e esforços. Esse trabalho não ocorreu apenas nas várias unidades do Cirque du Soleil responsáveis pela produção do espetáculo da companhia, mas requereu um trabalho conjunto do Cirque du Soleil com as autoridades locais competentes (AHJs, da sigla em inglês), incluindo inspetores de edificações, inspetores de incêndio, funcionários do âmbito da acessibilidade e da saúde e outros. A cooperação necessária entre o espetáculo e as AHJs não é menos exata que as exibições acrobáticas sensacionais que deslumbram os espectadores de “KURIOS”.

Este ano o Cirque du Soleil, o maior produtor de entretenimento artístico do mundo, estará presente em dezenove espetáculos diferentes, dirigidos a mais de quinze milhões de pessoas em todo o mundo. Os espetáculos combinam as artes do teatro e do circo em ricas exibições apresentadas em teatros e arenas fixos e, como no caso do espetáculo de turnê “KURIOS”, em grandes tendas. Os espetáculos em tendas trazem os maiores desafios para o Cirque Du Soleil e as AHJs locais; a logística necessária para transferir estruturas temporárias concebidas com um layout permanente – incluindo a infraestrutura para uma aldeia móvel que se desloca com cada espetáculo – pode ser muito complexa devido à variedade de códigos de edificações, de incêndio e de segurança humana, assim como as interpretações dos mesmos pelas AHJs que velam pela sua aplicação nas jurisdições e países onde o Cirque du Soleil atua.

As questões de segurança abrangem cada aspecto dum espetáculo itinerante do Cirque du Soleil. Conseguir a aprovação das AHJs para a lona das tendas, por exemplo, pode envolver negociações cuidadosas e uma série de normas. As normas de ensaio dos materiais incluem a NFPA 701, Métodos Padrão Para Ensaios de Propagação de Chamas em Têxteis e Películas e normas européias comparáveis. No ano passado, na Califórnia, antes de emitir a autorização para um espetáculo, o gabinete do inspetor de incêndio devia certificar que a lona da tenda do Cirque du Soleil cumpria a resistência mínima as chamas requerida para produtos identificados pelo Código de Saúde e Segurança da Califórnia, já que o uso de retardantes de chamas químicos preocupava o Estado. A lona de tenda resistente à chama encolhe com a chama para permitir a saída da fumaça e dos gases para o ambiente exterior. Além disso, ventiladores de alta velocidade na cúpula do teto da tenda permitem a exaustão da fumaça.

Outros requisitos locais aplicados pelas AHJs são tratados à medida que surgem. Quando necessário, o Cirque du Soleil cumpre pedidos razoáveis e as vezes cumpre pedidos muito conservadores se não houver tempo suficiente para negociar. Num local na Europa onde se registravam temperaturas negativas, a AHJ requeria a instalação de sprinklers externos acima de partes da tenda do Cirque du Soleil, apesar da baixa probabilidade de um sistema de sprinklers ativado pela temperatura operar em caso de incêndio. Com a noite da inauguração aproximando-se rapidamente, o Cirque du Soleil avançou com a instalação dos sprinklers.

Comunicações efetivas e planejamento prévio são muito úteis para prevenir situações onde os assessores de códigos do Cirque du Soleil devem satisfazer demandas demasiado conservadoras das AHJs. Às vezes, a flexibilidade na concepção do equipamento permite que o espetáculo cumpra exigências contraditórias das autoridades competentes. Por exemplo, algumas AHJs requerem extensões dos corrimãos horizontais até o topo das rampas de acesso aos banheiros acessíveis; outras AHJs proíbem as extensões, porque podem interferir com o espaço de manobra das cadeiras de rodas para acessar o compartimento do banheiro. As rampas do Cirque du Soleil incluem extensões que podem ser desparafusadas, removidas e guardadas. Em outro espetáculo, a AHJ responsável pela acessibilidade requeria a instalação de indicadores tácteis na superfície do piso das áreas de assentos ao longo de rotas acessíveis. As secções do piso eram entalhadas para receber o material indicador, mas o consultor local responsável pela estrutura recusou a certificação do piso devido à debilidade potencial causada pelas ranhuras. As seções do piso foram substituídas por painéis standard e a preocupação da AHJ sobre acessibilidade foi tratada pela avaliação de risco padrão do Cirque du Soleil. As preocupações quanto à integridade estrutural prevaleceram.

