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Investigação & Tema Ecológicos

Treinando Cérebro

Por Jesse Roman

EntrenandoEl Cerebro

Uma nova equipe de especialistas de dados da NFPA esta desenvolvendo novas e poderosas ferramentas que aproveitam informação de todo um século e poderiam em breve remodelar a forma como os profissionais do incêndio e da segurança fazem seu trabalho.

Por Jesse Roman

Ilustração por Harry Campbell

Aguardando em estantes, gabinetes e microfilmes no arquivo situado no subsolo da sede da NFPA, perto de Boston, se encontram milhares de documentos que juntos contam a história dos incêndios nos Estados Unidos. Incontáveis relatos, gráficos, fotos e mapas, narram as circunstâncias de numerosas calamidades, desde incêndios que destruíram cidades inteiras até historias detalhadas dum incêndio em algumas das indústrias e instalações menos conhecidas de Estados Unidos.

A aproximadamente 90 minutos de distância, num centro de dados em Springfield, Massachusetts, se encontra a ultima aquisição do depósito de dados da NFPA. No interior do invólucro duma caixa metálica de aspecto banal se encontra um sortimento de circuitos e chips que o pessoal da NFPA alcunhou de Crosby, em alusão ao primeiro secretário da NFPA, Everett Crosby, que mais dum século atrás promoveu pela primeira vez a idéia de coletar dados para reduzir as perdas causadas por incêndios. Enquanto as resmas de papel nos arquivos da NFPA lembram zelosamente o passado, Crosby tem o potencial de revelar o futuro, tomando aquilo que já aconteceu para revelar aquilo que pode vir.

Durante o ano passado, o HD espaçoso do Crosby foi preenchido com aproximadamente sete terabytes de dados obtidos pelos corpos de bombeiros, os agentes de aplicação dos códigos, o censo dos Estados Unidos, o Sistema de Informação Geográfica (GIS, da sigla em inglês) e o Sistema Nacional de Informação sobre Incêndios (NFIRS, da sigla em inglês) assim como décadas de registros de investigações de incêndios realizadas pela NFPA, com mais dados acrescentados permanentemente. Ouve-se o zumbido do processador Intel Xeon 24 de Crosby, cujo cérebro explora os dados para encontrar correlações, agrupamentos de dados e variáveis estatisticamente significativas, sempre reordenando e ponderando os dados cada vez que entra nova informação. Esse cérebro esta sendo treinado pela equipe de cientistas e especialistas recentemente contratada pela NFPA, que desenvolvem ativamente as regras e os algoritmos que transformam os dados de Crosby duma coleta de estatísticas em ferramentas que poderiam um dia remodelar a forma como os profissionais fazem seu trabalho.

O esforço, apesar de sua sofisticação tecnológica, procura responder a uma única pergunta, de acordo com o Presidente e CEO da NFPA Jim Pauley: "Como podemos pegar todos os dados e colocá-los duma forma que ajude nossos parceiros a tomarem decisões?" A resposta, a análise de dados, se tornou nos últimos anos mais avançada e mais acessível que nunca.

Os poderosos computadores modernos são tão aptos a separar, ordenar e analisar a quantidade cada vez maior de informação disponível no mundo que os resultados muitas vezes parecem pertencer ao mundo da ficção científica. Os servidores analíticos de Google, por exemplo, avançaram até o ponto de serem capazes agora de predizer o momento e a gravidade da próxima temporada de gripe. Quando o potencial de Crosby estiver plenamente realizado, as aplicações possíveis não serão menos impressionantes e envolverão também fatos preditivos. Com uma quantidade suficiente de bons dados, por exemplo, a análise poderia indicar qual edifício tem mais probabilidades de se incendiar num determinado bairro. Poderia dizer com objetividade aos agentes comunitários quais quarteirões da cidade deveriam selecionar para realizar campanhas de educação para a prevenção de incêndios com o maior impacto e até quantas vidas seus esforços poderiam salvar. Os dados sobre a história profissional dum bombeiro poderiam um dia ajudar os médicos a determinar quantitativamente sua suscetibilidade a determinados tipos de cancro.

"O potencial da análise de dados é tão espantoso que mete medo," disse Ken Willette, o primeiro Diretor de Segmento de Socorristas da NFPA e ex-comandante de bombeiros. Ele chamou as novas iniciativas de trabalho com dados de "transformacionais", tanto para a organização como para os bombeiros. "No passado, nossos relatórios tinham como objetivo principal informar os tomadores de decisões federais, o Congresso e as associações de nível estadual, mas nem sempre foram tão úteis para corpos de bombeiros específicos", me disse ele. "Mas os dados devem ter um sentido a nível local. Com este sistema podemos operar a esse nível e utilizar o poder da análise para fortalecer os corpos de bombeiros locais. Esse é o agente de mudança."

