Estratégia de saída
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Lugares de Reunião Pública, Discotecas & Egreso

Estratégia de saída

Por Raymond J. Battalora, P.E., y Jack Sawyer, AIA

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Dez dicas para desenvolver plantas de segurança humana como parte da construção ou renovação dum local de reunião de público

Alguns de nossos momentos mais transcendentes ocorrem em locais de reunião de público, incluindo igrejas, restaurantes, teatros e estádios. Desde a perspectiva da segurança humana, os locais de reunião de público foram também o cenário das mais terríveis ocorrências. A lista da NFPA dos incêndios mais mortíferos em locais de reunião de público e clubes noturnos na história dos Estados Unidos é um compendio de perdas quase inimagináveis, desde o incêndio do Iroquois Theater, em Chicago, em 1903 (602 mortes), até o incêndio do clube noturno Cocoanut Grove, em Boston, (492 mortes), o incêndio do Beverly Hills Supper Club, em Southgate, Kentucky em 1977 (165 mortes) e o incêndio do clube noturno The Station, em West Warwick, Rhode Island, em 2003 (100 mortes). E não podemos esquecer dos incêndios do Cromañón em Buenos Aires, Argentina em 2004 (194 mortes), Santika Pub em Bangkok, Tailândia em 2009 (66 mortes), e Boate Kiss em Santa Maria, Brasil em 2013 (241 mortes). A concentração de pessoas nesses locais, combinada com inúmeros problemas afetando sua saída, explica a trágica notoriedade que muitos desses incêndios ganharam na história da segurança pública do país.

É em parte por isso que a evacuação - a capacidade de sair dum edifício de forma segura e rápida — é um conceito tão fundamental tanto na reforma como na nova construção de locais de reunião de público. É também por isso que o esquema de saídas — ou aquilo que o NFPA 101®, Código de Proteção da Vida, denomina “Life safety floor plan” (planta de segurança humana) - é uma ferramenta tão importante para as partes envolvidas nesses projetos.

O “floor safety plan”, acrescentado à edição de 2015 como parte de vários aprimoramentos das provisões sobre a Avaliação de Segurança Humana (LSE, da sigla em inglês) para locais de reunião de público, não deveria ser confundido com o diagrama do piso, o “floor diagram”, colocado em hotéis e dormitórios, que o Código de Proteção da Vida define como um diagrama “que reflete o arranjo real do pavimento, a localização das saídas e a identificação dos quartos”, destinado a orientar os residentes em caso de abandono de emergência. Como parte duma LSE, a planta de segurança humana é um instrumento pormenorizado que inclui todos os assuntos relacionados à evacuação do edifício — um conjunto de plantas que combinam o layout dum edifício com a informação sobre a lotação, a capacidade de evacuação e as rotas de fuga de qualquer espaço ocupado do edifício até a via pública. Essas plantas podem ajudar os arquitetos, designers, proprietários e responsáveis da verificação dos planos, as autoridades competentes (AHJ, da sigla em inglês) e utilizadores dos edifícios a reconhecer e lidar com potenciais problemas de saída, especialmente se forem elaboradas no início do processo de projeto. As plantas podem também documentar o cumprimento das provisões sobre meios de saída, deixando a equipe de projeto livre de dedicar sua energia aos aspectos mais criativos do projeto do edifício.

Em muitos casos, contudo, as plantas de segurança humana não são completas ou são preparadas como uma reflexão posterior, que surge numa fase adiantada do projeto. Embora essas plantas não sejam exigidas para a maioria dos edifícios, elas são obrigatórias como parte da LSE. A edição 2015 do NFPA 101 requer avaliações de segurança humana para os locais de reunião de público com lotação superior a 6,000 pessoas, para eventos em recintos fechados com espectadores em pé que excedam 250 pessoas e onde se apliquem os fatores de capacidade de saída mais favoráveis para distribuição de assentos protegidos contra a fumaça.

