A ascensão das máquinas
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Bombeiros / Socorristas

A ascensão das máquinas

Por Jesse Roman

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Drones, robôs e a chegada da revolução dos sistemas não tripulados - e seu potencial para os socorristas e os gerentes de emergências

São as 8h45 da manhã e me encontro no World Congress Center de Georgia, Atlanta, escutando “Play That Funky Music” de Wild Cherry pelo sistema de som da sala de conferência escura e cavernosa.

A minha volta, iluminados por luzes de neon, se encontram milhares de engenheiros robóticos. Tomamos café, olhamos nossos smartphones e esperamos a largada oficial da Unmanned Systems 2015, uma das maiores conferências e exposições no mundo dedicadas aos drones e aos robôs não tripulados.

De repente a música torna-se dramática e muito mais forte e grandes telas de vídeo em ambos os lados do palco mostram drones e robôs animados de todos os tipos nadando, rodando e voando. Colin Guinn, um executivo da empresa 3D Robotics, anfitriã da sessão geral do evento, pula para o palco com a energia duma bala de canhão.

“Bem vindos à “Unmanned Systems 2015 — vamos brincar!” exclama Guinn, levantando os braços e batendo palmas. “Vocês são mais de 7000 participantes de 55 países, temos mais de 200 sessões de formação e 350,000 pés quadrados de espaço — são quatro campos de futebol com drones e outras coisas divertidas!”

Uma hora mais tarde, com um público bastante animado, entramos no amplo salão de exposição e encontramos um mundo que poderia ter saído da imaginação do irmão menor de Willie Wonka, especialista em tecnologia. Drones, sensores, robôs e engenhocas de todo tipo estão suspensos no ar, rodando no piso, nadando em tanques e voando em espaços fechados por redes. Em cada polegada dos quatro campos de futebol que constituem o salão de convenções ouve-se o rumor das elites da indústria, jovens empresas entusiastas, investidores endinheirados e assistentes curiosos como eu, todos se preparando para um futuro onde os robôs serão tão familiares para nós como os telefones que levamos agora em nossos bolsos. A conferência tem um forte sabor de “podemos-mudar-o-mundo” e nos estandes de exposição abundam os slogans incisivos como “Agarrem a Vantagem não Tripulada” e, meu favorito, “Fazendo Hoje o Amanhã”.

Esse otimismo é compartilhado por muitas agências de segurança pública e socorristas, que vêem um grande potencial nos sistemas não tripulados — robôs terrestres e aquáticos e drones aéreos — para salvar vidas, aprimorar a segurança dos bombeiros, da polícia e dos técnicos de emergências médicas e aumentar sua eficiência. À medida que a tecnologia se expande rapidamente e as restrições federais sobre a operação de sistemas não tripulados se tornam mais definidas, as agências de segurança pública estão lutando para descobrir como podem soltar esse vasto potencial duma forma segura e inteligente. A NFPA teve discussões internas e com grupos externos sobre a necessidade de desenvolver novos códigos e normas que ajudem os socorristas a utilizar drones e robôs. “Penso que essas máquinas são muito valiosas e que é uma área onde a NFPA pode realmente ajudar, porque entendemos as necessidades dos socorristas e os ambientes únicos onde trabalham,” diz Ken Willette, Diretor da Divisão de Segurança Pública da NFPA e ex-chefe de bombeiros. “Vejo isso como um conjunto novo de normas na biblioteca da NFPA.”    

A NFPA ainda não recebeu um pedido formal para desenvolver normas sobre sistemas não tripulados, mas Willette e outros pensam que isso poderia acontecer em breve. Se for assim, a NFPA gostaria de se concentrar, em primeiro lugar, no desenvolvimento de normas sobre a seleção, o cuidado e a manutenção, assim como as qualificações profissionais dos operadores de sistemas não tripulados, disse Willette.   