Na noite de inauguração do espetáculo “KURIOS” em Boston, o inspetor de incêndio responsável pelo espetáculo estava sentado na audiência junto ao assessor de códigos do Cirque du Soleil. Quando chegou o intervalo, o inspetor de incêndio tinha comprovado que a operação cumpria todas as características de segurança pactuadas.  O trabalho feito antecipadamente, as discussões detalhadas e procedimentos de aprovação adequados tinham criado as condições para uma execução segura e bem sucedida do espetáculo.

Levantando a tenda: preparação e construção

Antes de poder levantar a tenda do Cirque du Soleil, se precisa muito trabalho antecipado, começando com a seleção e preparação do local. Depois de uma cidade ser considerada atrativa com base na capacidade econômica da população, envia-se um analista de local do Cirque du Soleil para encontrar lugares adequados. O local pode ser um espaço público ou um terreno privado com uma área livre, preferivelmente plana, de pelo menos 100 por 200 metros. O Cirque du Soleil contata os proprietários do local pelo menos um ano antes da estreia e solicita aos proprietários a autorização para realizar levantamentos no local. Os analistas de local contatam também as autoridades locais para avaliar a viabilidade do projeto do ponto de vista do zoneamento, do ruído, das questões ambientais e dos regulamentos específicos para o uso pretendido.

Logo, uma equipe de agrimensura de dois ou três técnicos do Cirque du Soleil visita o sítio potencial. Confirma-se que o tamanho do local satisfaz as necessidades da cidade móvel que será erguida. Identificam-se zonas que requerem aterro para criar a área nivelada necessária à instalação da tenda. A localização de redes subterrâneas é anotada com precisão, assim como o acesso as conexões de água e esgotos. O Cirque du Soleil está preparado para instalar até 800 metros de redes de água e esgotos para a conexão aos sistemas locais, mas prefere conexões mais curtas. As fontes de energia disponíveis são avaliadas. O local do espetáculo, constituído por três tendas, requer condições de solo específicas para o apoio estrutural, por isso se realizam ensaios de solos. O Cirque du Soleil nunca adapta as necessidades estruturais de seu equipamento às condições dos solos do local. Ao contrario, as condições dos solos devem cumprir ou poder ser adaptadas para cumprir os requisitos estruturais do equipamento do espetáculo, incluindo as estacas de suporte das tendas.

Após a seleção do local do espetáculo itinerante, o assessor de códigos do Cirque du Soleil identifica os requisitos locais específicos do lugar e o analista de local do Cirque du Soleil se reúne com as autoridades competentes. Toda a documentação detalhada, incluindo planos, cálculos e certificações são submetidos à jurisdição para aprovação. O analista do local discute com as AHJ os requisitos específicos da jurisdição. Em alguns casos, o assessor de códigos do Cirque du Soleil e consultores profissionais locais são chamados para negociar uma equivalência ou variante com base em códigos de segurança internacionais, como os códigos publicados pela NFPA, e em conhecimentos adquiridos em experiências prévias de espetáculos em outros locais. As discussões são documentadas por escrito e os requisitos para as autorizações e equivalências ou variantes são registrados. Todas as partes interessadas trabalham sabendo que o evento é temporário e não permanece no local.