A LSE é uma análise abrangente não só da infraestrutura física como também dos tipos de eventos previstos no local, do nível de treinamento do pessoal de gestão e da avaliação de como diferentes emergências serão tratadas dentro ou fora do edifício. As plantas de segurança humana são uma parte essencial do processo. Cada projeto é finalmente sujeito à aprovação duma autoridade competente para quem a questão da evacuação será uma preocupação prioritária; o desenvolvimento duma planta de segurança humana, mesmo quando a LSE não é obrigatória, é uma forma inestimável de evitar problemas relacionados à saída, às demoras e aos custos excessivos.

Pedimos a Ray Battalora, diretor de projeto da Aon Fire Protection Engineering Corporation, em Richardson, Texas e Jack Sawyer, sócio da Eskew Dumez Ripple Architects (EDR), em New Orleans, que descrevessem 10 componentes das plantas de segurança humana e demonstrassem como as plantas funcionaram num caso real de reforma dum local de reunião de público — neste caso a recente remodelação do Civic Theatre, de 800 lugares, um centro artístico na baixa de Nova Orleans.  

1. “CONTE A HISTÓRIA” DAS SAÍDAS
RAY BATTALORA — Durante os últimos 15 anos realizei avaliações de segurança humana de muitos projetos de locais de reunião de público, grandes e complexos, ou com ocupações mistas incluindo estádios, edifícios de associações de estudantes, locais de entretenimento e grandes locais de cerimônias de graduação ao ar livre — projetos submetidos em última instância à aprovação de autoridades competentes. A partir dessa experiência, sei que a planta de segurança humana é uma forma importante de visualizar e documentar a lotação, os fluxos de ocupantes, a capacidade de saída e outros pormenores das ocupações de reunião de público e estruturas de ocupações múltiplas que contêm locais de reunião de público. Quando você preparar esse tipo de planta, pense em termos de narrativa dum evento que tem começo, meio e fim. (A narrativa de segurança humana é também um dos componentes da LSE.) A planta deveria contar a história da saída à autoridade competente, que deveria poder ver facilmente os cálculos e as notas que ilustram como o sistema de saídas funciona, desde o inicio até o fim. Ninguém, especialmente a autoridade competente, deveria precisar fazer deveres para confirmar a conformidade da planta com o Código de Proteção da Vida.

JACK SAWYER — O Civic Theatre abriu em 1906 e é o teatro histórico mais antigo de Nova Orleans. O edifício ficou vazio durante 25 anos antes do início do trabalho de reforma em 2011. As condições físicas do edifício, assim como as mudanças no bairro circundante, tornavam necessário um projeto de reforma que mudasse os padrões de saída. As escadas exteriores de incêndio, por exemplo, que permitiam a saída dos níveis superiores de assentos, estavam demasiado deterioradas para serem reparadas e sua substituição era problemática. Já que o teatro original incluía mais assentos do que os requeridos no projeto de renovação, pensamos que seria possível eliminar as escadas de incêndio e começar a trabalhar no planejamento duma série de diagramas para responder a nossas perguntas. Esses diagramas foram alguns dos primeiros esboços que fizemos no projeto, e foram continuamente atualizados à medida que avançávamos no processo de projeto.

Consultamos Ray Battalora, que nos ajudou com as questões relacionadas à alteração dos padrões de saída do edifício. À medida que o projeto avançava, Ray ajudou-nos também a desenvolver nossos diagramas de saída para obter plantas de segurança humana mais detalhadas, que se tornaram ferramentas poderosas para “contar a história” do projeto à nossa autoridade competente e tomar decisões sobre os aprimoramentos necessários dos sistemas de segurança humana.

2. CONSIDERE A APRESENTAÇÃO VISUAL
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— A orientação sobre a preparação das plantas de segurança humana se encontra na edição 2015 do NFPA 101. Os detalhes sobre os novos locais de reunião de público estão incluídos no Capítulo 12 e a informação sobre os locais de reunião de público existentes está incluída no Capítulo 13.

Normalmente, organiza-se verticalmente uma série de plantas de forma que o primeiro esquema, no topo, represente a parte mais alta da construção, como uma cobertura ou terraço e o último esquema represente o nível mais baixo, como um porão ou subsolo. Esta organização das plantas é particularmente útil para edifícios de formas irregulares e subsolos ampliados. Os mezaninos deveriam ser representados em seus níveis respectivos de pavimento ou ter suas próprias plantas. Podem ser usadas cores para indicar as linhas de fluxos de ocupantes e para comparar a lotação com a capacidade de saída durante as avaliações ou nas versões preliminares. Por exemplo, a cor vermelha pode indicar a não conformidade, como um meio de saída com capacidade insuficiente e a cor verde pode indicar a conformidade.

