Normas no exterior
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Ocupações Institucionais/Culturais

Normas no exterior

Por Jesse Roman

Normas NFPAUma conversa com Andrew Scott e Robert Diggs, do Bureau of Overseas Buildings Operations do Departamento de Estado sobre embaixadas, incêndios e segurança humana, e mais.



O Bureau of Overseas Buildings Operations do Departamento de Estado dos Estados Unidos (OBO, da sigla em inglês) tem uma missão colossal. Quase todos os edifícios oficiais dos quais os Estados Unidos são proprietários ou arrendatários, sob a autoridade do Chefe de Missão, são responsabilidade do OBO – desde embaixadas, consulados e residências até complexos de escritórios, unidades residenciais, quarteis da Marinha e instalações de apoio como armazéns, edifícios de manutenção, pistas de aviação e unidades médicas de emergência. O portfólio inclui 275 missões em 190 países, somando mais de 34 milhões de pés quadrados de propriedades e 35 milhões de pés quadrados de locais arrendados.

O OBO lida com todos os aspectos dum edifício, incluindo projeto, construção, aquisição, venda e manutenção, com um orçamento anual de construção de 2.2 bilhões. “Em todos os casos, a missão do OBO é a mesma – proporcionar instalações seguras, protegidas e funcionais que apóiem as necessidades de nosso pessoal em serviço no exterior e os objetivos da política externa do governo dos Estados Unidos,” disse a Diretora do OBO, Lydia Muniz, durante uma audiência no Congresso em julho passado. Andrew Scott, arquiteto projetista do OBO e Robert Diggs, engenheiro de proteção contra incêndios, somam juntos 36 anos de serviço no OBO, participando da missão do Departamento que consiste em garantir que as embaixadas do país no exterior sejam construídas de acordo com os mais altos padrões de segurança, proteção da vida e funcionalidade. Scott e Diggs falaram com o NFPA Journal sobre seu trabalho e os desafios que enfrentam para manter os mais altos padrões disponíveis construindo nos ambientes mais diversos – e, às vezes, perigosos – que se possam imaginar.

Como trabalham juntas as diferentes partes do Departamento e quais são seus papéis individuais?
Scott: cada disciplina está representada na organização: mecânica, eletricidade, estruturas, segurança humana, incêndio, arquitetura, arte e desenho interior. Temos também profissionais do ramo imobiliário, coordenadores de projeto, gerentes de construção, orçadores, gerentes de instalações e gerentes de segurança – tudo o que se precisa para desenvolver e manter propriedades no mundo inteiro. Durante o processo de planejamento e desenvolvimento do projeto, os especialistas do combate a incêndio e os diretores de projeto, entre outros, ocupam posições chave nas equipes. Meu papel como arquiteto e diretor de projeto inclui tratar das questões de arquitetura e garantir que todas as diferentes disciplinas formem uma visão comum do edifício.

Diggs: como engenheiro de proteção contra incêndios, coordeno as exigências de segurança, de proteção da vida e de engenharia de proteção contra incêndios – com o objetivo principal de garantir que as estruturas sejam seguras e que cumpram razoavelmente os códigos.

Cumprir razoavelmente os códigos?
Utilizo o termo “razoavelmente” porque muitas vezes devemos tomar decisões equivalentes ou modificar o edifício para garantir a integração de tudo o que precisamos do ponto de vista de segurança. Um exemplo são as exigências para hidrantes verticais de Tipo 1. Exigimos apenas 65 psi, embora a NFPA 14, Norma para a Instalação de Sistemas de Hidrantes Verticais e Mangueiras, peça 100 psi. A razão disso é que o corpo de bombeiros local não pode lidar com 100 psi, por isso não há motivos para impor um requisito que não pode ser cumprido. Dito isso, somos estritos com o cumprimento dos códigos, porque somos também a autoridade competente. Então como proprietário, olhamos para isso duma forma e como autoridade competente fazemos um tipo de auto fiscalização, o que é uma carga para nós. 

São autoridade competente apesar de estarem num país estrangeiro? Como funciona isso?
Diggs: as instalações das missões diplomáticas são invioláveis de acordo com a lei internacional, então em geral podemos seguir nossas próprias normas. Ao mesmo tempo, existe uma obrigação de respeitar a lei do estado recipiente e razões práticas para manter boas relações com as autoridades locais, por isso tentamos resolver de forma amigável com as autoridades locais qualquer assunto relacionado a conflitos com as normas locais ou a normas locais mais estritas com base em cada caso específico. 

Que tipo de adaptação dos códigos devem introduzir?
Diggs: no NFPA 101®, Código de Proteção da Vida, existe um item chamado instalações de acesso limitado – um edifício que tem acesso limitado do ponto de vista do incêndio e do resgate. Nossos edifícios pertencem a essa categoria. Embora não sejam tecnicamente desprovidos de janelas, funcionalmente não as têm, porque você não pode entrar rapidamente no edifício pela janela. Por isso se aplicam uma série de requisitos do código de construção. Avaliamos o risco, olhamos para o uso do prédio e basicamente o tratamos como uma estrutura especial. Não impomos todos os requisitos para instalações de acesso limitado, instalações subterrâneas ou sem janelas. Em lugar disso, utilizamos requisitos que se aplicam aos prédios altos e outros edifícios e construímos um tipo de edifício com um projeto baseado no desempenho. Essa é a abordagem macro que adotamos para o projeto. 