O trabalho das equipes de construção e marcação demora aproximadamente uma semana. A equipe de construção, constituída de dois ou três empregados do Cirque du Soleil, viaja até o local do espetáculo e prepara o terreno para a instalação da tenda. Levanta-se uma cerca para a segurança e o controle de acesso ao local. Executam-se aterros ou escavações onde são necessários para nivelar o terreno de acordo com os requisitos de instalação das tendas. Muitas vezes é preciso pavimentar vastas áreas com asfalto para proporcionar superfícies de deslocamento e bases resistentes à água para a instalação das unidades de assentos e a colocação de outro equipamento. A equipe de marcação, constituída também por dois ou três empregados do Cirque du Soleil, vem depois da equipe de construção. São marcadas áreas para a localização das tendas e a colocação das placas e estacas da estrutura de suporte. Colocam-se meios fios para prevenir a infiltração de água subterrânea ou proveniente do escoamento superficial na área de implantação das tendas. Instalam-se rampas para permitir o deslocamento seguro das pessoas e o movimento do equipamento sobre os meios fios. Mais de 250 placas de aço são utilizadas para assegurar os mastros das tendas e os cabos são instalados fincando no solo 1200 estacas de 1,2 metros de cumprimento.

A instalação das tendas e da aldeia móvel demora entre uma semana e dez dias. Começa com uma entrega coreografada de equipamento para prevenir o abarrotamento do local por caminhões. (O espetáculo “KURIOS” é transportado dum local a outro por 65 caminhões que levam 2000 toneladas de equipamento.) Todo o equipamento é colocado de forma a evitar interferências com qualquer outra atividade e o tráfico é gerenciado de acordo com um plano aprovado pela AHJ. A montagem no local é realizada por uma equipe de 50 membros, incluindo um gerente do local e um chefe de montagem. Todos os membros da equipe são empregados do Cirque du Soleil que viajam com o grupo em turnê. A equipe ergue as tendas e instala todo o equipamento, incluindo o palco, as arquibancadas, a iluminação e os elementos de conforto e segurança que serão usados durante o espetáculo. Durante todo o processo de instalação, uma equipe composta pelo analista do local, o assessor de códigos, o gerente do local e, em algumas jurisdições, um consultor local, garante que a instalação esteja no ponto certo para ser inspecionada pela autoridade competente. As tendas são montadas começando geralmente pela tenda artística que abriga os figurinos, os camarins, uma área de treinos e uma sala de fisioterapia.

As habilidades do chefe de montagem e outros empregados do Cirque du Soleil são utilizadas para erguer o teto da grande tenda, um momento dramático na preparação de cada espetáculo. Em primeiro lugar, são elevados quatro mastros principais que suportam a tenda, cada um com 25 metros de altura. A cúpula proeminente, que abriga equipamento incluindo ventiladores de remoção de fumaça, é erguida por quatro motores, montados em cada um dos quatro mastros. Grande parte do teto da tenda é elevado por meio dum sistema de guincho operado manualmente. A borda do perimetro da lona do teto é suportada por 120 estacas, cada uma de 16 pés (4,3 metros) de altura. Utilizando a força bruta, um grupo de 80 “cirquadors” – trabalhadores locais dirigidos pelo chefe de montagem – finca as estacas - 20 de uma vez - no lugar, elevando a secção correspondente da lona do teto em cada ataque concertado. O conjunto do processo demora pouco menos de duas horas. Painéis de lona das paredes são instalados para completar o invólucro da tenda. O palco elevado e as rampas associadas utilizadas pelos artistas para entrar e sair do palco são instalados, seguidos pelos elementos estruturais do espetáculo e os cenários. Cada produção do Cirque du Soleil utiliza cenários e estruturas únicos e cativantes que apoiam o tema do espetáculo. Para “KURIOS”, que combina a ideia renascentista do “gabinete das maravilhas” com uma estética steampunk Eduardiana, utilizam-se 426 adereços, mais que em qualquer produção na história do Cirque du Soleil. Entre os adereços se encontra uma grande mão mecânica que mede 4.6 por 2.1 metros e pesa 340 kg. Entre outros fins, o adereço serve como palco separado para uma rotina acrobática memorável.

Debaixo da grande tenda; projetando para a segurança humana

Dentro da tenda, o Cirque du Soleil e a AHJ devem trabalhar em cooperação para garantir o nível mais alto possível de segurança d abrangendo elementos como as arquibancadas, os planos de saída, os alarmes de incêndio e muitas outras características.