JS — O Civic Theatre é um local histórico com 800 assentos distribuídos no andar térreo, no mezanino (segundo nível) e no balcão (terceiro nível). Os assentos do andar térreo são removíveis, com plataformas de altura ajustável que permitem mudar a configuração do pavimento, de inclinado a plano, e colocá-lo ao nível do palco ou mais baixo para apresentações. O pavimento ajustável permite também arranjos que incluem espectadores em pé no andar térreo e espectadores sentados nos níveis superiores. O Civic Theatre está totalmente protegido por sprinklers e inclui um sistema de alarme de incêndio monitorado por estação remota.

A abordagem da EDR das plantas de segurança, incluindo as do Civic, consiste em tirar todos os pormenores supérfluos numa série de plantas baixas e colocar a informação relacionada à saída por meio de símbolos, dimensões e notas. Esse método garante que todas as notas e dimensões necessárias relacionadas ao edifício provenientes das plantas de arquitetura correspondentes sejam visíveis. A EDR combina também o andar térreo com uma planta do terreno para que todas as questões de saídas no nível térreo, incluindo as que envolvem a saída para a via pública, possam ser visualizadas imediatamente numa única planta.

A legibilidade dessas plantas é sempre um tema, e a EDR as imprime numa escala maior periodicamente para garantir que as imagens sejam claras e legíveis. Considerem que as plantas de segurança submetidas a uma autoridade competente ou utilizadas para a construção deverão normalmente ser em preto e branco, sem linhas coloridas. As cores podem ser uma parte útil do processo interno, mas a restrição para preto e branco requer um pouco mais de criatividade na diferenciação dos símbolos e do desenho vetorial.

3. MOSTRE O ESPAÇO, SEUS USOS E A LOTAÇÃO
RB — Para contar uma história exata e completa à autoridade competente, as plantas de segurança deveriam incluir tanto os pavimentos internos como informação sobre a área exterior. A informação interior inclui as paredes, as direções exatas de abertura das portas e números ou letras únicos de identificação das escadas. A informação exterior inclui o caminho até a via pública, incluindo as descargas de saída, as escadas e rampas externas, elementos da paisagem e grades de drenagem. A história que você está contando é abrangente: mostre à autoridade competente tudo o que precisa saber sobre o espaço, como uma exposição permanente no saguão dum teatro ou o contêiner de lixo que cria um obstáculo numa passagem utilizada para saída. É importante lembrar que precisamos também meios de saída em conformidade com o código para o pessoal de manutenção, incluindo pessoas que trabalham nos terraços, em espaços de serviço e nos porões.

As plantas deveriam também identificar o uso do espaço e a lotação. Cada sala ou espaço deveria ter um nome e incluir texto descritivo sobre seu uso, sua área, o fator de ocupação (área líquida por pessoa ou área bruta por pessoa) e a lotação calculada. A disposição da mobília deveria também ser indicada. Essa informação documenta a intenção do projeto e ajuda as autoridades competentes a realizar suas análises. Você deverá preparar uma planta separada para cada cenário de lotação para um espaço dado, como um ginásio que pode ser usado para jogos de basquetebol, concertos, cerimônias de graduação ou dança.

JS — A EDR desenvolveu plantas de segurança humana em escala para o Civic Theatre no início do processo de reforma. Os desenhos incluíam líneas convergentes dos fluxos de ocupantes, mostrando as concentrações de público, as distâncias de deslocamento e a rota comum a percorrer, as paredes resistentes ao fogo e outros elementos relacionados à segurança humana.