Enquanto as empresas de todos os setores, de Netflix a AT&T, utilizaram essa magia durante anos para obter informação sobre seus clientes e impulsionar a eficiência, o setor do incêndio e proteção da vida apenas molhou os pés na piscina da análise. A NFPA está pronta a dar um forte empurrão para o mergulho.

Dois anos depois do conselho diretor da NFPA ter tomado o conhecimento, a informação e os dados como pontos focais do novo plano estratégico da associação, os investimentos estão começando a produzir seus frutos. Até o fim de novembro, a primeira ferramenta de dados da NFPA – um painel que permitirá aos corpos de bombeiros locais mapear e manipular seus dados locais sobre incêndio – irá aos testes beta (ver "Solução para os incêndios"). Temos também mais 20 projetos de análise de dados em vários estágios de desenvolvimento, tudo desde uma análise de dados dos sensores de edifícios altos até um algoritmo que explora os registros de chamadas de serviços de assessoria da NFPA para encontrar padrões que poderiam proporcionar informação aos programas de capacitação, manuais e códigos e normas.

O projeto de dados mais ambicioso da NFPA é de longe o desenvolvimento do chamado Sistema Nacional de Dados sobre Incêndios (NFDS, da sigla em inglês). Na sua perspectiva atual, o NFDS coletaria e analisaria dados de incidentes e operações de milhares de corpos de bombeiros em todo o país, permitindo que cada corpo de bombeiros aproveite a sabedoria e a experiência do grupo utilizando a informação para tomar suas decisões e justificar essas decisões aos formuladores de políticas. Em setembro, numa demonstração de confiança em relação ao programa emergente de dados da NFPA, a Administração de Incêndios dos Estados Unidos (USFA, da sigla em inglês) outorgou à NFPA 1,2 milhões de dólares para desenvolver o NFDS. A Associação Internacional de Bombeiros, a Associação Internacional de Comandantes de Bombeiros e várias outras organizações destacadas escreveram também cartas apoiando o projeto.

"Estamos vivendo uma época muito estimulante", disse Nathaniel Lin, um cientista de dados que trabalhou para a IBM e foi contratado pela NFPA em setembro 2015 para liderar seu esforço no campo da análise de dados. "Atualmente, ainda estamos construindo os alicerces da análise de dados da NFPA, mas o edifício já começa a surgir do chão."

Cavando um pouco mais fundo

Lin, que usa óculos de armação preta e tem um ar confiante e professoral, fala com um entusiasmo ilimitado das perspectivas da entrada do setor da proteção contra incêndios na era moderna dos dados. As aplicações da análise, ele disse, são mais potentes quando os computadores são alimentados por quantidades muito grandes de dados, idealmente provenientes de fontes variadas. Aqui, a proteção contra incêndios tem uma grande vantagem em relação às outras indústrias. A maioria das empresas têm apenas seus próprios dados para analisar; compartilhar informação com os concorrentes é um sacrilégio. A proteção contra incêndio, contudo, tem poucas dessas barreiras – os corpos de bombeiros, por exemplo, não competem uns com os outros – e se beneficia dum parceiro com uma posição única, a NFPA.

"A maioria dos setores tem associações comerciais, mas elas sempre têm uma visão parcial – seria muito difícil encontrar uma organização da envergadura da NFPA que não receba nenhuma doação e não deva favores a algum grupo especial de interesses," disse Lin. "Cada setor gostaria de fazer algo como o NFDS, mas um motivo pelo qual não podem é que ninguém goza duma confiança universal suficiente para ser guardião dos dados. Não existe nada como isso no setor bancário, da saúde, ou outros, porque os dados existem em silos. Nem sequer o governo pode fazer isso."

Lin descreveu os dados brutos não aproveitados coletados pela NFPA e pelos bombeiros durante um século como uma "mina de ouro". Em 1896, um grupo de agentes de seguradoras com idéias afins se juntou para discutir os sprinklers anti-incêndio automáticos, uma nova invenção que prometia uma diminuição dramática das perdas por incêndios. Os novos dispositivos tinham um desempenho desigual, contudo, em parte porque ninguém tinha estabelecido uma forma correta de instalação. Então as seguradoras formaram um comitê para padronizar a instalação dos sprinklers e sua prioridade foi procurar dados de incêndio para informar seu trabalho. Vários meses mais tarde, as seguradoras formaram a National Fire Protection Association e o comitê sobre sprinklers começou a produzir o que é hoje a NFPA 13, Instalação de Sistemas de Sprinklers.