Entretanto, O Instituo Nacional de Normas e Tecnologia (NIST) está atualmente trabalhando no desenvolvimento de métodos padronizados de testes, para garantir que os sistemas não tripulados vendidos aos socorristas funcionem como anunciado. Projetos de pesquisa relacionados estão sendo desenvolvidos nas universidades desde Carolina do Norte até Hawaii e só no ano passado realizaram-se dois importantes seminários regionais dos bombeiros sobre drones, em Maryland e Oklahoma. A Fundação de Pesquisa para Proteção contra Incêndio solicitou um subsídio federal para realizar pelo menos duas dessas sessões de troca de idéias.

“Pensamos que teríamos 20 ou 25 pessoas, mas apareceram 110 corpos de bombeiros de Oklahoma, Kansas, Arkansas e Texas”, diz Jamey Jacob, diretor do programa de mestrado Unmanned Aerial Systems na Universidade do estado de Oklahoma, que recebeu um dos seminários dos bombeiros. As reuniões e os debates são essenciais, ele diz, porque a tecnologia avançou muito mais rapidamente que as regras e regulamentos sobre quando e como usá-las. “Se não tomarmos conta disso” diz Jacob, “Muitos corpos de bombeiros vão arrancar e fazê-lo sozinhos.”

Um mundo de possibilidades
Visitando a exposição em Atlanta, é fácil entender o entusiasmo para essas maquinas. A Association for Unmanned Vehicle Systems International (AUVSI), que organiza a conferência anual sobre sistemas não tripulados, prevê que haverá um milhão de voos de drones por dia, nos Estados Unidos, nos próximos 20 anos. A UVSI também estima que a indústria contribuirá com mais de 82 bilhões de dólares à economia nacional na próxima década. Depois da agricultura, os peritos da indústria acreditam que as aplicações relacionadas à segurança pública e aos socorristas serão o principal mercado civil para robôs não tripulados terrestres, aéreos e marítimos. Eles preveem que os drones aéreos, ou “veículos aéreos não tripulados” (UAVs), serão os mais usados.

As possibilidades são atrativas. Os sistemas não tripulados podem chegar rapidamente e de forma segura a lugares aonde os humanos não chegam: sobrevoando os pisos superiores dum edifício alto, cavando nos escombros depois dum terremoto, buscando em áreas contaminadas depois dum derramamento químico. Podem também chegar ao local dum incidente mais rapidamente que os socorristas porque, como me diz Helen Grenier, cofundadora da iRobot, “a distância mais rápida entre dois pontos é o voo do drone”.

Imagine uma equipe de serviços de emergências médicas capaz de despachar rapidamente um drone para entregar soro antiofídico a um caminhante que foi mordido por uma cascavel numa área remota da floresta. Imagine a mobilização de uma frota de barcos autônomos de três pés, programada para realizar em algumas horas um trabalho coordenado de busca metódica no oceano numa área de 10,000 milhas quadradas. Imagine o lançamento de quadricópteros de cinco libras para sobrevoar um incêndio florestal, onde podem fornecer ao comandante do incidente dados em tempo real sobre a velocidade e a direção dos ventos, imagens infravermelhas e imagens de múltiplos ângulos — tudo isso fornecendo uma rede sem fio 4G para a operação das comunicações. Quão útil seria se um drone pudesse voar num edifício em chamas, localizar as vítimas, produzir rapidamente um mapeamento tridimensional dos pavimentos da estrutura e transmitir a informação aos bombeiros fora do edifício?

Essas não são fantasias — a tecnologia existe, em várias etapas de desenvolvimento, e uma parte já está em uso. Quando a central nuclear de Chernobyl explodiu na Ucrânia em 1986, 30 trabalhadores e socorristas morreram como consequência do envenenamento radioativo. Contudo, na explosão da central nuclear de Fukushima, igualmente devastadora, ocorrida em 2011 no Japão, não houve mortes, em parte porque robôs militares terrestres chamados PackBots, equipados de sensores químicos, biológicos, radiológicos e nucleares foram mobilizados para avaliar a situação no local do incidente antes da chegada do pessoal de emergência. “Eles tiveram a possibilidade de abordar o problema gradualmente, em lugar de despachar muitas pessoas que morreriam mais tarde, “diz Mike Edis, gerente de produto na iRobot, que fabrica os PackBots.