As lotações para o Civic Theatre se encontravam claramente apresentadas numa série de desenhos e tabelas separados. A intenção era organizar a informação para uma digestão rápida e fornecer separadamente os valores e cálculos nas tabelas. O projeto do Civic incluía uma plataforma para ajustar o nível dos assentos para diferentes tipos de eventos. Em lugar de produzir plantas separadas para cada arranjo de pavimento, produzimos diagramas dos assentos mostrando todos os arranjos possíveis, e utilizamos o arranjo com a lotação máxima como base para a planta de segurança. Os diagramas dos arranjos de assentos estavam incluídos no conjunto completo de desenhos para que a autoridade competente, e mais tarde os construtores, pudessem entender rapidamente as possíveis variações.

4. MOSTRE A RELAÇÃO DE SEU EDIFÍCIO COM OS PRÉDIOS VIZINHOS
RB — A história das saídas deve incluir os prédios vizinhos, se estes estiverem interconectados. A saída de seu edifício pode criar um fluxo de pessoas entrando num edifício vizinho e vice-versa, motivo pelo qual é um aspecto importante a considerar.

Outros aspetos que pode precisar incluir em suas plantas de segurança incluem edifícios múltiplos com níveis conectados por passarelas elevadas de pedestres; edifícios múltiplos que têm níveis de subsolos conectados por túneis de pedestres; edifícios múltiplos adjacentes separados por paredes corta fogo; seções no mesmo edifício separadas por portas seguras trancadas; descargas de saída em pátios abertos com saída para a via pública; afastamentos para proteção contra incêndio e questões de classificação de paredes exteriores/aberturas contra incêndio entre edifícios de acordo com o código de edificação relevante.

JS — Apesar de o projeto do Civic Theatre não ter de lidar com edifícios adjacentes, as plantas incluíam uma passagem de entrada principal compartilhada com um edifício adjacente de construção mais recente. Antes da renovação, edifícios novos e outros elementos bloquearam a entrada principal original do teatro, que era antes acessado através dum passeio que atravessava um quarteirão da cidade.

Devido a essa mudança do tecido urbano, projetou-se uma nova entrada principal para servir de acesso através duma passagem lateral utilizada previamente para serviços do teatro. Os clientes acessam agora a passagem lateral perto da parte traseira do edifício e logo caminham ao longo do teatro antes de entrar no saguão do Civic pela nova entrada lateral. Um edifício adjacente incluía uma escada de saída de estacionamento que abria nessa passagem. A lotação proveniente da saída da escada do estacionamento foi acrescentada à planta de segurança do Civic e foi utilizada para calcular a lotação máxima global utilizando a passagem como saída.

5. CALCULE E MOSTRE A CAPACIDADE DE SAÍDA
RB — A capacidade de saída baseada na largura efetiva do componente de saída deve ser conhecida e identificada no plano. O Código de Proteção da Vida fornece informação geral sobre a lotação e os fatores de capacidade de saída no Capítulo 7.

Esses valores são complementados por outra informação, incluindo requisitos específicos dos arranjos de saída que se encontram no capítulo aplicável sobre ocupação: os novos locais de reunião de público, cobertos no Capítulo 12, ou locais existentes de reunião de público, tratados no Capítulo 13. A capacidade de saída deveria ser indicada para todos os componentes principais de saída, as saídas e os elementos de descarga de saída externos ao longo do caminho até a via pública. A capacidade de saída disponível deveria ter como base a largura livre efetiva, existente ou por construir e a aplicação do fator de saída adequado com base na classificação da ocupação.

JS — As plantas de segurança humana para o projeto do Civic foram desenvolvidas com base em diferentes dimensões-chave existentes, incluindo a largura máxima disponível para as novas escadas conectando os níveis superiores de assentos ao andar térreo. Já que o espaço para essas escadas não podia ser ampliado — a largura máxima predefinida era de 62 ¼ polegadas — essa medida-chave controlava o número de assentos nos níveis superiores. As dimensões das novas escadas, junto com outras larguras das saídas e capacidades de saída são indicadas claramente para cada pavimento.