À medida que a NFPA cresceu e que o escopo de suas metas se ampliou, a noção original que para obter melhores estratégias de proteção contra incêndio era preciso estudar os dados sobre incêndio também se ampliou. No inicio dos anos 20, a NFPA estava coletando e catalogando informação detalhada sobre aproximadamente 3500 incêndios a cada ano. Os incidentes eram classificados por tipos de incêndios, de riscos e de indústrias e incluíam dados sobre sprinklers, como e onde os incêndios iniciavam, como se propagavam e como eram extintos. Era um empreendimento tão massivo e caro – representando entre cinco e dez por cento dos gastos anuais da associação, de acordo com um relatório de 1923 do Departamento de Registro de Incêndios da NFPA - que os membros debateram se valia a pena continuar o esforço.

"Já compilamos essas estatísticas o tempo suficiente para provar de forma categórica as características fundamentais das perdas por incêndio?" – perguntou o então vice-secretário R.S. Moulton aos membros que assistiam à 27ª reunião anual da NFPA em Chicago em 1923. A resposta foi um "não" unânime. Pelo contrario, alegou um homem chamado Henry A. Fiske na reunião de Chicago, a NFPA poderia fazer muito mais. "Eu penso que poucas pessoas nesta associação têm uma idéia da vasta mina de informação que temos em Boston," disse Fiske, que tinha sido supervisor do Departamento de Registros de Incêndios da NFPA durante quase uma década.

"Temos tomado um pouco da matéria prima disponível, mas ainda existe muito material que não começamos a explorar e eu penso que a associação pode muito bem permitir-se de cavar um pouco mais fundo."

E cavaram mais fundo; os esforços da NFPA hoje são extensos. A Divisão de Pesquisa da associação publica muitos relatórios anualmente, desde estudos que dão uma visão global sobre dados nacionais agregados até relatos detalhados de incêndios específicos e estatísticas sobre incêndios num conjunto de indústrias e ocupações e envolvendo um sem-número de riscos. Entretanto, a Fundação de Pesquisa para a Proteção contra Incêndio apoiada pela NFPA financia e facilita uma grande quantidade de novos projetos de pesquisa a cada ano para gerar dados sobre tópicos sobre os quais anteriormente não havia nada.

À diferença de 1923, ninguém questionou a utilidade desses esforços, mas por volta de dois anos atrás a mudança das necessidades e as novas tecnologias conduziram a outro "momento Henry A. Fiske". A organização poderia "cavar um pouco mais fundo"?

"Nossa comunidade está mudando, os problemas que enfrentamos estão mudando e os parceiros da NFPA estão tomando consciência do poder dos dados locais em tempo real para tomar decisões," disse Kathleen Almand, vice-presidente de pesquisa da NFPA. "Tínhamos um terrível problema de incêndios neste país quando a NFPA começou a trabalhar. Naquela época os relatórios sobre perdas causadas por incêndios eram muito úteis para convencer as comunidades a gastar recursos para diminuir as perdas nos incêndios, mas agora estamos numa posição diferente. Para reduzir o problema do incêndio a zero, devemos direcionar os recursos e as soluções e a forma de fazer isso é apontar para o uso de dados granulares. Esta é a mudança radical."

Almand concretizou a ideia de usar dados de formas mais inovadoras em finais de 2015, quando a NFPA organizou um evento chamado "Smart Enforcement Summit" em Tempe, Arizona. A NFPA convidou 15 jurisdições que já estavam utilizando a análise de dados para orientar suas decisões a apresentar suas estratégias. Algumas usaram dados para mapear as áreas de alto risco de incêndio, outras para informar seus esforços de capacitação ou tomar decisões sobre orçamentos. Um apresentador, o Inspetor de Incêndio recentemente aposentado Roger Parker, da Avondale Fire and Medical na Arizona, mostrou aos participantes como seu departamento utilizou os dados para mapear as áreas mais suscetíveis aos incêndios e priorizar a inspeção de incêndio e os esforços de prevenção. Apesar do pessoal de prevenção ter sido reduzido em setenta por cento, a divisão de prevenção prosperou desde que o sistema de dados foi adotado cinco anos atrás. "Trabalhei 30 anos na prevenção e antes disso fui bombeiro 15 anos," me disse Parker. "Naquela época sempre fomos reativos, atuando empiricamente e seguindo nossa intuição. Este programa de dados mudou totalmente as coisas. Foi a primeira vez que eu pude dirigir o programa em lugar de ser dirigido por ele".