Em 2014, mantas de borracha utilizadas para proteção contra detonações numa pedreira de granito em Branford, Connecticut, se incendiaram perigosamente perto da dinamite utilizada para extrair a rocha. O chefe dos Bombeiros Jack Ahern não podia mandar os bombeiros para extinguir o fogo com segurança, porque ele não sabia a que distância as chamas se encontravam dos explosivos. Um voluntário dos bombeiros lançou seu drone pessoal sobre o local para obter uma melhor visão e confirmou visualmente que os explosivos estavam a uma distância segura do fogo. Ahern mandou suas equipes no local.

Aparentemente existe um robô ou um drone para qualquer emergência. A Califórnia utilizou drones para apoiar os esforços de combate aos incêndios florestais. Pequenos drones foram utilizados em operações de busca e resgate depois do terremoto que ocorreu no Nepal este ano. Existem planos para que os drones realizem inspeções de pontes e investiguem descarrilamentos de trens que envolvem perigos químicos. A Marinha dos Estados Unidos revelou a existência dum protótipo de robô bípede humanoide destinado a combater incêndios em seus navios.

“Dentro de 10 anos, os UAVs serão tão importantes para os bombeiros como a água que jogam no fogo,” diz Robert Doke, o inspetor de incêndios do Estado de Oklahoma. “Serão componentes normais do equipamento para os corpos de bombeiros. Com os UAVs, o céu é o limite — é um mau jogo de palavras, mas é a verdade.”

Complicações regulatórias
Mas os drones aéreos em particular enfrentam um desafio significativo. Enquanto a tecnologia de UAVs é muito promissora e melhora rapidamente, existem poucas agências de segurança pública e praticamente nenhum corpo de bombeiros nos Estados Unidos que os usem. Isso é porque as regulamentações federais sobre os drones aéreos são tão caras, dizem os observadores, que impediram de fato o uso comercial dos UAVs nos Estados Unidos, com a exceção de umas poucas agências públicas e empresas que queiram empreender o longo caminho de aquisição da autorização. Os adeptos deste hobby, contudo, são livres de voar com poucas restrições.

Esse clima regulatório frustrou a indústria dos UAV durante anos. De acordo com um relatório sobre impacto econômico publicado pela AUVSI em 2013, “O principal inibidor do desenvolvimento comercial e civil dos UAV nos Estados Unidos é a falta de estrutura regulatória.” Até que a Administração Federal de Aviação (FAA, da sigla em inglês), que impõe as restrições ao uso comercial dos drones por motivos de segurança e privacidade, flexibilize seus regulamentos sobre os drones, essa indústria incipiente tem poucas possibilidades de decolar, de acordo com os líderes do negócio dos UAV com quem falei.


Veja como socorristas tem utilizado sistemas não tripulados

Na situação atual, para lançar um drone, as agências de segurança pública devem obter primeiro uma Certificação de Autorização, ou COA (da sigla em inglês), e mesmo assim ainda ficam muitas restrições sobre onde, como e quando podem lançá-los. O processo de obtenção da COA pode ser longo, difícil e confuso para grandes corpos de bombeiros que têm recursos e quase impossível para os pequenos. “Os da FAA são ninjas burocráticos — qualquer coisa que você atire para eles, serão capazes de mandá-lo de volta e pedir mais informação e mais detalhes,” diz Jacob.

O Corpo de Bombeiros de Austin (Texas), que a aproximadamente um ano atrás lançou uma nova equipe robótica de emergência, será o primeiro corpo de bombeiros da nação em receber a COA para operar drones, ainda este ano. Coitt Kessler, que dirige a equipe, me disse que, mesmo com pilotos de aeronaves licenciados em seu pessoal, com drones a disposição e tempo e espaço interior para treinar e praticar, o processo de obtenção da COA foi árduo. “As regras estão mudando literalmente cada semana,” ele diz. A FAA está tentando proteger o espaço aéreo e está tentando fazer o melhor que pode, mas isso é muito confuso. “Não há uma voz unificada.” A FAA não respondeu ao pedido de comentários do NFPA Journal.