Uma premissa sobre a qual foi construído o êxito dos espetáculos itinerantes do Cirque du Soleil é que três tendas – a tenda de entrada, a tenda artística e “Le Grand Chapiteau” (a grande tenda) –trabalham juntas como um conjunto funcional. Os espectadores acessam a grande tenda, onde decorre o espetáculo, passando pela tenda de entrada que abriga concessões e venda de produtos. Os membros do elenco acessam a grande tenda passando pela tenda artística que abriga os figurinos e os guarda-roupas, os vestiários e as áreas de treino. Algumas AHJs pediram que as tendas fossem separadas aplicando um critério de distância mínima, talvez pensando mais na conservação da propriedade do que na segurança dos espectadores. O assessor de códigos do Cirque du Soleil teve de explicar muitas vezes que a localização das tendas perto uma da outra é necessária para a função pretendida e que a segurança do pessoal e dos espectadores é garantida adequadamente por outras características e orientações às quais o Cirque du Soleil adere estritamente e que a tenda é dispensável em caso de incêndio.

Os assentos para o público dentro da tenda são organizados em arquibancadas similares às dos teatros permanentes. As plataformas dos assentos são montadas de maneira a fornecer estabilidade estrutural e a capacidade de carga necessária. O assessor de códigos do Cirque du Soleil encontrou AHJs que tentaram regular os assentos aplicando os requisitos tradicionais para tribunas e arquibancadas que limitam arbitrariamente o número de assentos entre corredores. Em consulta com o assessor de códigos, as AHJs permitiram que o número de assentos entre corredores obedecesse a provisões sobre as passagens entre filas de assentos e corredores como as do NFPA 101®, Código de Proteção da Vida, aplicadas aos teatros permanentes. São utilizados assentos com rebatimento automático e as passagens de acesso entre filas de assentos são dimensionadas excedendo os requisitos do código de forma a permitir o fácil deslocamento dos espectadores nas fileiras de assentos quando as cadeiras estão ocupadas.

Os espetáculos em tendas do Cirque du Soleil oferecem um entretenimento dirigido às famílias e assentos elevatórios de espuma são fornecidos para crianças mais novas. Para limitar a introdução de materiais combustíveis, as almofadas elevatórias são ocas para cumprir o critério de projeto auto imposto pelo Cirque du Soleil, de não exceder uma libra de poliestireno expandido por cadeira elevatória.

A tenda de entrada e a grande tenda são accessíveis por cadeiras de rodas e os espectadores podem reservar com antecedência zonas de assentos acessíveis por cadeirantes nos espetáculos do Cirque du Soleil. Unidades de assentos normais, especialmente equipadas de rodízios, são removidas das fileiras de assentos para proporcionar espaços para pessoas em cadeiras de rodas e seus acompanhantes. O local conta com banheiros acessíveis. Estão disponíveis espaços de estacionamento acessíveis situados o mais perto possível da entrada principal. Além disso, as pessoas com mobilidade reduzida podem ficar na entrada antes que o veículo seja estacionado.

As rotas de saída dos ocupantes da grande tenda consistem de quatro rampas e duas passagens no nível térreo. As escadas estão situadas perto do topo dos corredores escalonados que servem as seções de assentos e as rampas são acessadas desde um corredor cruzado principal no ponto médio de altura das arquibancadas. Com base no afastamento das rampas, escadas e passagens as rotas funcionam como 10 saídas. Seis descarregam diretamente no perímetro exterior da grande tenda e quatro descarregam na tenda de entrada. O pessoal é treinado para dirigir os espectadores para a entrada principal quando for uma direção segura. O pessoal é treinado também para desviar os espectadores, quando necessário, da entrada principal e dirigi-los até os portões situados na cerca de segurança do perímetro.