O evento "Smart Enforcement" foi "uma grande revelação para nos em relação ao que está acontecendo", disse Almand. Desde então, a NFPA continuou a interatuar com vários apresentadores da reunião, incluindo Parker, que compartilharam seus dados e conhecimentos e assessoram a NFPA no desenvolvimento de ferramentas baseadas em dados para as jurisdições que poderiam não ter os recursos ou a capacidade de desenvolver suas próprias ferramentas.

Willette, quem em sua função de diretor de segmento dos socorristas viaja por todo o país visitando postos de corpos de bombeiros, disse que, dos cerca de 31000 corpos de bombeiros dos Estados Unidos "a percentagem que usa a análise de dados é da ordem de um dígito, talvez cinco por cento". Contudo, ele acrescentou, a maioria está interessada nesta possibilidade.

Quando Parker apresenta as iniciativas de Avondale relacionadas ao uso dos dados nas reuniões de bombeiros e em conferências em todo o país, "o principal retorno que tenho é ‘não tenho tempo ou recursos para fazer tudo isso,’" ele disse. "Eles não têm idéia de como começar, então simplesmente não fazem nada."

Numa apresentação, um inspetor de incêndio abandonou a sala no meio da palestra de Parker. Quando Parker encontrou o homem mais tarde, ele lhe disse que ficou frustrado pela apresentação. "Ele me disse, ‘vocês adiantaram muito. A cidade nunca nos dará os recursos para fazer isso, e isso me irrita,", disse Parker. "Mas aqui é onde a NFPA aparece com o programa PIP [Prospect Inspection Prioritization] para construir uma ferramenta que os bombeiros possam usar gastando pouco ou nada. Com o desenvolvimento dessas ferramentas, com a capacitação das pessoas … dentro de cinco anos todos estarão usando isso ou ficarão atrás."

Potencial enorme, resultados incertos

O poder da análise avançou junto com o poder de computação. Apertando um botão, uma máquina pode, em milissegundos, examinar uma pilha de dados digitais que poderia encher a Biblioteca do Congresso e encontrar padrões significativos e correlações escondidas que uma equipe de pesquisadores nunca poderia esperar descobrir.

Vejamos um exemplo. Marcar um ponto a partir de dois eixos é simples; você encontra os valores correspondentes de X e Y e marca. Marcar um ponto a partir de 100 eixos – levando em conta as 100 variáveis em 100 dimensões diferentes - é muito mais complexo, mas não é um problema para Crosby. Se e quando o Sistema Nacional de Dados sobre Incêndio lançar o sistema e Crosby seja abastecido com dados dos corpos de bombeiros de todo o pais, criar esse tipo de matriz poderia ser uma ferramenta extremamente poderosa.

Imagine que cada corpo de bombeiros seja marcado com um único ponto numa área virtual que compreenda dezenas ou centenas de eixos projetando-se em todas as direções – cada eixo representando uma variável estatística sobre cada corpo de bombeiros, como o número de postos de bombeiros que possui, a população a que serve e o número de chamadas de incêndio que recebem a cada ano. Como cada corpo de bombeiros está marcado com um único ponto nesse espaço multidimensional, conjuntos de corpos de bombeiros similares começam a aparecer. Embora os corpos de bombeiros em cada conjunto sejam muito similares entre si em muitos aspetos, existem necessariamente também diferenças fundamentais. A oportunidade reside na análise dessas diferenças, disse Willette.

Digamos, por exemplo, que as cidades de Long Beach e Sacramento na Califórnia têm muitos aspetos similares – demografia, número de bombeiros, edificações – a única exceção é que Long Beach tem 1000 incêndios estruturais por milhão de residentes e sacramento apenas 600. Qual seria o motivo? Sacramento tem mais postos de bombeiros? Investe mais dinheiro na prevenção e educação? Tem leis que requerem a instalação de sprinklers? Analisando os dados do NFDS, Crosby será capaz de dar a resposta aos comandantes de bombeiros de Long Beach: vamos supor que neste cenário os gastos mais elevados em prevenção e educação sobre incêndios de Sacramento sejam a causa do menor número de incêndios. Crosby poderia então cruzar os dados de Long Beach com centenas de outros corpos de bombeiros similares em todo o país e predizer quantos incêndios Long Beach poderia prevenir gastando mais em educação, assim como quantas vidas e ferimentos poderiam ser evitados. Além disso, poderia indicar ao comandante as áreas da cidade onde uma educação direcionada poderia ter o maior impacto.

