Característica de segurança/ameaça à segurança
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Característica de segurança/ameaça à segurança

Por Carl Baldassarra

Escapes de IncendioCem anos atrás o Comitê da NFPA sobre Segurança Humana deu o alarme sobre os escapes de incêndio externos, em seu primeiro relatório ao Comitê Executivo. Um século mais tarde, ainda estamos lutando com os problemas associados a essa tecnologia da era vitoriana.

No verão de 1975, um incêndio começou nos pisos altos dum edifício de apartamentos de arenito de cinco andares, no bairro de Back Bay, em Boston. Havia bombeiros no local, incluindo um caminhão escada e uma equipe envolvida no resgate duma jovem mulher e sua pequena afiliada, num escape de incêndio externa no último piso.

 

Quando um bombeiro ia ajudar a mulher e a criança a subirem na escada do caminhão, o escape de incêndio ruiu. Um fotógrafo estava fotografando o drama e capturou o momento em que o escape de incêndio se desprendia, precipitando a mulher e a criança na calçada enquanto o bombeiro ficava agarrado da escada. A mulher morreu no ato; a criança sobreviveu. Os jornais e as agências de notícias de todo o mundo publicaram as imagens – o fotógrafo, Stanley Forman, ganharia o premio Pulitzer para esse trabalho – e lançaram uma discussão sobre a necessidade de códigos de incêndio mais duros, levando em alguns casos as municipalidades a adotarem regulamentos mais estritos que incluíam provisões sobre os escapes de incêndio externos.

Na NFPA, a discussão decorreu por décadas. Cem anos atrás, o novo Comitê sobre Segurança Humana estava atarefado analisando em detalhe a segurança contra incêndio e das edificações. Criado em 1913 como parte da resposta da NFPA ao incêndio da Triangle Waist Company, o incêndio devastador que matou quase 150 pessoas numa fábrica de roupa na Cidade de Nova Iorque em 1911, o comitê passou seus primeiros anos analisando os incêndios notáveis que causaram perda de vidas – não só o da Triangle, como também o do Iroquois Theatre em 1903 em Chicago (mais de 600 mortos) o incêndio da Lake View School em Collinwood, Ohio, em 1908 (175 mortes) o incêndio da Fábrica de Roupa de Binghamton no estado de Nova Iorque em 1913 (831 mortos) e outros. Desde o início, o comitê reservou algumas de suas críticas mais severas para os escapes de incêndio externos, que as via como uma solução problemática ao problema mais global de conseguir tirar as pessoas dos edifícios rapidamente e de forma segura em caso de incêndio.

 Após o Triangle, as municipalidades em todo o país tinham começado a aplicar leis que exigiam meios de saída de emergência dos edifícios e as escadas exteriores fabricadas em ferro forjado se tornaram o método principal para obter esses meios – mas não sem criar novos problemas. Em seu relatório ao comitê executivo da NFPA em 1914, o Comitê sobre Segurança Humana notou uma serie de “defeitos comuns” presentes “em grande parte dos escapes de incêndio externos em uso na atualidade.” Esses problemas incluíam a acessibilidade, sua tendência a serem desprotegidas do fogo e a má qualidade do desenho – muitos escapes de incêndio antigos eram pouco mais que uma série de escadas verticais ancoradas às paredes externas. Outros problemas incluíam a ausência de escadas ou escadarias desde o segundo piso até o chão, condições gerais deficientes, cobertura por gelo ou neve e seu uso como áreas de armazenagem externas pelos ocupantes dos edifícios. Apesar dessas limitações, o comitê disse: “O fato é que os escapes de incêndio externos são a provisão especial de escape mais comum e que estão inscritas na legislação dos Estados e que estarão conosco por muito tempo.”

Um século mais tarde, muitos desses edifícios antigos – e seus escapes de incêndio preocupantes – estão ainda de fato conosco. Contudo, os escapes de incêndio estão muitas vezes longe da vista, longe da mente; são elementos dos edifícios que são familiares e considerados como saídas secundárias “adequadas” sem muita análise, embora seja fácil para os profissionais de proteção contra incêndio negar que os escapes de incêndio externos proporcionem qualquer benefício mensurável como meios de saída. De fato, devido aos perigos que apresentam os escapes de incêndio não foram reconhecidos como um meio de saída aceitável na nova construção desde o Código de Saída dos Edifícios – o precursor do NFPA 101®, Código de Proteção da Vida – em 1927. A alternativa é a caixa de escadas enclausurada certificada, que foi também reconhecida na edição 1927 do Código de Saída dos Edifícios como um meio de saída bastante confiável, fácil de usar e que a maioria das pessoas utiliza cada dia.

