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Comisionamiento & Provas Integradas

Um documento novo para resolver velhos problemas

Por Javier Sotelo

NFPA 3, a melhor ferramenta para o comissionamento dos sistemas de proteção contra incêndio.

NFPA 3, a melhor ferramenta para o comissionamento dos sistemas de proteção contra incêndio. 

Na etapa de entrega de muitos projetos de proteção contra incêndios ocorre com freqüência que se confundam os requisitos de inspeção, testes e manutenção, com os requisitos para a aceitação e recepção dos sistemas contra incêndio. Os primeiros estão estabelecidos na NFPA 25, Norma para a Inspeção, Teste e Manutenção dos Sistemas Hidráulicos de Proteção contra Incêndio e, para o caso dos sistemas de alarme, o NFPA 72, Código Nacional de Alarme de Incêndio e Sinalização. Os segundos, por sua vez, estão definidos em cada uma das normas de projeto e instalação. Na tabela que segue, indica-se o número da norma e o respetivo capítulo onde se encontram os requisitos para a aceitação de cada tipo de sistema contra incêndio.

Tipo de Sistema Norma NFPA e capítulo aplicável
Sistema de sprinklers automáticos NFPA 13, Capítulo 24
Sistemas de tubulação vertical  NFPA 14, Capítulo 11
Sistema de água pulverizada NFPA 15, Capítulo 10
Sistemas de sprinklers de água-espuma NFPA 16, Capítulo 8
Bombas contra incêndio NFPA 20, Capítulo 14
Tanques de água para sistemas contra incêndio NFPA 22, Capítulo 17
Redes privadas contra incêndio NFPA 24, Capítulo 10


A confusão entre os critérios de aceitação e os requisitos de inspeção, testes e manutenção, leva à aceitação errônea de sistemas contra incêndio, seguindo os protocolos dados pela NFPA 25, sem executar os testes e cumprir os requisitos documentais estabelecidos em cada norma específica. 

Os capítulos mencionados na tabela anterior definem dois critérios de aceitação para cada tipo de sistema contra incêndio: requisitos documentais e requisitos operativos. Os requisitos documentais incluem toda a informação necessária ao proprietário do sistema para garantir uma correta operação e a realização de testes e manutenção no futuro; esta informação inclui, entre outros: desenhos de projeto e planos finais de obra (as-built), filosofia de projeto e operação, cálculos hidráulicos, especificações de materiais instalados, catálogos de equipamento, instruções de operação dos componentes e informações sobre provedores de peças sobressalentes correntes e especiais. Os requisitos operativos incluem todos os testes necessários para a operação correta do sistema, entre estes podemos mencionar: teste hidrostático, lavagem de tubulações, teste de desempenho das bombas, teste de vazão em sistemas de tubulações verticais e testes de operação e vazão nos sistemas de aspersão de água.

Às vezes estes testes de recepção não seguem a metodologia planejada e documentada, mas ficam para o último momento; nesse caso, o melhor que pode ocorrer é que tudo funcione bem. Contudo, se ao contrário aparecerem problemas ou necessidades de correção, em muitas ocasiões ficam como atividades pendentes que, se não forem resolvidas de forma adequada e imediata, deixam o sistema operando de forma incorreta.

Se enquadrarmos a direção dum projeto de proteção contra incêndios dentro da metodologia estabelecida pelo Project Management Institute na sua Guia de Fundamentos para a Direção de Projetos (Guia do PMBOK, quarta edição), veremos que esta metodologia define cinco grupos de processos para a execução de qualquer projeto; um desses grupos se denomina “grupo dos processos de acompanhamento e controle” e contem treze processos específicos, todos referidos ao monitoramento, a análise e observação do desempenho de um projeto. O benefício central desse grupo de processos é que o desempenho do projeto mede-se de forma sistemática e regular, o que permite identificar variações quanto ao plano original. O grupo de processos de acompanhamento e controle acompanha o projeto do início ao fim e é neste grupo que se deve definir quais são os mecanismos de controle de qualidade, testes operativos e procedimentos similares que serão necessários para alcançar o cumprimento do objetivo do projeto; isso significa que num projeto de proteção contra incêndio os testes de aceitação e verificação devem ser programados desde o processo de projeto, verificando se o projeto cumpre as normas, os regulamentos e a cobertura de risco.

Seguindo esse modelo a proposta para que essas tarefas não fiquem somente para o fim é levar a cabo um plano lógico, documentado, aceito pelas partes, que defina desde o princípio do projeto os momentos em que cada sistema deve ser verificado e testado para sua aceitação em separado, os momentos em que os sistemas devem ser testados de forma integral e, além disso, um processo que produza um ciclo de revisões permanentes e mecanismos de correção adequados. Este é o objetivo e o alcance da NFPA 3, Prática Recomendada para o Comissionamento e Testes Integrados de Sistemas de Proteção contra Incêndio e Segurança Humana, cuja edição 2012 foi publicada recentemente.