"Então agora, quando vou à agência financiadora da cidade e digo que preciso de 12 milhões para triplicar nossa educação em prevenção contra incêndio, posso também dizer que um investimento de 12 milhões terá como resultado cortar 80 milhões de perdas em propriedade, reduzir em quatro vezes as mortes causadas por incêndios e evitar 1000 ferimentos", disse Willette. "aqui estão os custos, aqui estão as poupanças, e aqui estão todos os dados para respaldá-lo.

"O financiamento e os orçamentos do combate a incêndio têm sido um jogo de empurra-empurra." Ele continuou. "É difícil fornecer indicadores de desempenho diretos mensuráveis que os formuladores de políticas e os responsáveis dos orçamentos possam olhar para comparar diferentes orçamentos com diferentes resultados e ver quais têm o melhor valor. Com a análise de dados, você pode responder a essas perguntas."

O poder do benchmarking é apenas um exemplo do potencial do NFDS. Se for possível capturar uma quantidade suficiente de dados, a análise poderia revelar uma quantidade desconhecida de outras verdades, como a melhor localização dos postos de bombeiros, quanto tempo falta até que um veículo de combate a incêndio ou outro equipamento falhe, ou até os futuros riscos para a saúde dum bombeiro com base nas exposições passadas. "Realmente, o céu é o limite em termos daquilo que seriamos capazes de fazer," disse Almand. Mas quão realista é tudo isso? Como serão coletados os dados? Os serviços de bombeiros estarão dispostos a fazê-lo e terão essa capacidade? Ainda é muito cedo para conhecer as respostas. Os lideres da NFPA com quem falei admitiram que as metas do projeto são ambiciosas e que serão difíceis de alcançar, mas não impossíveis.

"Isto é grande e quando as pessoas tentam conhecer minha visão sobre esse projeto em particular, eu respondo muito claramente que não tenho a certeza que o problema possa ser resolvido", disse Pauley, presidente da NFPA. "Mas eu sei de fato que se alguém tem possibilidade de resolvê-lo, somos nós. Graças às nossas relações, ao respeito de que gozamos e à nossa determinação quanto à importância que os dados podem ter para o futuro da segurança contra incêndios, as coisas se apresentam bem para nós".

No fim da subvenção de 18 meses da USFA, a NFPA terá desenvolvido um programa para o projeto que porá em destaque a logística do NFDS. Pouco tempo depois, a NFPA espera começar a construir a infraestrutura e as aplicações experimentais. "Queremos mostrar alguns progressos rápidos," me disse Almand. "Um dos conceitos da análise é ‘agir, aprender, construir’. Você tem que começar formulando a idéia, testar e ver se funciona e aprimorar o sistema.

Não vamos esperar 10 anos e lançar um super sistema." A mesma filosofia impregna os mais de vinte projetos sobre dados que estão em curso na NFPA e, de fato, a iniciativa da análise no seu conjunto, disse Pauley. É todo um trabalho em progresso, uma série de tentativas e erros, um esforço dinâmico que é difícil definir. Em suma, é um ambicioso desconhecido com enorme potencial e resultados incertos.

Na conclusão da discussão sobre dados na reunião anual da NFPA em 1923, os membros acabaram votando a ampliação dos esforços de coleta de dados da NFPA, formando um comitê de três pessoas para estudar como a associação poderia obter estatísticas de óbitos ao nível nacional em incêndios previamente desconhecidas. Naquela época, era uma tarefa imensamente ambiciosa, porque as certidões de óbito em geral indicavam apenas a causa direta da morte, como a asfixia ou uma queda, sem registrar que a "queda" ocorreu quando o falecido saltou duma janela do segundo andar para fugir das chamas mortais.

Da mesma forma que os lideres em 1923 não tinham idéia de quais seriam os frutos daqueles esforços, tampouco Pauley o sabe. Mas o esforço vale a pena, já que poderia muito bem mudar a forma como a NFPA será vista no futuro, ele me disse. "Não se trata apenas de códigos, trata-se também dos dados e das aplicações que podemos fornecer para assistir as pessoas em seus trabalhos," ele disse. "Estamos assentando o fundamento para que a NFPA seja vista como um recurso no âmbito da análise, qualquer que seja a forma que tome".