6. MOSTRE AS LINHAS DE FLUXOS
RB — As linhas de fluxos são métodos gráficos úteis para encaminhar os ocupantes ao longo do sistema de saídas. As plantas de emergência deveriam mostrar as linhas de fluxo que têm origem nas salas ou nos espaços; a lotação acumulada ao longo de cada linha de fluxo; as linhas de fluxos dirigidas até e através de cada componente de acesso às saídas; as linhas de fluxos dirigidas até e através das saídas do edifício; as linhas de fluxo dirigidas através da descarga de saída até a via pública. As linhas de fluxo num pavimento grande podem juntar-se e a lotação combinada é útil para projetar as larguras adequadas de saída para os componentes de acesso às saídas como corredores e aberturas sem portas.  As linhas de fluxo externas desde o edifício podem precisar ser unidas com as linhas de fluxos externas provenientes de edifícios adjacentes.

JS — As plantas de segurança do Civic Theatre incluem linhas de fluxo tracejadas documentando a sequencia de saída desde cada área do edifício. As linhas de fluxo foram indicadas também no exterior descrevendo fluxos convergentes dos ocupantes saindo por duas passagens paralelas conduzindo à via pública.

7. COMPARE A LOTAÇÃO E A CAPACIDADE DE SAÍDA DOS COMPONENTES DE SAÍDA
RB — É prática comum identificar nas plantas de segurança humana cada componente principal de acesso à saída, cada saída e elementos externos de descarga para a via pública com um círculo atravessado por uma linha horizontal, onde a parte superior do círculo contém o valor da lotação (o número de ocupantes encaminhados através do elemento de saída) e a parte inferior do círculo contém a capacidade de saída do elemento. Alternativamente, pode-se utilizar texto para indicar esses valores. De ambas as formas, o objetivo é que as plantas mostrem claramente às partes interessadas que a capacidade de saída é igual ou superior a lotação.

JS — A EDR adotou um símbolo da AON para descrever de forma completa a largura de saída. Esse símbolo é a flecha dividida descrita por Ray, utilizada para identificar qualquer porta ou escada. O símbolo permite que um valor mostre a lotação total permitida (baseada na largura livre) enquanto o outro mostra o número real de ocupantes que propomos encaminhar por essa abertura ou escada. Esse símbolo simples permite que as pessoas que analisam os planos sigam o aumento do número de ocupantes de ponto a ponto chegando até a via pública e que compreendam a capacidade de cada abertura ou escada por onde passariam os ocupantes. A clareza desses símbolos é essencial para que a planta de segurança conte uma história exata às autoridades competentes.

8. MOSTRAR OS COMPARTIMENTOS E A RESISTÊNCIA AO FOGO E A FUMAÇA
RB — Os elementos dos compartimentos — elementos construtivos como pisos e paredes que dividem o edifício em compartimentos de fogo e de fumaça — estão integralmente relacionados aos meios de saída. Esses elementos, incluindo as paredes corta fogo, as barreiras de incêndio, as barreiras de fumaça e as partições contra a fumaça deveriam ser identificadas na planta de segurança humana com linhas grossas e sua resistência ao fogo e todas as propriedades de resistência à fumaça deveriam ser mencionadas. Além disso, os elementos construtivos com características de compartimentos — escadas, saídas horizontais, poços de elevador enclausurados e quartos que apresentam riscos requerendo barreiras de incêndio — entre outros — deveriam ser indicados com o valor numérico da resistência ao fogo requerida e qualquer propriedade requerida de resistência à fumaça.

JS — Os teatros são um tipo interessante de edifício porque o volume do andar térreo deve também incluir assentos num nível superior como mezaninos ou balcões. Em consequência disso o NFPA 101 não requer que as escadas servindo os mezaninos ou balcões sejam enclausuradas ou construídas como compartimentos de incêndio. Os únicos compartimentos de incêndio internos necessários no Civic Theatre eram a barreira contra incêndio e a cortina corta fogo requeridas na boca de cena com duas horas de resistência ao fogo, localizadas entre o público e o palco e uma parede com resistência ao fogo de uma hora separando o fundo do palco dos camarins.  Essa proteção foi fornecida pela parede do fundo do palco e pelos muros existentes de 12 polegadas de espessura que separam o palco do salão, completados por uma nova cortina resistente ao fogo que cumpre os requisitos da NFPA 80, Portas Contra Incêndio e outras Proteções de Aberturas. Cada um desses elementos de compartimento foi incluído nas plantas de segurança humana.