Mas as iniciativas de conservação em todo o país procuram manter os edifícios mais antigos e enquanto a reforma dessas estruturas é considerada como parte dos esforços de reestruturação de seus bairros, os escapes de incêndio externos são muitas vezes considerados como um dos meios de saída desses edifícios. Devido a nossa tendência a ignorá-los, perdemos, às vezes, a oportunidade de aplicar as exigências para aprimorar as aberturas protegidas e o acesso aos escapes de incêndio. O risco de incêndio associado a alguns desses edifícios nem sempre é evidente: um incêndio sério num piso baixo exigiria que muitas pessoas utilizassem os escapes de incêndio, submetendo-as a uma prova física que talvez não tenham passado por décadas, para não dizer nunca. Nossas cidades mais antigas estão cheias de edifícios com uma única escadaria central, ou até escadas não enclausuradas, fato que dá ainda mais importância aos escapes de incêndio externos como meio secundário de saída.

Embora os escapes de incêndio externos sejam raramente testados na vida real como meios de saída de emergência, os riscos permanecem. Após o incêndio do edifício da administração do Condado de Cook, no centro de Chicago em 2003, que causou seis mortes, uma pesquisa em centenas de edifícios altos na cidade revelou um sem-número de deficiências relacionadas aos escapes de incêndio externos existentes, desde uma abertura não protegida na parede até condições de acesso difíceis ou quase impossíveis – problemas idênticos aos condenados pelo comitê da NFPA sobre a Segurança Humana quase um século antes e caraterísticas comuns aos escapes de incêndio externos em comunidades de todo o país. Cada escape de incêndio externo vem acompanhado duma pergunta fundamental: em última instância, o escape de incêndio externo pode ser utilizado efetivamente quando necessário, quer pelos ocupantes do edifício, quer pelos socorristas? Ficará ancorado ao edifício se for utilizado? Seus componentes funcionarão juntos? Poderá servir aos ocupantes portadores de deficiências?

Essas perguntas não constituem em si um problema. A dificuldade para os profissionais da proteção contra incêndio – e nossa preocupação moderna com a herança tecnológica dos escapes de incêndio – é que muitas vezes não podemos fornecer respostas.

Como chegamos aqui: uma breve história dos escapes de incêndio
A construção de edifícios mais altos nos Estados Unidos começou em meados do século dezenove. Muitos desses edifícios tinham apenas uma escada de madeira simples aberta, localizada no centro do edifício e conectada aos corredores servindo os apartamentos ou as áreas de escritório, muitas vezes numa configuração de “beco sem saída”. Apesar de serem cômodas, essas escadas eram o único meio de acesso e saída no dia-a-dia, apresentando ao mesmo tempo o risco de ser inutilizáveis num incêndio e de se tornarem um meio de propagação rápida do incêndio. Isso causou uma serie de incêndios fatais.

Em 1860, a Cidade de Nova Iorque requereu que todos os edifícios residenciais com mais de oito unidades tivessem um meio secundário de saída. No mesmo ano, a empresa Baker e McGill de Nova Iorque patenteou um desenho que incluía quase todos os principais componentes daquilo que conhecemos hoje como as tradicionais escapes de incêndio externos de ferro, que consistem duma série de escadas estacionárias ou ajustáveis, degraus ou escadas de mão.

Em resposta à pressão a favor duma reforma da habitação, o Estado de Nova Iorque adotou o primeiro Tenement House Act (Leis para Conjuntos Habitacionais) em 1867, que tornava obrigatória a instalação de escapes de incêndio externos em todos os prédios de apartamentos. Contudo, a lei não era considerada suficientemente específica para ser efetiva, já que requeria apenas que os prédios de apartamentos tivessem escapes de incêndio externos ou “algum outro” meio de saída aprovado. Foram incluídos aprimoramentos progressivos no segundo Tenement House Act, adotado em 1879 e em emendas aprovadas em 1887.

Em 1899, no dia de São Patrício, um incêndio começou no segundo piso do Windsor Hotel, na Cidade de Nova Iorque. O incêndio se propagou rapidamente, deixando muitas pessoas presas nos pisos superiores do edifício de sete andares. O edifício tinha algums escapes de incêndio, mas de acordo com alguns relatos, as chamas que saiam pelas janelas aqueceram-nos até torná-las inutilizáveis. Os quartos estavam equipados com cordas que deviam ajudar as pessoas a pôr-se a salvo; a dificuldade de deslizar pela corda era tal que foi descrita, num relato, como “um ato executado apenas por um atleta,” e mesmo aqueles que podiam executar o movimento estavam forçados a largar a corda porque lhes queimava as mãos. Como resultado, muitos caíram e morreram ou saltaram pelas janelas para fugir das chamas; o colapso da estrutura matou muitos mais. Quase noventa pessoas morreram no evento. O incêndio suscitou uma efusão de protestos sobre a utilização das cordas como meio de saída. Novas leis sobre as saídas de incêndio foram propostas no Estado de Nova Iorque, com provisões mais detalhadas para a construção e utilização dos escapes de incêndio.