Antes de tudo, vejamos o escopo e a aplicação da NFPA 3: o Capítulo 1 (Administração) nos indica que esta prática recomendada provê os procedimentos, os métodos e a documentação para a entrada em serviço e os testes integrados das proteções ativas e passivas contra incêndio e dos sistemas de segurança humana e suas interconexões com outros sistemas do edifício. A NFPA 3 pode-se aplicar aos seguintes sistemas de proteção contra incêndios ativos e passivos e sistemas de segurança humana (Ver a lista completa na NFPA 3-2012:1.3.1):

  • Sistemas fixos de supressão e controle de incêndios
  • Sistemas de detecção e alarme de incêndios
  • Sistemas de comunicações de emergência
  • Sistemas de controle e manejo de fumaça
  • Sistemas de fornecimento de energia
  • Sistemas de prevenção e controle de explosões
  • Sistemas de elevadores
  • Sistemas de meios de saída e seus componentes
  • Sistemas de barreiras corta-fogo e corta fumaça
  • Sistemas associados com a operação de cozinhas comerciais
  • Outros sistemas que intervenham na proteção contra incêndio e a segurança humana (controle de acesso, processos críticos, entre outros).

Como em toda norma NFPA, no Capítulo 2 encontramos as normas de referência e no Capítulo 3 as definições. O ponto 3.3.3.1 define o comissionamento como um processo sistemático, destinado a prover a confirmação documentada de que os sistemas do edifício funcionam de acordo com os critérios de projeto previstos e satisfazem as necessidades operacionais do proprietário, incluindo o cumprimento das leis, regulamentos, códigos e normas aplicáveis.

No capítulo 5 começa a parte operativa do documento, onde encontramos que o comissionamento de um sistema contra incêndios deve ser definido a partir da divisão do projeto em quatro fases ou etapas na seguinte ordem:

  1. Fase de planejamento
  2. Fase de projeto
  3. Fase da construção
  4. Fase da ocupação

Na fase de planejamento (3:5.2) se define o pessoal que integrará a equipe de comissionamento e suas funções durante todo o processo. Esta equipe deve possuir qualidades e requisitos ou qualificações técnicas e profissionais que se especificam no capítulo 4 da NFPA 3, o que quer dizer que já contamos com uma ferramenta para definir as competências adequadas do pessoal que participa no comissionamento.

A fase de planejamento se define a partir de dois conceitos novos introduzidos pela NFPA 3: as bases de projeto (Base of Design) e os requisitos de projeto do proprietário (Owner’s Project Requirements): esses são os documentos a partir dos quais se introduzem a definição, o planejamento e o escopo do comissionamento.

No capítulo 5, (3:5.3, 3:5,4 e 3:5.5), se encontram as atividades de entrada em serviço que se desenvolvem nas fases de projeto, construção e ocupação do edifício; essas atividades devem sempre estar ligadas às definições da fase de planejamento e ao que se estabeleceu nas bases de projeto e nos requisitos do proprietário.

O Capítulo 6, Comissionamento de Sistemas Integrados, define os requisitos para o comissionamento de sistemas integrados contra incêndio e segurança humana. No Capítulo 7, Testes de Sistemas Integrados, se descrevem os testes que demonstram essa operação integral dos sistemas; contudo, os testes de operação integral se realizarão uma vez que os sistemas instalados tenham sido aceitos individualmente de acordo com os critérios estabelecidos na norma aplicável de cada sistema (ver tabela anterior) e o definido nas especificações de projeto. Quer dizer que, se um edifício conta com sistemas de sprinklers automáticos, de detecção e alarme, bombas de incêndio e controle de elevadores, deve-se começar pelos testes de aceitação de cada sistema e uma vez que estes foram testados e aceitos de forma independente, se desenvolvem os testes de integração dos sistemas entre si. Este é um processo equivalente a um diagrama de causa-efeito entre sistemas contra incêndio e filosofia de operação, é muito importante levar em consideração que este diagrama causa-efeito deve estar definido nas bases de projeto e nos requisitos do proprietário e estar integrado desde a fase de planejamento do comissionamento.

No Capítulo 8, Repetição do Comissionamento e Comissionamento Retroativo, encontramos uma ferramenta para levar a cabo o comissionamento de sistemas existentes postos em serviço anteriormente (repetição do comissionamento) ou que, no momento em que foram instalados, não seguiram os passos do processo de comissionamento expostos na NFPA 3 (comissionamento retroativo). Este capítulo não define freqüências para a repetição do comissionamento, a freqüência deve ser definida no plano de comissionamento preparado na fase de planejamento (3:5.2). No Capítulo 9 e no Anexo C se apresentam modelos de formulários para o desenvolvimento e a informação do comissionamento. Esses formulários podem ser modificados pela equipe de comissionamento de acordo com seus requisitos específicos.

O breve resumo da NFPA 3 que acabamos de apresentar já permite ver a grande oportunidade que nos oferece a NFPA através desta prática recomendada, que proporciona uma forma documentada e organizada de garantir o funcionamento correto e integrado dos sistemas ativos e passivos de proteção contra incêndio e de segurança humana. Apesar de sua aplicação atual estar enfocada nos edifícios, os critérios da NFPA 3 podem ser aplicados a diferentes projetos contra incêndio em outro tipo de ocupações.

JAVIER SOTELO é um dos diretores da Seção Latino americana da NFPA e diretor da OSHO INGENIERÍA, empresa de engenharia de segurança contra incêndio com escritórios em Colômbia, Panamá e Costa Rica ()

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