Inteligência no quintal
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Inteligência no quintal

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Lidar com o problema global dos incêndios florestais entendendo as necessidades locais

Durante uma viajem ao Chile em novembro, Michele Steinberg, Diretora de Divisão de Incêndios Florestais da NFPA, compartilhou uma observação que me impressionou. “Todo e qualquer individuo afetado pelo risco de incêndios florestais no mundo deveria saber o que pode fazer para estar mais seguro,” ela disse.

Em todo o planeta, as pessoas estão trabalhando para alcançar esse conhecimento por meio de incontáveis programas e estratégias de preparação para os incêndios florestais. Às vezes podemos tropeçar ao tentar pronunciar seus títulos, mas o verdadeiro desafio é entender como esses programas funcionam e qual é seu impacto em suas comunidades. Ver pessoalmente os desafios que as comunidades enfrentam em relação aos incêndios florestais e os esforços em curso para enfrentá-los fortalece os conhecimentos da NFPA e favorece seu trabalho de difusão de informação e conhecimentos que salvam vidas em todo o mundo.

Durante o ano 2016, a Divisão de Incêndios Florestais da NFPA trabalhou muito nessa iniciativa e o trabalho continuará em 2017. As atividades internacionais da Divisão contribuem para o objetivo mais amplo da NFPA que é entender as necessidades dos nossos parceiros. Questões como o aumento das áreas residenciais na interface urbano-florestal (WUI, da sigla em inglês) e o risco de incêndios florestais assumem um novo significado quando você conhece as necessidades de seus parceiros, não com base numa palestra ou num livro, mas falando com eles em seus próprios quintais.

Durante nossa viagem ao Chile o outono passado, o esforço para entender as necessidades de nossos parceiros assumiu um novo significado quando visitamos a comunidade Mapuche da Ilha Huapi. Os Mapuches são um grupo étnico nativo do Chile e da Argentina. Desde a costa duma ilha acessível apenas por uma viagem em ferry de 45 minutos num lago, um residente de Isla Huapi compartilhou comigo sua conexão com a terra, sua compreensão dos incêndios florestais e os esforços de sua gente para resguardar suas terras ancestrais dum desenvolvimento potencialmente destrutivo. O desenvolvimento na interface urbano-florestal tem um significado e conseqüências importantes para eles.

As necessidades das partes interessadas surgiram ainda numa visita a Juan Antipi, uma comunidade Mapuche perto de Galvarnio, no centro do Chile. Percorremos a comunidade, rodeada de colinas e florestas plantadas, enquanto os lideres locais explicavam suas lutas com os anos contínuos de seca. Eles nos contaram como os efeitos da mudança climática aumentaram o risco de incêndio na ilha à medida que os solos se tornam mais secos e a temporada de incêndio se alonga. Tomamos conhecimento duma relação de longa data que a comunidade tinha com uma serraria local e como essa parceria produziu efeitos positivos na redução do risco e do impacto da seca e dos incêndios. Foi uma grande lição de parceria com a comunidade.

Interações valiosas como essas explicam porque a equipe de incêndios florestais da NFPA passou o ano 2016 visitando parceiros em todo o mundo, incluindo a África do Sul, o Reino Unido e o Canadá. É por isso que trabalhamos com novos parceiros na Espanha e no Líbano e é também por isso que a Divisão de Incêndios Florestais está alinhando sua difusão internacional de mensagens com o trabalho de Operações de Campo da NFPA. Tudo isso nos oferece novas formas de entender as partes envolvidas no combate aos incêndios florestais tanto no país como no exterior.

Ao mesmo tempo em que aprendemos lições importantes durante essas viagens, encontramos também outras formas de ajudar. No Chile, por exemplo, representantes da CONAF, a agência florestal nacional que trabalha com as comunidades para prepará-las para os incêndios florestais, nos disseram que estão tentando encontrar uma forma de sustentar a ação da comunidade ao longo do tempo e gostaram de ver como o modelo Firewise Communities Program da NFPA pode ajudá-los a alcançar sua meta.

É como convidados nos quintais dos outros que podemos realmente começar a entender as necessidades de nossos parceiros e os desafios que apresentam seus cenários de incêndio específicos. Sair e conhecer pessoalmente esses programas, pessoas e comunidades nos permite identificar mais oportunidades de ajuda aplicando os recursos existentes da NFPA para que todo e qualquer indivíduo no mundo seja mais seguro em relação aos incêndios florestais. 

LUCIAN DEATON é diretor de projeto da Divisão de Incêndios Florestais da NFPA. 

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A National Fire Protection Association (NFPA) é a fonte dos códigos e normas que regem a indústria de proteção contra incêndios e segurança da vida.