Um momento decisivo para a segurança dos edifícios ocorreu em 26 de março de 1911, quando um incêndio na Triangle Waist Co., uma fábrica de roupas localizada no oitavo, nono e décimo andar dum edifício de 11 pisos na Baixa Manhattan, cobrou a vida de quase 150 trabalhadores, a maioria meninas e mulheres jovens. A terrível perda de vidas foi atribuída, em parte, às saídas inadequadas e fechadas assim como a um escape de incêndio na parte traseira do prédio que ruiu, matando muitos trabalhadores que estavam escapando. A falta duma autoridade na Cidade de Nova Iorque globalmente responsável pela a aplicação dos regulamentos e o caráter pouco definido da lei sobre saídas foram ambos responsabilizados pela tragédia. A Seção 103 do código de edificações da cidade incluía em suas formulações escapes de incêndio, escadarias ou outros meios de saída “bons e suficientes” e deixava os termos “bons e suficientes” à interpretação de cada inspetor.

O impacto do incêndio da Triangle sentiu-se muito além de Manhattan e do estado de Nova Iorque. A NFPA iniciou discussões sobre segurança na sequencia da Triangle, incluindo uma avaliação inflexível dos escapes de incêndio externos. Essas conclusões, publicadas no Trimestral da NFPA em 1911, fortaleceram a posição do público sobre os escapes de incêndio externos:

Sabe-se há muito tempo que a escada de ferro externa comum, ancorada à parede do edifício, é uma ilusão lamentável. Esse dispositivo contribuiu durante um quarto de século como elemento principal da tragédia em todos os incêndios que causaram pânico. Passando sucessivamente pelas aberturas das janelas de cada piso, as chamas que saiam de cada janela em qualquer andar podiam cortar a descida de todos os pisos superiores... Suas plataformas são em geral lastimosamente pequenas e uma corrida desde vários pisos ao mesmo tempo deixa-as totalmente congestionadas e obstruídas. É um produto precário da cobiça dos proprietários, muitas vezes transformado em algo ainda mais inútil pela ignorância dos ocupantes, que as enchem de garrafas de leite, congeladores e outras obstruções.

Como resultado do Triangle e de outros incêndios com grandes perdas de vidas, a NFPA organizou o Comitê sobre a Segurança Humana em 1913 para produzir recomendações sobre o aprimoramento da segurança das saídas dos edifícios. Os relatórios do Comitê foram publicados em forma de folheto, incluindo “Escadas Externas para Saídas de Emergência” (1916). O Comitê não reconheceu os escapes de incêndio externos como um meio aprovado de saída em novas construções e recomendou seu uso apenas para corrigir as deficiências em edifícios existentes.

O trabalho do comitê contribuiu para a criação do Código de Saída dos Edifícios, que foi aprovado em 1927. O Código de Saída dos Edifícios incluiu uma nova provisão que especificava escadas externas, em lugar de escapes de incêndio, como meios exteriores de saída. As escadas externas tinham critérios mais rigorosos do que os escapes de incêndio em relação à largura da escada, degraus, colunas, materiais de construção e à proteção da escada em relação ao interior do edifício por aberturas certificadas contra incêndio. O código também incluía o seguinte:

201. As escadas externas especificadas por este código são muito superiores aos escapes de incêndio comuns que se encontram usualmente nos edifícios. Esses escapes de incêndio inadequados, frágeis e íngremes, desprotegidos das chamas provenientes da estrutura à qual estão fixadas, são claramente uma ameaça porque dão uma falsa impressão de segurança. Esse tipo de escapes não é reconhecido por este código.

Mesmo as escadas externas de qualidade superior, construídas de acordo com este código, têm sérias limitações que podem prevenir seu uso efetivo em caso de incêndio. Mesmo onde existe proteção das janelas, as condições podem fazer que o fogo (ou a fumaça produzida pelo fogo) nos pisos inferiores impeça a passagem nas escadas antes que os ocupantes dos pisos superiores tenham tempo de usá-las. As escadas externas podem estar bloqueadas pela neve, pelo gelo ou por chuva congelada no momento em que são mais necessárias.

