Intruso Detectado
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Intruso Detectado

Por Wayne D. Moore, P.E., FSFPE

NFPA 730 e NFPA 731: A novo guia e a nova norma da NFPA sobre segurança patrimonial aumentam a qualidade e confiabilidade dos sistemas de segurança.

Apesar dos insistentes pedidos feitos pelas autoridades, a entrada da NFPA na área de sistemas de segurança patrimonial estava sendo postergada desde o início da década de 90. Mas agora, a NFPA está preparada para ter um papel importante no desenvolvimento de uma norma e um guia consensual de segurança patrimonial, que devem ser adotadas em junho.

A história desses documentos, que foram anunciados e cancelados inúmeras vezes, começou em julho de 1994, quando o Conselho de Normas aprovou a criação de um Projeto de Sistemas de Alarme de Roubo/Segurança Patrimonial. Quando o Conselho Administrativo da NFPA pediu ao Conselho de Normas que reconsiderasse o projeto em março de 1995, o este solicitou informações ao setor de segurança patrimonial, e, em julho decidiu não mais continuar com o projeto, porque aparentemente não havia interesse em desenvolvê-lo. Ainda no mesmo ano, o setor de seguros novamente solicitou uma iniciativa da NFPA sobre segurança patrimonial, o que levou a um seminário durante a Reunião de Outono de 1995 da NFPA. Em janeiro de 1996, o Conselho de Normas novamente decidiu não levar adiante o projeto, porque não conseguiu detectar um claro consenso a seu respeito.

Em junho de 1999, entretanto, o setor de seguros solicitou ao Conselho de Normas que reconsiderasse a decisão, e naquele novembro o Conselho Administrativo da NFPA endossou um conjunto completo de códigos para a construção civil, incluindo um novo Projeto de Segurança Patrimonial. Em abril de 2000, o Conselho de Normas reafirmou sua decisão de levar o projeto à frente, e em julho foi aprovado seu escopo inicial.

Em janeiro de 2001, o Conselho de Normas alterou o escopo, dando ao Comitê Técnico de Segurança Patrimonial “a responsabilidade primária pelos documentos do programa de segurança patrimonial para a proteção de edificações, pessoas, bens e informações específicas de uma ocupação em particular.” E em abril de 2001, o Conselho de Normas já havia indicado os nomes que formariam o comitê inicial.

Estágios iniciais
Nos estágios iniciais do projeto, a indústria de segurança patrimonial mostrou-se preocupada com o fato de uma organização voltada a incêndios estar desenvolvendo normas de segurança patrimonial, pois não “possuía experiência em segurança patrimonial para desenvolver normas do setor“. A indústria de segurança patrimonial estava também preocupada que uma norma como essa poderia “deixar o setor vulnerável a processos judiciais”.

Para afastar esse tipo de preocupação, a NFPA certificou-se que todos aqueles afetados pela norma e pelo guia fossem informados sobre o trabalho, tornando todos os textos provisórios disponíveis para análise pública no ANSI Reporter, Federal Register, revista Security Management, da American Society for Industrial Security (ASIS), NFPA Journal, site da NFPA, Security Systems News e outras publicações. Além disso, o Conselho de Normas da NFPA indicou para o Comitê Técnico de Segurança Patrimonial representantes do setor de seguros, da Associação Americanas de Hotéis e Hospedagem, ASIS, da Associação de Prevenção de Crimes do Estado da Virgínia, da Associação Fraternal Internacional de Polícia, do Underwriters Laboratories (UL), e da Associação da Indústria de Segurança Patrimonial (SIA), além de especialistas em prevenção de perdas, fabricantes de produtos e instaladores de sistemas de segurança patrimonial.

Uma norma e um guia
O comitê técnico decidiu desenvolver dois documentos: NFPA 730, Guia de Segurança Patrimonial, que trata da aplicação de princípios de segurança patrimonial com base no tipo de ocupação, e NFPA 731, Instalação de Sistemas de Segurança Patrimonial, que trata da instalação de equipamentos de sistemas de segurança patrimonial. Grupos de trabalho independentes foram formados para desenvolver os documentos, que foram depois revisados pelo comitê técnico.