Temos motivos de pensar que isso poderia mudar em breve. Com a pressão da indústria dos drones, a FAA publicou em fevereiro uma proposta de regras para pequenos drones que pesam menos de 55 libras. De acordo com a proposta, os drones poderiam ser lançados sem uma COA, sempre que os operadores passem um teste de conhecimentos e cumpram algumas qualificações mínimas. As regras incluíam uma série de condições, como estipular que os drones só poderiam ser lançados de dia, dentro da linha de visão do operador e abaixo dos 500 pés. Muitos observadores pensam que poderiam passar dois anos até que as regras fiquem prontas, mas desenvolvimentos recentes indicam que isso poderia acontecer mais cedo. Em maio, os Senadores Cory Booker, um democrata de New Jersey, e John Hoeven, um Republicano do North Dakota, introduziram o “UAS Modernization Act”, com o objetivo de agilizar o processo regulatório no curto prazo até que as regras finais da FAA fiquem prontas.

Os membros da indústria dos drones e as pessoas que a acompanham de perto acreditam que esses desenvolvimentos poderiam indicar uma mudança drástica. “Penso que quando tiverem a luz verde da FAA, em poucos meses veremos os corpos de bombeiros utilizando UAV,” diz Doke, inspetor de incêndios do Estado de Oklahoma. “Em menos de seis meses veremos um aumento rápido da utilização pelos bombeiros à medida que os preços baixem.”

Atualmente, alguns dispositivos para uso recreativo não custam mais que algumas centenas de dólares, mas as plataformas aéreas mais robustas como as que seriam utilizadas pelas agências públicas podem custar milhares ou dezenas de milhares de dólares — ficando ainda bastante mais baratas e fáceis de operar que um avião tripulado. Uma adoção rápida desses sistemas poderia fazer baixar ainda mais os custos, dizem os observadores, tornando-os ainda mais accessíveis.

A necessidade das normas
Como o sugere a palavra, a introdução duma inovação perturbadora não é sempre um processo fluido, e os lideres da segurança pública alertam que é necessário muito trabalho de campo antes que os sistemas não tripulados possam transformar-se em ferramentas seguras e efetivas. Sem políticas, procedimentos, treinamento e equipamento adequados, a era dos dispositivos não tripulados poderia passar por grandes dificuldades com passos em falso e gastos desnecessários antes de poder realmente arrancar. “Não temos fundos para cometer erros — temos de acertar logo de primeira”, diz Kessler. “Esse processo começa com grupos como a NFPA elaborando normas.”

Temos de ponderar muitos aspetos antes que os sistemas fiquem prontos para a utilização — alguns são óbvios, outros não, de acordo com Willette, da NFPA. Por exemplo, é seguro ou até possível operar um sistema não tripulado se o operador estiver usando equipamento completo de proteção individual? A maior parte dos sistemas não tripulados é controlada por rádio frequência — isso afetará a comunicação no local do incêndio, ou poderá criar interferências com outro equipamento de alta tecnologia dos bombeiros que usem tecnologias de comunicação sem fio ou Bluetooh? Os sistemas não tripulados poderão aguentar o calor, os químicos, a água, as brasas voadoras e outros perigos que encontrarão com certeza na cena do incêndio? “A norma deve olhar para a segurança do ponto de vista do operador,” diz Willette. Já há muita pesquisa em curso sobre os aspetos do desempenho dos sistemas não tripulados, sua operação e os procedimentos a seguir pelos socorristas, trabalho que provavelmente produzirá informação para as futuras normas da NFPA sobre sistemas não tripulados.