Em alguns lugares, a AHJ pediu que as saídas da grande tenda cumprissem, em tamanho e número, os requisitos do código de incêndio local aplicáveis a uma hipotética instalação de tenda, resultando num número menor de saídas e requerendo uma largura maior para cada saída. Utilizando modelos de saídas, o assessor de códigos do Cirque du Soleil pôde mostrar que as 10 saídas descarregam os espectadores de forma mais direta e eficiente desde as secções de assentos até o exterior. A meta do assessor de códigos é proporcionar uma adequada segurança humana, muitas vezes superior ao nível requerido pela jurisdição anfitriã, e fazê-lo com o melhor aproveitamento do projeto da aldeia móvel, sem adaptações caras e demoradas que são às vezes requeridas pelas cidades anfitriãs. Com essa meta em mente, o Cirque du Soleil criou recentemente uma apresentação utilizando um modelo tridimensional que mostra a efetividade da saída da grande tenda aos funcionários locais. Isso faz parte da negociação inicial sobre códigos e práticas a serem aplicados durante a permanência do Cirque du Soleil.

As escadas de saída, completas com muretas e corrimões, proporcionam alturas e profundidades de degraus consistentes. As bordas de cada degrau são pintadas de “amarelo segurança”. Os corrimões podem ser agarrados continuamente, uma característica que falta muitas vezes nas instalações permanentes de teatros e arenas. Os corrimões são montados, desmontados e despachados dum local a outro como parte da aldeia móvel.

O espetáculo itinerante está preparado para produzir sua própria energia elétrica com cinco geradores de 500 quilowatts: dois para o equipamento do espetáculo, dois para a operação do local e um de reserva. A grande tenda, a tenda de entrada e a artística têm controle de temperatura. Em caso de falha da iluminação normal, cada tenda dispõe de luzes de emergência.

O plano de emergência do espetáculo tem como base uma equipe de segurança de cinco pessoas e uma estação de segurança permanentemente atendida. A equipe de segurança dirige os esforços de 22 porteiros – residentes locais contratados para trabalhar nos espetáculos – que cuidam áreas protegidas e as portas situadas nas áreas de assentos. Os empregados, incluindo os artistas e os porteiros, são treinados em cada local de espetáculo sobre suas tarefas na execução do plano de emergência. As barreiras linguísticas que poderiam causar problemas de comunicação com os trabalhadores locais são raras, já que os empregados do Cirque du Soleil no local falam uma série de idiomas.

Historicamente, os requisitos locais para um sistema de alarme de incêndio numa grande tenda têm sido satisfeitos por meio duma equivalência constituída por um plano de emergência executado por pessoal treinado que garante uma vigia de incêndio. Quando foi requerido um sistema de alarme de incêndio como condição para a autorização, esses sistemas foram instalados com cabos flexíveis resistentes às chamas. Mais recentemente, se tornou usual a instalação de sistemas de alarmes de incêndio utilizando tecnologia sem fios, especialmente no Reino Unido. Em outras partes de Europa e Ásia, um fator dissuasivo para a instalação de sistema sem fios tem sido a falta de sincronização da iluminação dos dispositivos estroboscopicos e a incapacidade de fornecer suficiente energia armazenada para três horas de operação autônoma das unidas independentes de sirenas e estrobos.

Onde se utilizam sistemas sem fios, colocam-se detectores de calor e fumaça debaixo das arquibancadas. Estações de alarme constituídas por caixas de alarme manuais, estrobos e sirenes são posicionadas em toda a grande tenda. O painel de controle de alarme de incêndio está situado na estação de segurança atendida. Os avisos de evacuação de incêndio são complementados por comunicação de voz. As instruções de evacuação para eventos outros que incêndios, como ventos fortes, são transmitidas apenas por mensagens de voz.

O vento, de fato, é um elemento que pode ter um impacto na estabilidade da montagem da tenda. A velocidade do vento é monitorada no topo de um dos quatro mastros principais e registrada num local interno monitorado. Num espetáculo na América do Sul, a grande tenda foi evacuada quando o vento alcançou 80 km por hora. A velocidade do vento aumentou até 120 km por hora e a tenda resistiu sem sofrer danos.