A NFPA 730 mostrou-se o documento de mais difícil consenso entre os membros do comitê. O documento começou como um código, foi transformado em prática recomendada e depois em guia. Dentro do processo da NFPA, um “guia” é definido como “um documento de natureza informativa ou de aconselhamento, que contém somente disposições não compulsórias…o documento não é adequado para ser adotado como lei”.

A NFPA 730, fundamentada em princípios de análise de riscos, é baseada em desempenho e em ocupação,e cobre informações básicas necessárias para decisões de segurança patrimonial, incluindo publicações de referência, definições gerais sobre segurança patrimonial, análise de vulnerabilidade, sistemas e equipamentos para uso externo, equipamentos de segurança patrimonial física, sistemas e equipamentos para uso interno, pessoal e planejamento. O documento também oferece orientação sobre segurança patrimonial em escolas, estabelecimentos de atendimento à saúde, residências de uma e duas famílias, hotéis, prédios de apartamentos, restaurantes, shopping centers, lojas, escritórios, indústrias e garagens. E o último capítulo fornece orientação de segurança patrimonial para eventos especiais, independentemente da ocupação.

Diferentemente da NFPA 730, baseada em ocupação, a NFPA 731 é uma norma de instalação com requisitos especiais para os vários sistemas de segurança. É a primeira proposta de norma na história dos sistemas de segurança patrimonial cujo objetivo principal é “definir os meios de iniciação, transmissão, notificação e anunciação de sinais, assim como dos níveis de desempenho e a confiabilidade dos sistemas eletrônicos de segurança patrimonial”.

A norma, que é semelhante à NFPA 72, Código Nacional de Alarmes de Incêndio, contou com um grupo de 11 membros representando a Associação de Monitoramento de Alarmes dos EUA, SAI, Associação Nacional dos Instaladores Elétricos, setor de seguros e organismos de certificação, a Polícia de Oxnard, na Califórnia, FBI, e Serviço Secreto dos EUA, que trabalharam dois anos para desenvolvê-la. Foi preparada em resposta à frustração de muitos policiais que têm que atender a alarmes falsos devido a sistemas de segurança patrimonial mal instalados, sobre cujo projeto, aplicação e instalação não têm nenhuma influência. Muitas corporações começaram a estabalecer regras locais, aplicando multas a proprietários e, em alguns casos, a empresas de monitoramento de alarmes cujos sistemas atingissem um número predeterminado de alarmes falsos. Em alguns casos extremos, a polícia até se recusa a atender sistemas que emitem muitos alarmes falsos durante uma mesma semana ou mês.

O comitê técnico decidiu que a primeira edição da NFPA 731 abrangeria somente os locais protegidos, entre o limite da propriedade e seu interior, e que não trataria da operação das centrais de monitoramento no que se refere ao monitoramento do sinal de segurança. O comitê conhecia outras normas aplicáveis, como UL, SIA, e normas do setor que afetam a instalação de sistemas de segurança patrimonial, e essas normas foram referenciadas ou incorporadas à NFPA 731.

O foco principal da primeira edição da NFPA 731 está voltado para sistemas de detecção de intrusão e redução de alarmes falsos por instalação ou aplicação deficientes. Para atingir esse objetivo, o documento trata de controle de acesso e televisão de circuito fechado (CCTV), a integração desses sistemas e a interface de sistemas de segurança patrimonial com sistemas de segurança pessoal, estabelecendo os níveis mínimos exigidos de desempenho, extensão de redundância e qualidade. A NFPA 731 não exige um nível de segurança patrimonial ou estabelece os únicos métodos pelos quais as exigências podem ser atendidas.

A NFPA 731 também propõe—pela primeira vez na indústria de segurança patrimonial—exigências para as pessoas envolvidas no projeto de sistemas de segurança patrimonial, deixando claro que somente “pessoas que tenham experiência em projeto, aplicação, instalação e teste de sistemas de segurança patrimonial poderão desenvolver especificações de acordo com esta norma”. Dentre aqueles que a norma considera qualificados estão os funcionários do fabricante, devidamente treinados e certificados, pessoal licenciado e certificado pelo estado ou município, e pessoal certificado por um programa de acreditação aceitável para as autoridades competentes.