As pessoas que utilizam as escadas externas a uma altura considerável provavelmente terão receio e descerão as escadas, se o fizerem, muito mais lentamente do que o fariam nas escadas internas dos edifícios... Os ocupantes dos edifícios não as utilizarão tão facilmente em caso de incêndio como usariam os meios de saída normais, as escadas internas. Como são dispositivos de emergência que não se usam normalmente, sua manutenção pode ser descuidada.

Apesar de seus defeitos, os escapes de incêndio externos operaram efetivamente por décadas e ajudaram a salvar inúmeras vidas durante incêndios e outras emergências. O incêndio no Hotel LaSalle em Chicago, em 1946, foi pelo menos um êxito parcial para os escapes de incêndio. O hotel de mil quartos foi construído em 1909 e qualificado como “o hotel mais confortável, moderno e seguro ao oeste de Nova Iorque”. Um incêndio se declarou perto do lobby pouco depois da meia-noite e se propagou rapidamente; o trabalho de reforma e um poço de escadas aberto permitiram que a fumaça subisse pelos 22 pisos do hotel, tornando as escadas intransitáveis. Das 61 pessoas que morreram no incêndio, a maioria faleceu pela inalação de fumaça. Aproximadamente 900 hóspedes conseguiram abandonar o edifício, muitos dos quais pelos escapes de incêndio externos. Repórteres tiraram fotografias famosas das filas de hóspedes esperando com calma para descer pelos escapes de incêndio em ziguezague do edifício. O resultado do incêndio foi a aplicação, pelo Conselho Municipal de Chicago, de novos códigos de construção dos hotéis e de procedimentos de combate ao incêndio, incluindo a instalação de sistemas de alarmes automáticos e instruções de segurança contra incêndio dentro dos quartos de hotel.

Um dos últimos edifícios importantes, do ponto de vista arquitetônico, a incluir escapes de incêndio externos foi o Commonwealth Building, conhecido hoje como o Equitable Building, em Portland, Oregon. Projetado por Pietro Belluschi, um conhecido arquiteto modernista, foi um dos primeiros edifícios altos de vidro e aço (originalmente com 12 pisos, mais tarde com 14) a ser construído. Foi finalizado em 1948 e muito aclamado e recebeu em 1982 o 25-Years Award do Instituto Americano de Arquitetos. Está também inscrito no Registro Nacional de Locais Históricos.

O edifício era um dos primeiros exemplos de sistema de paredes-cortinas seladas, com climatização central – um projeto que parece incompatível com escapes de incêndio externos. Contudo, não tinham sido construídos muitos prédios nas duas décadas anteriores e, aparentemente, os códigos não tinham sido atualizados para lidar com, ou proibir o uso dos escapes de incêndio externos. Provavelmente, o construtor queria maximizar a quantidade de área rentável e insistiu na utilização de escapes de incêndio externos em lugar das escadas internas. Considera-se o resultado como um raro exemplo de arranha-céu de vidro e metal pós 2ª Guerra Mundial com escapes de incêndio externos. 

Avançando
O Código de Proteção da Vida deu preferência às escadas internas para as novas construções desde seu lançamento em 1927, provisões que permanecem no código até hoje. Contudo, escapes de incêndio externos podem ser acrescentados a edifícios existentes para a maioria dos usos – os estabelecimentos de educação sendo uma exceção notável – se forem autorizadas pelas autoridades competentes. Naqueles casos, contudo, não se autorizam as escadas verticais, por que é difícil utilizá-las em condições adversas; tampouco está autorizado o acesso pelas janelas, que apresentam também dificuldades para chegar de forma segura ao escape de incêndio. O acesso é permitido apenas por portas que cumprem determinados critérios.

O código inclui também provisões para a inspeção e manutenção dos escapes de incêndio. Como para muitos outros componentes de segurança, a manutenção dos escapes externos é essencial para garantir que sejam utilizáveis e seguros. Os escapes de incêndio devem ser mantidos livres de obstruções e devem poder ser acessados livremente do interior do edifício através de portas e janelas, proteções resistentes a fogo devem ser instaladas nas aberturas e a integridade estrutural dos escapes de incêndio e sua ancoragem à estrutura do edifício deve ser mantida. Este é um enfoque essencial da inspeção dos escapes de incêndio; em janeiro, uma pessoa morreu e duas ficaram gravemente feridas quando um escape de incêndio do terceiro andar ruiu num edifício de apartamentos na Filadélfia. As pessoas tinham ido fumar na plataforma do escape de incêndio durante uma festa de aniversário.