O Cirque du Soleil mantém a propriedade através de práticas de manutenção meticulosas. Resíduos que caiam abaixo das arquibancadas são removidos cada dia. O risco potencial de incêndio criado pela acumulação de lixo está bem documentado; um incêndio ocorrido em 1985 num estádio de futebol na Inglaterra matou 56 pessoas e feriu 265 quando um cigarro incendiou o lixo e o papel acumulados ao longo de muitos eventos.

No fim da turnê, a desmontagem e embalagem demoram três dias. O tempo requerido para a restauração do local depende do escopo do trabalho. Em muitos lugares, o proprietário pede que a pavimentação de asfalto fique.

Cada empregado do Cirque du Soleil responsável pelo equipamento tem um livro de manutenção onde ficam registrados os resultados e as frequências dos testes. Na América, o equipamento em geral é devolvido a cada seis anos á base central do Cirque du Soleil em Montreal, Quebec, para uma consolidação completa. Inspeções de soldaduras estruturais são realizadas no local a cada dois anos. Componentes de reposição são enviados pela base central ao local quando necessário.

Todas essas práticas têm por objetivo mitigar os riscos associados à organização dum espetáculo complexo num espaço temporário. Em colaboração com as AHJs locais, o Cirque du Soleil tem como meta criar uma experiência que permita aos membros da audiência concentrar-se na produção e não em preocupações de segurança pessoal. Os empregados do Cirque du Soleil sabem que cumpriram essa missão quando os espectadores saem no fim do espetáculo, recordando com entusiasmo as façanhas artísticas que acabam de presenciar. 

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Horror na Tenda

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O desastre do circo de Hartford e a segurança na grande tenda

As tendas de circo e a lona que as constituem levantaram preocupações quanto aos incêndios durante décadas. Um dos exemplos mais deploráveis, o incêndio dum circo ocorrido em 1944 em Hartford, Connecticut, poderia ter sido evitado com uma proteção contra incêndios adequada.

Em seis de julho de 1944, o Circo Ringling Brothers and Barnum and Bailey deu um espetáculo em Hartford numa tenda que cobria aproximadamente 6000 metros quadrados. Por volta de 7000 pessoas se encontravam na tenda para uma representação da tarde. A lona da tenda não era resistente às chamas. Tinha sido tratada com parafina para torná-la impermeável usando gasolina como solvente, uma prática usual naquela época. Um incêndio iniciou perto do piso fora da tenda e subiu pelas paredes de lona até entrar em contato com o teto. Uma rajada de vento empurrou a chama do lado de baixo da lona do teto e quase instantaneamente a lona inteira estava em chamas. As cordas que mantinham as estacas de suporte queimaram e a lona do teto caiu. Em poucos minutos, houve grandes quantidades de mortos e feridos. Finalmente, o incêndio causou 167 mortes, incluindo 63 crianças. A maior parte das mortes deveu-se as queimaduras causadas pela lona em chamas que caiu sobre a audiência.

fabric burn cmyk cc optNo topo, o incêndio do circo em Hartford. Abaixo, uma demonstração de incêndio duma lona de tenda utilizada para os espetáculos itinerantes do Cirque du Soleil.

O Cirque du Soleil adotou dois produtos padronizados para a lona das tendas, com propriedades de resistência as chamas similares, que são bem apropriadas para estruturas de tração.  O mais fino dos dois produtos se utiliza para o teto da tenda e o mais espesso par as paredes das tendas. Ambos os materiais satisfazem os critérios de propagação das chamas do Método de Teste 2 da NFPA 701, Métodos Padrão para Ensaios de Incêndios par a Propagação de Chamas em Têxteis e Películas. Ambos os tipos de lonas das tendas cumprem também os critérios de desempenho de numerosas normas de ensaios utilizadas nos países onde o Cirque du Soleil atua. –Ron Coté

No topo, o incêndio do circo em Hartford. Abaixo, uma demonstração de incêndio duma lona de tenda utilizada para os espetáculos itinerantes do Cirque du Soleil. 

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