O trabalho em curso no NIST faz parte dessa pesquisa. Se o evento Unmanned Systems é uma brilhante produção da Broadway, o laboratório de Adam Jacoff no NIST é o espaço de testes. Durante quase uma década, Jacoff, diretor de ensaios da Divisão de Sistemas Inteligentes do NIST, trabalhou no desenvolvimento duma norma para garantir que o desempenho dos drones e dos robôs destinados ao Departamento da Defesa e, mais recentemente, ao mercado da segurança pública, seja conforme anunciado. Até hoje ele desenvolveu quinze métodos de testes padronizados, com mais cinco a serem acrescentados este ano, que medem de forma confiável as capacidades básicas dos robôs e dos operadores necessárias à realização duma tarefa específica definida pelos militares e as agências de resposta de emergência. Esses testes padronizados são atualmente publicados pela ASTM International.

Com tantos robôs e drones e tantos cenários e utilizações possíveis, é uma tarefa enorme que o manterá ocupado para o resto de sua vida profissional, ele diz. “Devido à necessidade, saímos rapidamente da abordagem específica por missão e nos concentramos nas tarefas especificas dos robôs — todos precisam um certo grau de acuidade visual, comunicação rádio, resistência e mobilidade no terreno,” diz Jacoff. “Uma vez que começamos a fragmentá-lo de acordo com as diferentes funções dos robôs, o trabalho fica muito mais fácil e não é tão difícil encontrar as lacunas. Agora somos mais rápidos na adaptação e expansão de diferentes cenários de ensaios.”

O NIST está documentando atualmente as capacidades dos sistemas não tripulados e está deixando que os compradores determinem se essas capacidades respondem as suas necessidades. A informação que oferece o NIST é valiosa, mas para muitos departamentos de segurança pública, ainda pode ser difícil saber exatamente o que comprar. É aqui que a NFPA poderia ajudar, diz Jacoff. “A experiência da NFPA no desenvolvimento das normas poderia ser muito valiosa para este processo,” ele diz. “Se a NFPA quisesse adotar ou definir a versão em termos de equipamento do trabalho que estamos fazendo no NIST — tomar esse corpo de pesquisa e consolidá-lo num robô padrão com todos os limites fixados — isso poderia ser o perfeito golpe duplo.”

Em maio, funcionários da NFPA tiveram uma reunião com a ASTM International, que publica as normas de desempenho do NIST, para discutir como a NFPA poderia complementar o trabalho realizado pelo NIST para criar um padrão de equipamento para os socorristas.

“É uma forma perfeita de aproveitar nossos pontos fortes — pode ser que não tenhamos a habilidade de avaliar as capacidades técnicas dos sistemas não tripulados, mas temos os conhecimentos necessários para selecionar, cuidar e manter peças de equipamentos dum alto nível técnico, diz Willette. “Temos também experiência na definição daquilo que os socorristas devem saber e das capacidades que precisam ter.”

Ter drones e robôs úteis e ser capazes de operá-los é apenas o começo — as partes interessadas devem também saber quando usá-los, como diz Jacob do Estado de Oklahoma. “Você deve saber que tipo de veículos deveria ser mobilizado, de que maneira deveria mobilizá-los e como integrá-los nas operações correntes”, diz ele.

Aparentemente não faltam pessoas que tentem responder a essas perguntas. O National Disaster Preparedness Center da Universidade de Hawaii, que prepara programas de formação para a Agência Federal de Gestão de Emergências, está trabalhando para desenvolver um curso sobre a integração dos sistemas não tripulados aos procedimentos existentes de resposta a desastres e para criar novos procedimentos. Em 2012, o NextGen Air Transportation Center, do Institute for Transportation Research and Education da Universidade do Estado de Carolina do Norte, realizou uma série de testes relacionados aos incêndios florestais utilizando quatro drones, a alturas variáveis, durante uma queima controlada em Florida. Os pesquisadores estavam tentando determinar até que ponto os sensores dos drones podem detectar mudanças chave das condições no terreno do incêndio e como transmitir essa informação aos comandantes do incidente e fazê-la chegar aos bombeiros no terreno em tempo real.