A NFPA 731 requer que os projetistas sejam identificados nos documentos do projeto do sistema e que a evidência de sua qualificação seja fornecida às autoridades competentes, quando exigido.

Segurança patrimonial e o NEC
A NFPA 731 especificamente exige que “a instalação de toda a fiação, cabos e equipamentos deve ser feita de acordo com o NFPA 70, Código Elétrico Nacional...” Apesar de o NFPA 70 ter sempre coberto a instalação de sistemas de segurança patrimonial, muitos instaladores ignoravam as exigências porque as autoridades não estavam cientes delas.

A NFPA 731 inclui exigências para sistemas de segurança eletrônica e detecção de intrusão, incluindo detecção perimetral e espacial para aplicações externas e internas. Para reduzir alarmes falsos, exige que “o máximo intervalo de tempo entre a abertura de uma porta de entrada e o acionamento do mecanismo que é usado para desarmar o sistema…não seja superior à metade do tempo de retardo de entrada programado para o sistema”. E para reduzir alarmes falsos em sistemas externos de detecção, a NFPA 731 exige que os sinais de equipamentos de detecção externos não sejam retransmitidos às autoridades competentes a menos que a intrusão tenha sido fisicamente verificada no local ou por vídeo.

A NFPA 731 fornece exigências para a aplicação e instalação de equipamentos eletrônicos de controle de acesso, incluindo portais, leitoras, sistemas de travamento e sensores de posição, além de integração com outros sistemas de segurança patrimonial e de proteção contra incêndio.

Também inclui exigências para câmeras de sistemas de circuito fechado de TV, posicionamento e qualidade de imagem, refletância, velocidade de lentes, invólucros, hardware, montagem, meio ambiente e cabos coaxiais e de fibra ótica, além de sistemas de imagens digitais e analógicos. Exigências de sistemas de assaltos, coerção e emboscadas incluem sistemas públicos e privados de alarme de coerção e sistemas manuais de coerção e emboscada.

Como a comunidade policial sente que a manutenção de sistemas de detecção de intrusão é de fundamental importância para a redução de alarmes falsos, a NFPA 731 estabelece as exigências mínimas para inspeção, testes e manutenção de sistemas de segurança patrimonial e para métodos de teste, freqüência de testes e defeitos.

Objeções
A NFPA 730 e a NFPA 731 serão colocadas em votação pelos membros durante a NFPA World Safety Conference and Exposition (WSCE) em junho de 2005 em Las Vegas. O comitê técnico analisou os comentários recebidos do público e da indústria, e as respostas foram publicadas no Relatório de Comentários, que também será apresentado durante a 2005 WSCE. Se aprovado pelos associados, ambos os documentos serão publicados em agosto ou setembro de 2005.

Como freqüentemente acontece quando novos documentos são desenvolvidos, algumas pessoas vêem a NFPA 731 e a NFPA 730 como ameaças a um negócio tradicional, e argumentam que o processo tem defeitos ou que os documentos não são completos. Desde a publicação das propostas de norma NFPA 730 e da NFPA 731, e o envio do Relatório de Propostas do comitê, tornou-se evidente que há oposição às normas entre os membros do setor de segurança patrimonial, que tentaram atrasar seu lançamento ou diluí-las. Entretanto, essas pessoas raramente enviam propostas ou comentários para melhor definir a orientação ou exigências. Esperamos que descubram que cada documento técnico de instalação e aplicação é um trabalho em constante mutação, e que propostas e comentários são sempre bem-vindos. Felizmente, a maioria dos membros da comunidade de segurança patrimonial reconhece que a situação existente de falta de regulamentação não é aceitável e continua a fornecer valiosas contribuições para o desenvolvimento do documento.

Estamos confiantes que o processo da NFPA não somente aumentará o nível de segurança patrimonial na construção civil, mas também dará à indústria da segurança patrimonial uma oportunidade de ser ouvida.

Wayne D. Moore, P.E., é presidente do Comitê Técnico de Segurança patrimonial e é diretor do escritório regional da Hughes Associates’ em New England.

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