O grande número de edifícios e a diversidade dos ambientes e das condições devem apresentar muitos desafios para um arquiteto.

Scott: estamos construindo em contextos muito diferentes, desde ambientes desérticos muito quentes com pouco acesso a qualquer tipo de infraestrutura, até ambiente urbanos muito bem desenvolvidos como Londres, Paris ou Jacarta.

Nosso trabalho inclui construir longe do centro da cidade em espaços grandes abertos e construir em áreas urbanas densamente povoadas, ambos apresentando alguns desafios interessantes. Por exemplo, em Jacarta, estamos construindo um edifício de 10 pisos. Além de definir as instalações como edifícios sem janelas e encontrar soluções para isso, devemos também considerar questões de segurança. Existem algumas partes dos edifícios onde precisamos um acesso restrito, que ao mesmo tempo cria uma barreira. Em nossas instalações você precisa de dois meios de saída e muitas vezes consegui-lo representa um desafio. Então às vezes encontramos algumas soluções híbridas onde podemos ter portas que utilizam um tipo especial de mecanismo de saída.  

Que tipo de avaliação devem fazer antes de começar a projetar o edifício?
Scott: antes de começar a projetar fazemos um levantamento preliminar realmente abrangente.

Qual é o clima político nesse ambiente? Qual é a probabilidade de ter problemas porque ocorrem sublevações ou protestos? O levantamento abrange também os custos dos materiais e da mão-de-obra. Inclui todas as condições ambientais e se a zona é sísmica ou sujeita a inundações. Perguntamos qual é o tipo de proteção contra incêndio existente na cidade: tem um corpo de bombeiros? Que tipo de reservatórios está disponível? Fazemos um levantamento realmente exaustivo de forma que, quando começamos a projetar, temos uma idéia bastante certa das limitações que devemos levar em conta.

No mundo atual há muitos distúrbios, desde Ucrânia até Gaza e Síria. Houve eventos trágicos na Líbia em 2012, quando militantes atacaram a sede diplomática em Benghazi e mataram o embaixador dos Estados Unidos e um oficial do Foreign Office. Qual é o impacto desses eventos do mundo real sobre o OBO e seu trabalho?
Scott: O departamento revisa nossas normas com freqüência e está sempre pronto a reconsiderar aquilo que funciona e aquilo que não funciona. Muitas vezes perguntamos, ‘o que poderíamos fazer melhor?’. Às vezes temos o projeto em curso e é difícil mudar de orientação. Outras vezes o projeto ainda está no papel e podemos realizar mudanças facilmente.

É evidente que você precisa manter muita flexibilidade durante o processo de projeto, mas existem elementos que são padronizados e que devem constar em cada edifício?
Diggs: existem elementos específicos padronizados em nossos edifícios do ponto de vista da proteção contra incêndios, um dos quais é a bomba de incêndio. Em geral projetamos nossas bombas de incêndios a 1000 galões por minuto e 150 psi. Isso e um padrão mínimo. Nossos edifícios são também bastante auto suficientes. Não estamos numa ilha, mas fornecemos nossa bomba de incêndio, temos nosso gerador, temos todos os tipos de mecanismos para garantir que a embaixada continue a funcionar, mesmo nas circunstâncias mais críticas. Um bom exemplo foi o de Port Au Prince, Haiti, onde acabávamos de finalizar uma instalação projetada com normas anti sísmicas muito estritas, e essa estrutura aguentou um enorme terremoto com danos mínimos. Tornou-se um centro de atividade para a reconstrução daquele país. E tudo volta ao código. 

Tiveram um projeto recente que foi particularmente desafiante?
Diggs: Houve uma chancelaria de cinco andares no Suriname que não tinha sistema de sprinklers porque tinha sido construída muito tempo atrás. Para evitar o custo desnecessário de colocar um tanque de água separado na propriedade, construímos uma piscina de quatro pés de profundidade no terreno, rodeada de alguma mobília de jardim, de maneira que eles tinham agora um elemento de água no jardim e nós conectamos a piscina a uma bomba de água vertical de tipo turbina por meio dum canal e um sistema de tipo poço, que cumpre plenamente os requisitos da NFPA 20, Norma para a Instalação de Bombas Estacionárias para Proteção Contra Fogo. Com um pouco de inovação e de pensamento anticonvencional chegamos a uma situação de ganho mútuo para todos, tanto do ponto de vista arquitetônico como do ponto de vista da engenharia.

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A National Fire Protection Association (NFPA) é a fonte dos códigos e normas que regem a indústria de proteção contra incêndios e segurança da vida.