“Esse é o aspecto importante - ter algum conceito de operações,” diz Tom Zajkowski, diretor de operações aéreas do programa UAS do Centro do Estado de Carolina do Norte. “Sem isso, um drone é apenas um brinquedo reluzente no ar.”

Existem numerosos locais de testes sobre sistemas não tripulados financiados por fundos federais em todo o país, incluindo um centro em Oklahoma, financiado pelo Departamento de Segurança Interior equipado especialmente para testar pequenos UAV para o uso dos socorristas. O local recebe dois ou três fornecedores por mês, testa vários cenários de missão incluindo busca e resgate, atirador e incêndio florestal.

Além de testar as capacidades dos sistemas não tripulados, um enfoque importante do programa de Oklahoma é o desenvolvimento de procedimentos operacionais, diz Stephen McKeever, professor de física no estado de Oklahoma e secretário de ciência e tecnologia do estado. “A comunidade técnica pode resolver as questões técnicas”, ele diz. “Haverá drones desenhados especificamente para esses fins que tenham os sensores certos. Mas ser capaz de conseguir dados é uma coisa — como usá-los é outra. É aqui que intervém o treinamento.”

O envolvimento da NFPA poderia também ajudar a dar credibilidade ao conceito do uso de sistemas não tripulados nos serviços de bombeiros, diz Kessler, quem, como líder de um dos poucos corpos de bombeiros que estejam explorando seriamente a utilização dos drones, entende quão delicada é essa proposta. O público ainda tem dúvidas quanto ao uso dos drones tanto do ponto de vista da privacidade como do ponto de vista da segurança, mesmo em situações de emergência onde a mobilização de drones poderia oferecer um benefício claro. Após o mortífero deslizamento de terras ocorrido em Oso, Washington, em março 2014, por exemplo, funcionários do condado queriam lançar drones para buscar sobreviventes em áreas onde os socorristas não podiam chegar. Contudo, esses esforços foram frustrados por mais de um mês quando residentes da zona, alegando preocupações sobre a privacidade, pressionaram os funcionários para que não permitissem o uso de drones. Um drone foi autorizado a voar por 48 minutos em finais de abril para fazer um modelo em 3D da área do deslizamento para apoiar os engenheiros no trabalho de reconstrução e recuperação.

No futuro, ter uma norma de consenso já estabelecida sobre os procedimentos para operação e obtenção de dados poderia ajudar bastante a acalmar alguns desses medos, diz Kessler. “Penso que se podermos mostrar profissionalismo desde o início, com a ajuda da NFPA, talvez esse jogo de confiança com o público possa ser um pouco mais rápido para as pessoas que nos seguem”, diz Kessler. “Mas por enquanto somos os pioneiros e tenho a certeza que os corpos de bombeiros que vêm atrás terão uma tarefa muito mais fácil com esse assunto do que nós.”

O futuro pertence aos usuários
No encontro sobre Sistemas não Tripulados em Atlanta, o salão de conferências ainda está em plena atividade. Um grupo de jovens engenheiros posa para uma fotografia em frente dum helicóptero não tripulado Apache em escala real. Um sujeito examina casualmente o salão de exposição enquanto opera um veículo a controle remoto — a máquina parecida com um tanque parece pesar algumas centenas de libras - que percorre o corredor a sua frente. Um drone metálico com forma de esfera zune no ar a minha frente enquanto o inventor conta aos espectadores que pode romper uma janela, atravessá-la, endireitar-se e decolar de novo. Numa pequena sala de reuniões do andar superior, durante uma palestra sobre sistemas marítimos não tripulados, Bruce Hanson, executivo duma empresa chamada MARTAC, mostra um barco robótico de três pés de cumprimento — uma “nave de superfície não tripulada”. A embarcação, elegante e delgada, parece ter sido concebida durante uma reunião da equipe de desenho de Batman.