Quando lhe pedi de tentar localizar a NFPA nessa linha de tempo – o que alcançamos? Quanto mais devemos avançar? – Pauley não mordeu o anzol.

"Muitas vezes me perguntam, ‘ok, então quando acabarmos, que cara vai ter?’ mas não vamos acabar," disse ele. "Estar em algum lugar significa um principio e um fim. Eu penso que estamos bem adiantados na viajem, mas nossa expetativa é que o caminho a nossa frente não tem fim".

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SolucionesdeIncendio

Solução para os incêndios

O produto inicial do esforço da NFPA com dados tem por objeto as necessidades de informação dos socorristas

O Data Solution Center da NFPA, a primeira peça significativa da nova iniciativa de análise de dados da NFPA, está programado para ser lançado até finais de 2016. O centro é uma plataforma de dados online baseada em mapas dirigida aos bombeiros que integrará dados de muitas fontes, como o NFRIS, dados locais relevantes, dados do censo e do sistema de informação geográfica. A meta é facilitar o uso e a compreensão dos dados locais e ajudar os corpos de bombeiros a tomar decisões informadas acerca de suas operações e estratégias, disse Kathleen Almand, vice-presidente de pesquisa da NFPA. Para utilizar o centro de dados da NFPA, um corpo de bombeiros fará o login num portal online onde os usuários podem ver e manipular um sortimento de dados visualizados em camadas sobrepostas em mapas de seus distritos. Até finais de 2016, os usuários poderão ver no mapa os incêndios que ocorreram em sua jurisdição e ordenar os incidentes com base na fonte de ignição, os ferimentos, a propagação do incêndio e outras variáveis. Futuros aprimoramentos do centro de dados permitirão aos corpos de bombeiros sobrepor nos mapas os dados do censo e dados coletados localmente para mostrar características dos bairros como a demografia, a densidade populacional e as instalações de alarme de fumaça, tudo com o objetivo de fornecer aos bombeiros uma visão mais clara dos riscos de incêndio e das tendências em curso em seus distritos. 

“Depois de 2016, o centro se desenvolverá e se ampliará para instalar mais funções enquanto obtemos o retorno de várias partes interessadas sobre soluções especificas de dados que os ajudarão a ser mais efetivos e eficientes,” disse Almand.

O próximo acréscimo ao centro de análise de dados será a ferramenta de Priorização de Inspeção de Propriedade (PIP, da sigla em inglês) cujo lançamento está programado para 2017. A ferramenta PIP usará a análise de dados para ajudar os agentes de aplicação dos códigos a mapear e priorizar seu cronograma de inspeção de edifícios com base em numerosos fatores de risco.

Para desenvolver o programa, os cientistas de dados da NFPA fizeram um levantamento junto a várias autoridades competentes experimentadas para determinar quais fatores de risco sugerem que uma propriedade deva ser inspecionada imediatamente e quais fatores indicam que uma inspeção não é tão urgente. Utilizando essa informação para ponderar numerosas variáveis, foi desenvolvido um modelo informático que está agora sendo treinado e validado com a assistência e os conhecimentos de membros da Fire Marshal Association. Com o tempo, o modelo será capaz de aprender por si só á medida que se incorporem novos dados locais sobre inspeção. Por exemplo, se um edifício nunca passa uma inspeção, o modelo poderia fazer subir essa propriedade na lista e sugerir que seja inspecionado com maior frequência. Se outro edifício nunca tem problemas com a inspeção, o modelo poderia fazê-lo baixar na lista de prioridades de inspeção.

Os corpos de bombeiros que estiverem interessados em participar do Centro de Soluções de Dados da NFPA deveriam contatar Nathaniel Lin, diretor da Divisão de Estratégia e Análise de Dados da NFPA, em .

 

Se quiser soluções, só acrescente dados

Os sistemas de dados da NFPA começam com vastas áreas de memória armazenadas nos servidores de Crosby. Os poderosos programas de análise criados pela equipe de especialistas de dados da NFPA podem então revolver e analisar os dados, extraindo visões chave que são compartilhadas com os usuários por meio de ferramentas baseadas nos dados, portais da internet e aplicações. O objetivo é dar aos parceiros melhor informação para tomar decisões essenciais e fazer seu trabalho de forma mais efetiva.

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