A ferrugem é a primeira ameaça de deterioração do ferro fundido ou forjado. Se não se fizer nada para parar o processo, o metal pode se deteriorar completamente. A remoção e prevenção da ferrugem constituem o primeiro passo para a conservação dos escapes de incêndio. A ferrugem ocorre também quando a humidade se acumula nas juntas, fissuras e rachas da alvenaria onde está ancorada a escada. A corrosão pode causar a deterioração do ferro e da alvenaria, debilitando a ancoragem da estrutura. Os parafusos deveriam ser removidos e inspecionados como parte da inspeção regular do escape de incêndio. A substituição de componentes pode ser necessária quando houver uma deterioração grave. A negligência de longo prazo pode levar ao colapso estrutural, incluindo a perda de ancoragem à alvenaria da parede.

Enquanto a exposição ao fogo em si é amplamente reconhecida como uma ameaça à integridade estrutural do ferro forjado exposto, essa consideração não era contemplada normalmente para as instalações de escapes de incêndio. Não existe um relato claro sobre esse tópico. Claramente a exposição ao fogo da estrutura de suporte durante um período de tempo suficiente acabaria debilitando o material, resultando no colapso. Esse tópico, porém, não foi abordado nos critérios de instalação para os escapes de incêndio além das proteções das aberturas requeridas, provavelmente para benefício dos ocupantes do edifício que poderiam estar expostos utilizando os escapes de incêndio.

A utilização dos escapes de incêndio pelo público em condições de emergência foi considerada há muito tempo como uma experiência indesejável, julgando pelo relatório do Comitê sobre Segurança Humana quase 100 anos atrás. Essa preocupação não era infundada, já que as pessoas não são usualmente treinadas ou preparadas para a utilização dos escapes de incêndio. O comportamento humano sugere também que, para muitas pessoas, seria muito desagradável sair por um escape de incêndio, acessando em geral uma plataforma gradeada situada a muitos metros acima do chão e muitas vezes num clima adverso ou na escuridão. Esses dispositivos são claramente projetados para serem usados como ultimo recurso caso as rotas internas ficassem intransitáveis. Por esses motivos manter o acesso desimpedido e testar regularmente os componentes funcionais é ainda mais importante para evitar ferimentos durante a saída por ocupantes sem experiência e treinamento, assim como pelos socorristas que podem precisar dos escapes de incêndio em caso de emergência.

Usualmente, pode-se dizer que, com base na análise de muitos dos códigos vigentes, os requisitos de inspeção e manutenção dos escapes de incêndio são incoerentes e poderiam ser reforçados. Os códigos normalmente estabelecem claramente que os escapes de incêndio externos não podem ser utilizados nas novas construções, mas existem poucos requisitos sobre os escapes de incêndio nos edifícios existentes. Tanto o NFPA 1, Código de Incêndios, como o NFPA 101 contêm apenas referências gerais à manutenção dos escapes de incêndio. Além da exigência de manter os meios de saída livres de obstruções, não existem critérios específicos sobre a frequência ou método para a inspeção, a pintura ou os testes de carga dos escapes de incêndio. (A edição de 2012 do Código de Incêndio Internacional ampliou de alguma forma os critérios de inspeção, testes e manutenção). A análise e revisão geral dos códigos poderiam representar um aprimoramento significativo dos critérios de inspeção e manutenção e fornecer uma melhoria correspondente da proteção da vida para os ocupantes dos edifícios e os socorristas.

Grupos como a Associação Nacional de Escapes de Incêndio estão trabalhando para conscientizar e oferecer treinamento e serviços para os escapes de incêndio. As regras e regulamentos padronizados podem ajudar a aumentar o tempo de vida útil do estoque existente de escapes de incêndio.

Além disso, critérios adicionais para aprimorar a proteção e o arranjo dos acessos aos escapes de incêndio no momento da renovação dos edifícios deveriam estar especificamente incluídos nos códigos de incêndio e nos códigos de edificações existentes. Esse tipo de reformas pode ser a única oportunidade razoável para aprimorar o nível de segurança dos escapes de incêndio externos durante a vida útil dum edifício.

Os escapes de incêndio externos continuarão a ser parte do ambiente edificado durante os próximos anos e é muito importante que sejam inspecionados e mantidos de forma adequada e que nossos códigos e normas mantenham a vigilância para proporcionar aos proprietários e à comunidade que faz aplicar as leis os critérios para fazê-lo. Além disso, os projetistas profissionais deveriam procurar oportunidades durante as grandes reformas de edifícios para eliminar a utilização dos escapes de incêndios aprimorando outros elementos de saída quando for possível. Arriscamos uma grande tragédia permitindo que se escondam à vista de todos.

Carl Baldassarra é engenheiro de proteção contra incêndio certificado em Chicago.

 

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