Não podemos não ficar assombrados e ao mesmo tempo perguntar-nos o que vamos fazer na terra (e no ar e na água) com todas essas coisas. É uma pergunta para a qual a maioria dos participantes da conferência tem uma resposta pronta. Mas Hanson diz para sua audiência que, na realidade, a decisão depende de todos nós — incluindo os corpos de bombeiros, os funcionários de gestão de emergências, as agências de aplicação das leis, as organizações que desenvolvem normas, entre outros.  “Se a tecnologia for suficientemente barata, os usuários vão inovar no seu uso,” ele diz, exibindo seu barco de Batman. “Existem tantas aplicações para esses sistemas não tripulados. Nem sequer sabemos ainda o que são na sua maioria.”

Jesse Roman é redator permanente do NFPA Journal. Ele pode ser contatado em .


Dos escombros

De Fukushima a DARPA, a evolução dos robôs

Em 2011, menos duma hora depois de um terremoto de magnitude 9 ter cortado a alimentação elétrica da central nuclear de Fukushima Daiich, no Japão, um tsunami de 45 pés de altura atingiu as instalações, destruindo os geradores de emergência e outro equipamento elétrico. O vapor se acumulou enquanto a água dos reatores se evaporava e os altos níveis de radiação impediam que os trabalhadores realizassem tarefas de reparo essenciais e chegassem às válvulas para aliviar a pressão que subia. Em poucos dias, três reatores explodiram, enviando radiações mortais para o ar e o mar.

Se os trabalhadores tivessem tido acesso a robôs capazes de atravessar os escombros e realizar reparos essenciais logo após um terremoto ou tsunami, o desastre poderia ter sido prevenido — mas esse nível de destreza e capacidade robótica não existia. Essas limitações produziram o impulso que levou à criação em 2012 do Robotics Challenge da DARPA, que lançou em 2013 uma competição de dois anos que terminou em junho. Com um fundo de 3.5 milhões de dólares para prêmios provenientes da Agência de Projetos de Pesquisa Avançada de Defesa, a competição tinha por objetivo acelerar o progresso da tecnologia robótica para fins de resposta aos desastres.

As competições como a da DARPA são muito valiosas porque obrigam os engenheiros a concentrar-se sobre problemas que os socorristas e os militares precisam resolver, disse Adam Jacoff, um engenheiro de pesquisa em robótica no Instituto Nacional de Pesquisa e Tecnologia e presidente das competições internacionais de robótica RoboCupRescue. “Estamos efetivamente utilizando as competições de robótica para ajudar a aperfeiçoar, validar e difundir as normas” ele disse. “Os métodos de ensaio mantêm a pressão nos engenheiros”.

As 23 equipes que concorreram na final do DARPA, realizada os dias 5 e 6 de junho em Pomona, California, receberam a tarefa de construir robôs alimentados por baterias que poderiam completar um circuito de oito tarefas difíceis. Os robôs deviam levar um veiculo através dum campo de obstáculos; sair do veículo; caminhar até uma porta, abri-la e passar pela porta; acionar válvulas; caminhar sobre escombros; acionar interruptores; abrir um orifício numa parede; subir escadas. Os robôs, muitos dos quais eram humanoides e bípedes, foram cronometrados para saber em quanto tempo poderiam terminar o percurso e recebiam um ponto por cada tarefa executada. As equipes guiavam seus robôs por controle remoto, embora os robôs fossem também capazes de completar algumas tarefas básicas sozinhos.

A equipe Kaist, de Daejon, Republica de Coreia, ganhou o primeiro lugar e o primeiro prêmio de 2 milhões de dólares com seu robô DRC-Hugo, que realizou as oito tarefas em apenas um pouco mais de 44 minutos. Um robô chamado Running Man, projetado por uma equipe de Pensacola, Florida, levou o segundo lugar e 1 milhão de dólares completando as oito tarefas em um pouco mais de 50 minutos.

“Este é o fim do DARPA Robotics Challenge, mas é apenas o começo dum futuro onde os robôs poderão trabalhar com as pessoas para reduzir as perdas nos desastres,” disse Arati Prabhakar, Director da DARPA logo após a competição. “Sei que a comunidade que o desafio da DARPA ajudou a mobilizar fará grandes coisas nos próximos anos.” — J.R.

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