9. MOSTRE AS DISTÂNCIAS DE DESLOCAMENTO E ROTAS DE ESCAPE
RB — As distâncias de deslocamento para as saídas deveriam estar indicadas para cada espaço e para todo o pavimento para ajudar a contar a história das saídas. As distâncias deveriam incluir as medidas diagonais totais, os caminhos sem saída, a rota comum de fuga e a distância total a percorrer.

JS — O plano de saída do Civic incluía as distâncias de deslocamento em locais chave da rota comum de fuga, como os camarins e o corredor adjacente, mas não incluíam distâncias similares para as principais áreas de assentos. Essa decisão foi baseada no fato que o edifício devia receber um novo sistema de sprinklers em conformidade com a NFPA 13, Instalação de Sistemas de Sprinklers, e em consequência teria uma distância de deslocamento permitida de 250 pés. Isso excedia bastante a distância real de deslocamento desde qualquer assento do nível superior, incluindo a distância a percorrer descendo por ambas as escadas não enclausuradas até uma porta de saída para o exterior. Nos casos onde a distância de deslocamento se aproxima do valor máximo permitido, a EDR costuma indicá-la nas plantas de segurança junto com as dimensões da rota comum de fuga desde cada espaço até uma saída.

10. MOSTRE OS SINAIS DE SAÍDA
RB — Um esquema de saídas pode ser um bom lugar para pensar na sinalização das saídas, já que as linhas de fluxo e os sinais de saída podem ser desenvolvidos em conjunto. Os detalhes da sinalização de saída incluem a localização, a orientação relativa ao plano da parede ou da abertura da porta, o número de lados visíveis e as flechas direcionais.

JS — Para o projeto do Civic Theatre se requeriam apenas sinais de saída luminosos, por isso não estava incluída nenhuma sinalização adicional de saída nas plantas de segurança. Em lugar disso, essa informação foi incluída em planos elétricos separados, que também foram submetidos à Autoridade Competente. Contudo, a EDR incluiu sinalização de saída nas plantas para outros projetos e pensamos que é uma ferramenta de comunicação valiosa para compartilhar também com os consultores que elaboram os projetos elétricos.

UMA HISTÓRIA ADMONITÓRIA
Porque você deveria considerar as plantas de segurança? Veja o que pode acontecer se não o fizer.

Houve um caso — um prédio novo que incluía um restaurante/espaço de reunião no último andar — onde o calculo da lotação para o local só ficou pronto quando o processo de projeto ia pela metade e ficou aparente que essa era maior que a capacidade de saída fornecida pelas duas escadas de saída enclausuradas. O problema foi tratado aplicando uma opção prescritiva do código usando saídas horizontais; causalmente, a base do piso do edifício e sua estrutura principal até os alicerces constituam uma construção com pelo menos duas horas de resistência ao fogo, requerida para suportar uma barreira corta fogo com duas horas de resistência para uma saída horizontal. Mesmo assim, isso representava um compromisso, já que eram necessárias uma parede corta fogo com duas horas de resistência e portas com resistência de uma hora e meia num espaço que havia sido considerado inicialmente como um espaço aberto.

Durante a fase inicial do projeto as escadas e seu número, localização e tamanho são linhas traçadas no papel que podem ser apagadas; acrescentar ou ampliar caixas de escadas no final do processo de projeto (ou até durante a construção) pode ser caro e muito perturbador. Se a lotação do espaço do restaurante tivesse sido calculada mais cedo, durante a fase de programa do projeto, teria sido fácil fazer uma ou ambas as caixas de escadas mais amplas para fornecer a capacidade de saída requerida para servir o fluxo de ocupantes do pavimento. Uma planta de segurança humana teria evidenciado esse problema e poupado muitas dores de cabeça às partes interessadas.

Ray Battalora, P.E., é diretor de projeto da Aon Fire Protection Engineering Corporation. Ele é membro de três Comitês técnicos da NFPA, incluindo Ocupações de Reunião de Público, Construção de Edifícios e Alimentação Elétrica de Emergência (membro suplente). Jack Sawyer, AIA, LEED AP, é diretor de projeto e sócio da Eskew Dumez Ripple Architects em Nova Orleans.

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